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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Falta de Tempo





Eu não coube naquela sua camisa branca, bem clichê, como um filme. Não deu tempo... Estava ocupada sendo de verdade, sem roteiros, sem palavras ensaiadas.
Eu não acordei antes de você e me arrumei toda, para parecer perfeita. Às vezes engano a insônia e durmo até perder a conta do dia e fico ali descabelada mesmo, perdida entre o travesseiro, o edredom, os sonhos e seu cheiro.
Eu não beijei seus olhos antes de dormir desejando que a luz nunca lhe falte, nem me preocupei em lhe cobrir o corpo se não com o meu corpo.                                  
Eu não levantei devagar e preparei seu café da manhã, nem beijei sua testa para guardar seus planos e lhe despertar para os sonhos.
Eu não fiz de sua cama meu oásis, nem experimentei delícias que tivessem sido feitas por você. Ali só nós éramos os manjares.
Eu não fui surpreendida por um beijo seu invadindo meu pescoço e roubando meu norte. Não sei bem se faltou a bússola ou o beijo.
Eu não lhe contei o meu dia nem perguntei do seu. Não fiquei ansiosa pela sua chegada, nem me olhei várias vezes no espelho orgulhosa e feliz (e até duvidosa) de ter tido a sorte na vida de encontra-lo.
Eu não ouço a sua voz quando sinto saudades, nem sinto seu cheiro na minha roupa, nem seu gosto mora mais em minha boca, nem os caminhos de sua mão no ritmo do meu quadril eu me lembro. Faltou-nos tempo.
De alguma forma, fomos breves instantes sufocados pelo inexorável tempo que previmos longo, mas nos faltou.
Eu não coube em lugar nenhum que poderia ter cabido. Nem aqui, do lado de fora, tão frio pela estação, nem aí dentro, abrigo negado.

Eu não também fui o convite irrecusável ou a pauta acolhedora. Fui pouca areia nessa ampulheta. Você foi pouco tic nesse tac. Fomos falta. Somos falta. Um tipo comum de solidão (a dois) nos dias que chamam de hoje.

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