Visitas da Dy

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Estrelas




Olhando para o céu vejo estrelas
Tão altas, tão brilhantes,
Tão frias
Que chegam parecer vazias
Porque ainda olhos para elas?
Será que elas olham por mim?
Será que olham pra mim?
Ah, se soubessem as respostas que busco...
Ah, se pudessem realizar os desejos,
Auqeles desejos que fazemos
Sempre q elas se jogam lá de cima.
E por que se jogam?
Para ver minhas lágrimas de sal?
Sim, minhas lágrimas são cristalinas,
Quase brilhantes como elas...
E por que se jogam?
Para ver meus sorrisos soltos?
Sim, meus sorrisos amorosos, livres.
Digam-me estrelas,
Por que se jogam?
De onde vem o teu brilho frio?
São tão belas quando caem na terra
Ou só o céu é que lhe dão todo esse encanto?
Às vezes a beleza só se vê na distância...
Ah, se eu soubesse responder...
Ah, se pudessem me responder...
Digam-me estrelas sabem o que é o amor?
Já amaram alguma vez?
Por que emprestaram o teu brilho para os olhos de meu amado?
Por que lhe deram o seu encanto?
Para me entorpecer?
Ah, se pudessem me responder...
Estrelas que brilham frias, sozinhas, vagas
Estrelas distantes, encantadas,
Que brilham leves, soltas,
Digam-me porque ainda as observo,
Se já não sei o que é bem ou mal,
Se já não sei se me olham,
Se já me perdi em seu brilho,
Se já não sei onde estou...

Poeira



No relógio o tic-tac não para
O que ele denuncia é o avançar das horas,
Dos dias… da vida…
Lá fora a correria segue.
Eu sigo na poeira dos meus dias…
E por mais espessa que a poeira seja,
Por mais fumaça que haja pelas ruas,
Ainda há alegrias!
E eu as encontro todas as manhãs.
A felicidade me espera do lado da cama
Ali, na cabeceira.
Porque por mais que eu tenha motivos,
O simples fato de ter acordado já me dá forças
Pra encarar toda a maratona que se anuncia.
Hoje eu acordei!
Respirei!
Hoje o céu está mais azul
O vento estpa fresco
Recuso-me a ser infeliz!
E se o sol não aparecer,
Faço um desenho com giz…
O que eu quero é ser feliz!
Vida, aí vou eu,
De mala, cuia e chapéu!

Poetando




O que é escrever?
Caminho sem volta,
Ilha deserta,
Perdida  no meio do oceano dos sonhos,
Onde nenhum navio vai chegar.
Escrever é sonhar:
Sonha-se em ser melhor do que se é.
Sonha-se com a dor que nem se sente.
Sonha-se com o amor que ainda virá.
Escrever é sofrer:
Sofrer porqeue insistem em te decifar,
Porque teme não ser lido,
Porque treme ao saber ser lido.
Escrever é sorrir:
Ainda que não esteja com vontade,
Ainda que ninguém veja,
Os lábios dos poetas sempre sorriem.
Ver a sua criação é embriagador…
Escrever é desafio:
A caneta é teimosa, briga com os dedos
Não obedece os sentidos,
Só se liga ao coração
E o denuncia, a todo tempo.
Deixa vazar o que ele queria esconder.
Escrever e perigoso:
Mostra a alma,
O sentimento,
Mostra aquilo que nem semrpe era pra ser visto
Mostra as fraquezas, as angústias,
Mas mostra o belo,
As alegrias, levezas, amores.
Escrever é, antes de tudo, exercício de autoconhecimento:
Ou se expõe ou não é verdadeiro.
É reflexo de sua alma no papel.
É colorir o branco da folha com as matizes dos sentimentos.
Escrever é voar,
Ser livre pra poder pensar,
É falar sem medidas,
É conquistar terras desconhecidas,
É viagem sem volta.
Mas porque é tão bom,
Depois que se começa a escrever,
Depois que se começa a viajar,
Nunca mais nenhum poeta quer voltar.

Heitor




O grande domador de cavalos atravessou os tempos
Correu pelos séculos,
Por terras desconhecidas.
Deixou seu mundo,
Abadonou seu reino
Ganhou as cabeleiras loiras do sol
A poeira lunar foi soprada em sua fronte
Do céu ganhou a cor dos olhos
Que brilham como as estrelas.
O príncipe não reina mais em suas terras,
Mas em corações
Que o desejaram,
Que o sonharam.
Que hoje o amam.
O pequeno grande Heitor não é mais de Tróia,
Mas é nosso mais precioso tesouro.
O pequeno Heitor é festa,
É alegria, é rara joia!
É saudade que se mata com abraço,
É beijo que se ganha de graça.
É plano dos deuses para a vida dos mortais
É realização de planos,
É incentivo para as batalhas diárias.
O grande Heitor não é mais guerreiro de livros
É, antes de tudo, inspiração de vida.
O príncipe troiano agora é meu
Dorme em minha cama,
Acalma meu espírito.
O sonho de cachos louros é real.
E chora de saudade,
não tanto quanto eu,
Mas já sabe o que é distância.
O príncipe de olhos que ora são azuis, ora verdes,
Sabe o que é ser amado.
Esse príncipe que um dia foi troiano,
Observado pelos deuses do Olimpo,
Agora dorme em meus braços
Fortaleza frágil, mas segura.
O príncipe que usou elmo flamejante,
Descansa em sob meus olhares
Amorosos, vigilantes.
O menino que foi muito esperado
Hoje corre pelos cantos,
Enche a casa e seus espaços,
Faz música com sua risada,
Reina absoluto em minha vida.

Cometa




E como é isso de entrar e sair da vida das pessoas?
É ser como um cometa?
Ser cometa é ser breve.
Brilho,
fogo,
efemeridade.
Acabou.
O que sobrou?
Lembranças.
Gosto de saudade,
Cheiro de chuva,
Menino se equilibrando nos trilhos
Enquanto o trem não vem.
O que ficou?
Nossa amizade!
Que não era cometa,
É estrela, luz que irradia
Cada vez mais alegria!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Silêncio e Solidão



De que me vale toda essa mobília se a casa fica sempre vazia?
E para quê tantos copos e pratos e talheres, nessa mesa posta se ningué me visita?
Não, não é por falta de amigos, me entenda bem… é que em certos momentos da vida passamo a apreciar mais a solidão e o silêncio. Passamos a preferir a companhia dos livros, dos poemas, poesias, prosas, mesmo.
Às vezes digo que prefiro a companha dos mortos, porque parece que só eles me compreendem: encontro-me nas toadas de Eric Satie, de Chopin, de Bach. Reencontro meus senimentos nas linhas dos que já foram como Pessoa, Maiakovski, Goethe, Drummond, Cecília, Florbela, Clarice, Neruda, Garcia Márquez, Galeano.
Há algum tempo pensava que esse apreço pela solidão só se dava na velhice, quando cansadas do mundo, cansadas de suas vidas, as pessoas preferiam se recolher e fazer o seu balanço final, avaliar o que foi feito, suas condutas, suas ações.
Ilusão!
O apreço pela solidão vem da necessidade de se encontrar.
O que me faz passar horas olhando os meus livros na estante nesse quarto que parece não ser meu é o fato de que preciso me encontrar.
Sair às ruas sorrindo e distribuindo “bom dia” à toda gente é fácil. O difícil é encarar o espelho. É se ver só com você mesma. É entender que os planos falham, é ver seus defeitos de frente, é aceitar quem você é e buscar melhorar o que não lhe agrada.
O que me faz escolher a imensidão dessa casa vazia à companhia de pessoas é que nem todas saberiam entender o que se passa no meu coração, porque somos muito acostumados a julgar só pelas aparências, é que quase ninguém consegue ver a sua essência por baixo da maquiagem. É que os seus vestidos bonitos dizem mais aos olhos de quem lhe vê ou aos dedos que lhe apontam do que as atitudes honrosas que você toma.
Apetece-me esse silêncio porque estu cansada de ser vitrine. Sim, somos vitrines o temo todo! O que importa para os outros é o que eles vêem e não o que sentem e isso é doloroso. É o sinal de que as coisas não vã bem, de que o barco está furado, de que o capitão fugiu no primeiro bote e de que estamos à deriva, valorizando demais o que não tem a menor importância.
Nossos olhos ganharam mais importância: através deles podemos lançar mão de nosso achismo consumista e oportunista e rotuar as pessoas pelo que elas aparentam.
Deixamos de lado nosso coração e o ato de sentir, de conhecer o outro, de extrair o melhor dele e, então, apreciar essas companhias, essas virtudes.
O que me faz apreciar as madrugadas e esse silêncio angustiante que só é quebrado pelo som da chuva que cai desesperadamente em minha janela nesse momento é o fato de que para as pessoas o que importa é que cabelos vermelhos são sinônimo de gente rebelde, que não presta, que só pensa em baderna. Por que não pode ser só a minha cor preferida? A que eu acho que combina mais comigo?
Sim, eu gosto de vermelho. Sim, eu sou rebelde. Sim, eu vou gritar ao me incomodar. Vou espernear. Não vou me conformar. Prefiro a derrota de ter tentado do que a dúvida de um “se”.
Sim, vou usar vermelho nos cabelos. Ele mostra a cor do meu coração que sangra. Que arde. Que se agita ao menor sinal de fogo. Que acelera ao ver o mar. Que sabe que é confuso e que não consegue se organizar. Que pulsa desenfreadamente e descompassadamente em busca de respostas.
Sim, vou usar o vermelho, mesmo que não goste dessa cor nas unhas… mesmo que prefira rosas amarelas, mesmo que seja fora dos padrões.
Vou ser gauche na vida!
O que me faz gostar dessa casa infinitamente grande e vazia é que aqui as paredes ecoam a minha voz, que me é familiar e me dá alento. É que aqui a única voz que escuto faz eco aos meus anseios e não os questiona ou limita ou tenta descontrui-los.
Gosto da sala vazia e dos livros espalhados por toda parte, não só porque gosto de ler, mas porque gosto das palavras ditas, soltas, que voam, que tomam  corpo e força e expressam (quase) tudo aquilo que está na alma.
Gosto de ver essa mesa posta, ainda que vazia. Ela me faz lembrar que já esteve cheia, mas que as pessoas em sua maioria não mereciam esse lugar, porque eram máscaras venezianas ao invés de essência. E para mim, máscaras só no carnaval, para disfarçar as dores que temos no resto do ano. A mesa vazia me faz pensar melhor em quem convidar para sentar-se nela da próxima vez. Faz-me refletir sobre as pessoas e o sentimento de confiança, de reciprocidade, de entrega, de amizade.
Gosto dos copos vazios, sem bebidas ou alegria. Gosto deles assim para lembrar do som dos brindes e pensar em quantas vezes esses brindes foram vãos. Da próxima vez escolherei melhor a bebida, melhor a companhia e melhor as palavras do brinde, porque brindar é selar um pacto. E um pacto deve ser levado a cabo.
O que me faz sentir-me em paz nesse silêncio que amargura o coração é que ele me faz crescer e amadurecer e como todo processo de amadurecimento me faz ser melhor. Faz com que eu me entenda, me aceite, me transforme.
O que me faz entender e aceitar e preferir o silêncio e a solidão desses dias cinzentos e nublados e longos e tediosos é a certeza de que em breve o sol nasce, o dia se colore e isso passa. E a casa voltará a ter pessoas circulando. Não tantas quanto antes, mas raras e caras, nas quais posso confiar porque me entendem. Porque foram escolhidas e me escolheram, e por isso sabem que meu silêncio e isolamento são necessários de vez em quando.

Nós




Nós
Que nos atam e desatam.

Nós
Que nos damos quando nos abraçamos

Nós
Que somos dois em um
Porque somos um olhar para o mesmo horizonte

Nós
Que nos perdemos na noite,
Atropelamos o dia

Nós
Emaranhados de fios
Novelos confusos
De linhas,
De braços,
De sonhos,
De amor…

Nós  
Que fomos, um no outro, amarrados
Que esperamos nunca ser desatados

Descaminhos




E em meio àquela estrada não nos reconhecemos
Nos perdemos
E naqueles caminhos nossos pés se separaram
Se afastaram

Os pés caminhantes chegaram à encruzilhada
As dúvidas dilacerantes tomaram conta dos seres
E só serviram para complicar a caminhada
Embolar todos os saberes

Qual seria o próximo passo?
Voltar, chamar, gritar, pensar?
Amar… e deixar ir, deixar voar…

Quem tem asas e aprendeu a usa-las nunca mais quer saber de chão
E o melhor jeito de mostrar que ama é deixar livre o coração
Voa passarinho, descobre o céu, mas seu serei repouso se quiser voltar.

domingo, 20 de novembro de 2011

Quintal Mágico


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Mar sem ondas




Desde que você se foi
Minha voz fez-se silêncio.
Meu mar ficou sem ondas.
Fiquei sem rumo,
Desaprendi a navegar.

Nega-me até um “oi”.
Viver é suplício.
E nas noites faço rondas,
Acendo um cigarro – e eu não fumo!
Sinto que vou sufocar.

Enquanto nosso amor durou
O tempo passou.
Era tudo calmaria…
Agora, falta sossego no meu dia.
Sem teus pés não sei caminhar.

Dá-me a luz dos teus olhos,
Dá-me o sossego da alma,
Pois já não sei se vivo ou se morro,
Se amo ou me desespero.

Eu sem você



Eu sem você
Sou domingo sem pavê,
Nada de bom pra ver na TV.
Fim de semana de chuva,
Videira sem uva.

Sou carro na contramão,
Criança que chora na escuridão.
Sou bola vazia,
Tristeza no fim do dia.

Eu sem você,
Caminho pela praia,
Enquanto o vento bate na saia
E já não sei se é dia ou noite,
Porque o passar do tempo me corta como um açoite.

Sou vento sem direção,
Flor despetalada no chão.
Sou só desamor,
Um coração cheio de dor.

Eu sem você…
Sou Dy sem Heitor…
Sou por do sol no Arpoador
Que espera o dia nascer
Sonhando em te ver…


Luz



– Quer um café? (Ela tinha mania de oferecer café sempre que queria conversar.)
– Não.
– E um suco?
– Não.
– Água?
– …
– O silêncio é um sim?
– Não.
– Então a gente pode conversar sem beber nada mesmo…
– Sabia que queria conversar. É muito previsível: oferece café toda vez que quer sentar em um lugar só pra bater papo…
– É… acho que me tornei o que mais temia: previsível.
– Não… é que tem sido assim de uns dias pra cá. Aliás, acho que devia parar de toamr café. Isso faz mal.
– Por que?
– Hum?
– Por que faz mal?
– Sei lá. Você fica mais ligada, mais agitada. Não deve te fazer em. Já pensou que pode estar com insônia porque tem tomado litros de café todos os dias?
– Isso não tem nada a ver…
– Ah, então tá. E quer falar sobre o que?
– Sobre nada… e sobre tudo… na verdade pensei em começar essa conversa com um “olha, tá quente aqui, heim?” só pra ver onde ia parar.
– Não tô entendendo…
– É que estava com saudades de conversar cm você, mas o tempo e a distância matam o assunto. Matam tudo aquilo que queríamos manter vivo. E é dolorido eu ver nossos sorrisos vazios agora.
– Mas ainda nos falamos. Te liguei outro dia.
– Há 15 dias… e isso não é nada bom. Isso é o sinal de que a gente vai se separar no caminho da vida, que vai cada um pro seu lado, que o assunto vai acabar, que nossa música nunca mais vai tocar. Quer dizer que vou ter sempre uma cadeira vazia ali de meu lado e que vou me contentar com a saudade, a lembrança e uma foto sua na minha estante, onde nossos sorrisos deixam meus dias melhores…
– Mas o que é isso? Ainda ouço nossa música.
– Ainda… o que quer dizer que daqui a pouco vai parar… vai ter outras músicas para ouvir… outras pessoas em quem pensar…
– Juro que não te entendo. Está se mudando de cidade, não é de planeta. Ainda existe telefone, internet, carta! E vai estar perto, são só algumas horas de viagem. E virá pra cá com frequência e vamos nos ver e marcar nossos cafés, ouvir nossa música e rir muito, que é o que mais gostamos de fazer.
– Ainda vai me dar conselhos?
– Ah, você é que sempre me aconselha…
– E vai ao teatro comigo quando eu estiver aqui? E ao cinema? E vamos comer pipoca? Ainda leremos os mesmos livros?
– Calma. As coisas estão mudando, mas nem tanto. Tem coisas que não mudam nunca. Nem com 200 km de distância. Nem em mundos diferentes.
– Então meu abraço vai estar sempre guardado aqui?
– Sim, mas vai leva-lo com você também. Junt com meu sorriso e parte do meu coração.
– Que lindo! Vou precisar. Já sei que vou me sentir sozinha.
– Vai se sentir sozinha, mas vai brilhar mesmo assim. Porque esse vai ser o jeito de eu te ver: se estiver brilhando. Como brilha hoje, como sempre brilhou.
– Acho engraçado essa coisa de dizer que eu brilho…
– É a luz mais inquieta e brilhante que conheço… e vou ver você mesmo estando longe, porque nunca esquecemos quem nos dá momentos felizes.
– Serei luz, então, ainda que triste… ainda que esmorecida…
– Sim. E não suma dos meus olhos… porque sem a sua luz, o mundo fica cinza…


Casamento



Recebi um e-mail de uma amiga dizendo que ela vai se casar e que mesmo eu morando em outro estado quer a minha presença no camento dela. E eu vou. É quase que uma dívida. Por que? Porque ela esteve no meu casamento, mas isso foi há muito tempo atrás, no reino de far, far way.
Casei-me aos 17 anos. Foi divertido: vestido de noiva, bolo de casamento, fotos, bouquet de rosas chá – as rosas vermelhas me pareceram clichê demais.
Algumas coisas não sairam como eu gostaria: meu vestido não era vermelho; o recorte não era medieval; não fiz festa, foi mesmo só um bolo, vinho e champagne – para os noivos.
Não, não me casei grávida, se é o que estão pensando. As pessoas podem querer se casar ainda jovens sem estarem grávidas. Eu quis.
Eu quis me casar porque sempre fui meio diferente, sempre detestei essa coisa se ser sozinha, não gostava de baladas, tanto que a primeira balada que fui já estava casada. Sempre fui de livros e músicas, letras e rebeldia, sorrisos e teimosia. Lugares com muita gente me perturbavam, não me deixavam ver os detalhes das pessoas, seus jeitos, seus olhos. Não me deixavam perceber as sutilezas da vida.
Achava a vidinha de adolescente a coisa mais chata do mundo. E pra espantar a cahtice, a mesmice, a rotina eu era revolucionária! E ia para as ruas em passeatas, e queimava pneus, e sonhava mudar o mundo com a minha super boina branca de crochet – que miha avó teceu. Para acalmar esse coração eu cantava. Tinha uma bandinha na igreja. É… naquele tempo eu ia à igreja…
Decidi que me casaria com o namoradinho que tive aos 15 anos, que me fazia rir, que tocava na bandinha comigo, que era boa companhia. Dois anos depois de iniciar o namoro já achava que era tempo de me casar e casei.
Deu certo. Por pouco mais de sete anos, deu foi muito certo, mas acabou. É que tudo tm um prao de validade e o meu é curto. Ou foi curto.
O divórcio veio pra fechar a minha profecia de que aos 25 estaria solteira e com meu filho: uau! Aos 25 me divorciei, seis meses depois de meu filho ter nacido.
E pra quê relembrar isso? Simples: pra chegar lá no começo do texto, no casamento da minha amiga e na “dívida” que tenho com ela.
Amigas são amigas sempre, mesmo na distância, mesmo sem se falar por telefone, mesmo morando em estados diferentes.
Ela me viu casar, achou que era cedo demais – fez coro com muito mais gente – depois apoiou. Viu a caminhada da faculdade, a formatura, a correria, a minha barrigona, o meu bebê lindo, a minha separação, a minha mudança de cidade… esteve presente, ainda que distante, nos meus momentos mais difíceis, mais alegres, mais meus. E agora eu quero estar lá pra ve-la linda, entrando na igreja em direção ao seu príncipe encantado – que ela é, sem dúvida a mais romântica do trio!
Quero estar nesse casamento pra me emocionar e chorar quando ela apontar na porta; quero de verdade desejar que ela seja feliz; quero desejar que tenha filhos lindos; que saiba ter a paciência e a compreensão tão necesárias para uma vida a dois e, claro, quero ver se pego o bouquet dela, dizem que dá sorte e, quem sabe, não me caso de novo!?
Quero ir nesse casamento porque acho que novas histórias de amor são necessárias pra mover o mundo e porque acho lindo esses contos contemporâneos de amor. Quero estar no camentod a minha amiga, só porque ela é minha amiga e porque ver a felicidade dela vale qualquer viagem!

Colar de Ametistas / Presente de Aniversário



Oba! Fim de semana de sol nas terras fluminenses!
Apesar da noite mal dormida lá vou eu para a praia: camisa do flamengo, shorts, óculos escuros e, claro, uma amiga!
Ainda na porta de casa um desvio nos planos e um encontro com um amigo, que de tão querido, não saberia explicar… rumamos, os três, para a praia.
Sol, calor, água, sal, areia e um colar de amestistas…
O colar de ametistas!
Que coisa mais linda!
Vi o colar, simples, de bambu e amestistas, mas meus olhos brilharam. E brilharam tanto que foi impossível aos meus amigos não notarem.
Como o meu aniversário está chegando – e 2.7 não se completam todos os dias – o meu amigo resolveu me dar o colar de presente. Que lindo!
Acho que meus olhos brilharam mais ainda… e então, já de posse do tão desejado colar – eu me sentia um criança, que ganha o brinquedo que desejava há dias – acabei por me dar conta de um detalhe: era o meu presente de aniversário e eu simplesmente NÃO SABIA a data de aniversário do meu amigo.
Como pode isso?
Como posso ter um amigo tão, tão querido e não saber o aniversário dele? A gente nunca comemorou! Ai, que dor no meu coração!
Tudo bem, não somos lá muito fãs de comemorações, mas daí eu não saber a data de aniversário de uma das pessoas que mais prezo nesse mundo é outra história. Me soou como desleixo, como um “tô nem aí pra você”, o que não era, nem de longe, verdade.
Fiquei chocada comigo mesma e com a minha falta de atenção, falta de dedicação, sei lá…
Depois de alguma conversa acabei por entender o porquê de eu não saber a data do aniversário: a gente não precisa de uma data pra comemorar, porque aproveitamos cada encontro nosso, que tem se tornado raro nesse mundo corrido. Nós não precisamos trocar presentes porque trocamos experiências, trocamos vidas!
Naquela tarde, ali na praia, sentada na areia e cercada de amigos eu percebi que a “felicidade se acha em horinhas de descuido”, que uma data é só uma data, mas que momentos felizes que envolvem amiade, carinho, brincadeiras, solidariedade, cumplicidade, ah, esses são pra sempre… e é só o que vai ficar depois que tudo passar…


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Espera



Que a vida é tomada de decisões eu já sei.
Que a cada caminho seguido
Há mil que desistimos, é certo.
Abra sua mente,
Permita-se ser.
Deixe o coração voar,
Deixe-o se apaixonar.
Não faça escolhas demasiadas.
Viva.
Viver é bom!
Viver é existir,
Sentir,
Pegar,
Cantar,
Amar…
Mas não esqueça,
Viver também é errar!
E errar não é só erro.
É aprender,
Cair,
Levantar,
Ter alguém em quem se apoiar.
Então, viva!
E faça amigos.
E tenha amores.
E leve tombos.
E não se esqueça:
A cada alegria,
A cada amor,
A cada tombo,
Terá sempre meu sorriso,
Meu ombro,
Minha mão.
Terá ao seu lado os meus passos,
Os meus abraços
E meu amor mais terno, mais puro,
Cada vez maior, à sua espera.

Insones




Nessa madrugada que se vai lenta
O relógio marca 5 da manhã.
Do meu lado você inventa
Fragmentos que poderiam ser o nosso amor.
O nosso amor que não existe.
Entre pernas e braços, o lençol.
Entre minha cabeça e coração, o tédio.
Ou não é tédio? Poderia ser só indiferença.
Você faz planos para uma vida plana.
Eu sonho acordada com as montanhas.
As delícias de se descer correndo pelos caminhos,
O vento batendo no rosto.
O cabelo vermelho, fogo no ar, desgrenhado.
O sol que cega os olhos,
O frio na barriga de se chegar no desconhecido.
Não busco modelos, padrões ou guias.
O que quero é voar.
O que busco é sonhar.
Nessa noite insone, sonho.
E nós insones, passamos o tempo.
E esse despertador, meu Deus, que não toca!
E esse dia, meu Deus, que não rompe.
Como é estranha a sensação de estar sozinha,
Estando acompanhada!
Como é boa a sensação de ver fechar a porta
E me ver sozinha com a própria solidão.
Acho que me acostumei com a sombra…