Visitas da Dy

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Tu vens?


(Foto: Saulo Otoni - quase primavera)
 


Quase findo o dia

E a explosão solar acontece

Em alaranjados desejos

Incandescentes,

Como o calor que entra pela janela

E me faz querer tirar o vestido.

Não para o sol, claro!

Mas para o que se deita

No ventre ardente, sedento, 

Pronto para se queimar.

Em tons avermelhados, 

Como em mediana 

Entre meu olhar e a paisagem, o sol,

Tão inalcançável quanto teu corpo.

Não sei qual dos dois me causa mais febre.

A ele, cederia a pele para dourar,

A ti, o corpo a explorar.

Ai, de mim perdida nas montanhas:

Observo de longe tudo o que quero.

Douro pílulas e vontades

E a cada pôr do Sol bebo quereres

E um misto de saudades.

Ainda estamos no fim da tarde...

(Vens à noite?)

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Noturna


 


Noturna mulher de olhos escuros,

Que brilho a lua  cede a ti?

Eis que pareces mais triste do que és,

Mais desolada do que podes.

Não bebas tanto dessas mágoas:

Não são tuas nem te cabem bem.

Mulher que chora pelo capricho não concedido,

Pelo simples mal entendido.

Se o é, não sei. Mas, por quê choras?

Se não reconheces a estrada 

Há de ter pés sempre perdidos.

Mas sei bem por onde passas.

Sei bem teus esconderijos:

És aquela do vestido florido,

Do rosto enfeitado de sorrisos

E, ainda assim, não se vês amada.

Há mulher de outonos castanhos,

Recebe em ti a primavera.

Abandona teus vislumbres e quimeras

E repares bem no que (não) digo:

Tens um universo inteiro

Às margens de teu umbigo.

O sagrado ventre da vida.

Celebra-te a ti mesma.

domingo, 13 de setembro de 2020

Do princípio da liberdade

 



A poesia nasce do tanto que sinto,

Do muito que abrigo sem nem saber.

O quanto ainda cabe, não sei.

Engulo o choro, a raiva, a preguiça.

Acolho a dor, a angústia, a acídia.

Não me faltam verbos.

Esses entulham-se no canto da boca.

Sobram-me todos.

Inclusive aqueles que quero abandonar ou esquecer.

A poesia nasce no cotidiano,

No cansaço de todo dia,

Na insônia que habita o leito,

Na sua voz desejando o cuidado,

O carinho, o boa noite.

A poesia nasce de um sopro,

De um cochilo, de um piscar de olhos.

Ela explode e preenche,

Destrói e arrebata.

Ela pulsa e extrapola todos os limites

Porque é a mais pura liberdade.

sábado, 12 de setembro de 2020

Sobre você e o tempo

 




A urgência da poesia.

A velocidade do sentimento.

O instante da queda.

Os olhos brilhantes.

Os versos pungentes.

A voz sem eco em seus ouvidos.

A beleza pouco notada.

A dúvida do amor.

O pulsar da existência.

O sentido desejo.

A fuga concreta.

A vida.

A ida.

O ar.


Tudo isso é sobre você,

Sobre meu querer

E sobre o tempo:
Que parece nunca chegar.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Moinhos




Cada um que cuide de seus filhotes de dragões

Cada um que feche suas janelas quando chegar o vento.

Eu voo com as asas de meu dragão

Cuspo fogo em sua opinião

Solto o cabelo no vento

Giro a saia, rodopio.

E, nos moinhos, processo ideias:

Matérias-primas de sonhos 

Que quando concretos, 

Castelos!

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Aceitação

 



Na falta de um rio, chorei

Só pra deixar o amor correr

Escorrer pelo rosto

Nessa noite fria

Enquanto eu esperava por você.

Deixa o rio levar a dor, a mágoa

Que não me afogo nessa água

E convenço-me de que não era pra agora.

Eu vou ficar 

Enquanto você vai embora.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Incêndios II

 





Incêndios percorrem meu corpo

Apoderam-se de meus pensamentos.

Vou incendiar meus cabelos.

Vou espalhar minhas faíscas

Diante de teus olhos.

Mais forte e intensa que um relâmpago,

Mas, leve e suave sob lençóis, 

Domada.

Em chamas: me chamas?



quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Cores de Inverno

 

(Foto: Saulo Otoni - Juiz de Fora vista do bairro Santa Cândida, em 26/08/2020)




Eu vi os dias perderem sua cor.

Eu acompanhei os sons se emudecendo.

Eu queria tudo o que nunca havia dito

E ainda assim esperava.

(Preciso dizer?)

Eu enchi os olhos d'água tantas vezes

E só percebia o cinza chegando,

Tomando conta, anoitecendo.

Eu olhava na direção errada:

Não precisava do céu, da amplidão.

Eu precisava era dos limites:

O limite do céu com o horizonte,

Da cor exata dos seus olhos

Castanhos e livres 

Iluminados pelos resquícios dourados

De um sol cansado, mas, presente.

Eu precisava do instante exato do espanto:

A respiração presa só pra ver a beleza.

A consciência da mão estendida,

A ciência do que é suficiente:

A lembrança revelada

Feito fotografia.

Sem flash.








domingo, 16 de agosto de 2020

Teses

 


É que me saltam a exigir atenções 

Um sem fim de sentimentos.

Crianças indóceis: 

Ora medrosas, ora mimadas,

Descontroladas.

E fazem de mim poeta

Em horas pouco tristes ou amarguradas,

Outras tantas felizes e apaixonadas.

De todo modo é uma explosão:

Do muito (que quero) 

E do pouco (que revelo).

Escrevo. Confesso. Revelo.

Estampo num cartaz 

E colo em sua porta

Reformo o pensar sobre mim e ti

E oscilo. E espero. E oro.

Tenho teses tantas que parecem um rosário.

Mas, o oratório está abandonado:

Só me interessa a vela acesa,

Ardendo, aquecendo, iluminando.

Sagrado fogo da perdição e salvação

Sagrado fogo que carrego.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Urgências




O amor é urgente
Principalmente sob o efeito da saudade.
Nesses dias frios e noites longas,
O que me invade é sua falta
O que desejo são seus calores.
A urgência de amar
Chega a sufocar no peito.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Girassóis da cor da saudade




Era como amar e precisava de tempo.
O tempo das coisas amadurecerem.
O tempo das cores cintilarem.
O tempo das conversas todas,
Das saudades,
Dos girassóis cantados.
O tempo de lhe ver chegar
E sorrir com os olhos...
... De querer...
Era como amar e não ter certeza
E não saber o que fazer
E tentar correr
E querer ficar
E temer.
Era o tempo de girassóis:
Semeados por sua voz
Na terra fértil de meus pensamentos
Que saudades...



terça-feira, 4 de agosto de 2020

Ciranda Feminina



Toda criança tem uma vida secreta,
Fantástica, mágica, 
Longe dos adultos,
Longe da razão,
Longe de sombras.
É uma vida livre, sincera,
Francamente vivida e aberta,
Com o peito cheio de ar puro.
Mas, ela cresce, se prende.
Aprende a usar amarras,
A calar, a guardar-se.
A ser uma mulher em si e outra no mundo.
Toda mulher tem uma vida secreta.
Ali ela é deusa, rainha,
É o que quiser e puder.
É alada e amada e gera a arte
Que a consome, quase auto combustão:
Ela escreve e dança
Ela canta e pinta
Ela cabe entre as mãos que escolhe
Ou entre as bordas do céu,
Profunda como o oceano,
Vasta como o canto do rio
E serpenteia em sua curvas
E nas curvas do tempo.
Toda mulher é plena.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Aceite






Por quanto tempo viveste entre as brumas,
Sonhando estar entre rendas e plumas?
Tu que atravessaste penas, dura,
Na labuta diária de esconder-te
De outros, sim! Mas, antes de ti...
Tumultuados dias em teus próprios labirintos,
Penosos ritos de libertação e autocura.
E eis que o espelho encara-te
E afundas em tuas movediças areias
Atravessas teu íntimo e (quase) renasces:
Aceita-te e viverás de levezas.
Não sem dores, mas, com verdades.
Aceita-te e esqueça-te de quem foras
O que és é demasiado melhor.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Lâmpadas mágicas






Eu não me lembro de serem tão grandes...
Nem quando estavam tão próximos. Nem quando eu me via refletida em suas profundezas. 
E, sem nenhuma dúvida, eles me encantavam como se fossem lâmpadas, as mágicas, que servem de morada aos djinns. 
Eu gostava de ver como brilhavam nas penumbras. E eu me lembro de vê-los me seguindo um dia ou outro, traçando o contorno de meu corpo.
Mas, naquele dia em que eu precisava de um alento, um poema ou um afago, tudo o que tive foram seus olhos. 
Parecia coisa pouca, eu sei.
Paisagem de um deserto imenso, céu sem lua, mas de pouco breu, tamanho afeto que transmitiam.
Eram os mesmos olhos de sempre, mas, um pouco maiores, capazes de me envolver e aconchegar e ninar.
Eram lâmpadas mágicas e eu uma djinn, sem poderes, de fato, mas, pequena, lépida, recolhida naqueles olhos que me guiaram até o sono. Um sono profundo e quase castanho influenciados pelos olhos que me faziam vigília.
Eu não me lembro de serem tão grandes, mas, cada vez mais, envolvem-me e crescem.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Fuga




Cada letra uma esperança,
Cada palavra um labirinto,
Cada sonho um fio.
Em noites longas e frias,
Com luas à míngua,
Perdia-se em arranjos poéticos
Tão bonitos quanto desesperados.
Era um perder-se em pensamentos
Encontrando-lhe no frescor da fantasia.
Eram abraços não dados,
Beijos desperdiçados
E dias seguidos de um isolamento
Mais de si do que do social.
Era um reinventar-se diário
Arrastando-se na pandemia.
Nada tinha de bonito,
Mas, sua fuga era a poesia.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Névoa



Ainda me assusta a sutileza
Que traduzida em palavras me assalta:
Do boa noite ao bom dia,
Pairo, inocente, em querências.
Queria caber na intenção de seus versos.
Queria crer que não são aleatórios,
Mas, ainda tenho sombras e frio
E uma densa nuvem me impede de ver seu calor.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Tanto






Que eu saiba, em minhas luas,
Compreender seu tempo,
Sua missão,
Seus ensinamentos
E toda a sua parte que me cabe.
Que suas palavras sejam claras, 
Inteiras e certas como flecha:
Para o bem ou o muito bem 
Me acertem em cheio
E me matem de amor
(Seja por você ou seja o próprio).
Eu que lhe quero
(Tanto e tão bem), 
Quero, antes, sua certeza,
Sua grandeza e seu riso.
Quero saber seu som e suas cores
Só porque os deseja compartilhar
E eu os quero acolher,
Como quem conhece os riscos
E ainda assim decide seguir.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Lareira




Então, faço-me quieta, silenciosa,
Mas, por dentro estou em sobressaltos.
Existindo entre futilidades e noticiários,
Descobrindo-me sensível e forte,
De quereres intensos e imediatos, Violentamente genuínos.
E quedo-me absorvida por seus olhos
Pela paz e calmaria de seus olhos que ardem.
Não tenho pensamentos bons nem maus,
Mas, (im)pacientes e crescentes.
Nominados. Endereçados. 
Quentes. Lareiras no inverno da saudade.



quinta-feira, 25 de junho de 2020

XII - Os Pássaros


 


Sob o céu, sua paz,

Suas escolhas, sua liberdade.

Sub os céus, suas preces,

Seus vôos, suas companhias.

Sob o céu, ainda que caibam tristezas

Haverá sempre mais um dia.

Sê como os pássaros:

Alça vôo, canta, mas, volte para o ninho.

Construa seu plano, sua jornada,

E saiba que dividir é multiplicar,

Que a revoada é em bando,

Que a solidão não compensa.

O equilíbrio é a chave!

quarta-feira, 24 de junho de 2020

XI - O Açoite

 



Aceite suas responsabilidades.

Encare a vida, os desafios.

Não há nada maior que você,

Sua força, sua energia.

O açoite faz a justiça:

Cabe a você usar da sabedoria,

Assuma sua própria liderança.

É chegada a hora do passo

Largo, bem dado, firme.

Receba as consequências,

Acolha o fruto de suas escolhas

E saiba entre o bem e o mal

Só há uma linha tênue

Cruza-la só depende de seus pés.

terça-feira, 23 de junho de 2020

X - A Foice




É chegada a derradeira hora:
A dor, o pranto, o fim.
Não que colecione lágrimas,
Não que mereça as dores,
Mas, por lhe caber o novo,
Cresça através da poda.
Abra mão de seu lugar comum,
Aceite quebrantar-se
E receba um mosaico de novidades.
Expandir os olhares,
Acolher as mensagens,
Transformar-se.
A foice não é o fim.
É o processo.
Colha!

segunda-feira, 22 de junho de 2020

IX - O Buquê




Cabe ao amor ser tanto que expande.
Dissipa obstáculos,
Aplaca os medos,
Transborda em sorrisos,
Conquista as almas.
Cabe ao amor colorir os dias,
Trazer a felicidade,
Experimentar a plenitude,
Colher os frutos meus doces.
Cabe ao amor o perfume das flores,
A beleza do buquê de cores,
O merecimento das glórias,
A leveza de quem se realiza.

domingo, 21 de junho de 2020

VIII - O Caixão




O tempo, as areias do deserto,
O vento, as intempéries...
Tudo passa: sua dor, sua luta,
Seu rancor, seu medo, sua tristeza.
Que os dias não lhe pesem
Mais que o necessário
E que saiba desfazer-se:
De tudo que não lhe cabe,
De tudo que não lhe ensina,
De tudo que nunca foi
E ainda teima em carregar.
Encerre seus ciclos
Cure suas feridas
E renasça.
Tudo é passagem!
A vida é caminho.

sábado, 20 de junho de 2020

VII - A Serpente




Palavras sutis e disfarces,
Mal-me-quer, mas, bem-me-engana.
Sussuros, segredos,
Entredentes, ardis.
O perigo espreita,
O bote se arma.
Quais segredos seu lado escuro guarda?
De quantas sombras é feita sua noite?
Afasta-se da língua que fere,
Do olho que cobiça,
Da mão que domina.
Recolha-se em si
E aprenda a renascer
Em um outro dia
Em solidão.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

VI - As Nuvens



Aquieta a alma nesses dias nublados.
Recebe a mãe do tempo em seu peito.
Ela também é senhora das tempestades:
Ainda que o caos assuste
É nele que tudo se cria.
Raios partem seu céu
Como as dúvidas cortam seu ser,
Mas, deixe estar, deixe passar: 
Logo a nuvem se dissipará
E a clareza lhe falará aos ouvidos.
Contemple a beleza do que está distante
Entregue-se ao destino:
Mãos amigas lhe amparam e cuidam.
Descanse à sombra das horas.
 





 

quinta-feira, 18 de junho de 2020

V - A Árvore




Do teu passado, semente,
Firmam tuas ancestralidades, família.
Prende-me ao chão, raízes da razão,
Sem que eu me esqueça de outrora,
Sem que eu desonre a tradição,
Mas, que eu saiba crescer
Com as podas da vida,
Que os cortes doam, mas, libertem.
Que o novo (re)nasça em mim
Para a elevação,
Para a transformação,
A vitalidade do ser.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

IV - A Casa




É teu ninho, teu porto,
Seu lugar no mundo.
Onde semeia afetos,
Onde colhe amor.
Seja bendita a tua casa,
Os teus laços invisíveis
Que o tempo sagrado consolida:
Tua casa, tua família, teus amigos.
Benditos sejam os conselhos que a ti são dados:
Fortalecem tua alma,
Confortam teu ser.
Bendito o lar que te acolhe
E protege: é ali que vai crescer.

terça-feira, 16 de junho de 2020

III - O Navio / O Mar


Largo e profundo, de mistérios e encantos.
Quanto de teu sal verti em solidões?
Quanto de teu azul nasceram de minhas dores?
Quantas de tuas ondas foram partidas?
Mas, o que parte aqui, chega adiante,
A margem é distante, mas, tangível.
E se te fazes forte na tormenta,
É que conheces bem o caminho:
Dentro em breve haverá bonança.
Aceita teus ais, tuas idas, asas partidas
E lança teu navio ao mar.
Só ele (e o tempo) são a cura,
A transformação, o novo cais.
Aceita tua rota, segura o leme e vai.






segunda-feira, 15 de junho de 2020

II - Os obstáculos / espiritualidade




Havia uma pedra no meio do caminho,
Um obstáculo, um desafio,
Um quase desespero aos olhos cansados.
Mas, lá no fundo, com os olhos da alma, a calma:
Os troncos desafiadores eram mais:
Um ponto qualquer de descanso,
De respiro, de reflexão, de renovo.
Uma pausa para o sagrado encontro interior:
Você, sua luz e sua força,
A necessidade do mover-se,
A garantia do crescer.
Ouça seu coração e não desista.
Transcender é urgente.

domingo, 14 de junho de 2020

I - O Cavaleiro / A Coragem



Seja rio, água clara, que desvia, mas segue.

Seja forte, tome as rédeas,

Deixe fluir os sentimentos

E não recue diante dos obstáculos.

Sob seus pés está o mundo

Descobri-lo é seu caminho.

Tome a taça da coragem,

Embriague-se de si mesmo:

Tem todas as armas ao seu dispor,

Então, lute!

São de seu sangue, seu suor e sua fé

Que florescerá seu reino.

Seja rio, água clara, que sabe ser calma,

Mas, que também sabe devastar.

Desafie o medo.