Visitas da Dy

sábado, 28 de maio de 2011

Reflexo

Ontem enquanto estava no trabalho fui visitar o meu blog!
Sim, eu me visito às vezes e me emociono com o que já escrevi, me envergonho, tenho vontade de retirar os textos de lá, depois vejo uns comentários, me orgulho, sou inconstante e gosto disso, e voltar ao blog me lembra momentos fantásticos, intensos, vivos, me (re)vejo, revivo meus momentos e aprendo de novo com eles, é como se olhasse na beira de um lago e visse meu reflexo no passado, não no agora, mas com muito do que sou também, porque meu passado vive em eu presente através de minhas escolhas, atos, posturas.
Nessa visita que fiz a mim mesma percebi o quanto mudei o meu jeito de escrever. O quanto cresci e passei a por no papel o que eu sinto de maneira mais clara e mais intensa se aproximando, de verdade, daquilo que sinto na alma.
Encontrei um texto que há mais de um ano, muito mais, talvez há quase uns dois anos, eu li no perfil de um querido, Leonardo Feccini, na verdade o texto estava no perfil da badaladíssma “Baranga Leléia”. É um texto cuja autoria é atribuída a Maria de Querioz, que não conheço e nem me dei ao luxo de ir ao “google” procurar. Li, gostei, publiquei e me esqueci de sua existência, como me esqueço de tantas outras coisas.
Relendo vi o quanto o texto é bom e juro que senti uma inveja danada da autora. Queria eu te-lo escrito.
Queria eu poder usar as palavras de maneira tão clara, tão transparentes ao ponto de deixar a alam toda à mostra, de não temer me expor e mais ainda de não temer ser vista e julgada.
Que pouco me importo com a opinião dos outros, a menos que sejam os que amo demais, é fato, mas também, como todo mundo tenho uma pontinha de temor quando me mostro de verdade, sim, tenho.
Ainda não consigo falar tudo o que penso, na verdade eu falo, mas ainda não consigo sintetizar bem nas palavras escritas. Não cheguei ao ponto de me ver totalmente nos textos,embora na maioria deles o que há é mesmo uma fresta pela minha janela que permite ver lá no fundo uma boa parte do que realmente se passa em mim.
Estou exercitando meus dedos e minha caneta nessa arte da escrita. Ora com textos muito meus, ora com textos puramente inventados.
Hoje vou fazer uma coisa diferente. Cansei publicar coisas puramente autoral e hoje farei uma citação do texto ao qual me referi antes.
Vale a pena lê-lo, vale a pena nos enxergar nele. Eu me enxergo. E me enxergo tanto que chego a pensar que não é possível que existam mais e mais pessoas que sejam tão parecidas comigo – uma a ponto de escrever e outras tantas que o reproduzem. Muitas vezes eu me sinto muito alheia ao mundo, muito diferente da maioria das pessoas e isso me dá um sentimento meio depressivo, uma estranheza que me assusta e ver que mais pessoas também pensam como eu, é um alento.
Vamos à Maria de Quieroz:

“Eu nunca fui uma moça bem-comportada.
Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços.
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.
Não estou aqui pra que gostem de mim. Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho. E pra seduzir somente o que me acrescenta.
Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra.
A palavra é meu inferno e minha paz.
Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.
Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.
Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar...
Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.
Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo.
                Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos. São eles que me dão a dimensão do que sou.”

Como vêem é um texto forte, que me marcou e especialmente hoje quero agradecer à baranga leleia por ter me dado o prazer de conhecer esse texto.
Quero também aproveitar e dedica-lo à Zenilde, que precisa ser mais intensa em suas decisões, parar de pensar tanto e se deixar levar, e aproveitar o que a vida tem de melhor, de visceral, de profundo.
Quero dedicar a todos que me compreendem, mesmo sem entender direito, que estão sempre ao meu lado e que sabem o quanto as situações pra mim tomam proporções muito maiores que para o resto dos mortais... e que nem por isso deixam de me querer bem.
E, claro, pra quem não o conhecia, torço pra que goste, torço pra que viva mais e intensamente cada dia, e pegando carona no post de ontem: vivam a vida sem reclamar, porque hoje é mais um dia fantástico pra sermos melhores, mais felizes e aproveitar bem. Não sabemos, ainda, se amanhã estaremos por aqui... pode ser que nossos olhos se fechem e que não vejamos mais a beleza das coisas simples.
Have a Nice weekend!
Kisses, Edylane.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Reclamar ou Não dá pra Ser Feliz!?


Meu esporte favorito é reclamar. E nesse caso reclamo até do esporte. Se meu Flamengo ganha reclamo que o jogo foi fácil, o adversário era fraco. Se perde, claro, a culpa é do técnico – se bem que sou fã do Luxemburgo e acho ele um charme!
Hoje tirei a noite pra reclamar e me lembrei desse texto que escrevi há alguns dias, quando também havia tirado a noite para reclamar.
Acontece que o dia não foi muito bem: chovia pela manhã e a coisa piorou à tarde. É sexta-feira e só vou sair do trabalho lá pelas dez da noite... ninguém merece!
Daqui a pouco vou pegar um “Japeri” (em referência ao ramal do trem). Já me lembro, de novo, da noite em que escrevi esse texto sobre as reclamações e lembro exatamente da pela “trilha sonora” do trem, mega lotado. Um indivíduo cismou que todo mundo gostava de funk e fui pra casa “me divertindo” ao som de uma bela canção “tá tarada, tá tarada...”.
Afff... a que horas ele vai começar a me economizar? A que horas o mundo vai me economizar?
Pra além dessas questões que tenho que enfrentar todos os dias, a saber: o convívio com os indivíduos diferentes a nós, a mim, que me mostra o quanto a diversidade deve ser respeitada, mas que às vezes eu finjo que ela não existe, especialmente com as músicas que os outros ouvem nos espaços coletivos e que me irritam profundamente, quero mesmo é reclamar de quem reclama.
A reclamação de hoje vai para quem reclama da vida o tempo todo! Coisa chata isso!
Eu gosto de reclamar! Mas tenho plena convicção de que reclamo só do que realmente incomoda, das injustiças, das maldades alheias, das minhas maldades com os alheios, mas não reclamo da VIDA.
Ah, a vida é tão boa! Acho tão fantástico o fato de ter acordado e de ter a oportunidade de ser feliz mais um dia, de estar ao lado dos meus, dos que quero bem...
Penso que só porque abri os olhos, vi que respirava, conferi que todos os meus dedos estavam no lugar – conto os meus dedos todos os dias! – já tenho motivos de sobra pra não reclamar.
Dou aqui uma língua bem grande pra quem reclama da vida. Assim não dá pra ser feliz mesmo!
Perdemos muito tempo procurando os problemas, os motivos para reclamar e esquecemos o principal: ver as coisas boas e fazer do nosso novo dia o nosso pedacinho do céu na terra.
Então, hoje me proponho e proponho a quem passa por aqui uma coisa diferente: não reclamar. Vamos hoje ouvir uma MPB bem gostosa, reler nosso poema favorito, ligar para os nossos amigos mais queridos – ou mandar um sms, um e-mail, já vale! Vamos usar nossa roupa favorita – ficar bonitos para nós mesmos – isso é ótimo! Vamos comprar aquele perfume que “namoramos” há tempos, comer aquele doce fino, almoçar naquele restaurante, comprar um flor,  a nossa flor preferida, nos dar uma flor de presente é super legal, colore a alma!
Amanhã e todos os outros dias eu vou começar o meu dia bem: vou ficar bonita e perfumada para mim mesma. Vou me dar os livros preferidos de presente, vou distribuir sorrisos aos quatro ventos. E se alguém não quiser os meus sorrisos? Sem drama! Dou-os a quem quiser! Sempre tem alguém querendo um sorriso mesmo!
Ah, e só pra constar, não reclamo por besteiras, mas cá pra nós, ouvir “foge mulher maravilha, foge com o superman” é muita tortura, ou não?
Um bom fim de semana pra quem passar por aqui!
E não reclamem da VIDA!
Beijos,
Dy.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Agradecimentos


Boa tarde, queridos frequentadores desse blog!

Embora eu seja uma viciada em internet e viver no mundo cyber há muito tempo, cometi um grave erro com este blog: não coloquei um contador de visitas!

Não que eu esperasse um número de visitantes, mas soucuriosa, muito curiosa.

Mas, para suprir isso vinculei a um sistema de análises que faz a contagem de acesso e tive uma grande - e grata - surpresa!


Pasmem!

Pasmei!

O que começou como um blog de desabafo, de catarse, uma brincadeira pra ajudar a passar o meu tempo e pra esvaziar, entre outras coisas, toda a tristeza que se abatia sobre o meu coração ao mudar-me de cidade, está ganhando proporções gigantescas pra mim: virou vício escrever!

Agora faço da caneta e do papel a minha arma contra o tédio!

Escrevo tudo!

E o mais legal é que vocês leem!

Isso não é fantástico?

Aos poucos vou aprendendo a não me envergonhar com meus textos...

Aos poucos vou aprendendo a receber as críticas e os elogios e esses guardo no bolso com muito cuidado: pra não perde-los pelo caminho!

Encontrei uma imagem que ilustra bem o que venho fazer nesse blog quase todos os dias: venho aqui pra escrever o que vi acontecer, o que vivi e o que ouvi alguém dizer!
Continuem me visitando, fico muito feliz em ver que aparecem por aqui!

Continuem me mandando seus comentários, via face,via orkut, via comentários, via e-mail.
Obrigada pelo carinho e visitas!

Beijos enormes a cada um que contribuiu para essas 200 visitas em tão pouco tempo!

Dy
 
Em 17 dias recebi 200 visitas!

Travessia ou Pessoa-planeta ou Revendo minhas lembranças

*** E mexendo nos meus vários textos manuscritos, enquanto escolhia um pra ser postado encontrei esse aí,qeu na verdade são fragmentos soltos escritos numa travessia da barca, numa noite quente, mas que parecia que o tempo estava parado, sem vento, sem ação. Meu coração estava aflito, ainda não habituado às terras cariocas e confuso, muito confuso.
Parece não fazer sentido para qeum lê, mas faz sentido para mim, para meu coração e para tudo o que eu sentia naquele momento. Desconexo? Talvez! Confessional? Muito!***

E de tudo o que vivemos o que nos sobra é muito pouco. O que levamos é poeira de estrelas perto do espetáculo que o sol dá aos nossos olhos todas as manhãs.


Ser cometa é ser breve. Brilho, fogo, efemeridade. Acabou. O que sobrou? Lembrança.

Ter lembrança é reviver. Ter lembrança é saber que o brilho marca, o fogo queima e que o que passa pode sim ficar registrado, gravado na parede da casa-coração.



Agora no mural da vida tenho sorrisos, olhares,canções e poesia. Cheiros, cores, sabores.

O que alegra a alma se descortina também como melancolia. Lembrar de tudo o que foi aperta o peito e nos faz pensar.

Cismei em comparar as pessoas aos astros, estrelas e satélites celestes. E percebi que somos muito parecidos com eles, ainda que no fundo ninguém seja o sol, embora aqueça nossos dias. Ninguém é só estrela ainda que traga brilho aos nossos olhos e também ninguém é só lua que brilha fria e só. Somos cometas rápidos, brincalhões e planetas, habitados por vários seres que se movem em nós, que dão vida e cor na nossa terra.

A chave dessa questão está bem aí: podemos ser breves, passar como um relâmpago na vida dos outros, trazendo beleza e espetáculo a quem nos vê passar,mas podemos ser planetas.

Podemos permitir um fluxo de trocas com outros seres em nós mesmo, em nossa terra. Esses seres extras, “avulsos” nos trabalham, nos moldam, nos marcam e deixam em nós as doces lembranças. Nos cultivam e nos cativam.


Podemos, devemos nos permitir marcar, nos permitir ter boas lembranças.


Estou aqui revisitando e repintando as paredes da casa-coração. Estou usando cores vivas e revendo vários momentos bons que tive e posso dizer que já vi vários cometas passarem, que não deixaram de me fazer sorrir,mas posso dizer que se não fui até hoje, quero ser uma pessoa-planeta, habitada e que habita em outros. Que cresce e ajuda a crescer.

Quero ser planeta que se permite, sobretudo, visitar o mundo da lua e caminhar acompanhada – ainda que de mim mesma – pela lua, ainda que essa caminhada se dê enquanto passeio pelo parque ou de metrô, porque se tenho o pé no chão, a cabeça está sempre lá na lua...

***Guanabara,29/03/2011***

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A Primeira Impressão é a que Fica?

Nos últimos tempos tenho pensado muito na impressão que causo nas pessoas, especialmente nessas últimas semanas.

Conversando animadamente com alguns colegas do mestrado pude perceber o quanto somos impactantes e, claro, como ou quanto eu também sou.


Lembramos de nossa primeira aula e do "frenesi" que causei: cheguei com uma hora de atraso, de chapéu, vestidinho praiano - era do interior, agora sou do litoral! - óculos escuros, mp3 ligado, cantarolando - como de costume. Atravessei a sala e fui sentar-me na primeira fila. Não que eu seja - nunca fui! - a aluna exemplar, a "caxias" ou "CDF" - ainda se usa essa expressão? Acho que agora a modinha é dizer NERD - mas é que meus excelentíssimos e, até então, desconhecidos colegas já haviam se apoderado da "cozinha". Todas as cadeiras do fundão, da metade e dos locais mais "estratégicos" já estavam ocupadas. Restou-me SÓ a primeira fila.

Cheguei a pensar em me sentir incomodada, já que pela expressão facial e "pausa" que o professor fez durante a aula naquele momento me fez ganhar meus 5 segundos de fama, sendo o centro das atenções. Não me incomodei. É a mania de não ligar para o que pensam de mim que não deixou.


A cena se completou quando tirei o chapéu e deixei as poucas madeixas vermelhas à mostra. Definitivamente eu não era uma figura comum e destoava completamente de todos do grupo.


Lembrando desse episódio estávamos rindo de como a coisa continua: ainda chego atrasada e a cada semana tenho uma "novidade" ao entrar na aula: um chapéu, uma flor nos cabelos, uma mochila com penduricalhos barulhentos (e aqui a Edinilsa é muito lembrada!) ou, como diz o Marcelo, tem aquela "desfilada básica pela sala toda". Não posso fazer nada se só me sobram os lugares lá do lado contrário da sala...


Não sei bem a impressão que causo nas pessoas, mas me lembro agora das palavras de Jane dizendo que acha "muito interessante essa minha personalidade".


Personalidade. Que persona sou eu?


Se nem eu sei responder por que os outros insistem em tentar me entender, me definir, me rotular? Não basta conviver, compreender, respeitar?


Sei que tem gente que me vê forte, mal sabem eles que essa fortaleza aqui é na verdade um castelo... de areia... que teme as ondas e sua destruição, mesmo sabendo que pode e deve se (re)construir todos os dias.


Sei que tem gente que diz o quanto eu sou "inteligente" e nem sabem que no fundo eu os engano direitinho e que faço minhas as palavras de Mário Quintana quando diz "eu não sei de nada, mas desconfio de muita coisa".


Tem gente que acha que sou "descolada", mas não sabem que sou mesmo é muito tímida e que me escondo atrás de uma persona(gem) mais espontânea.


Acham que a minha vida é bela - que nem o nome do filme -, que só porque sorrio todos os dias não tenho meus momentos tristes. Ninguém sabe é que choro caladinha, baixinho, quase todas as noites, deixando vazar pelos olhos toda tristeza que acumulei no decorrer do dia e que acaba por extrapolar os limites do coração.


Corajosa também não sou. Tenho medo de tudo, do desconhecido, do próximo passo,mas ainda assim assumo o risco. Há de valer a pena.


O que tirei de conclusão desses meus pensamentos sobre a (primeira) impressão que causamos é que elas não devem ser levadas tão a sério. Que o que precisamos mesmo é nos aproximarmos e conhecermos os outros, afinal somos essência e não aparência.


Chegado aqui parece que em certos momentos meu texto parece meio contraditório, não é? Começo pensando no que os outros percebem através da minha imagem, das minhas ações e depois digo que não me importo. Na verdade, não há contradição. É só curiosidade. Embora não ligue pro que pensam, sempre quero saber o que pensam. É interessante e gosto de coisas interessantes.


Vou mesmo é manter o pensamento que sempre tive: não me importo com o que pensam ou o que acham. Não me importo que falem. Mas importo-me comquem tem a coragem de tentar me decifrar sem ser devorado, com quem tenta a sorte de desvendar meu desconhecido e consegue chegar no que tenho de mais valios: o meu EU.


E quem se arriscar, com certeza, vai ser muito bem-vindo ao meu mundo!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Despertar



               Agora que meus olhos se abriram pude, enfim, me ver como quem usa os seus olhos.
Enxerguei que os homens, todos, sempre se olham através de lentes, mais finas ou mais espessas, depende de cada um, de seus valores, de suas emoções, de seus momentos, mas as lentes sempre estão lá.
As lentes que lhe couberam a você para me olhar, em meu julgamento, são demasiadamente cruéis, espessas e, talvez, até desnecessárias.
Sob essa lente o que consegui foi me ver ampliada, bem focada, em close, destacando sobre tudo meus pecados, meus vícios. As virtudes que eu pensava ter sequer foram notadas. Não lhe apraziam.
Na mira desse olhar, no fim das contas o que houve foi uma diminuição do que sou, uma drástica redução que me jogou ás sombras, para escanteio, às margens de em sei bem o que.
Enquanto teus olhos buscavam luz parece que só lhe mostrei as trevas, num jogo de oposições que rompia com seus modelos tão formais, tão corretos, tão isentos da possibilidade do erro ou do imprevisto. Apresentei-me diante de você como o diferente, um novo paradigma contraditório em sua própria definição, afinal sou uma espécie de personificação do “sem modelo”, uma figura absolutamente desregrada onde tudo o que importa é a busca desmedida pela felicidade, pela realização, pelo bem estar, pelo meu bem estar.
Seus olhos buscavam Eva, a mulher perfeita, submissa, que erra e se arrepende, que caminha ao lado e q não se expressa – pelo menos não impulsivamente, é comedida – você buscava companhia muda, imutável, apática, obediente, resignada. O que encontrou foi Lilith. Paixão avassaladora que desperta todos os dias, desejo à flor da pele. Mulher que se deixa reger pela lua, de fases, espontânea, de discurso inflamado e apaixonado. Guerreira de armas afiadas, desbravadora, sempre pronta para desvendar segredos, seus próprios segredos e os dos teus olhos. Encontrou um mundo paralelo, à penumbra do mundo iluminado que costuma ver nos seus dias, do seu mundinho de lugar-comum. Encontrou uma mulher que ás vezes é temida e até rejeitada por não ser compreendida, mas que no fundo é só sentimentos, um ser inundado de sentimentos tão puros que chega a ser cristalina.
Você buscava a calmaria, eu furacão. Enquanto buscava o outono, as folas secas, a reflexão, dei-te vulcão, calor, destruição de sua monotonia.
Destruí demais. As doses foram exageradas. Overdose de exposição faz mal pra quem só sabe se esconder por traz da idéia de ser uma pessoa comum... com a destruição que causei encerrei toda e qualquer possibilidade de uma relação pacífica entre o teu sono calmo e a minha noite turbulenta, ativa.
Como Lilit saiu do Éden e foi esquecida, sai assim do foco dos teus olhos. A atriz não aplaudida. Aquela que nunca vai ser a estrela do seu céu, da mesma forma que não será mais as ondas do meu mar, que me levava pra longe, mas me trazia sempre pra perto de quem era meu porto, meu cais. Agora prefiro o caos, me cai melhor.
Encerramos aqui uma peça teatral sem graça, folhetim mal escrito, mal acabado, não acabado. É tudo só uma história não escrita, não vivida, esquecida. O que restou foi um sonho que nem pode ser roubado, afinal, nunca foi sonhado.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Santos e Pecadores

Estive pensando no porquê de muitos relacionamentos só serem intensos e perfeitos enquanto estão só no plano das ideias.
Não, não sou adepta da corrente platônica e nem sou de viver num mundo inventado, embora invete muitas coisas pra fugir da loucura que é o nosso dia a dia.
O fato é que às vezes conhecemos alguém e sonhamos em como nossa vida pode ser maravilhosa ao lado dessa pessoa. Esse é o problema. E aqui busco o ponto de vista tanto masculino quanto feminino.
Para os homens as suas amadas geralmente são idealizadas como santas. Mulheres 0km. Nunca sairam com outro – quem dirá outros – estavam sempre à espera dele – que diga-se de passagem pode ser um galinha.
Elas são perfeitas donas de casa, mães e esposas, mas sem pensarem que elas podem e devem ser autônomas. Ao meno sinal da indepedência delas eles se assustam e já é um belo começo do fim.
Homens não convivem bem com a ideia de mulheres de opinião, de mulheres que se assumem e dizem do que gostam e do que não gostam. E se elas resolvem por a mão na carteira muitos deles ainda se ofendem – pelo menos os “bons” homens.
Se o assunto for sexo, então, sai de baixo. É só ela dizer que gosta assim, quer assado e ele se espanta, se sente inseguro, acha que ela vai compara-lo com um fulano com quem saiu há anos atrás e é um horror, se comportam feito meninos assustados.
Para as mulheres é mais ou menos a mesma coisa. Os seus homens são todos príncipes, cordiais, abrem a porta do carro, dão flores e lembram todas as datas importantes – importante para elas que fazem questão de resgistrar tudo.
Quando descobrem que o rapaz anda de cueca pela casa quase têm um enfarto. Imaginar que ele não vai se lembrar extamente do dia e hora do primeiro beijo é motivo para uma grande crise existecial onde ela jura que ele não a ama mais.
Se ele já teve 357 namoradas é um galinha. Se teve 35 deve ter um problema, se só teve 7, meu Deus!, ele é um virgem! ou sério candidato a hmossexual ou tem complexo ou outra coisa qualquer.
Onde quero chegar com essa conversa fiada? Simples! Nas nossas histórias pessoais. Todo mundo já teve um amor inventado, idealizado, que não deu certo por não ser exatamente o que pensamos.
Criamos um personagem perfeito para o nosso companheiro e desejamos que ele seja o que desejamos.
Quer ser feliz com alguém? Pense que ele é igual a você, capaz de cometer erros e acertos, com manias, com defeitos e qualidades.
Aceite o outro como uma caixinha de surpresa e surpreenda-se com cada detalhe. Aproveite cada novidade que se descortina aos seus olhos. Aceitar as diferenças e abandonar nossos padrões de senhor e senhora perfeição é bom e todo mundo gosta. Além, é claro, de ser uma indicação do que pode vir a dar dias de descberta e felicidade. Não, nã oé a fórmula do amr ou a felicidade é só um processo de apliação da visão e aceitação do que realmente podes urgir em sua vida, sem truamas, sem stress, só com expectativas boas. So isso. Vamos tentar.

Príncipe Encantado?


E na maioria das vezes queremos sempre alguma coisa que não temos. Nunca estamos saisfeitos.
É assim com todo mundo e com nossa heroína de plantão não era diferente. Ela sonhava com um príncie encantado. E seu príncipe tinha rosto, nome, endereço e telefones anotados em sua agenda.
Sonhava acordada – e dormindo – com o rapaz. Ele era um tipo comum. Nada de extraordinário a não ser para ela, que o via como o melhor de todos os homens do mundo.
Era apaixonada. Na verdade, não. Ela o amava, mas nunca havia se quer se declarado. No máximo deixava bandeiras pelo ar, que ele não notava, ou se notava não ligava. Ela era permeada de dúvidas, mas sempre enamorada.
Nessa manhã algo de estranho aconteceu. Ao se acordar ela se lembrou de uma conversa que ouvira na rua e se concentrou bem naquelas palavras alheias que agora lhe serviam de conselheiras.
Na conversa que ouvira um casal de amigos conversava sobre amizade entre homens e mulheres e sobre o fato de que sempre temos um amigo apaixonado pelo outro, o que não necessariamente acaba bem.
Cometavam que se apaixonar por amigo é fria. E ela friamente analisou a afirmação e acabou por concluir que a dupla tinha razão, especialmente pelos argumentos apresentados.
Apaixonar-se por amigo é arriscado. Não se tem a novidade que uma paixão exige. É como se a plateia já conhecesse exatamete a peça que vai ser encenada – e pior – conhece tanto que  é capaz de subir ao palco da vida e lhe ajudar a encenar.
Apaixonar-se é ser novidade para o outro e receber a novidade que o outro tem a oferecer. Tudo é fascinante, tudo é descoberta. Quando o enamorado é um amigo ele já lhe conhece e você a ele. É como se já soubessem todo o roteiro a ser seguido e se torna mera formalidade. O próximo passo é cair no tédio.
 Nada contra quem se apaixona por um amigo e consegue ser feliz pra sempre com ele – lembrando que o pra sempre é finito e tem data de validade nos dias de hoje. Meu problema é com os casos onde não se consegue dar o mesmo colorido de antes para as cena já conhecidas e a paixão se esvai e em muitas vezes leva junto a amizade, que não resiste ao golpe fatal do tédio. E quando resite, permanece tediosa, insossa, chata, até ir minguando.
Nossa mocinha se lembrou dessa conversa e refletiu por horas sentada em sua cama. E descobriu que seu príncipe encantado, na verdade, não era príncipe nada. Era só um homem comum que lhe emprestava o ombro quando precisava, que lhe dava colo e carinhava quando ela estava triste. Que  a ouvia e que a aconselhava. Bingo! Não era paixão! Não era amor! Era só mesmo amizade – que não exclui a possibilidade de ser um amor, afinal, amamos nossos amigos.
Compreedendo que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, ela libertou seu príncipe de sua fantasia. Fechou os olhos e o imaginou ao seu lado, como homem que era, sem nenhum encantamento. Viu que não colava. Não ficavam bem na foto. Pelo menos não enquanto par romântico.
Pegou o telefone ligou pra ele e disse o quanto o amava e o quanto era importante te-lo como amigo ao seu lado e sorriu tranquila. Agora era sabia que o amor é intenso e diferente para cada pessoa e que é importante que saibamos distinguir e não confundir os sentimentos.
Ao final da tarde, liberta de seu castelo de fantasias foi ao café da esquina e ao cruzar com um desconhecido que lhe sorriu sentiu as pernas tremerem. Ao se libertar se abriu para o mundo e o desconhecido, não era tão descohecido assim. Era um jovem que sempre estava por ali e era o seu príncipe nada encantado, mas uma possibilidade real de felicidade. Ou ao menos uma boa tentativa de ser feliz.

*** Inspirado numa conversa de ônibus no Rio de Janeiro, num dias desses ***

O beijo


Estarrecidos. Nenhuma outra palavra poderia definir melhor a condição que os dois se encontravam depois daquele beijo.
Ele se sentia, em seu íntimo, orgulhoso por ter tido a coragem  necessária para arriscar roubar e ganhar o beijo.
Ela, atônita, experimentava uma sensação indescritível. Uma alegria e um temor arrebatavam seu coração.
Os olhos dela pareciam perdidos, mas brilhavam.
Cinco segundos. Não mais que isso durou aquele silêncio. Imóvel. Um longo e paralisante silêncio. Quase um século para os dois.
Levemente ela tocou os lábios entreabertos com seus dedos. Ainda marcados pelo gosto dele. Era uma tentativa de perceber se estava acordada ou sonhando. Estava acordada.
Devagar ele segurou a mão dela que tremia.
“E agora?”, ele quebrou o silêncio.
Fatalmente a resposta dela veio com um sorriso que atravessou o coração dele como um raio e o fez estremecer. Em seguida, ela, aproveitando cada segundo daquele momento, acariciou-lhe os dedos que se entrelaçavam aos seus e discursou apaixonadamente:
“E agora? E agora… o agora é muito pouco pra mim. O agora se transforma no que foi ao momento em que a dúvida é pronunciada. O que é o presente se não o passado que está a menos de um segundo de distância de nós? O agora que veio e foi-se embora deixou-me uma questão que por mais que eu busque não acharei a resposta: o que aconteceu? Essa e a questão. Não, não falo do beijo que em si foi troca de sabores. Falo do que ele causou. Em você não sei. Nunca o saberei de fato. Em mim também não sei. Não encontro definição. Não há palavras ou teorias ou conceitos que exprimam em nenhum livro – e de livros ela entendia bem –. De repente sei que aconteceram várias coisas: música no silêncio e em silêncio; pernas que tremiam e chão que se perdia; borboletas, as teimosas borboletas, essas voavam desesperadamente em meu estômago, assustadas com o barulho dos fogos de artifício que estouravam no meu coração. Os olhos mudaram. E mudou a visão. No meu porto que era seguro veio o furacão e o fogo de um vulcão. A mão que antes significava companhia coração quis transformar em companheiro. O abraço que era diversão, fez-se força, proteção. Vontade de estar, desejo de ficar… É isso: mudança. Grande. O agora era mudança. O que aconteceu depois do beijo, o beijo, não sei explicar. Não sei se quero explicar. Sei que foi bom, que foi despertar. O que vai ser é outra história… e que cabe a nós decidir por começa-la ou aborta-la. O que vai ser é outra história… história que vai ser escrita com as cartas que o tempo vai nos dar. Tempo… demorado foi o tempo que nos separou mesmo estando juntos, demorado o tempo de “se criar coragem” e curto o tempo da ação. Agora instaura-se o tempo da dúvida: o que vai ser?”
Ele estava fixamente olhando para a moça enquanto ela divagava. Para ele as palavras dela saíram daquela boca como se fossem escritas por uma mão delicada com uma caneta tinteiro em um diário. Havia um quê de saudade nas palavras dela: saudade do beijo que acabara de ser roubado, saudade do beijo não ter sido roubado antes, saudades até do que estava por vir. Se ele pudesse imprimir aquelas palavras que acabara de ouvir, com certeza elas estariam em um papel amarelado, como um documento antigo.
Apaixonadamente ela expôs seu coração sem saber ao certo o que isso queria dizer.
Apaixonadamente ele a ouviu.
Ela calou num suspiro. Olhos perdidos, brilhando.
Encontro de olhares. Lágrimas brotavam nos olho dela. Olhos escuros, castanhos, um lago ao anoitecer. A lágrima era uma gota de chuva na margem, pronta para transbordar.
O rapaz, encantado, acariciou-lhe o rosto e com seus polegares conteve as lágrimas, colhendo os dois brilhantes que aqueles olhos verteram.
Pausa. O silêncio ganhou a sala e o tempo pareceu parar enquanto ele inspirou. Encheu-se de uma falsa coragem e preparou-se para responder algo a ela, que ainda se perguntava silenciosamente o que estaria por vir.
“Há amor demais em seu coração”.
Quebrou-se o silêncio. Ele sempre quebrava o silêncio.
Dizendo isso ele aproximou-se beijou-lhe a testa demoradamente e escorregou os dedos pelos cabelos escuros e lisos que emolduravam o rosto dela. Virou-se e saiu sem fechar a porta porque não queria olhar para trás.

(o trecho a seguir pode ou não vir a integrar o texto)

Ele em sua infinita imaturidade se julgava errado, se julgava pouco para ela. Acreditava que não a amava o suficiente ou que não a amava como ela o amava.
Tolo. Ele a amava e sempre a amou, desde que a vira magricela e desengonçada na sua rua pela primeira vez. Mesmo quando não a via, porque era nela que ele pensava todas as manhãs e todas as noites.
Tola. Ela passou dias julgando não ser amada e se convencendo de que ele era igual a todos os outros.
Tolos. Ele acreditava te-la perdido pra sempre e ela desejava não ve-lo nunca mais, mas todas as vezes que se aprontava para sair, sorria com a vaga possibilidade de um encontro casual. Mal sabiam eles que estavam lutando para encerrar um amor que só havia desabrochado com aquele beijo.
Talvez o tempo se encarregaria de junta-los novamente.
O fato é que hoje, para eles a única certeza é que só se encontra a pessoa certa uma vez na vida e saber reconhece-la é fundamental para se viver um grande amor.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Uma Balada para Z

Z. 
Não, não é uma letra do nosso alfabeto. É mais, muito mais.
É menina-mulher, baiana-paulista, romântica-independente, amiga distante-presente, flor de pêssego: singela quando se expõe, fruta madura, sedutora, mas delicada.
Sonhadora e lutadora saiu do seu mundinho pequeno, campestre, agreste para aquela flor e ganhou o mundo real - existe um "mundo real"? - veio cair na cidade grande, no meio de prédios, ruas e avenidas corridas, selva pronta pra crescer cada vez mais e amassar, esmagar, magoar as pétalas da linda flor.
Não adiantou.
Mesmo a selva crescendo ela foi mais forte e cresceu mais. A aspereza do mundo cede à sua doçura. O sorriso desmanchou a dureza. Ganhou seu espaço.
Hoje vive em meio a outras flores, mas ainda busca companhia, uma que seja só para si.
Toda flor sonha com um beija-flor. ela espera o dela, sem saber que pode já o ter encontrado, que ele pode estar ao lado, que pode ter voado milhas e agora estar bem perto.
A metáfora não para por aqui. segue adiante e vai além: toda flor tem que desabrochar para se exibir mais linda, pra exalar seu perfume estonteante, inebriante, pra atrair seu beija-flor - e alguns olhares curiosos e desejoso, por que não? - ou para ser colhida por mãos cuidadosas que a levarão para experimentar novas sensações.
Deixar-se ver, deixar-se colher. Esse é o segredo que a flor tem que aprender.
Para enfeitar casa-coração passa-se por processo de libertação de si mesma, de abandono da raiz, mas a pena vale a recompensa. Casa-coração vira jardim em festa com flor colocada no jarro novo.
Que a querida Z se embale em uma balada de paixão, que se deixe ser flor, beleza, cheiro e amor.


*** Para a querida Z (Zenilde), que me ensinou que tudo na vida é passageiro e construído em uma deliciosa conversa numa tarde de quinta feira: ela em Campinas e eu no Rio. Porque amizades superam distâncias, sempre. ***

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Criando Asas

Já que seus olhos não me vêem,
Que seus lábios não dizem meu nome,
Que não são meus os teus abraços,
E que jamais provarei teus beijos,
Crio asas.
Voo para longe…
Vou pra onde possa só olhar a vida passar,
Já que não ouve as músicas que canto,
Que não lê minhas poesias,
Que não percebe meu amor,
Viro pedra.
Construo meu castelo e me fecho
Princesa desalento,
Caminho de lugar nenhum,
Rua sem saída, 
Noite sem estrelas.
Dona de olhos que já te olharam,
Mas que agora são só desatentos.
Sou flecha lançada que nunca chegará ao alvo.
Bilhete escondido na gaveta,
História nunca contada.
Amor não revelado
E, talvez por isso,
Não correspondido.

Menina Lua

Menina-lua, de fases,
Cheia de medos, incertezas,
Dúvidas no coração,
Olhar misterioso

Minguante de esperanças,
Cansada da ilusão,
Desistiu do amor,
Sonhos? Todos vãos…

Nova, se revona.
Uma vez despedaçada
Se restaura

Crescentes desejos
De ver tudo mudar
De ver toda essa fase passar.

Recolorindo o mundo

Uma tela de um quadro bucólico. Era assim que ela definia os seus últimos dias. Se sentia como uma personagem de um quadro que acidentalmente sofreu um dano em sua superfície.
Para ela os acontecimentos da semana eram como um estilete que rasgava a tela da qual era a personagem principal e, pelo rasgo da tela, toda a cor se escorreu.
Agora ela estava num cenário cinzento. Diferente. Sentia-se perdida e sozinha. Sentia um grande vazio.
Pensando ser só mais uma de suas grandes crises em busca de respostas deciciu sair de casa e procurar pela cidade algo que a respondesse, que a fizesse se sentir melhor. Lembrando-se da comparação com o quadro, estava disposta a encontrar uma aquarela para repintar seus dias.
Por entre o transito e os prédios ela vagoupo horas. Cansada sentou-se num banco de praça e fic observando o movimento da cidade. Estava tudo cinza!
O problema não era só ela e seu mundinho pessoal. O problema estava na cidade, nos homens que com todo o seu egoísmo estragavam tudo a sua volta. Não havia aquarela no mundo que pudesse dar cor a todo aquele espaço.
O que ela percebeu é que o mundo anda sem amor – a cor e o sabor da vida.
O que ela percebeu é que o bicho homem anda cada vez mais complicado, mais preocupado só com si mesmo, mais isolado, mais fechado e mais cinza.
Acometida por um sentimento de insatisfação ela levantou, pensou no que poderia fazer e deciciu começar a recolorir o mundo, a começar pelo seu próprio mundo. Foi pra casa, pegou sua lista de telefones – uma agenda de papel já amarelada, com nomes de pessoas com as quais não falava há meses. Na lista estavam pessoas que eram muito importantes para ela, mas que talvez nem se dessem conta disso.
Ela começou a fazer ligações só pra dizer um “bom dia”, só pra dizer que estava com saudades, pra dizer que os amava e que eles importavam muito para ela. Seus dias voltaram a ter mais cores, mais perfumes, mais sabores, mais amigos.
Sem saber, sua atitude se espalhou e o mundo que ela já estava cansada de ver cinzento voltou a se colorir aos poucos, porque o amor é a cor dos dias e quando ele é proclamado, se alastra rapidamente, enche corações e transformam as vidas.



Edylane - por Ubi de Sá

Pessoas queridas que visitam esse blog, recebi dois poemas lindos!
Joias das mais raras, palavras das mais belas combinadas!

Meu querido Ubi de Sá escreveu estes poemas para mim e compartilho com vocês, como uma maneira simples de homenagear aquele me me homenageou!




Edy

Vou embora de mansinho
na estrela da saudade,
mas te deixo a minha história,
guarda-a se tens vontade.

Deixa a chuva cair sobre meu nome,
se quiseres traz o sol do teu desejo
mas prefiro a languidez da lua
que lembra o pálido traço do beijo

Se sentires minha falta
no longe das madrugadas,
pensa que ainda sou canto
na tristeza das toadas.

Abraça-te em meus versos,
vestígios vivos da verdade louca
de que foste idéia nos meus sonhos
e que existi como palavra em tua boca.

(Ubi de Sá)




e o outro...




E os meus dias são noites
e duram o espaço
de um esquecimento.

Quando me vou de ti,
pleno de infinito,
ressoam meus sonhos
de impossível azuis,
feitos de palavra e poesia.

Então torno-me silêncio
na noite do meu dia


Até o nascer de uma nova lua.

(Ubi de Sá)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Lápis e Papel ou Saindo de Mim

Não sei o que se tem passado comigo. Agora tenho vontade de escrever tudo! Não posso ter lápis e papel na mão que me dá um comichão para escrever.



Ao menor sinal de conversa fico em alerta, ouvindo os papos do trem ou metrô e vou logo pensando: ”hum... isso daria uma boa história”. Fico buscando conclusões das tramas alheias e tudo se torna um assunto para eu escrever.


Também tenho lido muito mais. Não, não falo das leituras obrigatórias do meu dia a dia – essas são muitas e vão muito bem, obrigada! Falo de textos que me animam, de gente inteligente, intensa, de Clarice e de Martha, Vinícius e Drummond, Neruda e Garcia Marques.


Em uma semana foram dois livros de crônicas!Dois maravilhosos livros! Na verdade eles foram devorados em dois dias, cada qual no dia em que foi comprado.

A minha produção de textos também aumentou vertiginosamente. Os textos ora são bem confessionais, onde conto mesmo coisas que vivi, como este aqui, ora são fictícios.


Aprendi que existem momentos em que precisamos fugir de nós mesmos para não enlouquecer. Porque se o mundo está à nossa volta, temos um mundo inteiro também dentro de nós e manter o equilíbrio entre eles é cansativo, difícil,desafiador e enlouquecedor.


Tenho momentos em que quero brincar de não ser eu. Quero ser outra pessoa, muito diferente pra melhor ou pra pior ou nem uma e nem outra.


Isso não é só coisa da minha cabeça. Para sermos esse outro que não somos podemos e devemos inventar. É o que faço.


Não sou boa com teatro, a não ser em algumas situações da vida. Não sei tocar um instrumento ou criar lindas canções – quando muito, ou sempre, canto desafinadamente. Mas quem não gosta de liberar o cantor que mora dentro de si mesmo? Viro diva da MPB e me divirto cantando aos quatros ventos e em qualquer lugar. Pobre de quem ouve, mas tem gente que gosta. Eu gosto.


Não sei dançar. Arrisco meia dúzia de “dois pra lá, dois pra cá” se encontrar um professor bem disposto a levar pisões e encarar uma completa desengonçada.


A fuga que me restou foi o papel e o lápis,elementos sempre presentes em minha vida.


Com essas ferramentas posso fazer e acontecer. Ter amores (im)possíveis, ser heroína, mudar o mundo, ser conformada ou rebelde. Posso ser o eu que não sou e depois de tudo pronto volto a ser só eu, assim, do jeitinho que sou quieta (?!), falante,cantando, bem humorada.


Encontrei a fuga ideal. Se escrevo bem é outra história. Ainda não escrevo para ser necessariamente lida. Não me convenci de que alguém possa se interessar por esses textos. Ainda fico vermelha de vergonha se alguém diz que leu um deles. O curioso: ainda assim sempre que escrevo corro para mandar o texto novo para alguém.


É que no meu mundo escrito ao tenho vergonha. Ela só existe no meu mundo de verdade. É que minha fuga é ao mesmo tempo minha exposição e minha brincadeira. Assim sou quem não sou e volto a ser quem sou.


Ainda bem que existem lápis e papeis... brincar é necessário se não fico louca.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Não há segredo nenhum


Aqueles olhos guardavam segredos que só revelavam à lua. Diante do mar buscava respostas.
Ela sabia que não era comum. Não era um tipo de pessoa comum, dessas que se encontra na padaria e se dá um “bom dia”. Tinha algo de diferente. Eram os olhos dela.
Os olhos que guadavam segredos eram o segredo. Eram olhos cansados de tudo o que via ao seu redor.
Eram olhos que buscavam mais cores nos dias, mais realidade nos sonhos e novos rumos e respostas para seu coração.
Ali diante do mar os olhos dela se enchiam de uma esperança e seu coração, de repente, ficou imerso em uma tranquilidade enorme e vendo o por do sol se sentiu muito bem porque sabia que ele faria nascer a lua.
A noite começava a cair e o céu ganahava um tom de azul escuro pontilhados de estrelas e ela se sentia como se estivesse debruçada em uma janela. Sentiu toda a tristeza e angústia que trazia voar pra longe e aos poucos, foi se alegrando. Os olhos que, misteriosos eram matizados com uma certa melancolia, agora ganhavam os contornos de um sorriso que os lábios abriam.
O vento soprou e trouxe as cores que ela procurava. Ao longe ouviu uma canção que a fez lembrar só de coisas boas. Momentos felizes que compartilhava com os que amava. Sorrisos de amigos, abraços carinhosos, colo de mãe, cheiro de flor, capim-limão, violetas.
Pensando ser estrela começou a dançar como se estivesse no céu, como se estivesse só, sem se importar com quem estava ao seu redor, naquela praia. As boas lembranças a haviam tirado pra dançar. Seu coração se deixava seguir sem rumo e a direção que os pensamentos tomavam não importavam.
Rodopiando na ponta dos pés se sentia livre, feliz, leve. Molhou os pés no mar, se permitiu ouvir o barulho das ondas de olhos fechados. Deliciou-se com a brisa. Deitou na areia e ficou ali por horas, com o pensamento vagando, divangando.
Lembrou-se do motivo pelo qual tinha ido ver o mar. Era um segredo. O segredo de um amor. Um segredo que agora seus olhos denunciavam pela ternura que deixavam transparecer ao pensar no seu amor.
Olhando as estrelas viu cenas dos momentos felizes que passara ao lado daquele por quem julgava estar apaixonada. A conclusão era uma só: estava mesmo apaixonada. Mais que isso, era um amor real. Sabia disso porque o coração acelerava, mas mais ainda pelos seus olhos que brilhavam por ele. E isso todo mundo via.
Naquela noite ela se perguntava se realmente o amava. Se era esse o segredo de seus olhos. Descobriu que na verdade não havia segredo nenhum: o amor que sempre sonhou estava perto e só ela não tinha percebido.