Visitas da Dy

domingo, 31 de julho de 2011

Noturno

Noite com os gênios do amor e dos estudos -
Pedro Américo - Museu Nacional de Belas Artes -
Rio de Janeiro.

 Com seu manto negro a noite enche meu quarto.
Tudo é breu.
Meus olhos rondam o espaço à procura dos seus.
Tudo é vazio.
O tempo parece parado: o céu está sem estrelas, não há vento, não há sequer o perfume de minhas violetas que enfeitam a cabeceira de minha cama.
A lua hoje não apareceu. Ela está se recompondo para logo brilhar fria e rir dos que amam e acompanhar os solitários. Ela sabe o que sinto hoje, mas não veio. Está dormente.
Até o tic-tac do relógio faz-se mudo.
Por que isso tudo? Já não basta a falta que me faz? É preciso ainda que todas as coisas contribuam para que eu não me esqueça dos seus olhos?
Na noite fria que se estende lentamente pelas horas a fio o que tenho são só pensamentos que não me deixam em paz, não me deixam dormir. Ao contrário, me deixam febril e acabam por escapar como uma oração, como desejos loucos para serem satisfeitos:
Que possa teu corpo dar ao meu o que busco para saciar-me.
Que teus beijos completem meus lábios, tuas palavras entorpeçam meus sentidos, que teus olhos me sirvam de guia e teus pés, além de mostrarem o caminho, sejam a certeza de tua companhia.
Que no vazio da noite eu possa encontrar teus abraços, segurança para uma criança amedrotada.
Que me venha tirar a amargura e solidão que me encerra nesta noite e que possa ser meu dia, meu sol e seus raios que toca a alma e o corpo arrepia.

Estrada Juiz de fora- Rio, 26 de junho de 2011.

sábado, 30 de julho de 2011

Um amigo chamado Leandro..

Oi, Lelê!
E então, nos dias em que tenho amigos fazendo aniversário eu sempre paro pra fazer duas coisas: agradecer a Deus pela vida do aniversariante e fazer uma retrospectiva da amizade.
Gosto de me lembrar dos melhores momentos, de como nos conhecemos, de como as nossas vidas se tornaram melhores porque aprendemos a conviver, a nos respeitar, a nos ajudar.
Nossa retrospectiva é curtinha: começa logo ali em 2004, na faculdade, lembra? Oh, tempo bom!
Livro recomendado para a disciplina
"História e Interdisciplinaridades" -
responsável pelo desespero dos calouros em 2004.
Lembro-me das conversas na cantina do saudoso ICHL, agora com seu “ele” perdido, quando as mesas e as cadeiras eram semelhantes às dos botecos pés sujos onde iamos de vez em quando bebericar. Lembro do nosso primeiro desespero com a prova do Ignácio, onde tínhamos que falar de Marx, Weber e Durkheim, sem nem saber  direito quem eram “esses caras”, claro, com exceção do próprio Marx que dava aula pra gente…
Depois veio as novas incríveis aveturas no Centro Acadêmico de História! Os eventos, a correria, as reuniões, as festinhas… lembrei daquela que até foi dormir lá em casa!
Equipe de professores do CPC - meados de 2007 / 2008
E as viagens? Londrina! Que delícia foi aquela cidade! Historiadores doidos andando perdidos pelas ruas da cidade atrás de comida barata durante o dia e bebida barata à noite!
Depois veio o CPC, fomos trabalhar juntos e era ótimo! A correria do fim da faculdade dava uma distanciada, mas o CPC nos ajuntava!
Mas o que me lembro com mais alegria foi da formatura: do baile! Nos acabamos de tanto dançar! Fomos “até o chão” sem parar e a velocidade 5 do créu foi ficha – depois de, sei lá, seis ou sete drinks coloridos! Rs
Formatura,  julho de 2008
Lembra da valsa que dançamos juntos? Eu me lembro foi a valsa dos amigos… que honra ter podido dançar aquela valsa com você!
Que orgulho olhar à minha volta e ver que sou rodeada de pessoas maravilhosas e que você está entre elas!
Que Deus olhe por você, ilumine os seus caminhos e lhe dê sabedoria para fazer sempre as melhores escolhas. Que não se prenda às mediocridades que nos são colocadas diariamente e que conserve sua essência, porque é sem a menor dúvida um amigo muito querido, muito especial de quem me lembro todos os dias!
Que venham muitos outros aniversários para comemorarmos!
E que venha logo ao Rio, junto com a Vanessa, porque a Lapa vai ficar pequena pra esses historiadores lindos, cheirosos e inteligentes!
Feliz aniversário, meu querido, Leandro!
Beijos,
Dy.

Lidiane, Leandro e Dy - Aula da saudade, 2008.


Niterói, 27 de julho de 2011.

O Caderno



Meu caderninho de anotações acabou. Pouquíssimas vezes vi um caderno meu acabar. O duende dos cadernos sempre os roubava antes que eu chegasse à última página.
O fato do caderninho ter acabado me assustaum pouco: nunca escrevi tanto em tão pouco tempo. E longe se serem anotações pertinentes aos meus cursos. Relendo as páginas todas escritas encontrei fichamentos de livros, endereços de possíveis lugares pra deixar meu currículo quando cheguei ao Rio, endereços de amigos, telefones que não sei de quem são porque nunca anoto os nomes e textos que escrevia pra aliviar o coração e que vieram parar nesse blog.
Descobri que o caderno se tornou um dos meus melhores amigos, juntinho com um lápis ou caneta ou o que estivesse por perto e desse pra escrever. Descobri que foi o meu caderninho que não me deixou enlouquecer naqueles primeiros dias nas terras cariocas, que foi ele a minha companhia nas madrugadas insones e que ele me ajudou a não explodir várias vezes.
Relendo todos os textos vi que a maioria eram escritos nas minhas noites mais tristes. Nas noites mais cheias de saudades, nas noites mais escuras e longas que já tive do alto dos meus 26 anos.
Pouca coisa foi escrita em momentos de alegrias. Agora entendo Cecília Meireles e seus poemas lindos que falam do mar, de idas, vindas, com uma melancolia que extravasa as entrelinhas e nos envolve de um maneira tão sutil. A solidão é dilacerante e inspiradora. O desespero aperta o coração e tira dele coisas que podem ser lindas, sentimentos que temos pelo mundo e que nem sempre nos damos conta disso. Sentir saudades é ter uma mão enorme que te aperta o peito de uma forma tão forte que o coração não consegue mais espaço pra bater direito e o ar começa a faltar aí você percebe que ama. Porque passa um filme dos melhores momentos da sua vida, com as melhores pessoas, as mais importantes e você nota o quanto as ama e o quanto sempre as amou e muitas vezes nunca disse isso a elas.
Não raro eu dizia aos meus amigos que os amo. Agora digo sempre. Dou um bom dia e mando logo um “eu te amo”. Se tornou mais importante dizer para quem eu amo de verdade o quanto são queridos. Se tornou fundamental mostrar pra eles o quanto fazem falta na minha vida e o quanto são presentes nas suas ausências e o quanto ainda me acompanham mesmo com a distância geográfica.
Meu caderninho acabou. Os textos ficaram nas páginas que daqui a pouco vão se perder no tempo e no espaço, mas dei um jeito de deixa-los todos à mostra, guardados nesse blog.
Comprei um caderninho novo e já tenho mais da metade das páginas escritas em poucos dias e agora estou feliz.
O que descobri com o caderno novo, relendo os textos que já estão lá é que também escrevo quando estou feliz. Os textos são bem menos confusos, bem menos melancólicos e nem me expõem tanto, mas as páginas chegaram a sorrir pra mim.
Acho que o exercício de escrever um pouco todos os dias tem me feito muito bem: é um espelho mais claro e mais nítido do que aquele que tem ali no meu banheiro e que me permite ver muito além de onde os meus olhos alcançam: entro pelos meus próprios olhos, e me vejo em essência nas entrelinhas que eu mesma escrevi…
Vou comprar outro caderninho. Vai que esse acaba rápido demais! Preciso me ler todos os dias. Preciso me encontrar!

Junho de 2011, próximo à mudança para Nikity City.

Uma homenagem aos meus caderninhos, por Chico Buarque:

O Caderno

Chico Buarque

Composição: Toquinho/Mutinho
Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco até o bê-a-bá
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha, duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel
Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Sofrer também nas provas bimestrais
Junto a você
Serei sempre seu confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel
Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel
O que está escrito em mim
Comigo
ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O
que se há de fazer ?
Só peço a você um favor
Se puder
Não me esqueça num canto qualquer

terça-feira, 26 de julho de 2011

Qual meu papel?


Dia 25 de julho de 2011.
Há três anos me tornei oficialmente hstoriadora. Os anos passaram e as questões que eu me fazia naquela noite de 2008, antes de ir pegar o diploma, mais claramente na madrugada do dia 24 para o dia 25, ainda estão me assombrando. Ainda busco respostas, ainda não sei bem o que fazer com toda a responsabilidade que assumi naquela noite.
Jurei perante a socidade que faria o melhor que pudesse para ajuda-la a se desenvolver, se tornar mais crítica, mas politizada, mais consciente, mas a cada dia que passa as coisas se tornam mais e mais difícis. As discusões sobre o que eu quero e qual é o meu papel parecem tão cheias de teorias que a impressão que tenho é que isso vai de mal a pior.
Tento fazer a minha parte, fugir das aulas chatíssimas de “cuspe, giz e decoreba”. História não é isso! Levo o jornal pra sala de aula, levo música, levo o aluno pra falar, aprendo muito mais do que ensino. A recompensa é maravilhosa: crescemos todos, mas quando olho à volta me pergunto: quantos mais fazem isso? Quantos mais se preocupam? Quantos mais não se acomodam?
Tá tudo errado ou eu sou a errada?
O que é mesmo ser professor?
Qual é mesmo o papel de um educador?
Se for passar num concurso público para o Estado ou prefeitura, se acomodar ganhando 3 dígitos no final do mês, passar a vida falando mal do governo e dos alunos acusando esses de serem preguiçosos e aquele de ser o nosso maior mal e culpado das mazelas educaconais, tô fora! Nesses esqueminha aí eu não me enquadro e se for professora for ser assim juro que mais mil anos passarão e eu não vou me adaptar.
Quero estabilidade, sim! Mas quero justiça, quero qualidade e tenho meios para lutar por isso e esse é meu dever!
O que não podemos é “acomodar com o que incomoda”.
Ao que cabe a mim vou continuar fazendo barulho, levando músicas pras salas de aulas, vou mostrar aos meus meninos que o conhecimento é poder de mudança que eles podem e devem se apropriar desse poder que é direito deles.
Se alguém não gostar, que venha pra briga, mas aviso: eu não desisto fácil e a briga vai ser feia.
Perdoem a franqueza, mas eu não vim até aqui pra desistir e sim! Eu quero mudar o mundo e só mudamos o mund quando começamos pelo começo: mudando nós mesmos. Pessoas melhores são professores melhores e os alunos também o serão.
Ainda não achei as respostas que busco. Ainda não tenho fórmulas mágicas, mas é assim que vou continuar a busca: tenatndo ser melhor a cada dia.
É claro que tem horas que dá vontade de mandar parar o mundo pra eu descer, mas acho que é hora de continuar com as mangas arregaçadas e por a mão na massa, afinal, quero um mundo melhor, com pessoas melhores pra deixar de herança pro meu filho e meus netos e todos que virão.
Ainda bem que já é dia 26!
A crise vai passar logo, mas as questões sempre voltarão e mais madrugadas insones virão. Enquanto isso, tô na área e se me derrubar o juiz tem que marcar e garanto: bato pênalti melhor que a seleção brasileira. É rumo a um mundo melhor com mais reflexão e compreensão.
No que depender de mim, me recuso a me acomodar.
E tenho dito.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Flor de Saigon




E revisitando a minha listagem de amigos – há poucos nomes, confesso – encontrei um flor tão bela e tão rara que me enche os olhos de lágrimas e que me embarga as palavras.
Na verdade nem sei se consigo encontrar palavras pra escrever pra ela ou sobre ela.
Tudo começou nos idos de 2004, na faculdade... a Argentina, era esse o apelido dela, tudo por conta da camisa que ela usava no trote... menina lida, inteligente que doía!
Mas nem tudo foi flores! A recíproca é verdadeira quando se trata de nossa primeira impressão: duas meninas – éramos muito novas – muito fortes, de opinião, que não se deixavam levar por argumento simples, uma combinação explosiva e repulsiva... não fomos nada amigáveis uma com a outra...
Nos caminhos da História aprendi que o tempo é senhor de tudo e pode mudar tudo. Ainda bem... o tempo em sua infinita paciência e sabedoria se encarregou de nos aproximar e uma sólida amizade começou a se desenhar bem no meio da faculdade.
Talvez porque pelo temperamento forte logo nos distanciamos do restante da turma. Eram poucos os amigos e os colegas, não raro, só nos “aguentavam” nas temporadas dos trabalhos.
               Éramos dois “seres” a parte na turma: eu sonhava em ser medievalista, estudar a fundo os mil anos mais fascinantes de toda a História... e ela, bah, queria estudar os Incas! Pronto, motivo suficiente rpa sermos taxadas como “as do contra”.
Não havia o menor problema quanto a isso. Ser taxadas ou não realmente não fazia a menor diferença na nossa vida – em nenhum aspecto.
Fomos nos aproximando... fui aprendendo a ver como essa menina tão pequena conseguia administrar tão bem toda a força que tinha – muuuuuuito maior do que ela.
Uma guerreira! Pequena, forte, perseverante, observadora, esperta, vencedora e que não leva desaforo pra casa! E acho que esse quesito é o que nos une mais: nunca levamos desaforos pra casa – nem com os outros nem com nós mesmas. E olha que se foram duas ou três discussões foi muito. Nesse momento não me lembro de nenhuma.
Aprendi com ela que não podemos desistir de nada. Devemos lutar.
Não podemos ficar parados esperando que o nosso castelo, lá das nuvens, nos jogue uma escada mágica para chegarmos até ele. O que temos que fazer é arregaçar as mangas, pegar as pedras do dia-a-dias que nos são jogadas e construir a nossa própria escada, o nosso próprio caminho, porque somos os donos do nosso destino.
Vi que muitas das pedras que foram jogadas nessa mocinha vinham dos olhares que estavam por trás dos muros que a rodeiam. Que a conhece a ama. É impossível não ama-la! E a amando é impossível jogar-lhe outra coisa que não beijos, bênçãos e flores.
E por falar em flores, essa moça ganhou um apelido uma vez... há uns dois anos atrás, eu acho. Era “Flor de Saigon”.
A historiadora aqui é curiosa por natureza e se lançou numa mega pesquisa e descobriu o seguinte:
A Flor de saigon tem sua simbologia ligada a duas outras flores – que amo – a Flor de Liz (símbolo da História) e a Flor de Lótus, muito significativa para os indígenas.
Decidi, então, escrever um pouco sobre a “minha” Flor de Saigon-liz-lótus!
Flor de delicada beleza é muito rara. Quando nasce reina soberana e sensual, sendo ligada à mágica da primeira aparição da vida sobre a imensidade das águas primordiais. Os egípcios acreditavam que o sol nascia de seu meio – eu digo que ele lhe empresta o brilho e a força – e na China a representação está ligada à pureza – de alma, leve e sincera.
Flor melhor pra representar a musa de hoje não há: é pura menina-moleca, brincalhona, com festa do Bob Esponja! É dona de olhos brilhantes e de grande sensualidade e soberania – do alto de seu um metro e meio – é capaz de se impor e fazer valer as suas vontades. Corajosa se abre ao mundo sem medo de arriscar.
Já vi essa moça muito feliz, muito triste, com o coração partido e com o coração sendo reconstruído. Nunca a vi com medo. Nunca a vi desistindo. Sempre resistindo, lutando e vencendo.
               Quando estava feliz rimos juntas, quando ficou triste tentei faze-la rir, mas soube deixa-la chorar – é bom pra lavar a alma –, quando partiu o coração eu quis pegar o safado na primeira esquina. Depois desencanei. Corações partidos nos dizem que tentamos e tentar é sempre melhor que morrer na dúvida. Quando o coração dela estava se reconstruindo dei a maior força e os pedacinhos foram sendo colados, e acho que agora está tudo no seu lugar!
Quero aproveitar que hoje é o aniversário dessa amiga tão amada e agradece-la por fazer parte da família que escolhi pra mim!
Quero pedir que continue sempre, sendo você mesma, porque é, sem dúvida, cativante! Que conserve tua raridade, sempre.

Com essa moça aprendi que não preciso ter milhões de amigos. Preciso ter poucos e bons. Preciso de Josi! Rara, cara, amada!
Feliz aniversário, flor!
Que possamos comemorar muito mais dias como esse!
Um brinde à sua vida e à nossa que temos o privilégio de ser seus amigos e desfrutar de todas as suas qualidades!
Amo você!

"Sê tu próprio, mostre tua raridade ao mundo."

Dy.
25/07/2011, uma tarde cheia de saudades na qual meus olhos ficaram embotados de lágrimas...