Visitas da Dy

domingo, 3 de janeiro de 2021

Sobretudo e café

 





Os olhos embaçados

A boca quase seca

O corpo curvado

Calo tudo o que eu gostaria de ouvir

E como resposta demorada

Engulo seus silêncios

Com café preto e forte

Dentro de um sobretudo.

Nada temos

Nada nos falta

Mas é esse silêncio

Sobre tudo e nada

Que arrasta as horas da saudade

E eu me pergunto:

Como é possível isso existir?

E adomeço inquieta

Ainda sem saber se o tenho

Ou se o invento.



sábado, 2 de janeiro de 2021

Arranhões

 





Noite a dentro,

O que tenho são miragens.

Escrevo pelas paredes,

Rabisco os papéis:

Arranho minha existência

Na casca dos dias.

Deixo pelo ar a minha poesia.

Arranhões no tempo.

Cicatrizes minhas.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Ontens

 



Num desses ontens descontentes,

Que sequer marquei no calendário,

Houve um tanto de você 

Espalhado pelos cantos

Dos meus olhos cansados.

Eu não sei bem se adormeci 

No embalo da noite

Ou embrulhada em suas lembranças.

Num desses ontens eu quis te escrever

Mas não tinha palavras suficientes

Às vezes, por alguns dias a gente seca

E, em outros, a gente só chove.

Hoje o dia está nublado.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Cão Fugidio

 



Alimenta-me com o que me agrada.

Oferece-me sua sombra fresca,

Seu colo em dias de agitação,

Sua voz chamando meu nome.

Sabe bem ao que me rendo,

A recompensa que espero,

A lealdade que disponho.

Mas, paradoxo destino,

É entre suas frestas que corro,

Cão fugidio entre suas pernas.

 Um misto dócil e selvagem,

De quem quer ficar e partir.

Não me venha com afagos

Nem duras penas.

Venha com liberdade:

Posso não querer mais fugir.

Um dia.


quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Looping

 



Domino o caos dos meus pensamentos,

Organizo todas as ideias,

Aquieto meu coração

E sigo até o próximo sinal.

Até que me venhas quase inocente,

Até que me jogues em um turbilhão.

Então, respiro fundo e mergulho

Nesse mar abissal,

Provo do meu próprio sal.

Visito novamente o meu próprio caos.

E recomeço, e reconstruo, e reorganizo. 


sábado, 21 de novembro de 2020

Em minhas mãos

 



Sonhei que (re)pousava em seu peito

E, assustada, duvidava da sorte.

Sim, sorte. Das grandes:

Café, livro, seu cheiro,

Um bocado de conversa,

Outro tanto de atenção

E muitas horas passadas

Até eu quase me cansar.

E duvidei da existência desse dia.

Talvez eu não saiba amar

Porque ainda me pergunto

Se ali era mesmo pra eu estar.

Acordei com a agonia dos poetas

Que traduzem-se em versos

E escrevi você entre meus dedos

Pra ver se deixava de duvidar.

Por um momento você estava em minhas mãos.

domingo, 15 de novembro de 2020

Portais

 



(Poema premiado em segundo lugar no I Concurso de Poesia do Museu Mariano Procópio, Juiz de Fora, novembro de 2020)


Eis que portais se abrem.

Paredes sustentam o passado,

Acolhem o presente, 

Como fiandeiras incansáveis

Que falam ao futuro.

As memórias ecoam vivas,

Coloridas, em formas e traços

E fazem a magia do encanto,

Do espanto, do saber:

A História desce sobre nós,

Faz do museu o seu templo,

Faz dos homens um novelo

E os amarra em narrativas,

Tão próximas que quase tocamos.

Tão nossas e deles e dos que virão

Como se pudesse não existir o tempo.

Eis que portais se abrem 

Em mostra ou exposição,

Memórias. Construção.

Pedra. Cal. Tinta. Som. Arte.

O fio segue pelo tempo. 

Além do tempo.

Ignora os séculos.

Tudo é saber.



sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Dúvidas






Eu queria ler todos os seus livros

E caber em cada um de seus poemas.

Morar na sua estante como traça devoradora

E não como um sorriso estanque.

Eu queria saber fazer pausas e respirar.

Queria saber bons modos,

Usar cor de rosa e evitar discussões.

Queria ser aquela obediência morna.

Mas, é que eu gosto muito de abrir cervejas,

Afogar-me no vinho

E, quando dá, acordar ao meio-dia.

E eu não sei se isso combina com sua poesia.

E eu não sei se isso o assusta ou fascina.

Mas, é que eu bebi liberdade

E tomei um porre de ventania.

É que eu gosto de vestidos 

Tão curtos quanto minha paciência

E não me demoro onde não caibo.

Então, me diz onde é que eu fico.

Onde é que eu fico nessa história?

Por ora, estou suspensa.

Nem sei ao certo se existo.



sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Galhos Secos

 







A noite estava pálida.

Cortada por ventos que prometiam chuva.

A silhueta da velha árvore

Diminuía a cidade e suas luzes:

O choque entre luz e sombra,

Entre o infinito prateado lunar

E a vida que teima em durar.

Galhos secos de histórias,

Meus olhos cheios de saudade.

Escrevi pensando em você.

Não há instante maior que esse:

A repentina lembrança,

O bem-querer-te-ver e seguir

Como quem só admira a paisagem.

Fingi estar bem, mas, aqui dentro,

Mil sons te chamavam. 

Eu estava em silêncio.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Tiro à queima-roupa

 



Você matou à queima roupa

Um tanto de amor-menino.

Que começava a tatear suspiros.

Que já tinha lugar cativo.

Que reluziu seu peito aberto,

Cabelo ao vento,

Desfeito de armadura.

E você armado, preparado...

Pronto para atacar

A qualquer movimento subversivo de carinho.

E você atirou, silencioso, certeiro,

Quase injusto.

E há um tanto de amor falecido,

Outro tanto resistente, contido,

Em frangalhos, se reconstruindo.

E a armadura vai voltar ao seu lugar

Pra esconder cicatrizes e dores

Que parte do amor ainda vive?

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Angelus

 



Já era tarde,

Escuro.

Quase dia.

E tinha seu dedos,

Sua poesia.

Eu não sabia escrever 

Tampouco rimar.

Mas, era você e eu.

E uma luz explodia:

Fazíamos o amanhecer.


terça-feira, 22 de setembro de 2020

Lavínia

 



Dorme sonhos cor de rosa,

Tão puros quanto seu nome.

Reaviva esperanças em meio ao caos.

Era essa a hora de sua chegada?

Sim! Era esse o plano do destino:

Encerrar o inverno,

Florescer com a estação,

Ser, mais que tudo, amada

E por extensão pulsar:

Por a vida em movimento.

Bendito o mundo que a recebe:

Agora está mais doce,

Mais leve, mais risonho e puro.


sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Ao menino que voa

 




(Para Rafael Drumond, em 18/09/2020, como forma de não o esquecer)



Talvez um sopro,

Um salto, uma aventura,

Uma paisagem na janela,

Mas, ainda assim e sempre,

A música mais bela:

Uma canção de amor.

E isso é vida. A vida.

De tudo o que vivemos,

Lágrimas e sorrisos,

Mas, o amor, só ele cura

E da asas ao anjo

Que quando cumpre sua missão, voa.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Tu vens?


(Foto: Saulo Otoni - quase primavera)
 


Quase findo o dia

E a explosão solar acontece

Em alaranjados desejos

Incandescentes,

Como o calor que entra pela janela

E me faz querer tirar o vestido.

Não para o sol, claro!

Mas para o que se deita

No ventre ardente, sedento, 

Pronto para se queimar.

Em tons avermelhados, 

Como em mediana 

Entre meu olhar e a paisagem, o sol,

Tão inalcançável quanto teu corpo.

Não sei qual dos dois me causa mais febre.

A ele, cederia a pele para dourar,

A ti, o corpo a explorar.

Ai, de mim perdida nas montanhas:

Observo de longe tudo o que quero.

Douro pílulas e vontades

E a cada pôr do Sol bebo quereres

E um misto de saudades.

Ainda estamos no fim da tarde...

(Vens à noite?)

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Noturna


 


Noturna mulher de olhos escuros,

Que brilho a lua  cede a ti?

Eis que pareces mais triste do que és,

Mais desolada do que podes.

Não bebas tanto dessas mágoas:

Não são tuas nem te cabem bem.

Mulher que chora pelo capricho não concedido,

Pelo simples mal entendido.

Se o é, não sei. Mas, por quê choras?

Se não reconheces a estrada 

Há de ter pés sempre perdidos.

Mas sei bem por onde passas.

Sei bem teus esconderijos:

És aquela do vestido florido,

Do rosto enfeitado de sorrisos

E, ainda assim, não se vês amada.

Há mulher de outonos castanhos,

Recebe em ti a primavera.

Abandona teus vislumbres e quimeras

E repares bem no que (não) digo:

Tens um universo inteiro

Às margens de teu umbigo.

O sagrado ventre da vida.

Celebra-te a ti mesma.

domingo, 13 de setembro de 2020

Do princípio da liberdade

 



A poesia nasce do tanto que sinto,

Do muito que abrigo sem nem saber.

O quanto ainda cabe, não sei.

Engulo o choro, a raiva, a preguiça.

Acolho a dor, a angústia, a acídia.

Não me faltam verbos.

Esses entulham-se no canto da boca.

Sobram-me todos.

Inclusive aqueles que quero abandonar ou esquecer.

A poesia nasce no cotidiano,

No cansaço de todo dia,

Na insônia que habita o leito,

Na sua voz desejando o cuidado,

O carinho, o boa noite.

A poesia nasce de um sopro,

De um cochilo, de um piscar de olhos.

Ela explode e preenche,

Destrói e arrebata.

Ela pulsa e extrapola todos os limites

Porque é a mais pura liberdade.

sábado, 12 de setembro de 2020

Sobre você e o tempo

 




A urgência da poesia.

A velocidade do sentimento.

O instante da queda.

Os olhos brilhantes.

Os versos pungentes.

A voz sem eco em seus ouvidos.

A beleza pouco notada.

A dúvida do amor.

O pulsar da existência.

O sentido desejo.

A fuga concreta.

A vida.

A ida.

O ar.


Tudo isso é sobre você,

Sobre meu querer

E sobre o tempo:
Que parece nunca chegar.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Moinhos




Cada um que cuide de seus filhotes de dragões

Cada um que feche suas janelas quando chegar o vento.

Eu voo com as asas de meu dragão

Cuspo fogo em sua opinião

Solto o cabelo no vento

Giro a saia, rodopio.

E, nos moinhos, processo ideias:

Matérias-primas de sonhos 

Que quando concretos, 

Castelos!

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Aceitação

 



Na falta de um rio, chorei

Só pra deixar o amor correr

Escorrer pelo rosto

Nessa noite fria

Enquanto eu esperava por você.

Deixa o rio levar a dor, a mágoa

Que não me afogo nessa água

E convenço-me de que não era pra agora.

Eu vou ficar 

Enquanto você vai embora.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Incêndios II

 





Incêndios percorrem meu corpo

Apoderam-se de meus pensamentos.

Vou incendiar meus cabelos.

Vou espalhar minhas faíscas

Diante de teus olhos.

Mais forte e intensa que um relâmpago,

Mas, leve e suave sob lençóis, 

Domada.

Em chamas: me chamas?



quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Cores de Inverno

 

(Foto: Saulo Otoni - Juiz de Fora vista do bairro Santa Cândida, em 26/08/2020)




Eu vi os dias perderem sua cor.

Eu acompanhei os sons se emudecendo.

Eu queria tudo o que nunca havia dito

E ainda assim esperava.

(Preciso dizer?)

Eu enchi os olhos d'água tantas vezes

E só percebia o cinza chegando,

Tomando conta, anoitecendo.

Eu olhava na direção errada:

Não precisava do céu, da amplidão.

Eu precisava era dos limites:

O limite do céu com o horizonte,

Da cor exata dos seus olhos

Castanhos e livres 

Iluminados pelos resquícios dourados

De um sol cansado, mas, presente.

Eu precisava do instante exato do espanto:

A respiração presa só pra ver a beleza.

A consciência da mão estendida,

A ciência do que é suficiente:

A lembrança revelada

Feito fotografia.

Sem flash.








domingo, 16 de agosto de 2020

Teses

 


É que me saltam a exigir atenções 

Um sem fim de sentimentos.

Crianças indóceis: 

Ora medrosas, ora mimadas,

Descontroladas.

E fazem de mim poeta

Em horas pouco tristes ou amarguradas,

Outras tantas felizes e apaixonadas.

De todo modo é uma explosão:

Do muito (que quero) 

E do pouco (que revelo).

Escrevo. Confesso. Revelo.

Estampo num cartaz 

E colo em sua porta

Reformo o pensar sobre mim e ti

E oscilo. E espero. E oro.

Tenho teses tantas que parecem um rosário.

Mas, o oratório está abandonado:

Só me interessa a vela acesa,

Ardendo, aquecendo, iluminando.

Sagrado fogo da perdição e salvação

Sagrado fogo que carrego.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Urgências




O amor é urgente
Principalmente sob o efeito da saudade.
Nesses dias frios e noites longas,
O que me invade é sua falta
O que desejo são seus calores.
A urgência de amar
Chega a sufocar no peito.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Girassóis da cor da saudade




Era como amar e precisava de tempo.
O tempo das coisas amadurecerem.
O tempo das cores cintilarem.
O tempo das conversas todas,
Das saudades,
Dos girassóis cantados.
O tempo de lhe ver chegar
E sorrir com os olhos...
... De querer...
Era como amar e não ter certeza
E não saber o que fazer
E tentar correr
E querer ficar
E temer.
Era o tempo de girassóis:
Semeados por sua voz
Na terra fértil de meus pensamentos
Que saudades...



terça-feira, 4 de agosto de 2020

Ciranda Feminina



Toda criança tem uma vida secreta,
Fantástica, mágica, 
Longe dos adultos,
Longe da razão,
Longe de sombras.
É uma vida livre, sincera,
Francamente vivida e aberta,
Com o peito cheio de ar puro.
Mas, ela cresce, se prende.
Aprende a usar amarras,
A calar, a guardar-se.
A ser uma mulher em si e outra no mundo.
Toda mulher tem uma vida secreta.
Ali ela é deusa, rainha,
É o que quiser e puder.
É alada e amada e gera a arte
Que a consome, quase auto combustão:
Ela escreve e dança
Ela canta e pinta
Ela cabe entre as mãos que escolhe
Ou entre as bordas do céu,
Profunda como o oceano,
Vasta como o canto do rio
E serpenteia em sua curvas
E nas curvas do tempo.
Toda mulher é plena.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Aceite






Por quanto tempo viveste entre as brumas,
Sonhando estar entre rendas e plumas?
Tu que atravessaste penas, dura,
Na labuta diária de esconder-te
De outros, sim! Mas, antes de ti...
Tumultuados dias em teus próprios labirintos,
Penosos ritos de libertação e autocura.
E eis que o espelho encara-te
E afundas em tuas movediças areias
Atravessas teu íntimo e (quase) renasces:
Aceita-te e viverás de levezas.
Não sem dores, mas, com verdades.
Aceita-te e esqueça-te de quem foras
O que és é demasiado melhor.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Lâmpadas mágicas






Eu não me lembro de serem tão grandes...
Nem quando estavam tão próximos. Nem quando eu me via refletida em suas profundezas. 
E, sem nenhuma dúvida, eles me encantavam como se fossem lâmpadas, as mágicas, que servem de morada aos djinns. 
Eu gostava de ver como brilhavam nas penumbras. E eu me lembro de vê-los me seguindo um dia ou outro, traçando o contorno de meu corpo.
Mas, naquele dia em que eu precisava de um alento, um poema ou um afago, tudo o que tive foram seus olhos. 
Parecia coisa pouca, eu sei.
Paisagem de um deserto imenso, céu sem lua, mas de pouco breu, tamanho afeto que transmitiam.
Eram os mesmos olhos de sempre, mas, um pouco maiores, capazes de me envolver e aconchegar e ninar.
Eram lâmpadas mágicas e eu uma djinn, sem poderes, de fato, mas, pequena, lépida, recolhida naqueles olhos que me guiaram até o sono. Um sono profundo e quase castanho influenciados pelos olhos que me faziam vigília.
Eu não me lembro de serem tão grandes, mas, cada vez mais, envolvem-me e crescem.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Fuga




Cada letra uma esperança,
Cada palavra um labirinto,
Cada sonho um fio.
Em noites longas e frias,
Com luas à míngua,
Perdia-se em arranjos poéticos
Tão bonitos quanto desesperados.
Era um perder-se em pensamentos
Encontrando-lhe no frescor da fantasia.
Eram abraços não dados,
Beijos desperdiçados
E dias seguidos de um isolamento
Mais de si do que do social.
Era um reinventar-se diário
Arrastando-se na pandemia.
Nada tinha de bonito,
Mas, sua fuga era a poesia.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Névoa



Ainda me assusta a sutileza
Que traduzida em palavras me assalta:
Do boa noite ao bom dia,
Pairo, inocente, em querências.
Queria caber na intenção de seus versos.
Queria crer que não são aleatórios,
Mas, ainda tenho sombras e frio
E uma densa nuvem me impede de ver seu calor.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Tanto






Que eu saiba, em minhas luas,
Compreender seu tempo,
Sua missão,
Seus ensinamentos
E toda a sua parte que me cabe.
Que suas palavras sejam claras, 
Inteiras e certas como flecha:
Para o bem ou o muito bem 
Me acertem em cheio
E me matem de amor
(Seja por você ou seja o próprio).
Eu que lhe quero
(Tanto e tão bem), 
Quero, antes, sua certeza,
Sua grandeza e seu riso.
Quero saber seu som e suas cores
Só porque os deseja compartilhar
E eu os quero acolher,
Como quem conhece os riscos
E ainda assim decide seguir.