Visitas da Dy

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Quarta-feira: Sou a mulher invisível


Afff... quarta-feira que promete ser longa... a noite passada foi insone. Tirei-a para chorar. Assiti os meus filmes preferidos e debulhei-me em lágrimas.
Comecei a noite lendo Clarice Lispector e resolvi assistir “Once” enquanto baixava o filme “Cidade dos Anjos”.
Deprimente... baixei o filme e ele veio em francês. Não teve problema. Entendi razoalvelmente as falas, mas chorei litros. O que importa é que eu sei o filme de cor e que as imagens falavam por si só.
Acho que me senti um pouco como o Seth, o anjo que é interpretado pelo Nicolas Cage. É meio como me sinto agora. Meio peixe fora d’água, meio descontextualizada do mundo.
O personagem Seth é muito emblemático pra mim: frequenta bibliotecas, vê muitas coisas, “conhece” quase tudo, mas lhe falta algo. Algo que o faz querer abrir de toda a eternidade. Tô bem nessa aí. Abriria mão de muita coisa pra conseguir as respostas que busco. Uma companhia que me entendesse. Olhos que enxergassem a mesma coisa que eu.
Bah... o restinho da semana vai ser daqueles: daqueles em que eu fico me perguntando qual o meu problema, porque quero coisas que não posso ter e porque tenho me sentindo como se fosse a mulher invisível.
Preciso visitar espaços novos, conhecer gente nova e me animar... preciso de pique pra levar essa semana até o fim, mas por que é tão difícil?
Por que não descubro logo o que é que me falta pra que eu possa correr atrás e não errar?
Cansada. É assim que me sinto hoje. Muito cansada. E acho que está só começando...


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Se lembrar de celebrar a vida!


Essa é uma história que começou na História!
Em meados de 2005, eu acho, sou péssima com números e datas, estava eu matriculada em uma disciplina chatíssima – Brasil Império – que eu não consegui conceber até hoje o real motivo dela durar um semestre. O fato é que eu tinha motivos de sobra para não ir às aulas: não tinha a menor afinidade com a minha turma – são pouquíssimos os amigos de verdade que fiz lá. O professor não me apetecia – e não apetece até hoje. E, claro, minha cama era muito mais atraente, confortável e convidativa.
Faltei a maioria das aulas e tive uma surpresa: teria de entregar um artigo sobre a cidade no tempo do império. Divertidíssimo! Ainda pra mim que não gosto de história do Brasil e muito menos a do período do Império. A segunda boa notícia: era em dupla. E como eu tinha faltado a minha parceria seria com quem também tinha faltado. Um tal de Claudiney Arruda, que nunca tinha visto na vida.
Lá fui eu freqüentar as aulas pra ver se conhecia o carinha. E não é que ele apareceu? Veio com um sorriso lindo e se apresentou: “Oi, sou o Claudiney!” Bah! Foi paixão à primeira vista! Marcamos um café, passamos dias conversando na cantina da faculdade – naquele tempo um lugar onde as pessoas se divertiam de verdade! – e traçamos um plano para fazer o tal trabalho: não teríamos um plano.
Os dias passavam o desespero aumentava e ele teve a grande idéia: analisar crimes de escravos na Juiz de Fora daquele tempo.
Grande! Assinei embaixo. Não tinha lá muita escolha.
Foram dias intermináveis enfurnados no Arquivo Histórico da Prefeitura de Juiz de Fora lendo processos e mais processos dos crimes. Papéis amarelados, letras borradas, mas era tudo bem divertido: conversávamos, brincávamos e como bons historiadores, o ambiente era bem agradável – no fundo a gente adora essas “coisas velhas”! – estar rodeados de fontes históricas tão preciosas era mesmo muito bom, embora não fosse necessariamente o objeto de pesquisa que gostaríamos de estudar.
O trabalho foi bem. Concluímos a disciplina e o próximo passo era o de nos perdermos de vista, já que ele era meu veterano. A amizade se encerraria com o fim do período letivo.
Mentiraaa!
A amizade continuou!
Fomos nos falando mais e mais e hoje ele é só um dos meus amigos mais amados e queridos!
Essa volta toda que fiz, indo lá atrás, no curso de História da UFJF é pra dizer que por muitas vezes, na nossa vida, as pessoas surgem do nada. Sem nenhuma explicação. E que ficam pra sempre.
Não adiantou ele ir morar lá do lado de cima dos trópicos. Não adiantou a gente se formar, não adiantou sairmos do trabalho – trabalhamos juntos no CPC! – não adiantou eu trocar de estado! Ainda nos falamos. Nos queremos bem e nos encontramos sempre que dá!
Hoje resolvi escrever para fazer uma singela homenagem a esse amigo fantástico que é o Claudiney Arruda.
Infelizmente não sou boa com as palavrinhas. Não sei escrever textos lindos e emocionantes, mas esse aqui saiu realmente do fundo do meu coração.

Claudiney,
Sou uma amante de livros, poemas, prosas, músicas, conheço um monte de palavrinhas bonitas, mas acho que não consigo ajunta-las de maneira que sejam suficientemente claras e realistas sobre o tamanho do carinho e consideração que tenho por você.
Uma das melhores coisas que a faculdade me deu foram amigos verdadeiros e sem a menor sombra de dúvidas, te-lo como amigo é uma honra enorme. Não há como agradecer pelo bem que me faz sempre que nos encontramos. Não há como descrever o prazer que tenho com as nossas conversas, nossas “smurfadas”, regadas à comidas – nem sempre tão boas – e a um bom cabernet sauvignon!
Quando mudei-me para o Rio e estive a ponto de enlouquecer, o que me segurou foram as lembranças dos meus amigos, os sorrisos que demos, as festas em que dançamos, os aniversários que já brindamos, em especial aquele que foi no meu baile de formatura!
Ai, quantas alegrias já me deu! Quantas alegrias ainda temos por viver!
Que nossos caminhos continuem se cruzando nessa vida!
Que tenha muito sucesso na carreira que escolher, seja como historiador, cozinheiro – acho um charme você com aquela roupa e chapéu de gourmet! – ou como advogado, nova área na qual está se aventurando!
Um brinde a sua vida, a nossa amizade e a tudo o que ainda temos por viver: que a vida compense e que seja feliz!
Feliz aniversário, meu amigo amado!
Muitos beijos!
                                             Dy.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O que acontece quando confiamos?


E aí, o que acontece quando se é boba o suficiente pra acreditar nas pessoas? Essa é a questão que não sai da minha cabeça por horas a fio.
O que acontece quando se confia? Acontece uma aposta. Um jogo de azar. Se tiver sorte, vai dar tudo certo. Se tiver muita sorte, vai dar tudo errado e você vai tirar uma boa lição de tudo isso.
Nos meus últimos escritos, desabafos, ou sei lá o que são essas coisas que publico nesse blog, tenho dito o quanto eu sou parecida com a Alice do Lewis Carrol.
Ia fugir da comparação com essa personagem – não acabei de  ler o livro e acho que posso vir a tender mais pra lebre maluca ou chapeleiro louco – mas torna-se muito difícil não voltar à pequena heroína do livro, que se mete em cada questão filosófica de dar inveja a qualquer insônia.
Acho que nessa noite estou mais pra Alice pequenina, quando ela está beeeeeeem encolhida, e se sente péssima.
Tô aqui às voltas com mais uma das minhas grandes frustrações com as pessoas. Confio demais. Ainda sou do tempo em que as pessoas eram umas pelas outras. Que davam a sua palavra e a cumpriam sob qualquer circunstância.
Eu sou assim. Uma vez dada a palavra, será cumprida. Ainda que doa. Ainda que eu sofra. Ainda que o preço seja despedaçar meu coração. E o despedaçaram hoje. Lentamente. Com requintes de crueldade.
Cheguei a pensar que as pessoas não são dignas de confiança. Não merecem meu esforço. Não merecem o meu melhor.
Então devo deixar de ser eu e tornar-me outra? Diferente? Mais má? Mas aí não estarei me martirizando? Não estarei me jogando num breu onde não consigo viver e nem sair?
Não sei responder a nenhuma dessas perguntas e talvez nem seja tão importante que eu as faça. No fim serão só mais questões que cercearam uma noite insone e que podem não levar a lugar nenhum, mas talvez esse seja o caminho: ir pra lugar nenhum. Vagar. Dyvagar. A resposta pode estar escondida nos detalhes que não vejo.
O fato é que com todo esse longo dia me sinto uma criaturinha minúscula, menor que a pontinha de um alfinete, tão pequenininha que não pode ser vista, mas pode ser pisada, esquecida, deixada de lado, justamente por não ser perceptível. Isso é horrível.
Passei o dia todo sem sorrir de verdade. Sem cantar, sem me sentir animada, porque sou animada até no trabalho, mas hoje não deu.
Hoje entendi que as pessoa não foram feitas para serem entendidas, no máximo compreendidas. O que devemos fazer é aprender a conviver com cada uma delas, respeitando seus espaço e não criando a menor expectativa.
Essas expectativas… estragam tudo! Não passam das nossas próprias projeções que nunca são cumpridas – claro, o outro é completamente diferente! – e aí a gente se frustra, se magoa, chora. Eu choro. Chorei hoje.
Como trato todo mundo de uma maneira na qual gostaria de ser tratada, levo o mundo em tons coloridos e fortes, pra que ele seja diferente e interessante – já que não gosto de coisas comuns –, quando alguém teima em derrar um borrão cinza no meu dia azul me deprimo ao extremo. Sou de extremos: tudo é sempre muito intenso.  Acho que foi o que aconteceu hoje e já vinha sendo anunciado há alguns dias: as pessoas gostam mesmo é de se divertirem umas com as outras.
Leva-se uma coisa aparentemente à sério, socialmente aceitável, exemplos de pessoas para todo e qualquer mortal, mas no fundo não são nada disso. São casquinhas. Personagens. Estão se roedo por dentro. Medrosas. Teme mudar o rumo. Temem lançar suas velas em outras direções. Aí se divertem com o coração alheio. Decepcionam os outros porque no fundo estão decepcionados consigo mesmas! Bingo! Chega uma hora em que a represa estoura e voa mágoa pra todo lado e o sorriso amarelo cai muito bem nessa hora. É até necessário, pra tornar o momento mais ácido.
Nesse jogo que é confiar nas pessoas cada um aposta o quanto quer. O quanto acha que deve. Sempre aposto o máximo. Suicida? Não! Boa de blefe? Longe disso! Só observo bem os olhares, os sinais. Não parece, mas sempre guardo uma fichinha no bolso, pra pagar mais uma rodadinha pela mesa.
Se hoje tomei uma surra e perdi muitas fichas apostando em pessoas que não necessariamete me magoaram por querer – talvez tenha mesmo sido sem querer, ninguém espera que o vulcão vá explodir num domingo de sol – ainda tenho uma fichinha guardada aqui, pra apostar de novo amanhã.
Sou boba. Ainda acho que as pessoas merecem segundas e terceiras chances. Acho que vale a pena.
Se eu que passo noites e noites tentando descobrir quem sou ainda não descobri, porque acho que os outros se conhecem?
Se a vida é um jogo e dar tudo certo é questão de sorte, acho que hoje tive, no fndo, muita sorte: perdi as fichas, me entristeci, me magoei, mas aprendi que há ainda um meio de tentar rearranjar as coisas. E amanhã, vou apostar de novo, afinal, quantas vezes nesse ano eu fiquei assim tão “pra baixo”? pouquíssimas! Tenho sorte e vou continuar apostando nas pessoas. Preciso disso pra sorrir pela manhã…


(Imagens de Helenbar)


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

É preciso observar os detalhes…

“É preciso observar os detalhes…” algumas pessoas andam me dizendo isso a todo o tempo nos últimos meses. Alguma coisa de tão importante deve haver nesses detalhes.
De uns dias para cá observei os detalhes e me permiti cometer um ou outro “deslize” que não cometeria em outros tempos, em outras situações ou até na mesma nas se tratando de atores diferentes.
Ontem depois de passar uma madrugada inteira rolando pela cama acabei por escrever um texto em que me comparava à Alice no país das Maravilhas. E ainda me sinto como ela, mas isso é pra depois.
O que não me sai da cabeça é o seguinte: em algumas poucas horas o meu texto já tinha rodado entre um pequeno círculo de amigos de amigos e pra minha surpresa chegou a uma incrível marca de vizualizações. Isso porque não costumo divulgar meus escritos por aí porque tenho vergonha.
A parte interessante é que cheguei à conclusão de que mais e mais pessoas se afligem pelos mesmos motivos e, assim como eu, ficam se sentindo a bolachinha que caiu fora do pacote, ou seja, sem lugar no mundo.
Hoje pela manhã recebi uma marcação em uma ‘nota’ no facebook onde lia um texto que começava com a mesma frase que o meu "é preciso observar os detalhes"… e foi em cima deste texto que decidi escrever nessa madrugada insone, sem saber direito onde vou chegar.
Sempre que começo a escrever é assim: saio correndo atrás das palavras e nunca sei onde vou chegar. O que ver é lucro, mas voltemos ao texto no qual me inspirei pra escrever hoje…
Desculpe-me a autora do texto – não quero divulgar sem pedir a devida permissão – mas me pareceu muito realista e fria em suas colocações, que sigo agora citando, ora concordando e ora discordando.
No texto original a autora segue dizendo que por observar os detalhes de situações que já aconteceram com ela e com pessoas que a rodeiam é possível chegar a algumas teorias e então ela apresenta isso: “um homem que parece ser tão bom e especial não vai me colocar em situações nas quais meu carater e dignidade possam ser postos em xeque. não vai por exemplo querer que eu passe como fura-olho por exemplo, nem outros nomes bem piores. também, não vai querer que eu me sinta a otária ou escória da humanidade... acho que diante disso não tenho que me sentir culpada e me autocrucificar, vai ter gente o suficiente para fazer isso. é preciso ouvir o conselho amigo e atentar para os detalhes diante do próximo cara legal, interessante, cheiroso e inteligente que aparecer. pq os homens que não prestam sempre parecem ser príncipes modernos, sempre foi assim e n creio que no futuro seja muito diferente”.
Chamo isso de chutar o balde! Um desabafo daqueles e que servirá pra muitos que vão ler ou porque se enquadram na situação de ter um “príncipe” nada certinho ao seu lado ou por alguém que o tenha.
Fiquei pensando muito nesse texto. Fiquei pensando em quantas vezes me peguei pensando coisas com esse mesmo sentido. E pensei nas minhas enormes crises existenciais e filosóficas e acadêmicas que sempre entro e nas quais coloco as minhas próprias posições em xeque.
Até que ponto devo me deixar levar pelas conveções sociais da famosa moral e dos bons costumes? Será que esses bons costumes são mesmo bons? Lembro-me que há certo tempo moça não bebia, não ia a bares. Hoje o que mais fazemos é marcar de ir a um bar. E as moça não deixaram de ser moças.
Por várias vezes me pergunto o que é certo e o que é errado, mas desde quando o que é certo é certo? Quem foi que disse isso? E por que tenho eu que seguir um padrão se nem de padrões eu gosto?
A certa altura lemos no texto “não tenho que me sentir culpada e me autocruxificar” e é verdade. Se eu parar de pensar tanto, não sofro tanto, não me acho um peixe fora d’água e nem a pior pessoa do mundo só porque fiz um lanche numa mega rede de fastfoods ou passei um domingo no shopping ou porque fiz isso ou aquilo que fugia dos padrões ditos corretos.
E com isso saio de um início de texto sem grandes intenções, onde ia só comentar um outro texto e meu ponto de chegada é uma grande resposta a questões que me coloquei na madrugada passada: não tenho que me sentir culpada por nada que fiz, faço ou vou fazer. Tenho que arcar com todas as suas consequencias e pagar o preço que me for cobrado, mas me arrepender ou me culpar? Nunca!
É… a Alice aqui já começa a pensar um pouco sobre que caminho quer tomar… acho que daqui a pouco eu já saberei pra onde quero ir e  o caminho certo vai aparecer. O que me resta é paciência…

Que a noite traga o sossego que o coração não encontrou durante o dia…

Boa noite, pessoas.
Beijos,
Dy.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Daqui, Dalí

Tudo bem. Já passam da primeira hora dessa madrugada e ainda não consegui pregar os olhos. Reviro-me nessa cama de um lado a outro e não consigo chegar a um acordo muito simples comigo mesma: preciso dormir.
Na prática é tudo muito fácil: estou cansada e a lógica deveria ser a mesma de sempre – deitar, fechar os olhos e dormir.
Acho que não é tão fácil.
Sinto-me perdida como a Alice, mas o meu país não é necessariamente o das maravilhas. Contento-me em chama-lo de o fantástico Mundo da Dy.
Nesse meu mundinho estou às voltas com algumas questões sobre mim e minhas posturas que me inquietam: penso que tomei algumas atitudes que não são lá o que eu faria há alguns meses atrás.
Tenho feito coisas que nunca imaginei que faria e algumas outras que até condenaria – e condenava e ainda acho errado – mas, apesar de achar que está tudo errado o coração não se arrepende.
Vivo uma autêtinca batalha entre razão e coração.
A cidade maravilhosa me faz ser diferente, mas por vezes o pensamento que eu trouxe comigo lá das terras montanhosas insistem em bater à minha porta.
Não sei o que fazer, como pensar e nem como será o próximo passo. Isso me tira o sono. Que não sou previsível nem sempre foi uma verdade, mas que tenho me tornado assim a cada dia é fato.
Nada de fazer os caminhos de sempre, de ir aos mesmo lugares, nada de ser muito igual ao resto do mundo e muito menos de ter opiniões dentro desses padrões. Acho que aqui tenho mesmo é saído ainda mais dos padrões ou do meu “não-padrão” já estabelecido há muito tempo.
A minha inconstância aumentou em algumas coisas, a opinião formada se desfez em casos em que eu já dava por encerrado e novos olhares se estabeleceram diante de novos olhos – talvez seja isso, novos olhos!
Ainda penso muito em como alguém pode mudar sem necessariamente mudar. Em como posso sentir culpa sem arrependimento, em como posso quebrar as minhas próprias regras, quando achava que eu não me colocava regra nenhuma.
Tenho pensamentos surreais nesse momento.
A cabeça gira num quadro de Dali, borboletas batem asas entre as minhas ideias e as deslocam de seus lugares originais. O que eu pensava ser certo já não tem tanta importância. O que tinha certeza que era errado virou detalhe que pode ser desprezado, sem que faça a menor diferença.
Mas… os detalhes deveriam fazer toda a diferença! Mas isso foi antes… agora, detalhes são só pequenas partes de nós mesmos que podem ficar um pouco de lado enquanto o pensameno cria novas asas e sai voando com as mesmas borboletas que os bagunçaram e olham, com seus novos olhos esse meu fantástico mundinho.
Para ser Alice falta pouco: tenho um mundo próprio, falo sozinha, danço no escuro, não durmo à noite, fiz da minha casa um jardim de lírios e a melhor de todas: preciso ir pra algum lugar que não sei onde é e, então, qualquer caminho serve… só falta me encontrar com Cheshire por aí – aliás, acabei comprando esse livro, o “Alice no país das Maravilhas” pra mim e descobri que tenho muito da pequena Alice.
Acho que resumindo a ópera não consigo dormir porque tenho a impressão de que o bom e velho Heráclito sempre vem me dizer a sua filosofia mais do que verdadeira de que “O mesmo homem não pode atravessar o mesmo rio, porque o homem de ontem não é o mesmo homem, nem o rio de ontem é o mesmo do hoje". O mito do rio só se fez mais claro pra mim quando me encontrei no Rio? Ah, não pode ser! Já cansei de falar sobre isso nas salas de aula! Como podia não entrar em crise lá naqueles tempos e agora perder o sono por uma proposição que foi feita no século VI a. C em Éfeso? Não faz o menor sentido. E nada já faz sentido.
Ai, como eu queria ser a moça do quadro de Dali… cujos cabelos são cachoeira e por onde os pensamentos que ousassem impotuna-la se iriam corrente abaixo… e o seu rio de pensamentos seria sempre o mesmo sendo diferente, numa constância inconstante…
Quem me dera eu ter a solução para os porblemas de todos que me pedem ajuda…
Quem em dera eu saber resolver todas as minhas próprias questões, sanar as minhas próprias demandas…
Enquanto não posso fazer nem uma coisa, nem outra, resta-me revirar na cama numa noite quente nas terras cariocas, buscando aquietar o espírito e  coração, buscando o tal do equilíbrio que nunca encontro, já que vivo nos extremos sempre…
Oh, noite quente de céu cheio de nuvens, se não me deixa ver as estrelas porque então não me deixa ao menos dormir pra sonhar com elas? Pelo menos no mundo dos sonhos corro pelas nuvens, escorrego entre as estrelas e posso caminhar lá onde fico sempre com a cabeça: a lua…
O jeito é tomar chá de morango, ouvir uma boa música e esperar o sono chegar… tomara que ele não demore!



Boa noite pra quem é da noite!
Bom dia pra quem é do dia!

Baci,
Dy.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Conselhos

Eros e Psiquê

E de repente uma série de pessoas começou a me procurar para que eu desse conselhos. E não são quaisquer conselhos, são conselhos de ordem sentimental, o que quer dizer que o coração dos outros não anda assim, lá tão bem quanto demosntram… e, por outro lado, quer dizer que ou me acham uma pessoa super bem resolvida ou confiam demais em mim. Particularmente prefiro que pensem da segunda forma, afinal, não tenho nada de bem resolvida.
O fato é que essa semana tanta gente me procurou pra desabafar, pra pedir conselhos que quase me matriculei num curso de psicologia.
Gente de vários lugares, amigos queridos que confiam em mim e que não estão se sentindo bem com a vida que estão levando e com o modo com o qual estão tratando os seus corações.
Ai, ai, vamos lá!
Pessoas queridas, qua o problema em não se sentirem feizes ao lados dos namorados de vocês? Acharam que seria um mar de rosas sempre? É… sinto em desaponta-los, mas a vida é sim um mar de rosas, só que as rosas tem espinhos. E isso ningém havia contado, né?
Acho que não cabem nos dedos de minhas mãos a quantidade de pessoas que vieram me dizer que estão infelizes, que o outro não as corresponde, que se acomodaram e agora não sabem o que fazer.
Eu sei o que deem fazer: devem fazer o que lhes faz se sentirem bem. Simples assim. Acho que só devemos fazer o que nos faz sentir bem. Se me incomoda, se não me deixa satisfeita, se me aborrece eu jogo tudo pro alto. Já joguei várias coisas: trabalhos, estágios, namoro, estado, cidade.
Acho que deviam todos vocês ler um pouco de Neruda pra entender melhor algumas coisas: a vida é breve, meus caro, então aproveitem-na para serem felizes; não importa se há dificulades, ninguém disse que seria fácil, mas é preciso ter coragem e postura pra se encarar a vida como ela se coloca à nossa frente e ter a plena consciência de que somos nós mesmos os responsáveis por tudo o que nos acontece. A mudança está em nós, nos nossos atos e vontades. Cabe a nós mudar o rumo de todas as coisas.
Não fui sempre uma “chutadora de baldes”, mas depois que aprendi, fiquei boa nisso: nada que me desagrada agora é permanente. Tudo passa e rápido, afinal não quero me acmodar com o que é ruim. Detesto mesmice. Detesto ficar triste e seja lá o que for se estiver ao meu alcance eu farei só pra me ver feliz. Só pra ter meus olhos brihando e um sorrisão no rosto.
Pra vocês que estão imersos em probleminhas conjugais ficam algumas dicas – claro, de alguém que tem toda a autoridade pra dar esses conselhos, né?
1. O outro é o outro e não a sua projeção. Parem de pensar em pessoas perfeitas. Ninguém é certinho, bonzinho e cheirosinho o tempo todo. As pessoas têm as suas manias, seus hábitos e isso você não pode mudar, mas pode aprender a conviver, a respeitar, claro, se for conveniente…
2. O seu príncipe ou a sua princesaa não existe! Todo mundo tem seu dia de sapo. Ele não anda de rayban todos os dias e ela acorda descabelada e sem maquiagem. Relaxa! Isso é normal!
3. Imagine sua vida hoje. Otimo! Como está se sentido? Hum… e daqui há uma semana, como acha que vai estar? Vale a pena investir? Tentar mais uma vez? E tentar mais 357 vezes? Não? Então, sai fora logo!  Melhor resolver um problema agora do que ficar protelando…
4. Doses homeopáticas não resolvem o problema, meus queridos, chutar logo o balde inteiro é a melhor solução. A menos que a ideia seja a de tentar mais uma vez… um tratamento leve pra situação, conversinhas e tempo pra se pensar só servem pra uma coisa: dar esperanças pro coitado que vai ser jogado pra escanteio. Nesse caso, pegar pesado é pegar leve: o sofrimento é inevitável, pois que seja de uma vez só.
5. Não, não sou má ou cruel, nem deixei de acreditar no amor ou descartei a possibilidade de um dia me casar (será?), mas gosto de sinceridade e se as coisas não vão bem, é melhor que sejam ditas às claras. Definitavamente, metiras sinceras não me interessam.
O processo pode até ser doloroso, mas é melhor do que sofrimento a longo prazo.
Então, vamos todos tentar ser um pouquinho mais verdadeiros com nossos sentimentos, com nossos corações que pelo visto não andam nada bem…
Ah, e para os que querem saber se devem “testar o fundo do rio com uma varinha ou se jogar”, claro que acho que devem se jogar! Eu me jogo! Vou até o fundo só pra ver o que tem. Se valer a pena ótimo! Se não valer tanto assim é só sair fora!
Mas atenção, não se entra em um coração se não tiver a mínima intenção de deixar sua marca nele. Não deixe que se apaixonem por você se a ideia não for a mesma. Coração dos outros não é brinquedo. O seu não é, porque acha que o do outro seria?
Seja cuidadoso com o coração e os sonhos dos outros, por favor. Se joguem, chutem o balde, amem, apaixonem-se, mas sejam verdadeiros e cautelosos principalmente com vocês mesmos.

Ai, ai… acho que vou abrir uma terapia de grupo, mas não levem isso tudo tão a sério. Só vocês mesmos é que podem resolver os próprios problemas e conselhos, se fosse bons….
Que saibam todos tomar as melhores decisões e contem comigo pra emprestar um ombro, dar um abraço de consolo ou de felicitações.

“Cupid, please, take your aim at me…”

P.S.: Como citei o Neruda, nada mais justo que brinda-los com essas belíssimas palavras:

“Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destroi o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televião o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco, e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho nos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva que cai incessante.
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não respondem quando lhe indagam sobre algo  que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.”

Pablo Neruda


Então, que paremos de nos matar a cada dia e saibamos viver mais e melhor a cada amanhecer.

Tenham todos uma boa semana, cheia de luz nos seus dias e amor no coração.
Baci,
Dy.