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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Quem Ama Cuida



“Quem ama cuida.” Já cansei de ouvir essa frase, mas nunca tinha dado a devida atenção a ela. Que riqueza podemos encontrar em tão poucas palavras… quantas ações maravilhosas já aconteceram entre eu e outra pessoa só porque essa frase expressa uma verdade linda!
Só fui refletir sobre a importância do famoso dito popular ontem à noite.
Não raro me despeço de meus amigos dizendo “se cuida”, mas depois de ontem mudei. Passarei a dizer ”te cuido”.
Explico: parei pra pensar em quantas pessoas conseguem me fazer sair de casa, do convívio com meus livros e músicas e preguiça e ir até elas porque precisam de um colo, de um cuidado, um carinho.
Comecei pensando às avessas: quantas pessoas já largaram alguma coisa e vieram cuidar de mim? Quantas se deram ao trabalho de me ligar ou me escrever pra saber como eu estava? É… acho que tenho poucos amigos de verdade… talvez não encham os dedos das mãos… mas esse pouco que tenho já me é suficiente para eu me sentir cuidada, segura, envolvida em carinho.
A partir daí pensei em quantas vezes ou para quantas pessoas eu me desprendi para ajudar ou me disponho a ir ao encontro dessas pessoas para dar um pouquinho de atenção. Não foi surpresa alguma que também não cheguei a encher os dedos das mãos, mas é que são poucas pessoas muito amadas!
Ontem pensei nisso porque recebi um pedido de socorro: uma amiga precisava de colo. Prontamente atravessei a cidade o mais rápido que pude e passei uma tarde inteira com ela, ouvindo, falando besteirinhas, planejando, lembrando, abstraindo, cuidando.
Sobre a palavra cuidado, do latim, nos remetemos a cura nas relações humanas, da amizade, do amor. Amor que está intimamente relacionado com os amigos, afinal, em sua raiz original, também do latim, “amicus” contém em si o verbo “amar”, logo, amigo é aquele a quem amamos!
Faz todo sentido que quem ama, cuide e cuide bem!
Fui lá cuidar da minha amiga, da minha flor de Saigon.
Foi bom pra mim reve-la, tentar acalmar um coração que já ajudei a ajuntar os pedacinhos em uma outra ocasião, com quem divido momentos felizes e tristes, risos e lágrimas, foi bom ter conseguido ganhar um sorisso e ter dado um abraço gostoso e apertado.
Mais do que isso foi bom eu ter ido lá pra que ela saiba que sempre que chamar eu vou estar por perto, porque isso é bom pra gente se sentir amado, se sentir importante e saber que as pessoas sentem nossa falta, se entristecem com nossos porblemas, mas que tentam nos ajudar, como podem, a supera-los.
Para aqueles que conseguiram me tirar de casa em vários momentos pra ganhar um colo, que já me fizeram atravessar a cidade, a Guanabara ou até mudar de estado só pra dar um abraço e um carinho, saibam que são muito amados.
Para aqueles que já me deram colo, que já me cuidaram quando eu precisei, obrigada por me fazerem me sentir amada!
Queridos amigos, não se preocupem, desde sempre eu cuido de vocês.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Respeite o professor!


É sexta-feira de carnaval, em Campinas o sol esteve presente todo o dia assando os pobres mortais que tinham que trabalhar com a cabeça na folia do sim de semana mais prolongado e mais esperado desde março do ano passado, quando foi o último carnaval.

Como não gosto do reinado de Momo, peguei meus textos e fui estudar. Tenho prazos a cumprir no mestrado, muito mais pela pressão que a CAPES, que “gentilmente” me concede uma bolsa de R$1200,00 mensais para eu estudar, comprar livros, pagar aluguel e contas públicas – morando no Rio de Janeiro – e ainda pagar as caríssimas inscrições no 357 congressos anuais que preciso participar para registrar a minha produção acadêmica.

Uau! Quantos artigos publicados preciso ter? Quantos possíveis! Ainda que eu só troque os seus título, que só troque a ordem dos parágrafos e siga numa ciranda do auto plágio eterna. São textos e mais textos que pouca – ou nenhuma – gente lerá, mas é preciso produzir. É preciso terminar o mestrado para poder consegui um emprego melhor, uma oportunidade de ter um bom salário. Essa é a expectativa que temos ao ingressar na vida acadêmica.

Nós, quem, cara pálida???

Pra buscar uma distração entro no Facebook e vejo uma imagem absurda: um concurso público no município de Vila Rica, Moto Grosso, Brasil, oferece vagas para cidadãos com o ENSINO FUNDAMENTAL INCOMPLETO e para os que têm ENSINO SUPERIOR COMPLETO. Até aí está perfeito! É uma prefeitura fazendo a sua parte e colocando em seus quadros para exercer as funções públicas pessoas de grau de instrução variado. Democrático, bonito, garante o direito de muitos cidadãos a, pelo menos, tentar ingressar numa carreira relativamente estável.

O meu problema não é com o edital, longe disso. Acredito realmente que devem-se criar mais oportunidades como essa. O meu problema é com a faixa salarial apresentada para cada função.

O indivíduo que for aprovado para ser “operador de escavadeira hidráulica” receberá ao final do mês a quantia de R$1291,98 como remuneração ao final de suas 40 horas de suor semanais. O mesmo valor está garantido para os colegas que trabalham como operadores de máquinas de esteira, torneiros mecânicos e operadores de motoniveladoras. Todos estes devem ter APENAS o ENSINO FUNDAMENTAL INCOMPLETO.

Já para os meus colegas de profissão, os professores, que devem ter no MÍNIMO uma GRADUAÇÃO, ou como expresso no edital curso SUPERIOR COMPLETO, receberão um salário de R$1246,32, por 30 horas semanais de trabalho.

Existe pelo menos UMA incoerência nesses valores salariais, isso porque não quero me estender nessa discussão.

Não discuto aqui a “nobreza” ou a importância do trabalho de nenhuma das categorias, mas defendo a minha com unhas e dentes.

É inadmissível que um professor que passe por anos de estudo a fio, que mesmo depois de deixar os bancos da universidade não para de estudar, porque, se for um bom profissional e levar seu trabalho a sério vai sempre querer levar o melhor de si para seus alunos, ganhe MENOS do que um profissional, que sim, tem todos os méritos de sua profissão, mas que se quer terminou o ensino fundamental.

Acorda, Brasil! Desse jeito o que temos é um processo absurdo de desvalorização do profissional da educação, que todos nós que trabalhamos na área conhecemos e que explicitamos das mais diversas formas, mas agora fica mais evidente a sua INSTITUCINALIZAÇÃO!

Uma prefeitura que desvaloriza o seu professor dessa forma, deve rever seus conceitos.

O salário oferecido é baixo para qualquer categoria. Quero ver se nossos representantes das câmaras, dos senados conseguiriam se manter com exatos R$41,56 por dia como remuneração, tendo que pagar aluguel, água, luz, comida, roupas. Quero ver o que eles diriam ao ter que ver seus filhos pedindo um brinquedo que não poderiam comprar. E aqui, estou sendo muito generosa com as contas que um pai de família honesto deve pagar todos os meses em nosso país, porque levo em consideração que a saúde pública e o ensino gratuito são inquestionáveis e atendem bem a sociedade. Se eu for contar que nosso trabalhador paga um plano de saúde e uma escola particular esses valores citados não dão nem para os três primeiros dias do mês.

Um país que vira as costas para aqueles que formam os seus cidadãos ainda não aprendeu que estão no caminho certo: o caminho certo para permanecer vinculado às grandes economias mundiais, sendo explorados, sendo cada vez diminuídos, colocados em segundo plano.

Temos que fazer o caminho errado! Temos que incentivar a educação e suas aplicações. Um país que tem cidadãos letrados não perde nunca: só ganha! Ganha indivíduos que pensam a sua política e ajudam a controlar as picaretagens, as falcatruas, a eliminar a corrupção.

Um país que valoriza os seus professores cresce em todos os sentidos: passa a ter mentes brilhantes atuando para o seu próprio benefício com descobertas intelectuais, científicas, econômicas e sócias.

Temos que percorrer o cainho errado. Aquele que não é falado nos canais de televisão, aquele que nos ensina a ler bons livros e a travar um bom debate questionador, que nos faz desenvolver a crítica e o pensamento.

Enquanto seguirmos no caminho que os outros dizem ser o certo, continuaremos com essa postura natalina: de vaca de presépio, que balança a cabeça e rumina o seu feno tacitamente.

Chega!

Quero valorização profissional: para mim, para meus colegas de profissão – que mais do nunca o fazem por amor, por amor ao conhecimento, por amor aos SEUS FILHOS, porque acreditam que têm um papel na mudança da sociedade; quero valorização para o gari que trabalha nas madrugadas para que às 6 da manhã quando eu for passar para ir trabalhar a rua esteja limpa, porque outros cidadãos ainda não aprenderam que o lixo se joga no lixo e não nas ruas ou nas urnas. Quero valorização para todos os profissionais que se doam para que essa máquina chamada Brasil cresça e que chegue a ser a 6ª maior economia do mundo, mas com uma divisão justa de seus ganhos.

Sim, concordo que tivemos um grande avanço nos últimos anos, mas ainda temos muito a fazer.

É hora de começarmos a lutar por uma política mais justa para todas as categorias, mas principalmente para nós, professores, que somos a base para TODAS as profissões, ou alguém aí já viu um médico, um engenheiro, um político que não teve um professor?

Façam-me o favor de respeitar a profissão que escolhi.

Façam-me o favor de valorizar aquele que passa mais horas com o seu filho do que você mesmo.

Façam-me o favor de acabar com essa imoralidade. Isso ofende. Isso dói. Isso não é papel para ser exercido por ninguém, muito menos pela máquina estatal, que deveria agir em benefício de seus cidadãos e não de si própria.

Estou indignada. E tenho dito.


Link para acessar o tal edital: http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.consulplanmg.com%2Fconcursos%2Fconcurso.php%3Fid%3D334&h=RAQHKLAyp

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Autorretrato




(Sempre achei lindo os pintores que faziam seus autorretratos. Era quando eu via essas obras de Van Gogh ou de Tarsila do Amaral que eu entendia como as obras de arte conseguiam mexer com todos os nossos sentidos e nos mostrar poesia... algum tempo depois deparei-me com o “Auto-retrato” de Mário Quintana, que me encantou mais ainda e me fez desejar um dia ser capaz de escrever algo que me definisse por mim mesma. Algo do tipo “Quem é você?” e, então, com palavras soltas fiz o meu próprio autorretrato.)





Eu... por eu mesma

Sou menina sapeca,

“levada da breca”...

Timidez em pessoa

Despistada em alegria.

Olhos bem vivos

Risada espontânea

Palmas pra vida!

Pulinhos de felicidade!

Vermelha de vergonha, olho por chão.

Sem graça, passo a mão na nuca

Ansiosa, já não durmo

Nervosa, me agito.

Quieta só quando entregue ao sono

Silêncio só quando distraída.

Músicas?

Trilha sonora pra vida!

Poesias?

Embalam todos os meus dias!

Notívaga,

Sou fã da lua...

Pelo brilho das estrelas meus olhos parecem os de uma coruja.

As palavras são sempre lançadas

Da boca que não tem travas.

Os braços sempre buscam abraços

Os beijos sempre querem ser dados,

Mas esperam pacientes, o seu destinatário.

Ganha-me o coração

Quem enxergar minha alma.

Decifrar os meus segredos

É enigma de esfinge.

Dou um doce pra quem acertar

Uma palavra que me define.

Entre pedras e flores,

Amores.

Entre cabeça e chapéu,

Dúvidas que vão até o céu.

Do desvario sou salva

Com a caneta e o papel.

No fundo tenho um coração que arde

Se iludindo na busca da verdade...




*** Em tempo: o senhor Google me disse que de acordo com a  nova ortografia a palavra autorretrato passa a ser grafada sem o hífen e com o “r” dobrado. Sim, acho feio de doer, mas fazer o quê?***

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Esses Braços


Quando vier me pedir conselhos, saiba que eu os darei. Separarei os melhores que tenho. Os que são mais sinceros. E, por mais que meu peito possa doer eu lhe direi, olhando nos olhos, para ir em frente.

Irei lhe presentear com meus sentimentos verdadeiros, porque é assim que tem que ser com quem amamos.

E se quiser saber se fica bem de azul ou verde ou preto, vou rir e dizer que as cores é que ficam bem em você e não o contrário. Vou dizer pra usar azul ou verde ou preto, mas que prefiro lilás. E depois vou dar uma risada bem boba, dessas que eu gosto de dar jogando a cabeça pra trás e batendo palmas, achando graça em coisas simples.

Quando estiver na dúvida se tem amigos de verdade ou se alguém é ou não seu amigo, o que lhe direi é que não conheço o resto do mundo, mas que a minha amizade é sincera e vou oferecer meu sorriso como complemento da resposta.

Se me procurar quando estiver sem rumo vou te levar pra caminhar na praia, na praça, no por-do-sol, para que tenha alívio, para que saiba que andar por aí sem planos não é de todo ruim: nos permite ver as belezas do mundo e isso acalma a alma.

Quando precisar se sentir seguro vou te levar pra casa, trancar as janelas e portas e esconder a chave ou nada disso! Vou só dar um abraço, porque às vezes nele terá mais cuidado que em mil portas trancadas.

Pode ser que o mundo pareça um quintal, que saia por ele brincando de desbrava-lo, que caminhe para lugares inimagináveis e belos, que busque a felicidade com todas as suas forças, por todos os mundos que não sabemos que existem. Pode ser que a encontre e que me dê um pouquinho! Pode ser que não a encontre lá longe, que volte, achando que ela está bem aqui onde deixou, no final do corredor, embaixo da escada, dentro do guarda-roupas bagunçado, numa caixinha ou dentro de um envelope... essas coisas sempre passam pelos nossos olhos e não nos damos conta...

Às vezes vai ver que nenhum santo ou mantra ou penitência é capaz de curar os nossos próprios problemas, quiçá os do mundo. Vai entender que a solução para nossos problemas somos nós mesmo: nossas posturas, atitudes, ações.

Longe de casa pode parecer tudo mais frio, mais escuro ou mais claro e mais cheio de vida. Só vai saber se enfrentar. E se me perguntar o que acho que deve fazer, por mais dolorido que seja vou dizer para você ir: porque a busca por si só já é bela e já é parte da resposta.

Se for ficar por lá, que se lembre de mim em uma prece, em uma canção, em uma foto e que me avise. Fico extremamente feliz quando sou lembrada.

Se for voltar para casa, venha correndo, porque aqui tem uns braços que, talvez só nasceram pra te abraçar...

Cantora de Bar



Eu sempre quis ser

Uma cantora de bar

Dessas que se arrumam com uma flor no cabelo

Um batom vermelho

E na voz um blues...

Eu sempre quis cantar

 pra te conquistar

Pra te causar arrepios nessa pele

Pra sussurrar meus segredos

Mais ardentes

Em seu ouvido

E te ver tremer...

Mas no seu palco eu não tenho plateia

Eu não tenho atenção

É que você não aprendeu

A ouvir minha canção....

Eu sempre quis ser

Uma cantora de bar

Dessas que se arrumam com uma flor no cabelo

Um batom vermelho

E na voz um blues...

Eu sempre quis cantar

Meio leve, assim meio sem jeito

Brincar de não ser eu

Ser uma diva no palco

E arrasar com um jazz

Só que  minha voz não dá samba

Então eu fico aqui com o rock’n’roll

(o que eu sempre quis ser!)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A Ver Navios


Segunda-feira. Bah... detesto segundas-feiras. Isso nem é novidade. Todo mundo tem um dia da semana ou do mês ou do ano que não gosta. Eu tenho vários: são TODAS as segundas-feiras, que bem poderiam se chamar segundas-feias.

Estou em Campinas, tive um final de semana agitado e uma bela insônia na virada do domingo para a segunda. Maravilha! Dormir três horas na noite é tudo que eu preciso pra virar um... zoombie. Com muita sorte viro um simpático panda.

Às sete da manhã – quê????? – eu estava de pé, trocar de roupa, maquiagem, café, bolsa, celular, fones de ouvidos, ônibus, UNICAMP, congresso e no meio da tarde FEBRE!

Parei por um momento e quis logo ir pra casa. Não para a casa que estou hospedada, que aliás, merece aqui toda sorte de elogios, mas para a minha casa mesmo. Não para a do Rio... a de Juiz de Fora. Aquela que tem minha mãe e meu filho!

Distâncias à parte fui para a casa da minha amiga mesmo. Me joguei no sofá com as luzes apagadas, casa vazia, bolsa no chão, cabeça rodando. Parei pra pensar em quem poderia cuidar de mim.

Sabe quando você faz uma listinha de pessoas que gosta e começa a pensar se essa pessoa se disporia a cuidar de você, pois é, fiz isso.

Em poucos minutos a conclusão: ninguém vai cuidar de mim! É que chega uma hora que a gente cresce. Vira gente grande e aí a sua mãe vai te dar só um pouquinho de colo, porque ela tem outros afazeres e você também. Eu tenho um monte de coisas pra fazer e não posso ficar aqui curtindo a minha febrinha – que ainda não tem um motivo evidente – só porque é segunda e eu não gosto desse dia. Não posso querer que o mundo pare por mim. Que alguém pare pro mim.

Tá bom, vai... arrumei aí alguns candidatos a meus cuidadores. O drama não é pra tanto, mas uma coisa fique clara: não é porque ficamos doentes ou tristes ou alegres ou indecisos ou sei lá o quê que nossos amigos, amores, familiares vão descer de seus mundinhos por nós. Eles podem nos dar carona, segurar na mão, diminuir a velocidade, mas parar, nunca!

O que eu demorei a entender é que estar longe não significa “não estar”. Não correr até você, não significa que não se importa. Não parar, não é falta de carinho. É tudo ao contrário. É estímulo pra eu levantar da comodidade e recomeçar a correr atrás da vida, se não ela passa e eu, ah, eu fico a ver navios.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Equilíbrio



Um dia me disseram que a gente pode até demorar, mas aprende a viver com o tempo.

Um dia me disseram que nem todas as pessoas eram boas, que nem todas reservariam pra mim o mesmo tempo que eu reservo a elas, que nem todo mundo é confiável,

Recusei-me a acreditar nessas afirmações. Acredito que nem todo mundo é lobo por dentro e sempre destinei para as pessoas um tratamento igual.

Acontece que às vezes, quando eu mais preciso de um sorriso, de um abraço não encontro um braço que me caiba. Não encontro uma mão estendida e volto a pensar em tudo o que me disseram um dia.

Tenho dias de ser só sorriso, tenho noites de ser só lágrimas.

Tenho dias de fazer tudo por alguém, de mover mundos, fundos e montanhas. Tenho noites de precisar de quem segure a minha mão e não encontro.

Nessas noites penso que há alguma coisa errada: ou me dedico às pessoas erradas e elas se aproveitam disso e não se importam comigo; ou penso que estou agindo da melhor maneira possível e não estou ou o mundo anda tão desregulado que eu já não entendo mais nada.

Juro que tento todos os dias acreditar que viver bem é fazer o bem para quem nos rodeia, mas e se ninguém fizer nada por mim? E se eu ficar com esse medo danado de estar sozinha o tempo todo? E se um dia eu me cansar?

Não, eu não quero pensar que não terei uma mão pra ajudar. Também não quero pensar que faço coisas para ter outras em troca, mas tem dias que me canso de só dar e os outros receberem...

Tenho dias de canseira, tenho noites de insônia.

Tenho vontade de sumir, mas tenho vontade de voltar e ficar aqui, porque longe dos meus a vida seria bem mais difícil e, um dia, as coisas entram nos seus devidos lugares. Eu sei que entram... o equilíbrio é difícil, mas não é impossível.

Sobre voar: a tecnologia




Imersa nas emoções que o primeiro vôo de avião me causou pensei muito na tecnologia e em como ela ajudou os homens a ganhar os céus, imensidão de azul, salpicada de branco e, antes, destinada apenas aos seres alados.

Ao entrar na “máquina voadora” tremi. E fiquei assim por um bom tempo. Sempre disse que meu medo de avião era pelo fato de EU não saber voar. Por mais seguro que possa parecer, que as estatísticas afirmem eu não imaginava a possibilidade de voar e a adiava ao máximo, mas dessa vez não tive escolha.

Enquanto olha pela janela veio-me à mente a questão que tomava conta do imaginário dos homens desde os primórdios: o sonho de voar.

Rapidamente refiz um trajeto que foi ter suas raízes com alguns mitos e lendas que conheço.

O grande sonho de Ícaro, lenda grega, era voar perto do sol. O jovem desobedecendo seu pai, Dédalo, voou próximo ao sol, teve a cera que estruturava suas asas derretida e caiu no mar Egeu.

Bem mais tarde, em meados do século XV, Leonardo da Vinci desenhou máquinas de voar que levariam o homem aos céus. No século XIX apareceram os balões bem leves e o desafio por máquinas que fossem mais pesadas que o ar não era ultrapassado, até que alguns inventores conseguiram voar em suas engenhocas. Ainda não temos um acordo sobre quem foi mesmo o “pai da aviação”, se  Santos Dumont, os irmãos estadunidenses Wright ou o francês Ader, mas o fato é que no século XX o homem conseguiu o que queria. Chegou até o azul.

Usando suas asas mecânicas, seus recursos especializados, cálculos e mais cálculos, conseguimos um meio de transporte rápido e que nos levasse para mais perto do lugar pelo qual sempre tivemos fascínio.

Particularmente o céu me encanta. Seu azul leve, constante, as nuvens que passam como quem desfilam diante de nossos olhos empurradas pelo vento, os raios do sol que, teimosos, furam as nuvens só pelo prazer de dourar nossas terras, as estrelas, a lua, a imensidão.

Na me canso de olhar para o céu e vejo o quanto chegar o mais perto dele possível era importante para o homem: o desejo foi responsável por séculos de estudos e ainda o é, porque nunca se consegue encontrar seus limites.

Talvez seja porque não há limites.

Talvez seja porque o céu é o lugar propício para as nossas idéias e por isso é tão grande: para que possamos crescer cada vez mais.

Já conseguimos voar. Já estamos mais perto desse azul encantado, mas não soubemos só aproveitar as vantagens, ver as paisagens e refletir sobre nosso lugar no mundo, sobre o solo no qual pisamos. Fomos além disso. Fomos além da beleza. Fomos capazes de usar algo que nos mostrava o lado mais belo, que não podíamos imaginar e nem ver de nossa perspectiva terrestre e limita em armas de destruição.

Mas essas são reflexões de outro post...

Desejos




Eu não sou perfeita! Não adianta, não consigo! 
É questão de jeito mesmo... não sei fazer carinha de “Barbie na caixa” ou de paisagem só para agradar...
Eu não sou perfeita e tenho gostos e definições próprias, tão particulares que formam um universo paralelo, um lugar-qualquer entre aqui, ali e Nárnia, onde listo os meus desejos e corro atrás deles.
Aos domingos eu gosto mesmo é de ficar de pijama o dia todo. Ou de atender bons telefonemas... topo sair se for pra ver gente interessante, se for pra jogar papo pro ar. Mais do que isso já tenho que pensar se vai valer a pena.
Segunda-feira, pelo menos pra mim,  devia ser o dia da preguiça: se eu pudesse não ia trabalhar. Ficaria em casa de pantufas ou iria à praia. O pôr-do-sol das segundas-feiras na beira da praia é mais que lindo. É uma celebração à vida. 
A noite foi feita pra pensar. Não gosto de dormir nas madrugadas. Gosto de ouvir música, ler e escrever. Gosto de lembrar como foi o dia, pensar nas pessoas que amo. Gosto de conversar com o escuro e com Deus e de tentar entender os meios com os quais Ele fala comigo...
Acho que o dia foi feito pra dormir até o meio-dia. As doze badaladas deveriam ser o start das atividades. Partir para o mundo, que tem um monte de tarefas pra serem feitas, é bem mais animado depois que o sol está no meio do céu. 
(Ainda me pergunto como consigo sobreviver aos dias que começam antes, às 6 da matina, como os meus. Não faz sentido nenhum acordar para acordar o dia, embora isso tenha um quê de aventura, de descoberta, de [re]começo... Deve ser isso que dá energia para as pessoas!)
Trabalho não é sofrimento. É um “sacro ofício”, que deve ser feito com gosto. Eu adoro trabalhar, mas detesto quem vai para o trabalho de mau humor. Ninguém merece cara amarrada o dia todo. 
A virtude de distribuir sorrisos não é para todos, mas faz bem a todos, então, que façamos dela uma prática diária, um exercício de leveza.
Sorvete tem que ser de morango ou de frutas vermelhas. Há sabores que são indescritíveis e que permanecem vivos na memória. Frutas vermelhas é o meu gosto de lembranças....
Sapato tem que ser confortável, bonito, preferencialmente de salto alto, da liquidação. Tá bom, aceitei o tênis nos últimos tempos só pra caminhar e correr... já parei de correr. Caminhada só até a biblioteca, mas um dia animo a esticar os passos...
Amigo tem que ser companheiro. Pode faze convite para programas estranhos, mas tem que topar um cinema alternativo, uma comida diferente, uma peça fora do circuito convencional. E tem que fazer rir. Tem que ser braço e abraço: para amparar e impulsionar. 
Criança não pode ser birrenta. Tem que ter medida, tem que ter dengo, tem que ter brilho nos olhos e muita fantasia, mas dispensemos as melindrosas!
O céu tem que estar bem azul, um azul abusado, de beleza quase enjoativa, de entorpecente profundidade que acende ideias e faz ter vontade e voar e espanta o medo de avião. Céu cinza me deixa triste. Deixa tudo mais pesado, quase frio e haja animação e sorriso para pintar sóis onde as nuvens teimam em esconder a dinâmica florida das tardes.
Música é da década de 70 e 80, bem alta, no fone de ouvido pra dançar sem medo de ser vista por quem está do lado. E o tempo todo. Trilha sonora para a vida! Trilha sonora para pensar, para dormir e acordar. Música é uma daquelas coisas divinas, igual à poesia...
Vestido é melhor que calça jeans. Cachecol é elegante. Colete também.
Não há homem que não fique bem em um terno bem cortado e nem mulher que não tenha “salvação” num salão de beleza. Abençoada a maquiagem nossa de cada dia e o batom rosado para emoldurar um "bom dia"!
O Habib’s é uma casa de “comida árabe” que vende bolinho de bacalhau e banana split e onde as esfihas são de cebola-com-alguma-coisa.
McDonald’s e Bob’s vendem um lanche horroroso que prefiro nem comentar, mas que como nas urgências da fome e da correria.
Não há nada mais lindo que um sorriso bem espontâneo.
Não há cheiros melhores do que de livro novo e de filho de banho tomado.
Um abraço bem apertado tira qualquer peso do nosso dia.
Não há saudade que resista a um reencontro e não há encontro que não deixe saudades logo depois do “tchau”.
Bom dia, boa tarde e boa noite não caíram em desuso, é sempre bom ouvir essas saudações, mas só as faça se for de coração: desejar um bom dia tem que ser de verdade. Falar por falar já basta a moça que mora dentro do meu computador e diz que as minhas “atualizações foram feitas com sucesso”. Obrigada!
Minha situação está preta: a conta bancária está no vermelho, por falta de verdinhas, mas eu queria mesmo era que o saldo aparecesse em azul.
Batata frita é mais deliciosa com Coca-cola, mas prefiro café.
Água de coco no fim do dia é o melhor drink do mundo.
Ver seu filho te receber o portão é sem dúvida a única coisa que você gostaria depois de um dia cheio, principalmente se está a quilômetros de distância. A saudade nesse caso é ácido que vai corroendo o coração. 
Planejar os sonhos é não esquecer de cada detalhe e a perfeição não existe, por mais que a busquemos, mas sempre temos meios de melhorar. Realizar os sonhos é ver que quase sempre acontecem de repente e que fogem um bocado do planejado, mas dá uma sensação maravilhosa e uma vontade de planejar mais.
Gosto de gato, de cachorro e de peixinho de aquário, mas tenho dó dos peixinhos que nadam em círculos.
Gosto de dormir com a janela aberta e ver a lua lá no céu. de contar estrelas e pegar no sono quando perco a conta, de tentar enxergar as constelações que os gregos antigos juravam ver.
Gosto de queijo com goiabada, de pastel de queijo e de poesia.
Não! Não sou perfeita... não quero ser perfeita. Quero mudar todos os dias. Quero brincar de não ser eu, furar a dieta, não correr e não malhar, não ter culpa disso, não discutir com o travesseiro, não quebrar o despertador, mas quero poder andar pelas ruas sem rumo, respirar fundo, olhar o horizonte e depois olhar para trás e ver tudo o que fiz. Quero olhar todas as minhas escolhas e perceber que eu as fiz e fui feita por elas, num processo saudável de crescimento. Que poder olhar tudo e dizer: eu fiz a minha história e gostei de tudo!
Quero realizar os meus desejos e ter novos todos os dias. Quero, quero, quero-quero, a vida em passos largos bebida em conta-gotas.

Mulheres Alteradas




Na correria que mergulhei ao chegar em uma cidade desconhecida – Campinas – parei por um minuto pra ver as ligações (se é que tinha alguma) no meu celular, displicentemente largado sobre a cama.

De súbito vi duas mensagens e três ligações. Tremi. As ligações eram de um amigo, o que logo me deixou aflita. Liguei de volta e relaxei: era só um mimo que ele queria me fazer. A irmã do mocinho estava em Campinas com a peça “Mulheres Alteradas” e ele me ofereceu as cortesias, que, claro, como sou fã de teatro aceitei na hora!

No domingo à tarde lá estávamos Z (Zenilde) e eu lindas em nossos vestidinhos e saltos altos rumo ao shopping, tranquilíssimas, até descobrir que só faltavam... 15 minutos para a peça e NÃO ia dar tempo de ver as liquidações do shopping! Alteramos: o passo! E fomos mais “rapidinhas” rumo ao teatro.

A peça abre com a cena de Lisa acendendo um cigarro e dando a seguinte explicação: “uma mulher alterada não é louca. Segundo o dicionário alterar é mudar, variar, fazer uma coisa de um jeito diferente, ou colocar numa posição diferente”. Introdução que já garante que todas nós, pobres mulheres mortais, SOMOS alteradas SEMPRE!

Estamos sempre mudando: o cabelo, o perfume, a dieta. Muitas vezes mudamos por fora o que não conseguimos mudar por dentro e a peça que é baseada nos tão famosos quadrinhos de Maitena nos transmite essa idéia logo de cara e a conclusão que soa como um alívio: eu NÃO sou  LOUCA e muito menos SOZINHA nesse mundo de variações de “humor”!

Com as cenas divertidas e realistas nos vemos nas mais variadas situações do dia a dia: a malhação, o trabalho, o casamento, a busca pelo par perfeito, a crise frente a um problema.

Uma opção lúdica que me levou a pensar nas várias cenas do meu dia: em como eu sou alterada! O tempo todo! Mas confesso: gosto demais de ser assim, de mudar o que está à volta, de me mudar.

Nas personagens caricaturais interpretadas brilhantemente por Flávia Monteiro, uma executiva grávida do terceiro filho; Marisol Ribeiro, que vive no mundo da lua à espera do seu príncipe encantado; Samara Felippo que é a mãe de uma filha e descobre um nódulo no seio e o bonitão Daniel Del Sarto que interpreta todos os papéis masculinos da peça, vi amigas, problemas que elas passam, que eu passo e tudo funcionou como um espelho mágico. Algumas vezes tinha a impressão de ser eu ali no palco: meus “dramas” com a atual vontade de perder as gordurinhas “que deveriam sofrer uma reforma agrária”, segundo o texto, a preguiça de malhar, a vontade de sair comprando tudo, as reações diante das situações dos amigos e o modo como nos tratamos e tratamos o outro.

Já conhecia os quadrinhos e, confesso, que a adaptação foi tão boa quanto o original, tanto que com certeza, entrou para a lista das minhas indicações.

Para além do elenco mega talentoso ainda tem a banda Alteradas, que toca ao vivo durante todo o espetáculo e é um show à parte.

Vale a pena ver, se colocar nos papeis, perceber que somos alteradas “naturalmente”, que isso enlouquece qualquer um – até nós mesmas – mas que ainda assim, quem nos ama vive ao nosso lado.

Sou mulher. Alterada, que muda, que teima, que vivo e por isso mesmo, posso ser descrita como no original: “(...) aquela que até ontem esperava dormindo, compra uma cinta liga; a executiva que administrava uma empresa quer viver em um camping; aquela que cuidava da sogra como sua própria mãe interna as duas em asilo; a magra vira uma vaca de gorda e a gorda perde vinte quilos”.



Viva as nossas alterações de todos os dias! Elas fazem da vida uma delícia de eventos inesperados! Ou não!

E aos homens que por ventura passarem por aqui e pensarem que a peça é “coisa de mulherzinha” eu asseguro, têm muito o que aprenderem sobre nós e é uma boa maneira de se começar!

Foi um domingo beeeem divertido. Eu e minha amiga rimos muito, não conseguimos ver as liquidações, é verdade, mas saímos do teatro bem mais leves do que entramos, bem mais diferentes do que entramos: mais conscientes de nossos “pitis sagrados de cada dia” e mais orgulhosas por saber conviver com os nossos problemas e com os dos outros e sem perder o rebolado.

Isso sim é fim de fim de semana!





Sobre a peça:

Canal local de Campinas:




Ficha Técnica

Autora: Maitena

Dramaturgia: Andrea Maltarolli

Colaboração: Bernardo Jablonski

Direção: Eduardo Figueiredo

Assistência de direção: Maíra Knox

Elenco: Samara Felippo, Flávia Monteiro, Marisol Ribeiro e Daniel Del Sarto

Participação especial: Banda Alteradas (ao vivo)

Direção Musical: Elaine Giacomelli e Eduardo Contrera

Direção de Arte, Cenário e Figurinos: Maíra Knox

Coreografias: Henrique Rodovallo – Quasar Cia. de dança

Preparação do Elenco: Daniela Biancardi

Criação de Luz: Guilherme Bonfanti

Estágio de Direção: Eric Mourão

Produção Executiva e Administração: Fernanda Corrêa Gürtler e Tainah Brandão

Assistente de Produção: Patrícia Palhares

Secretária: Isabel Perez

Direção de Produção: Maurício Machado

Realização e produção: Manhas & Manias de Eventos

Serviço

Local: Teatro Amil

Temporada: até 26 de fevereiro

Horários: sexta e sábado, 21h e domingo, 19h

Ingressos: Sexta - R$ 50 (setor 2) e R$ 60 (setor 1) /Sábado e domingo - R$ 60 (setor 2) e R$ 70 (setor 1)

Duração: 80 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

Teatro Amil

Entrada das Flores

Av. Guilherme Campos, 500 - Santa Genebra - Campinas (SP)

Bilheteria / Televendas: (19) 3756 9890 / 3756 9891