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sábado, 13 de abril de 2013

Dia do Beijo



É só fazermos uma busca rápida pela internet com o dia em que estamos e veremos uma pequena listinhas das comemorações diárias.
Virou moda termos dias para tudo e, hoje, é o dia do beijo.
Em grande medida eu não vejo problema algum nisso – nem no fato de que no próximo dia 06 de julho teremos, de novo, outro dia do beijo.
Outras datas à parte, falarei só do DIA DO BEIJO.
É o DIA do BEIJO! Uau! Que especial! Paro e penso: por que o beijo precisa de um dia? Essa reflexão me segue desde o último “dia do abraço”.
Eu sou do tipo de pessoa de sentimento – não sentimentalista. Eu sou do tipo que abraça o outro sem um motivo aparente, que dá beijo, que manda beijo, que chama de lindo, que elogia, que distribui sorriso e, principalmente, que digo que amo.
Ainda sou do tempo das gentilezas, das cordialidades e da afetividade. Pode parecer arcaico, mas eu sou assim e gosto.
Gosto de ver a cara de surpresa das pessoas quando eu lasco uma beijoca na bochecha no meio da tarde, no meio de um probleminha, no meio da música. Gosto das sensações diferentes que sinto quando abraço, quando deixo o meu coração bem perto do coração do outro.
O dia do beijo, para mim, não tem muito sentido por isso, porque eu acredito que devo soltar os meus beijos pelo mundo todos os dias, especialmente quando se trata de quem eu amo.
Acho válida a comemoração e até bonitinha: é uma boa pedida para quem quer dar aquela investida e não tinha lá muita criatividade.
Hoje é o dia em que você pode dar uma caixinha com um “vale-beijinho” de presente e se fazer de bobo: se o presente for aceito, ótimo! Se não for bem compreendido é só sair pela tangente: é que hoje é o dia do beijo!
Para o dia de hoje, toda tentativa é bem-vinda!
E vale a pena ressaltar que tudo começa com o beijo, então, caprichemos nos nossos beijos de hoje, de amanhã, de depois, de depois e depois... e nos muitos outros que estão por vir.
Para quem se vale do dia do beijo: que tenham muitos beijos!
Para quem, como eu, acha que todo dia é dia de beijo (e de abraço), muuuuuitos beijos e muitos abraços, todos os dias!



quinta-feira, 4 de abril de 2013

Descomplica!





Em nossas rotinas cada vez mais desgastantes precisamos ser versáteis, dinâmicos, firmes, mas ainda precisamos aprender a usar certas palavrinhas que além de nos tronarem pessoas mais tranquilas, faria de nosso mundo um espaço melhor.
Um verbo que seria nosso grande aliado na vida é DESCOMPLICAR.
É urgente que comecemos a ser mais leves! A correria do dia-a-dia nos leva a exigir muito dos outros e de nós mesmos, mas chega uma hora que precisamos dar um refresco! Pegar leve faz bem para si e para quem nos rodeia:
Cobre menos de você – e vai passar a cobrar menos dos outros. É só uma questão de limite!
Não se culpe! – pequenos “pecadinhos” ocorrem e são prazerosos! Não evite aquele bombom saboroso depois do almoço porque precisa emagrecer 2kg. Coma o chocolate e faça 15 minutos a mais de caminhada. Calorias perdidas, cabeça arejada e uma felicidade que fica ali bem escondidinha nos detalhes!
Descomplicar parece complicado no começo, mas depois nos leva a uma qualidade de vida incrível: mais felicidade, mais proximidade com os amigos, mais descontração.
                                        
AMIZADE
Cultivar as amizades é importantíssimo! Ligar pra dizer que está com saudades, pra saber se está tudo bem, pra convidar para um café, um cineminha ou jogar conversa fora. Jamais, em hipótese alguma, abandone seus amigos.
Uma relação de amizade é de escolha mútua: ambos se escolheram, se conhecem e se gostam com todos os defeitos – até aquele seu dedinho torto é perdoável!
São seus amigos que dividem as histórias mais divertidas e algumas tristes com você. São eles que vão te dar colo, ser suporte, dividir a caipirinha, o táxi, os segredos, a piada.
Não troque seus amigos pelo seu amor! Uma coisa é uma coisa, outra coisa são os amigos! Reserve pelo menos um encontro com seus amigos de quando em vez. Eu sugiro de vez em sempre!

OFF
Ficar off é uma das dificuldades de nosso dia. São tantos meios para se manter on que temos a impressão de que o mundo vai cair sobre nossas cabeças se o celular estiver com a bateria descarregada, se a internet falhar. Keep calm que o mundo não vai parar se você se desconectar. Vá em frente, tenha coragem e aperte e o botãozinho vermelho: desligue-se por um dia! Vai perceber que o melhor da vida você vai fazer em off e nem vai se dar conta que não está conectada! Arrisque e estará pronta para as próximas palavras de nossa lista!

AUTOCONHECIMENTO
Conhecer-se é fundamental, já dizia o Oráculo de Delfos, mas essa prática só é bem sucedida se ficamos adeptos ao silêncio. Precisamos aprender a parar – lembra-se de ficar off?! –, a ficar em silêncio, a nos conhecer. Já parou pra pensar em que tipo de companhia você é? Sente para beber com você mesmo! Sirva-se de um bom vinho no cair da noite de uma terça-feira, depois do dia cheio. Sem medos: converse com você mesmo, ninguém vai ver. Vá se perguntando, se respondendo, refletindo, se conhecendo. Vai ver que mais da metade de suas respostas estavam dentro de você mesma. Vai aprender a achar o tão buscado equilíbrio.

RIA
Uma boa gargalhada derruba qualquer carranca! Uma sábia frase do saudoso Millôr Fernandes corre as redes sociais: O humor compreende também o mau humor. O mau humor é que não compreende nada. Não preciso atestar a veracidade dessas palavras: quem ri é mais! É mais agradável, divertido, querido, saudável! Então, que coloquemos um sorriso no rosto e saiamos lindos! É melhor um sorriso bem dado do que qualquer maquiagem, garanto!

GENTILEZA
Gentileza gera gentileza. E tenho dito! As palavrinhas mágicas são válidas por toda a vida e um “bom dia!” bem dado é como um vale de alegria para quem o recebe: tem o poder de tornar o dia bom! As pequenas gentilezas diárias ajudam a dar a leveza que precisamos para aguentar o tranco! Vamos aliar doses cavalares de gentileza aos nossos sorrisos!

Acrescentando essas palavrinhas ao nosso ABC diário além de nos tornarmos mais leves vamos, aos poucos, mudando o nosso entorno, contaminando com está ao nosso lado e transformando nossas buscas pela felicidade em encontros festivos com ela!
É só lembrar de Guimarães Rosa: “A Felicidade se acha em horinhas de descuido”...

Dente-de-leão



Sou uma folha ao vento.
Talvez, um dente-de-leão intrépido.
Lanço-me no voo leve, breve.
Solitária e acanhada.
Tenho as rimas que me bastam,
Os versos que eu mesma faço.
Meu mundo não é imaginário:
É imaginado!
Cada detalhe, Cada sutil detalhe:
De onde está você,
Onde estou eu,
E onde está em mim.
Às vezes é tudo muito difícil.
É que eu gosto da sensação de superar obstáculos.
Gosto de saber que posso ir além de onde alcança a mão,
De onde o pé sabe ser firme.
Gosto mesmo é do gosto que o medo deixa:
E mais ainda do que fica depois que venço.
Crio tudo ao som de boa música:
Danço sob o sol,
Visto-me de cigana, de Ana, de dama,
Rodo a saia em plena avenida,
Na correria, na contramão.
Envelheço, mas continuo menina.
A menina que sorri, que chora, que brinca.
A menina que parece ter sido feita pra mim.
Que eu fiz, desenhando com lápis de cor e afeto.
A menina que admira flores na primavera,
Mas que se encontra no outono,
Quando as folhas caem das árvores,
Soltas ao vento.
É que eu sou folha ao vento.
Talvez, um dente-de-leão intrépido.

A História me escolheu



Um dia escolhi a História. Mentira! Foi ela que me escolheu. Eu era muito nova ainda. Uns onze, doze anos, no máximo. Fiquei encantada com a possibilidade de saber como tudo aconteceu, porque estamos do jeito que estamos hoje. A minha professora dizia que todas as nossas respostas estavam no passado e não no futuro como a gente acreditava.
Lembro-me muito bem da aula sobre os castelos. Não era nada daquilo que se passava nos filmes. Era muito diferente, o contrário pra dizer a verdade. O tal do senhor feudal era um bobo. Ele pegava toda a produção da fazenda e não deixava quase nada para o camponês.
E os dragões? Definitivamente, nunca existiram. As princesas não usavam vestidos cor-de-rosa-bebê (mas e daí? Eu nunca gostei de rosa mesmo... nem de princesas!) e os príncipes, bem, acho que a Disney se confundiu quando fez os desenhos... a História, aquela com H maiúsculo, era outra.
Ano após ano eu me perdia e me encontrava naquelas aulas de História. Livros atrás de livros, filmes, músicas, pinturas, tudo me fazia sentir um cheiro de passado. Um passado muito teimoso que achava que o seu lugar era entre a gente, que não queria deixar de ser presente e que, se bobeássemos, estaria esperando a gente no futuro.
Menos de uma década depois de todo o meu encantamento eu estava no primeiro ano da faculdade de HISTÓRIA. Sim, uma paixão avassaladora, um amor incondicional que só fez crescer. Tornei-me professora. Não dessas de repetir o que se tem nos livros, de se dar a mesma aula para todas as turmas todos os anos, mas longe de ser a ideal. Só uma coisa eu tinha certeza: eu não tinha escolhido a sala de aula. Eu nunca escolhi ser professora. Nunca escolhi ensinar. Foi a História quem em escolheu. Foi ela que entrou na minha vida, encheu-me os olhos, virou-me para trás e mostrou-me os caminhos do futuro.
Escolhida pela História, perdi-me num sem fim de noite mal dormidas, de livros, textos, escritos, rabiscos, ideais, sonhos e carreira. Ajuntando uma coisa com a outra descobri-me apaixonada pela Idade Média e pelo Patrimônio Cultural.
Ainda me pergunto como me deixei envolver tanto pela História... Deve ser porque gosto de gente. Deve ser porque eu tenho uma vontade enorme de seguir dividindo todas as coisas que eu sei. Deve ser porque eu tenho uma dívida enorme a pagar com a sociedade que me possibilitou uma vida de mais de 20 anos estudando em escolas públicas e de qualidade (é, no meu tempo as escolas eram boas!).
Formei-me em uma universidade federal, fiz pós-graduação e hoje completo uma semana da defesa de minha dissertação. É... o tempo passou e pouco mais de quinze anos passados em que a História entrou em minha vida trazendo todo o seu encantamento, seu espírito crítico e suas angústias sufocantes, eu posso dizer que sou completamente feliz com a profissão que tenho e pela trajetória eu venho fazendo ao longo desses quase dez anos de envolvimento direto com ela.
Ser historiadora é uma questão de amor pelo presente. É um desejo absurdo de entender o que se passa hoje, de responder os porquês que nos atormentam. Ser historiadora é sufocante quando me vejo em situações que exigem um desprendimento de mim mesma, mas que têm um objetivo maior. É gratificante quando vejo o reconhecimento de meu trabalho em alunos tão maravilhosos que cruzaram o meu caminho.
Para complementar a História fiz uma aproximação com o Patrimônio Cultural e a Educação e o casamento só me deu alegrias: hoje, mestre em Educação pela UFF, mas eternamente historiadora pela UFJF, eu posso afirmar que não há no mundo alegria maior do que ver um sonho concretizado.
Valeu a pena cada lágrima, cada luta, cada suor, cada sorriso, cada desespero com prazos.
Hoje eu realente consigo perceber o que foi vencer esses dois anos no Rio de Janeiro, longe de casa, dos meus maiores amores – Heitor e família – em uma cidade desconhecida, maravilhosa e cheia de incertezas.
Hoje, a melhor imagem que posso ter é essa: minha mão espalmada sobre o peito que não se aquenta dentro do corpo, que quer sair a bater pelas ruas, quer espalhar toda sorte de boas vibrações por aí, quer mostrar que ser professora é uma arte e que ser historiadora é sobretudo um ato de muito amor!