Visitas da Dy

quarta-feira, 27 de março de 2013

Tenho medo e sigo


Tenho medo do que está por vir.
Assim como todos os outros pobres mortais como eu.
Temo o desconhecido porque não o posso controlar, não posso espiar, não posso prever. Mas também são todas essas impossibilidades que me encantam no que está por vir e mesmo com medo sempre ouso dar o próximo passo, rumo a um abismo, talvez, mas rumo a um caminho novo que se descortinará. Se o abismo vier, que eu saiba abrir as minhas asas e voar. Se o caminho for sólido, que meus pés saibam caminhar e aprender com as pedras da estrada.
Tenho medo do que está por vir.
Sou corajosa em assumir.
Podia simplesmente só sentar e chorar e desistir, mas eu ouso ir. Ouso seguir porque a curiosidade que me impulsiona dá gotas de coragem.
Tenho medo do que está por vir e sigo. Sigo adiante porque maior que o meu medo é a vontade de ir cada vez mais além daquilo que posso ter preparado para mim, porque eu mereço novas experiências, que boas ou ruins, são as minhas experiências.
Tenho medo do que está por vir e isso faz parte da minha história. As minhas maiores conquistas vieram porque enfrentei esse medo, vestido com uma capa azul, mostrando seus dentes e seu hálito pavoroso. Todas as vezes que o monstro do medo esteve em minha frente eu o enfrentei e hoje tenho as lembranças mais lindas, as histórias mais divertidas, as pessoas mais queridas ao meu lado e alcanço a cada dia um pedacinho da felicidade.
Tenho medo do que está por vir e por isso eu vou!

domingo, 24 de março de 2013

Os presentes que a vida me dá





Ao longo dos meus quase trinta anos (28 para os curiosos) tenho percebido uma série de presentes que a vida me dá a cada dia.
Recebo presentes variados: uns são do tipo da loja de R$1,99, que logo escangalham e precisam ser descartados, outros estão ali numa faixa mais carinha, que ficam um bom tempo, mas acabam tendo o seu prazo de validade esgotado. Alguns, mais raros, são como diamantes, na verdade são diamantes.
Hoje eu vou falar de um desses: tão raro, caro, brilhante, fascinante, que o coloco como um daqueles diamantes mais difíceis de se encontrar, um daqueles bem grandes, caríssimos para se comprar e, por isso mesmo, não poderia jamais tê-lo por mim mesma, mas mereci ganhá-lo como um presente. O diamante do dia é o Isaías.
Há exatamente um ano eu comecei um texto para ele dizendo que eu “Queria saber usar as palavrinhas de uma maneira que as organizasse e conseguisse mostrar o quanto é  especial”. Hoje a história é outra. O amadurecimento é outro. As palavras já se organizaram. O sentimento já se assentou e já consigo até encontrar nas palavras algo que se aproxima da alegria que eu sinto em celebrar mais um dia de sua vida, mais um ano de sua convivência.
DI-A-MAN-TE! Não há outra palavra para usar quando me refiro ao meu querido Isaías! E, que me perdoem os leitores, esse texto é só pra ele!

Isaías, meu querido,
Já se vão alguns bons anos de amizade, muitas palavras, incentivos, conselhos. Muitas madrugadas insones em que juntos-separados pela distância Rio-Juiz de Fora conversamos e nos divertimos, dividimos os apertos nossos de cada dia e as alegrias de cada amanhecer. Já se vão alguns dias de preocupação com o outro, de admiração e de companheirismo que existe entre pessoas que se gostam e que encontram entre si elementos que as fazem se sentir bem juntas mesmo quando não se veem com frequência.
Pouco me importa hoje se moramos em cidades diferentes, se passamos meses sem nos ver, se tudo o que marcamos fura, se não consigo tomar uma cerveja artesanal com você ou se a viagem para o Rio nunca acontece, porque estamos à mínima distância de um click ou de um telefonema, mas menor do que isso é a distância que temos do coração, porque ter um amigo é ceder um espaço nosso, no nosso peito para ser a morada dele. Como você mora aqui no meu peito, não há distâncias capazes de fazer com que meu carinho diminua.
Comparo-o a um diamante que me veio sem lapidar, com suas arestas e posições fortes, com seus olhos brilhantes e voz firme que aos poucos foi sendo moldado e hoje brilha grandemente na minha vida e na de todos que têm o prazer de conhecê-lo.
 Coloco-o na minha caixinha de preciosidades e zelo para que não o perca pelos caminhos da vida, porque apara além de ser uma pessoa linda e inteligente é companheiro, leal e dedicado.
Hoje paro para comemorar o seu dia. Hoje desejo que tenha sabedoria para caminhar pelos caminhos que Deus nos aponta e que tenha muita saúde, amor e amigos verdadeiros, porque tudo o mais que lhe for necessário, conseguiremos, afinal, amigos são para nos fazer ser melhores e seguir sempre adiante.
Desejo a você, Isaías, um feliz aniversário!
Beijos enormes e recheados de saudade,
Dy.

quinta-feira, 7 de março de 2013

O nascer do sol, mais um dia!

              

              É assim que surge uma nova página de nossas vidas, que chamamos de dia: as nuvens amanheceram lilases, cansadas de seus brancos tradicionais; algumas mais petulantes desfilavam rajadas de laranja. Logo cedo a cabeleira do sol, ainda desgrenhada, porque ele havia acabado de acordar, se misturou às nuvens já coloridas e em pouco tempo estava tudo muito claro. 
              O sol, esse menino meio sapeca, meio bronzeado e bronzeador não queria ir embora, mas depois de ter brincado de "boca de forno", colocando-nos quase que nas próprias brasas, tamanho era calor, ele desistiu e foi dormir. 

              (É que as crianças também se cansam!!) 

              A dona lua já está por aqui, mas ainda carrega o calor de todo o dia... Ela é moça jovem pra casar: desfila com seu vestido cravejado de pequenos brilhantes, as tais das estrelas. Dizem que ela olha para a Terra procurando o seu amor, mas só encontra os olhares dos poetas.

terça-feira, 5 de março de 2013

Nem sei se quero...


Foto: Dy Eiterer por Sarah Azavezza

Tem gente que reclama do sol
Eu escuto um rock'n'roll
Tem gente que reclama da chuva
Eu faço piadas sobre casamento de viúva
Tem gente que faz poesia
Eu escrevo tudo que posso, pra folha não ficar vazia!
Alguns poetas escolhem suas rimas com esmero
Eu nem sei se é uma rima que eu quero!

Escrever é uma saída,
Uma fuga,
Uma luta:
A tinta teima e mancha o papel
A palavra teima e escapa pela boca
Minha alma se mostra nas entrelinhas.

(Só pra constar: a trilha sonora da composição é Alexandre Nero e Maquinaíma)

Versos





E sobre os meus versos:
Às vezes nascem em meu silêncio
Em outras saem dos meus gritos
Mas eu gosto mesmo é de ver
O movimento dos lábios a declamar!
Eu gosto mesmo é de ouvir
Aqueles versos que eu fiz...
Ganhando vida em uma voz rouca.
Poesia é mesmo uma coisa louca

segunda-feira, 4 de março de 2013

Verde




Sempre que olho nos meus próprios olhos
Me perco e te acho,
Mas se as cores não são as mesmas,
Por que as lembranças seriam?
Deve ser a cor dessa manhã
Deve ser o ritmo da sua última manha
Ai de mim que me perco pra te achar...
Ai de mim que amo o teu verde,
Sendo fruta quase madura.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Chão




Tenho livros que já não cabem na estante.
Tenho ideias que não ficam quietas dentro da cabeça,
Antes que eu me dê conta a boca fala:
Despeja todas as minhas palavras,
Esvazia o coração.
E a alma? Essa ficou toda exposta, estirada no chão...
– Deus me ajude que ninguém a pise!

Escape



Preparo-me pra dormir
Puxo o cobertor e fecho os olhos...
A caneta salta em cima da mesa
As folhas de papel voam pelo quarto.
Permaneço calada, mas as palavras me gritam.
Não fui eu quem escolheu a poesia:
Ela é que faz de mim o seu escape!

Rio de Janeiro ou de Março?


“O Rio de Janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro, fevereiro e março...”






O Rio é de Janeiro, mês em que eu me preparei para me mudar e ser recebida pelos braços abertos do Cristo Redentor há alguns anos atrás...
O Rio é de Fevereiro, mês que me mudei para a cidade Maravilhosa, mês do carnaval, de sol, de sal, de mar...
O Rio é de março, primeiro de março! Completando hoje seus 448 anos de existência, charme e encantamento sobre os seus cariocas, privilegiados por nascerem na terra onde os 3 “s” são constantes (Samba, Sol e Sal) e, claro, sobre aqueles que não nasceram em suas terras, mas tiveram o prazer de conhecê-la!
O Rio de Janeiro é balanço bom, samba-rock-bossa-blues que se reflete no andar dos cariocas: elas a balançar as barras de suas saias pela orla da Barra, Ipanema ou Copa ou ainda distraídas pelo Passeio (Público) num fim de tarde. Eles com sua malandragem, jeito gingado e atraente com suas pranchas, bermudões ou devidamente engravatados, na correria frenética que nos embala.
Ah, o Rio de Janeiro... se eu pudesse não ia nunca deixar esse lugar pra trás... ou melhor: puxaria seu mar pra mais perto das Minas Gerais! Tomaria um mate gelado com meu ‘pãdiquêjo’ sentada em uma montanha, molhando meu pé no seu mar!
Se eu pudesse nunca mais esquecer os momentos que passei aqui... não perder nenhum instante, nenhum lugar que visitei, meus olhos famintos de novidades e brindados a cada piscada com o novo!
Terra de samba... muitas rodas de samba! De cerveja gelada, de amigos animados!
Terra de suor... de gente que levanta cedo pra trabalhar, pra estar lá quando a gente vai por trabalho!
Terra que não dorme nunca! Seja em sua vida boêmia, seja em seus braços trabalhadores. A engrenagem não pode parar. Nossos sonhos têm que continuar e lá se vai o Rio de Janeiro os embalar!
Terra de história! De museus maravilhosos onde o cheiro dos séculos passados ainda está preso nas cortinas de veludo e brocado e os passos ecoam nas tábuas corridas de seus corredores.
Terra das artes, das belas! Onde desfilam por nós Tarsila, Pedro Américo, Niemeyer, Portinari, Rembrandt e Renoir, Burle Max e Mestre Valentim.
Terra de mares... É o Rio que navega pro mar ou é o mar que não resiste e joga as suas ondas para o Rio? Paixão recíproca entre o azul profundo e o laranja dourado, que doura as peles, aquece os corações e faz de nosso despertar um eterno carnaval, essa folia que se dá no peito cada vez que amanhece mais um dia.
Rio de ventos e velas, de mansões e favelas, de gente nova e velha, que mescla sentimentos e emoções, que acolhe, que aquece, que entorpece!
Ao Rio dos meus encantos, de janeiro, fevereiro, de todo ano, que seus 448 anos sejam saudados por todos que te conhecem e que te amam!
Que seu encanto não permaneça, aumente!
Que o mundo te conheça e se apaixone!

Greve de ônibus no Rio de Janeiro




Ponto de ônibus em frente à Rodoviária Novo Rio às 5:40h, 01 de março de 2013. Foto de Dy Eiterer

Sexta-feira, aniversário de 448 anos do Rio de Janeiro e às 5 da manhã o caos já estava instaurado nas proximidades da rodoviária Novo Rio.  Ponto de partida de muitos trabalhadores, a região estava lotada de passageiros à espera de uma condução para se dirigirem aos seus trabalhos.
Passei longas 3h no ponto à espera de um ônibus, de uma van, de uma charrete, um jumentinho ou qualquer outro meio de transporte que pudesse me levar para o trabalho, para que eu pudesse cumprir com os meus compromissos, sobretudo com meus alunos. Espera em vão.
Depois de uma sexta-feira começando assim, sim, eu tenho motivos suficientes para estar contrária à greve dos rodoviários do Rio de Janeiro, só que não!
Eu sou a favor! Apoio mesmo! Por mais que eu tenha perdido um dia de trabalho. Por mais que tenha deixado de dormir algumas horas que me fariam muito bem. Por mais que tenha gastado o meu rico dinheiro para me deslocar até o ponto de ônibus.
Eu apoio essa greve e outras tantas! Hoje os motoristas e cobradores se fizeram notados: hoje muitas pessoas perceberam que DEPENDEM deles para irem aos seus trabalhos, escolas, compromissos diários. Hoje muita gente vai pensar um pouco melhor sobre essa profissão que é fundamental para a maioria da população.
Estou na torcida para que o fim da dupla função motorita-cobrador seja decretado, para que recebam seus aumentos de salários, seus planos de saúde, vale alimentação e folgas semanais. Estou na torcida para que as reivindicações que perpassam antes de qualquer coisa o respeito  e a dignidade pelo trabalho do outro sejam conquistadas.
Estou na torcida para que a partir de hoje possamos olhar para os nossos motoristas, colaboradores dos nossos dias corridos, com um sentimento mais amistoso, que eles possam ser tratados com mais gentileza, afinal, carregam nossas vidas em suas mãos todos os dias.

EU APOIO A GREVE DOS MOTORISTAS!

P.S.: Por favor, você, leitor, pobre trabalhador que também perdeu o seu dia de trabalho, não reclame da greve dizendo que é um absurdo, um cúmulo, uma sacanagem... Se não há o que dizer, vá tomar um bom café ou tirar um cochilo! A luta por direitos é um direito e se fosse você, se fossem as SUAS reivindicações, com certeza não estaria reclamando.

Que a luta continue! 


Ponto de ônibus em frente à Rodoviária Novo Rio às 6:38h, 01 de março de 2013. Foto de Dy Eiterer

Ponto de ônibus em frente à Rodoviária Novo Rio às 7:45h, 01 de março de 2013. Foto de Dy Eiterer