Visitas da Dy

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Não Falta AMOR, Falta AMAR!





Acabo de ler a seguinte frase:

“Todos a procura do amor ou do significado da palavra, anote a receita é ser vc, viver cada instante, dar valor ao que tem, saber escutar, saber reconhecer e saber conquistar! Companheirismo, Ouvinte e Conquistar! Enfim namorar ou casar é fácil quero ver partilhar”.

Minha resposta a ela: DISCORDO! E discordo em quase tudo!
Sou a rainha da generalização e isso não é lá nenhuma novidade, mas quando vejo uma frase em que diz que TODOS estão à procura do amor me dá calafrios.
Não nos falta amor! Falta amar! O amor está esparramado por todos os cantos, voando por aí aos quatro ventos, só esperando que nós o enxerguemos, que coloquemos em prática o tal verbo da primeira conjugação: AMAR!
Já sabemos o que significa o amor, mas confundimos sempre com outras coisas. Confundimos a vontade de ter um amor com a vontade de não estarmos sozinhos. Isso não é amor. Isso é carência! Todo mundo procura um colo. Todo mundo precisa de um. Não resta dúvidas que quando o meu mundo treme eu corro para o telefone e busco quem? Meu colo! Uma companhia agradável, que se dispõe a me ouvir e a dividir um café. Só isso!
Confundimos o amor com a vontade de termos motivo pra viver. Isso também não é amor. É falta de inspiração! Todo mundo precisa de uma inspiração pra viver: meu filho, meu livro, minha carreira, são todos elementos de minha inspiração, claro, configuram um amor, mas essa inspiração pode ser só o sol brilhando indecentemente vivo pela minha janela!
Dar valor ao que se tem não é amor. É, sobretudo, reconhecimento. Seja uma pessoa que esteja ao seu lado, seja um trabalho, um objeto, um fruto de um desejo. Reconhecer que cativou alguém ou conquistou algo é o primeiro passo para ter consciência de seu lugar no mundo e na vida (na sua e na dos outros).
Saber escutar é uma virtude muito pouco desenvolvida nos dias de hoje e vem, pelo menos pra mim, muito atrelada à ideia de compreensão. Para se compreender o outro, o mundo, é preciso escutar. Isso também não é amor. É só uma prática de vivência que torna o mundo muito mais leve, nos leva ao exercício da tolerância, afinal, compreender não é entender e respeito é bom e conserva as nossas relações.
Viver intensamente é questão de coragem, de ter sua autoconfiança lá em cima, nas tabelas, e bancar cada uma de suas ações. Longe de ser amor – a não ser o por si próprio  e respeito aos seus desejos – entregar-se às sensações da vida de peito aberto é muito mais um estilo do que outra coisa. A vida é curta demais pra vivermos entre o morno e o frio e acrescentar calor e pimenta em nossos dias cabe só a nós mesmo e demanda muito jeito, uma pitada de petulância e muita, muita competência para se manter nessa contracorrente.
E sobre saber conquistar... bom, não sei bem até que ponto o amor pode ser efetivamente considerado só como uma conquista. Embora não pareça eu sou um pouco (mentira! Sou muito, eu acho) romântica e acredito que o amor acontece. Exatamente naqueles três segundos em que o seu cabelo desgrenha, tudo o que você quer é chegar em casa porque está cansada e seu ônibus atrasa... claro que mantê-lo e, sim, realiza-lo é uma outra história, mas que ele acontece, ah, isso não tenho dúvidas.
Por fim, sobre a facilidade de namorar ou casar, acho outra balela. Nem uma nem outra coisa são tão simples assim. A menos que não se tenha o menor parâmetro, que só se busque alguém pra preencher um espaço do lado da cama ou um número conhecido pra ligar no fim da tarde.
Acredito que namorar e casar está cada dia mais difícil porque raras são as pessoas que ainda querem passear à noite só pra ver a lua, escolher um filme e assistir enquanto divide a mesma bacia de pipoca ou dividir a conta do restaurante, porque pra mim estar junto é dividir tudo: meus sonhos, minha alegria, meus planos, a escolha do programa de domingo e a entrada de cinema.
Se praticarmos um pouco mais de gentileza, se olharmos mais nos olhos e apreciarmos todas as singelezas que nos rodeiam veremos que o amor está no ar como sempre esteve e que ele não nos falta. O que nos falta mesmo é amar!

Dia da Saudade




Lá se vai o primeiro mês do ano. E já anunciando o seu fim vem o dia da saudade.
Todo dia 30 de janeiro a mesma coisa: as pessoas parecem amanhecer mais saudosas. Haja vista os vários recados, mensagens, fotos, músicas e poesias que pairam no ar.
Eu não gosto da idéia da saudade ter um dia só pra ela. Pelo menos a minha saudade é teimosa, muito teimosa: cisma em não se deter apenas no seu dia e me acompanha por todo ano, todos os dias.
Tenho saudades de pessoas, de amores, de sorvetes que tomei na infância, de parque de diversões durante a aula da faculdade que matei. Tenho saudades dos vinhos que não bebi porque não podia me atrasar. Tenho saudades de contar estrelas ou adivinhar desenhos nas nuvens.
A minha saudade se arrasta pelo ano todo. Não me deixa, não me larga. A minha saudade é como uma tatuagem em lugar escondido: não deixo ninguém ver, mas ela sempre está lá.
Às vezes eu tenho muitas saudades do ontem, de tudo o que passou e que não vou ter de novo. Às vezes a saudade é daquelas que eu sei que vou matar afogada num sorriso ou bem apertada num abraço – e acho essas as melhores! Sou uma assassina de mão cheia: adoro matar saudades apertadas em abraços longos, que deixam cheiro de perfume na blusa, só pra gente ter mais um motivo de saudade depois!
Às vezes acordo com saudades do dia de amanhã e das coisas que ainda nem vivi, mas que sei que vão marcar e que vão me deixar com saudades.
Acho que ter saudades vai além de só uma sensação: já é um estado natural, no qual vivo imersa e gosto porque traz uma dorzinha chata como espinho no pé, mas também traz a certeza de que tive muitos momentos felizes e pessoas importantes nos meus caminhos.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Conto de Fadas às Avessas



“E eles foram felizes para sempre!... Fim!”
Sim, começamos essa crônica pelo final: final dos contos de fadas, das histórias de princesas que nos contaram a vida toda, final da vida que todos sonham para si.
Todo mundo espera um grande amor – até eu! – e é só conversar com seus amigos que terá a confirmação: mais da metade dos solteiros querem, se não de imediato, uma companhia para passar os dias. E atentemos para o detalhe: o final será feliz!
Acho que esqueceram de colocar uma pitada de realidade nos sonhos que andamos tendo... Esqueceram daquela parte da história em que até o final feliz chegar, acontecem dezenas de imprevistos e desencontros.
Somos programados e nos programamos para esperar o tal final feliz, mas se ele não chegar nunca, pode ser traumático! E não tenho dúvidas que ele não chegará. Não se trata de pessimismo, trata-se tão somente de realismo.
Aqui no chão, onde os nossos pés devem ficar, a vida não é só cor-de-rosa, ela também é verde-anil-amarela-e-carvão. Passamos por uma série de dificuldades ao longo da vida, temos contas a pagar, trabalhos a fazer, livros para ler, reunião de condomínio, ônibus atrasado, chefe estressado, dor de cabeça, chuva no fim da tarde, engarrafamento, aumento da passagem de ônibus, falta de luz em casa e o pior de tudo: Jornal Nacional e NOVELAS!
Aguentar a barra de um dia-a-dia de correria a gente acaba tirando de letra. Acostumamos com a rotina e um pouco de organização nos coloca no ritmo e lá vamos nós, viver a nossa vida e ter momentos de felicidade, porque nos entremeios dessa correria há vãos que só são preenchidos com amor, beijos, abraços e sorrisos. E por sabermos da importância de todos eles, arrumamos brechas nas nossas agendas e nos rendemos ao chamego da família, ao passeio com o cachorrinho, ao cineminha, ao choppinho, aos domingos de chuva com edredom, pipoca e DVD.
Mas... E a pior parte? Aquela do Jornal Nacional e da NOVELA? Essa é de doer. Chegamos em casa e ligamos aquele aparelho que deveria nos trazer informação, cultura e entretenimento, mas que ao contrário nos desinforma com fatos manipulados, notícias mal escritas e tendenciosas, programas vazios e muita, muita propaganda!
Há meses, talvez mais de um ano, eu não ligava a minha TV. Tentei a sorte dia desses: acidentes nas estradas brasileiras, aumento na conta de luz, entrega do carnê do IPTU, guerra no Oriente Médio, uma quase crise nos EUA, e toda sorte de crueldades do homem com o seu semelhante em uma vitrine de horrores com crimes: um pior que o outro. Jantar assistindo ao telejornal ficou difícil! A melhor notícia da noite foi a proximidade do Carnaval (eu desejei pular da janela!).
Na sequencia entrou a NOVELA! Criatividade batendo pontos negativos, o enredo era fraco e o que vi foi mais um conto de fadas moderninho, se bem que esse bem que se aproxima dos medievos, já que o mocinho anda montado em um cavalo maravilhoso – quase mais bonito que o protagonista. A mocinha, pobre, sonha em se casar com o príncipe (de cavalo!) e ser feliz pra sempre. Pra variar acontece um monte de empecilhos, mas o final é previsível: eles vão se casar e, com sorte, o último capítulo será consagrado com o nascimento de um filho ou uma viagem dos sonhos para a família perfeita.
Em outro núcleo da novela, outro candidato a príncipe se desponta, também com seu cavalo, mas esse é mais espertinho, é, na verdade, candidato a sultão: com fama de bonitão já deve ter saído com metade das turistas da novela, mas será conquistado por um amor verdadeiro e, previsivelmente, deve se casar e ser feliz pra sempre!
Tudo nos conformes. Tudo como deveria ser, só que não! Enquanto tivermos esse tipo de cultura se fixando em nossas cabeças tendemos a viver em stand by, esperando ad aeternum pelo nosso final feliz que não virá.
Se passarmos os dias à espera do nosso “feliz pra sempre” perderemos os momentos mais felizes de nossas vidas, aqueles cujos detalhes fazem toda a diferença.
Encontrar o príncipe não é impossível, principalmente se estivermos dispostas a transformar um sapo meio desajeitado no nosso príncipe. O importante não é ele ser encantado, mas o encanto que provoca. Esse é o segredo! Precisamos manter o encanto, o interesse.
Perdemo-nos pelo caminho porque esquecemos esses detalhes. Esquecemos o bilhete pregado na porta da geladeira. Esquecemos a nossa música favorita, não decoramos o nosso poema predileto, não usamos o vestido mais bonito, nem o melhor perfume e a aquela maquiagem porque estamos esperando um dia importante pra fazê-lo.
Sabe quando o dia vai chegar? Talvez, nunca! Porque quem dá o tom dos dias somos nós. Se fizermos a nossa rotina deixar de ser monótona, estaremos construindo as oportunidades que antes só ficávamos esperando.
Vou concordar com Maquiavel: os fins justificam os meios. Se quer um final feliz, faça um meio feliz e terá dias felizes e não só um final. Será muito melhor olhar para trás e ver que a sua história teve altos e baixos e muitos momentos de felicidade do que perceber o quanto ela foi norma e o quanto perdeu-se oportunidades.
O melhor a fazer é mesmo desligar a TV, esquecer o telejornal e a novela e mudar o lema e o estilo de vida: quem sabe se pensarmos que a partir de ontem o amanhã é hoje não viveremos mais intensamente? É uma boa provocação, não?

I Seminário Nacional de Memória Social




I SEMINÁRIO NACIONAL DE MEMÓRIA SOCIAL


Os docentes e discentes do Programa de Pós-graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) convidam toda comunidade a participar do I Seminário Nacional de Memória Social que ocorrerá nos dias 08, 09 e 10 de maio de 2013.

O evento tem como objetivo promover o intercâmbio entre as diferentes áreas e o debate entre os pesquisadores das Ciências Humanas.

Pretende-se promover e aprofundar o debate sobre as mais recentes pesquisas que abordam Memória, Educação, Literatura, Patrimônio, Espaço e Movimentos Sociais das sociedades contemporâneas - memória como parte integrante da vida social. A Memória Social é tida, assim,  como lugar de disputas, incluindo processos múltiplos de produção, articulação e remanejamento das lembranças e esquecimentos dos diferentes sujeitos sociais. As redes de poderes imperam nas sociedades em íntima conexão com a construção das memórias, gerando tensões entre identidade, alteridade e produção da diferença nos grupos sociais e nos diversos espaços e lugares da memória coletiva - o local, o regional, o nacional e o global. Dentro desse universo, abordam-se os monumentos, documentos e representações dos saberes, celebrações e formas de expressão nos diversos domínios da prática social.


Investimento
Alunos da Graduação: R$ 20,00
(*) Alunos da Graduação da UNIRIO R$ 10,00
Alunos de Pós-Graduação: R$ 30,00
Apresentadores de Trabalhos: R$ 20, 00


Leia mais: http://sfmemorialsocial.webnode.com/
Crie seu site grátis: http://www.webnode.com.br

domingo, 27 de janeiro de 2013

Santa Maria, choramos contigo.



Hoje não acordamos. Não acordamos porque não fomos dormir. Assim como não foram dormir os mais de 230 jovens que também não mais irão acordar.
Em um fim de semana como tantos outros em que “a noite promete” as promessas nunca mais serão cumpridas.
Em meio ao calor de tantas pessoas imersas em alegrias, a fogos que anunciariam uma explosão de felicidade, anunciou-se a tragédia, o pânico, o horror. Quem entrou em cena foi a morte e a noite ficou pesada, densa, como se o tempo não passasse e ficasse suspenso no ar. Ar estagnado com o cheiro da tristeza.
Morreram não só aqueles jovens, mas um pouco da cada um de nós que já passamos por algumas das experiências ali apresentadas.
Morremos engasgados com a fumaça que levou o sopro de vida e nos embotou os olhos, apagando o fio da esperança, que essa noite foi a última a sair da festa.
Morremos nós que já fomos tantas vezes às boates para nos divertir com os amigos, comemorar, celebrar a vida e vimos nessa madrugada um passeio desenfreado da morte.
Morremos nós que temos filhos e que os vemos ou veremos saindo muitas noites e passaremos horas fio esperado a sua chegada.
Morremos nós, filhos, que deixamos nossas mães em casa, com a promessa de que voltaremos bem, mas nem todos voltaram hoje...
Morremos porque somos impotentes diante da morte. Porque não podemos fazer mais nada a não ser lamentar.
Morremos porque o futuro foi abreviado e não virá mais, como um livro sem final, como uma fábula sem a sua moral, como um coração sem a sua metade.
Morremos porque perdemos muitos jovens, muitas vidas, muitas esperanças e só nos restam as lágrimas que escorrem não tão quentes quanto aquelas chamas, mas semelhantemente dolorosas.
Morremos porque a fumaça cinza nos arrancou o direito de ver o sol brilhar mais um dia para centenas de pessoas que nunca mais terão os seus sorrisos plenos de felicidade porque sempre se lembrarão daqueles que ficaram por chegar.
Santa Maria, RS, hoje choramos por você, por seus jovens, por sua tristeza.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Esquizofrenia Coletiva




Estamos vivendo no mundo das comunicações. Por todo lado há informação saltando aos nossos olhos. Querem nos vender, a todo custo, uma felicidade enlatada, como as sardinhas no mercado ou como nós mesmos quando estamos indo ao trabalho no ônibus ou metrô lotado.
Querem nos fazer acreditar que assim, como sardinhas – sem cabeças – seremos felizes. Fazem um grande esforço para nos convencer disso: gastam seu latim, seu inglês e suas cores para isso. E conseguem.
Quem de nós nunca comprou algo que não precisava? Sou capaz de ajuntar uma caixa cheia de quinquilharias modernas que não uso pra nada e, sinceramente, não sei porque comprei.
O uso da tecnologia acaba sendo isso: quantas redes sociais nos são anunciadas diariamente? Prendemo-nos na mais famosa dos últimos dois anos, mas quem garante que na virada da meia-noite um outro sortudo não ganhe destaque e vire a bola da vez?
O uso da tecnologia nos enche com seus barulhinhos, seus aplicativos e gadgets e nos esvazia de nós mesmos. Tenho uma teoria: a sociedade anda esquizofrênica, todos nós – e ‘nós’ me inclui!
Andando pelas ruas é muito fácil encontrar pessoas, mas não vejo mais gente. Essas pessoas, pobres coitadas, estão cada dia mais escravas de suas pseudo-obrigações com o mundo virtual e esquecem-se de seu mundo real. Observe a cena:
Em uma mesa de bar, duas pessoas sentam-se para almoçar e, com sorte, apenas uma delas enquanto o garçom não traz a refeição vai se conectar a internet para fazer o seu famigerado check-in no restaurante, ignorando por alguns minutos a sua companhia real. Se tudo der certo, em mais alguns minutos a dupla tirará uma foto, sorridente, aplicarão um filtro – para dar um ar maior de felicidade – e postarão como a vida é bela em plena segunda-feira-casca-grossa-dura-de-aguentar.
Sim, meus caros, a vida é bela, só que não! É, na verdade Central do Brasil! Uma central onde passamos correndo todos os dias pelos outros e não damos bom dia, não sorrimos mais. Já fizemos isso no facebook e nos desobrigamos às gentilezas tão comuns até o início do século XXI.
Sofremos de uma esquizofrenia e de uma depressão coletiva quando priorizamos congelar um sorriso falso, amarelo e semipronto que ensaiamos no espelho e disparamos sempre que alguém diz: “foto!” e automaticamente completamos a frase com “shop” e pensamos logo se o resultado final com o aplicativo photoshop irá nos fazer mais bonitos, salientando nossas curvas, nossos olhares e nosso belo sorriso sem graça. Se o resultado for bom vai para o mural, ganha destaque e vamos ver quantos “curtir” eu ganho.
Curtir... a vida se pauta em curtidas! Mas não falamos mais com a gostosa ideia de sair por aí aproveitando a vida, dando gargalhadas reais, com amigos reais, em noites quentes e com músicas e abraços de verdade. Agora nos pautamos nas curtidas virtuais: nunca um dedinho polegar levantado teve tanta importância para uma sociedade da informação e informatizada.
Uns chamam isso de progresso. Eu chamo de retrocesso. Que me adianta ter mil dispositivos onde as pessoas – e eu mesma – posso curtir, se curtir não tem mais o mesmo sentido?
Estamos vivendo uma depressão coletiva, onde nos afastamos dos outros e de nós mesmos, prendendo-nos no nosso fantástico mundinho pessoal, longe das pessoas e de toda a sorte de sentimentos bons e ruins que poderíamos viver.
Repito: estamos esquizofrênicos! Tornamo-nos pessoas e não mais gente. Tornamo-nos sorrisos foscos. Perdemos o calor, o brilho, a alma. Estamos em tempos de grandes exposições, mas expomos só a nossa embalagem. Esquecemos o conteúdo, que era a melhor parte. Estamos criando armadilhas para nós mesmos, estamos nos atocaiando e não damos conta. Reservamos para nós dias de solidão e não nos damos conta disso.
Tenho medo das pessoas que vejo pelas ruas, de seus vazios, seus olhares transparentes, seus sorrisos mecânicos e seus bom dias protocolares. Tenho medo do que estamos nos transformando. Tenho medo do que vou ver no espelho daqui há alguns anos... não quero ser estanque enquanto a vida passa. Não desejo e nem mereço isso. Não merecemos.
Que nossos corações resistam. Que nossas almas não se entediem de nós e que não nos abandonem em nossa imperfeição e mediocridade. Nós apenas sonhamos em ser melhores, por mais que isso implique em nos tornamos piores.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Assaltante




Eu sou uma farsante. Sou uma assaltante. Uma criminosa dessas que merecem toda a sorte de castigos. E eu mesma me castigo: no silêncio, calando meu grito.
Não nasci para as palavras, mas enveredei-me por elas de teimosa. Agora faço rima, prosa, verso. Conto um conto, esqueço um ponto.
Dei para ouvir a conversa alheia. Dei pra imaginar desfechos para as histórias que não termino de ouvir.
Enlouqueci. De repente, inspiração: saco logo o caderninho, com o lápis na mão. Lá vou eu escrever.
Aventuras, desventuras, alegrias e tristezas, não me importa o que será, só me importa a vontade de contar. E traço letras num sobe e desce quase vertiginoso da ponta da caneta no papel, letras que não gostam de ficar sozinhas e vão se ajuntando, se organizando em palavras que dizem muito mais do que poderiam, muito menos do que eu gostaria.
Aproprio-me de seu tormento, faço dele uma alegoria, em pouco tempo já tenho um novo enredo, já escrevi o texto nosso sagrado de cada dia.
Sinto-me como uma ladra de histórias, roubando-as em cores em plena luz do dia. Ao mesmo tempo sinto-me assaltada, pega de surpresa, vendida e abobalhada quando olho para as linhas e me reconheço em cada trecho. Mas essas histórias nem eram minhas! O que faço eu nas entrelinhas?
Ah, não dá pra entender, no máximo, compreender e me acompanhar pela madrugada, dividindo comigo mesma a paciência que nunca foi minha, bebendo comigo da minha própria insônia e lendo as histórias que não eram minhas, mas acabaram por ser adotadas como filhas. Em noites muito longas eu sou a minha própria companhia e gosto disso.
Já não sou mais de riso e sonhos. Agora sou de vento e voo. E as palavras são as asas que me levam cada vez mais longe, cada vez mais pra dentro do meu céu de pensamentos.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Promessas de um ano bom



Chega um momento em que o novo se apresenta. Chega uma hora em que precisamos renovar e isso deve ser fruto de um amadurecimento, por vezes doloroso, mas sempre benéfico.
Quero me renovar com esse ano que chega. Quero tirar de seus dias aprendizados. Quero seguir as bonitas palavras que ouço dizendo que o dia de hoje pode ser o último.
Na verdade quero assumir conscientemente a lei mais verdadeira que conheço: se cada momento é único e não volta, que as oportunidades sejam aproveitadas na hora que se colocam diante de mim.
Em 2013 vou tentar viver os dias como se fossem os últimos, já que sei que são únicos.
Quero aprender a ir, sabendo que posso voltar.
Quero aprender a falar, sabendo que deverei ouvir.
Quero aprender a amar, sabendo que as mágoas virão.
Quero ter as minhas mágoas, mas sabendo da certeza que a cura virá.
Quero ter o tempo como meu amigo e conselheiro, por mais que ele demore.
Quero aprender a esquecer o que não importa, sabendo que todas essas tolices serão apagadas da minha vida como as ondas apagam os escritos vãos das areias.
Quero aprender a não me preocupar com as efemeridades, com as bobeiras que me cercam no dia a dia e que não me levam a lugar algum.
Quero continuar com meus risos e sorrisos sinceros. Quero gargalhar até a barriga doer, até meu coração pular como se estivesse em pleno carnaval.
Quero não chorar nas madrugadas por dores que me assombram e que custo a esquecer.
Quero ter dores. Desfazer-me delas é abrir mão de ser humana, de ter um coração e não abro mão de ter esse sangue vermelho e quente nas veias, mas desejo, de verdade, que as dores se dissipem tão logo o seu aprendizado tenha sido assimilado.
Quero me apaixonar: por novas pessoas, novos livros, novas músicas, novos dias. Quero ter o coração aos pulos, a euforia da descoberta, a aventura de me jogar num grande abismo de sensações.
Quero deixar o coração falar mais alto que a razão, mas sem perder a razão por completo. Uma dose de loucura até combina com meus olhos: eles brilham mais!
Quero ter a certeza de que não vou perder meu tempo, de que as horas não serão meros grãos de areia se deslocando daqui para formarem uma duna na escuridão das coisas que não fiz ali, no canto mais deserto e solitário do meu passado.
Quero ser, estar, ter e viver.
Quero que estes desejos voem aos céus como preces ditas pela boca que já não sabe o que é uma oração, mas que sairam de um coração que arde e treme ansioso por dias novos e melhores a cada aurora.

Inesperado




Ela julgava saber de quase tudo. O que não sabia ela descobria. A curiosidade era um traço natural de sua personalidade. Naquela tarde quente cismou de sentar-se num bar nunca antes visitado: ela queria descobrir qual era a sensação de se mandar goela abaixo uma aflição empurrada com um grande gole de cerveja bem gelada, só para contrastar com o calor de quase 40 graus.
Escolheu uma mesa onde podia ver os passantes da rua e do bar e, claro, ser vista só por alguns. Ela não queria plateia para as lágrimas que estavam na iminência de saltarem pelos olhos.
Já no primeiro gole teve a primeira decepção: a aflição não combinou com a cerveja a não ser pelo seu sabor quase amargo. E se não houve uma combinação, muito menos haveria de ter uma colaboração entre as duas: a cerveja não conseguiu empurrar a aflição que, teimosa, insistiu em permanecer na garganta da moça, quase engasgando-a.
Num primeiro momento ela quis se desfazer de todas as incertezas que tinha. Quis acreditar nas versões que havia criado para cada situação que vivera até ali e para as quais esperava resposta. A ideia do inesperado a incomodava muito. E dava aquela sensação de aflição.
Mais um gole. E outro. E outro. A cerveja deixou de amargar. A aflição não se desfez. Os olhos da moça estavam rasos. Naqueles minutos que se estenderam como séculos ela percebeu que não importava o que ela fizesse os resultados das ações que tomava independiam dela. Desistiu da cerveja. Teve a certeza de que nada é certo, pronto, acabado ou pode ser determinado por sua própria vontade.
Saiu daquele bar sendo outra pessoa: mais leve, sem os nós na garganta ou os embaralhos de seus pensamentos. Havia entrado num estado interessante de consciência que a levou a crer que jamais soubera de coisa alguma. Percebeu a dinâmica do mundo e sentiu-se tranquila, sendo capaz de andar sorrindo até a sua casa.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Leme



Agora que tomamos o leme de nossas vidas em nossas mãos, que os ventos nos tragam suaves canções, que os caminhos nos venham repletos de ensinamentos, porque o mar (da vida) sempre nos ensina: a ser bons marujos, quando o vento é leve; a vencer obstáculos, nas noites de tempestades ou a nadar, quando precisamos mudar completamente.
Vamos que o mundo nos espera e a felicidade é nossa companheira de viagem, nem partida, nem chegada, companhia, apenas isso...

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Feliz 2013




Eis que surgem um novo ano, um novo ciclo e com ele meus novos desejos, sendo que alguns deles nem são tão novos assim!
Desejo-me dias semelhantes aos que já vivi até hoje: com eles eu chorei, ri, brinquei, dancei, aprendi, vivi.
Desejo-me pessoas em minha vida: as chatas, as alegres, as felizes, as ranzinzas, as que eu amo, as que eu aprendi a amar, as que eu amo ter na distância.
Desejo-me, sobretudo, que esse ano que se inicia seja mais um ciclo de aprendizado e de conquistas, não sem lutas, porque nasci para guerrear por mim, pelos outros, pelo que acredito ser verdade.
Desejo-me força, coragem e sabedoria para receber todos os desafios que esse novo ano vai me trazer.
Desejo-me amigos leais, nos quais eu possa confiar, que me sejam porto seguro, ombro amigo, mão pra segurar, olhos pra brilhar e sorrisos para dar.
Desejo chegar sempre só até o dia de amanhã. Planejar demais nunca foi meu forte e ter uma perspectiva para além do dia de amanhã é abusar da minha própria boa vontade. Deixo pra pensar nos dias que estão por vir mais tarde, quando o primeiro fio de cabelo branco aparecer – que ele demore, por favor!
Desejo-me flores: violetas, lisiantos, lírios e orquídeas! Minhas flores preferidas, perfumadas, delicadas, vivas! Buquês são tristes, mortos e não gosto da ideia de que uma flor teve que morrer para eu pudesse ser presenteada. Prefiro as flores vivas.
Desejo-me um brinde com vinho, um bom cabernet sauvignon! Eu que não entendo nada de vinhos me encantei pelo paladar dessa uva e não quero saber outra! Quero encher a minha taça e brindar uma, duas, três, dez vezes, até ficar de pilequinho e soltar risos frouxos pelos ares. Mas se eu já os solto normalmente, o brinde pode ser único!
Desejo-me balões coloridos espalhados pelo dia, para que quebrem o cinza das névoas pesadas dos problemas que surgirem.
Desejo-me abraços apertados, que unem os corações, o fazem bater em sintonia e para o mundo. Desejo aquele perfume que fica preso na roupa quando o abraço se desfaz...
Desejo-me beijos, muitos beijos... celebrando a alegria de estar viva, o milagre de poder acordar todos os dias e ter a possibilidade de ser feliz.
Desejo-me música! Que meus dias tenham as melhores trilhas sonoras que já tiveram. Que eu dance descompassadamente todas elas no ponto de ônibus, no meio da rua, no caminho para o trabalho, no meio da sala, nos bares, nas esquinas. Quem dança se livra da inveja alheia, abre as asas e voa alto. Não nasci para ficar em gaiola e quero mais é dançar.
Desejo-me surpresas que eu já esperava, mas que ficaram esquecidas, sem que chegassem na sua concretude. Gosto do inesperado. As minhas melhores sensações foram provocadas por grandes surpresas.
Desejo-me ar nos pulmões, sangue nas veias e coragem no coração.
Que me venham mais 365 dias cheio de oportunidades, aventuras e desventuras, que eu vou de peito aberto, encara-los e fazer desse 2013 novas chances de ser mais feliz!
Feliz Ano Novo pra mim!
Feliz Ano Novo pra quem dyvaga por aqui!