quinta-feira, 7 de março de 2013
O nascer do sol, mais um dia!
É assim que surge uma nova página de nossas vidas, que chamamos de dia: as nuvens amanheceram lilases, cansadas de seus brancos tradicionais; algumas mais petulantes desfilavam rajadas de laranja. Logo cedo a cabeleira do sol, ainda desgrenhada, porque ele havia acabado de acordar, se misturou às nuvens já coloridas e em pouco tempo estava tudo muito claro.
O sol, esse menino meio sapeca, meio bronzeado e bronzeador não queria ir embora, mas depois de ter brincado de "boca de forno", colocando-nos quase que nas próprias brasas, tamanho era calor, ele desistiu e foi dormir.
(É que as crianças também se cansam!!)
A dona lua já está por aqui, mas ainda carrega o calor de todo o dia... Ela é moça jovem pra casar: desfila com seu vestido cravejado de pequenos brilhantes, as tais das estrelas. Dizem que ela olha para a Terra procurando o seu amor, mas só encontra os olhares dos poetas.
terça-feira, 5 de março de 2013
Nem sei se quero...
Foto: Dy Eiterer por Sarah Azavezza
Tem gente que reclama do sol
Eu escuto um rock'n'roll
Tem gente que reclama da chuva
Eu faço piadas sobre casamento de viúva
Tem gente que faz poesia
Eu escrevo tudo que posso, pra folha não ficar vazia!
Alguns poetas escolhem suas rimas com esmero
Eu nem sei se é uma rima que eu quero!
Escrever é uma saída,
Uma fuga,
Uma luta:
A tinta teima e mancha o papel
A palavra teima e escapa pela boca
Minha alma se mostra nas entrelinhas.
(Só pra constar: a trilha sonora da composição é Alexandre Nero e Maquinaíma)
Versos
E sobre os meus versos:
Às vezes nascem em meu
silêncio
Em outras saem dos meus
gritos
Mas eu gosto mesmo é de
ver
O movimento dos lábios a
declamar!
Eu gosto mesmo é de
ouvir
Aqueles versos que eu
fiz...
Ganhando vida em uma voz
rouca.
Poesia é mesmo uma coisa louca
segunda-feira, 4 de março de 2013
Verde
Sempre que olho nos meus
próprios olhos
Me perco e te acho,
Mas se as cores não são
as mesmas,
Por que as lembranças
seriam?
Deve ser a cor dessa
manhã
Deve ser o ritmo da sua
última manha
Ai de mim que me perco
pra te achar...
Ai de mim que amo o teu
verde,
Sendo fruta quase
madura.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Chão
Tenho livros que já não
cabem na estante.
Tenho ideias que não
ficam quietas dentro da cabeça,
Antes que eu me dê conta
a boca fala:
Despeja todas as minhas
palavras,
Esvazia o coração.
E a alma? Essa ficou
toda exposta, estirada no chão...
– Deus me ajude que
ninguém a pise!
Escape
Preparo-me pra dormir
Puxo o cobertor e fecho
os olhos...
A caneta salta em cima
da mesa
As folhas de papel voam
pelo quarto.
Permaneço calada, mas as
palavras me gritam.
Não fui eu quem escolheu
a poesia:
Ela é que faz de mim o
seu escape!
Rio de Janeiro ou de Março?
“O Rio de Janeiro continua
lindo
O Rio de Janeiro, fevereiro e
março...”
O Rio é de Janeiro, mês em que
eu me preparei para me mudar e ser recebida pelos braços abertos do Cristo
Redentor há alguns anos atrás...
O Rio é de Fevereiro, mês que
me mudei para a cidade Maravilhosa, mês do carnaval, de sol, de sal, de mar...
O Rio é de março, primeiro de março! Completando hoje seus 448 anos de existência, charme e encantamento sobre os seus cariocas, privilegiados por nascerem na terra onde os 3 “s” são constantes (Samba, Sol e Sal) e, claro, sobre aqueles que não nasceram em suas terras, mas tiveram o prazer de conhecê-la!
O Rio é de março, primeiro de março! Completando hoje seus 448 anos de existência, charme e encantamento sobre os seus cariocas, privilegiados por nascerem na terra onde os 3 “s” são constantes (Samba, Sol e Sal) e, claro, sobre aqueles que não nasceram em suas terras, mas tiveram o prazer de conhecê-la!
O Rio de Janeiro é balanço bom,
samba-rock-bossa-blues que se reflete no andar dos cariocas: elas a balançar as
barras de suas saias pela orla da Barra, Ipanema ou Copa ou ainda distraídas
pelo Passeio (Público) num fim de tarde. Eles com sua malandragem, jeito
gingado e atraente com suas pranchas, bermudões ou devidamente engravatados, na
correria frenética que nos embala.
Ah, o Rio de Janeiro... se eu
pudesse não ia nunca deixar esse lugar pra trás... ou melhor: puxaria seu mar
pra mais perto das Minas Gerais! Tomaria um mate gelado com meu ‘pãdiquêjo’ sentada
em uma montanha, molhando meu pé no seu mar!
Se eu pudesse nunca mais
esquecer os momentos que passei aqui... não perder nenhum instante, nenhum lugar
que visitei, meus olhos famintos de novidades e brindados a cada piscada com o
novo!
Terra de samba... muitas rodas
de samba! De cerveja gelada, de amigos animados!
Terra de suor... de gente que
levanta cedo pra trabalhar, pra estar lá quando a gente vai por trabalho!
Terra que não dorme nunca! Seja
em sua vida boêmia, seja em seus braços trabalhadores. A engrenagem não pode
parar. Nossos sonhos têm que continuar e lá se vai o Rio de Janeiro os embalar!
Terra de história! De museus
maravilhosos onde o cheiro dos séculos passados ainda está preso nas cortinas
de veludo e brocado e os passos ecoam nas tábuas corridas de seus corredores.
Terra das artes, das belas!
Onde desfilam por nós Tarsila, Pedro Américo, Niemeyer, Portinari, Rembrandt e
Renoir, Burle Max e Mestre Valentim.
Terra de mares... É o Rio que
navega pro mar ou é o mar que não resiste e joga as suas ondas para o Rio?
Paixão recíproca entre o azul profundo e o laranja dourado, que doura as peles,
aquece os corações e faz de nosso despertar um eterno carnaval, essa folia que
se dá no peito cada vez que amanhece mais um dia.
Rio de ventos e velas, de
mansões e favelas, de gente nova e velha, que mescla sentimentos e emoções, que
acolhe, que aquece, que entorpece!
Ao Rio dos meus encantos, de
janeiro, fevereiro, de todo ano, que seus 448 anos sejam saudados por todos que
te conhecem e que te amam!
Que seu encanto não permaneça,
aumente!
Que o mundo te conheça e se
apaixone!
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Metade
Acordei pela metade. Era como se o dia não fosse meu. Olhei à
volta e era tudo tão igual, tão do jeito que eu havia deixado antes de me
deitar, mas ao mesmo tempo tudo tão diferente, tão sem as minhas marcas... Achei
melhor fechar os olhos e contar até dez... Nove... Oito... Sete... Chega! Isso não
ia funcionar e, de qualquer maneira, era melhor levantar.
Coloquei o pé no chão. Era o esquerdo. E daí? Detesto convenções.
Essa coisa de acordar com o pé direito é baboseira. Levantei. Eu estava pela
metade. Nada fazia sentido completo. Nada era capaz de me preencher.
Olhei no espelho: os olhos estavam mais profundos. Mais provocadores.
Mais questionadores e me cobravam muito mais do que eu mesma poderia suportar. Ali
mesmo decidi me reinventar.
Rasguei-me por completo: o que era metade virou migalhas. Em poucos
instantes eu estava em cacos. Como pequenos pedaços de papel decidi não me
colar, mas me queimar. Peguei um fósforo
e ateei o fogo. Ah, o fogo... rapidamente me consumiu. Ardeu em mim e deixou-me
em brasa, tão quente quanto o sol que brilhava lá fora. Não virei cinzas. Virei
a própria brasa. Dessas que não se apagam, que esperam pra incendiar outra vez.
Que podem aquecer em uma lareira ou destruir uma vila inteira.
Matei-me. Era impossível continuar a viver sentindo-me pela
metade. Era impossível continuar sem saber o que faltava. Restava agora um meio
de me fazer nova. De me (re)viver. Do que havia sobrado do incêndio fiz meu
pão. Eu, enquanto brasa, aqueci meu sangue novamente. Deixei-o fervente, para
que ao percorrer as minhas veias pudesse me encorajar.
Travei uma guerra comigo mesma, lutando contra tudo de morno que
fui ajuntando nos cantos da vida. Travei uma batalha contra os entulhos de
pessoas que não me acrescentam. Empunhei a espada para dissipar todo resquício
de lágrimas que ficaram paradas no canto de meus olhos, empoçadas pelo caminho.
Chorei por ter chorado. Briguei com a tristeza que me assolava. Quebrei-a como
um cristal e joguei fora seus cacos.
Bebi uma dose de meu próprio veneno que se fez antídoto: provei
da dor que já causei, sofri com as dúvidas que semeei, petrifiquei-me com o
desprezo que lancei. Como me matei, me revivi. Como me envenenei, me curei. Ergui-me
diante de mim mesma mais forte, mais decidida, mais cheia de mim e de gana.
Em meio a minha própria guerra trouxe-me a paz que já habitava
meu coração, porque sou fera, sou escorpião, mas também sou mulher e sei ser anjo.
Oscilo entre a razão e a paixão, entre o medo e a coragem, entre o riso e o
choro, entre o quente e o frio. Jamais me equilibro. E gosto dos extremos. O limiar
das fronteiras é mais bonito se visto bem de perto. Assim como os olhos de quem
se aproxima.
Hoje acordei e estava pela metade.
Hoje me matei e me reconstruí.
Hoje me refiz e me preenchi comigo mesma. Descobri que toda calma é santa, que nem toda
loucura é vã. Descobri que meu céu pode ser um inferno e que as palavras me
aliviam e me sufocam, me libertam e me aprisionam.
Hoje respirei fundo e descobri que mesmo sendo curta, a vida
pode ser tanta...
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Não Falta AMOR, Falta AMAR!
Acabo de ler a seguinte frase:
“Todos a procura do amor ou do significado da palavra, anote a receita é
ser vc, viver cada instante, dar valor ao que tem, saber escutar, saber
reconhecer e saber conquistar! Companheirismo, Ouvinte e Conquistar! Enfim
namorar ou casar é fácil quero ver partilhar”.
Minha resposta a ela: DISCORDO! E discordo em quase tudo!
Sou a rainha da generalização e isso não é lá nenhuma novidade, mas
quando vejo uma frase em que diz que TODOS estão à procura do amor me dá
calafrios.
Não nos falta amor! Falta amar! O amor está esparramado por todos os
cantos, voando por aí aos quatro ventos, só esperando que nós o enxerguemos,
que coloquemos em prática o tal verbo da primeira conjugação: AMAR!
Já sabemos o que significa o amor, mas confundimos sempre com outras
coisas. Confundimos a vontade de ter um amor com a vontade de não estarmos sozinhos.
Isso não é amor. Isso é carência! Todo mundo procura um colo. Todo mundo
precisa de um. Não resta dúvidas que quando o meu mundo treme eu corro para o
telefone e busco quem? Meu colo! Uma companhia agradável, que se dispõe a me
ouvir e a dividir um café. Só isso!
Confundimos o amor com a vontade de termos motivo pra viver. Isso também
não é amor. É falta de inspiração! Todo mundo precisa de uma inspiração pra
viver: meu filho, meu livro, minha carreira, são todos elementos de minha
inspiração, claro, configuram um amor, mas essa inspiração pode ser só o sol brilhando
indecentemente vivo pela minha janela!
Dar valor ao que se tem não é amor. É, sobretudo, reconhecimento. Seja uma
pessoa que esteja ao seu lado, seja um trabalho, um objeto, um fruto de um
desejo. Reconhecer que cativou alguém ou conquistou algo é o primeiro passo para
ter consciência de seu lugar no mundo e na vida (na sua e na dos outros).
Saber escutar é uma virtude muito pouco desenvolvida nos dias de hoje e
vem, pelo menos pra mim, muito atrelada à ideia de compreensão. Para se compreender
o outro, o mundo, é preciso escutar. Isso também não é amor. É só uma prática
de vivência que torna o mundo muito mais leve, nos leva ao exercício da
tolerância, afinal, compreender não é entender e respeito é bom e conserva as
nossas relações.
Viver intensamente é questão de coragem, de ter sua autoconfiança lá em
cima, nas tabelas, e bancar cada uma de suas ações. Longe de ser amor – a não
ser o por si próprio e respeito aos seus
desejos – entregar-se às sensações da vida de peito aberto é muito mais um
estilo do que outra coisa. A vida é curta demais pra vivermos entre o morno e o
frio e acrescentar calor e pimenta em nossos dias cabe só a nós mesmo e demanda
muito jeito, uma pitada de petulância e muita, muita competência para se manter
nessa contracorrente.
E sobre saber conquistar... bom, não sei bem até que ponto o amor pode
ser efetivamente considerado só como uma conquista. Embora não pareça eu sou um
pouco (mentira! Sou muito, eu acho) romântica e acredito que o amor acontece. Exatamente
naqueles três segundos em que o seu cabelo desgrenha, tudo o que você quer é
chegar em casa porque está cansada e seu ônibus atrasa... claro que mantê-lo e,
sim, realiza-lo é uma outra história, mas que ele acontece, ah, isso não tenho
dúvidas.
Por fim, sobre a facilidade de namorar ou casar, acho outra balela. Nem uma
nem outra coisa são tão simples assim. A menos que não se tenha o menor
parâmetro, que só se busque alguém pra preencher um espaço do lado da cama ou
um número conhecido pra ligar no fim da tarde.
Acredito que namorar e casar está cada dia mais difícil porque raras são
as pessoas que ainda querem passear à noite só pra ver a lua, escolher um filme
e assistir enquanto divide a mesma bacia de pipoca ou dividir a conta do
restaurante, porque pra mim estar junto é dividir tudo: meus sonhos, minha
alegria, meus planos, a escolha do programa de domingo e a entrada de cinema.
Se praticarmos um pouco mais de gentileza, se olharmos mais nos olhos e
apreciarmos todas as singelezas que nos rodeiam veremos que o amor está no ar
como sempre esteve e que ele não nos falta. O que nos falta mesmo é amar!
Dia da Saudade
Lá se vai o primeiro mês do ano. E já anunciando o seu fim vem o dia da
saudade.
Todo dia 30 de janeiro a mesma coisa: as pessoas parecem amanhecer mais
saudosas. Haja vista os vários recados, mensagens, fotos, músicas e poesias que
pairam no ar.
Eu não gosto da idéia da saudade ter um dia só pra ela. Pelo menos a
minha saudade é teimosa, muito teimosa: cisma em não se deter apenas no seu dia
e me acompanha por todo ano, todos os dias.
Tenho saudades de pessoas, de amores, de sorvetes que tomei na infância,
de parque de diversões durante a aula da faculdade que matei. Tenho saudades
dos vinhos que não bebi porque não podia me atrasar. Tenho saudades de contar
estrelas ou adivinhar desenhos nas nuvens.
A minha saudade se arrasta pelo ano todo. Não me deixa, não me larga. A minha
saudade é como uma tatuagem em lugar escondido: não deixo ninguém ver, mas ela
sempre está lá.
Às vezes eu tenho muitas saudades do ontem, de tudo o que passou e que
não vou ter de novo. Às vezes a saudade é daquelas que eu sei que vou matar
afogada num sorriso ou bem apertada num abraço – e acho essas as melhores! Sou
uma assassina de mão cheia: adoro matar saudades apertadas em abraços longos,
que deixam cheiro de perfume na blusa, só pra gente ter mais um motivo de
saudade depois!
Às vezes acordo com saudades do dia de amanhã e das coisas que ainda nem
vivi, mas que sei que vão marcar e que vão me deixar com saudades.
Acho que ter saudades vai além de só uma sensação: já é um estado
natural, no qual vivo imersa e gosto porque traz uma dorzinha chata como
espinho no pé, mas também traz a certeza de que tive muitos momentos felizes e
pessoas importantes nos meus caminhos.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Assaltante
Eu sou uma farsante. Sou uma assaltante. Uma criminosa dessas
que merecem toda a sorte de castigos. E eu mesma me castigo: no silêncio,
calando meu grito.
Não nasci para as palavras, mas enveredei-me por elas de
teimosa. Agora faço rima, prosa, verso. Conto um conto, esqueço um ponto.
Dei para ouvir a conversa alheia. Dei pra imaginar desfechos para
as histórias que não termino de ouvir.
Enlouqueci. De repente, inspiração: saco logo o caderninho, com
o lápis na mão. Lá vou eu escrever.
Aventuras, desventuras, alegrias e tristezas, não me importa o
que será, só me importa a vontade de contar. E traço letras num sobe e desce
quase vertiginoso da ponta da caneta no papel, letras que não gostam de ficar
sozinhas e vão se ajuntando, se organizando em palavras que dizem muito mais do
que poderiam, muito menos do que eu gostaria.
Aproprio-me de seu tormento, faço dele uma alegoria, em pouco
tempo já tenho um novo enredo, já escrevi o texto nosso sagrado de cada dia.
Sinto-me como uma ladra de histórias, roubando-as em cores em
plena luz do dia. Ao mesmo tempo sinto-me assaltada, pega de surpresa, vendida
e abobalhada quando olho para as linhas e me reconheço em cada trecho. Mas essas
histórias nem eram minhas! O que faço eu nas entrelinhas?
Ah, não dá pra entender, no máximo, compreender e me acompanhar
pela madrugada, dividindo comigo mesma a paciência que nunca foi minha, bebendo
comigo da minha própria insônia e lendo as histórias que não eram minhas, mas
acabaram por ser adotadas como filhas. Em noites muito longas eu sou a minha
própria companhia e gosto disso.
Já não sou mais de riso e sonhos. Agora sou de vento e voo. E as
palavras são as asas que me levam cada vez mais longe, cada vez mais pra dentro
do meu céu de pensamentos.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Leme
Agora que tomamos o leme de nossas vidas em nossas mãos, que os ventos
nos tragam suaves canções, que os caminhos nos venham repletos de ensinamentos,
porque o mar (da vida) sempre nos ensina: a ser bons marujos, quando o vento é
leve; a vencer obstáculos, nas noites de tempestades ou a nadar, quando
precisamos mudar completamente.
Vamos que o mundo nos espera e a felicidade é nossa companheira de
viagem, nem partida, nem chegada, companhia, apenas isso...
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Feliz 2013
Eis que surgem um novo ano, um novo ciclo e com ele meus novos desejos, sendo que alguns deles nem são tão novos assim!
Desejo-me dias semelhantes aos que já vivi até hoje: com eles eu
chorei, ri, brinquei, dancei, aprendi, vivi.
Desejo-me pessoas em minha vida: as chatas, as alegres, as
felizes, as ranzinzas, as que eu amo, as que eu aprendi a amar, as que eu amo
ter na distância.
Desejo-me, sobretudo, que esse ano que se inicia seja mais um
ciclo de aprendizado e de conquistas, não sem lutas, porque nasci para guerrear
por mim, pelos outros, pelo que acredito ser verdade.
Desejo-me força, coragem e sabedoria para receber todos os
desafios que esse novo ano vai me trazer.
Desejo-me amigos leais, nos quais eu possa confiar, que me sejam
porto seguro, ombro amigo, mão pra segurar, olhos pra brilhar e sorrisos para
dar.
Desejo chegar sempre só até o dia de amanhã. Planejar demais
nunca foi meu forte e ter uma perspectiva para além do dia de amanhã é abusar
da minha própria boa vontade. Deixo pra pensar nos dias que estão por vir mais
tarde, quando o primeiro fio de cabelo branco aparecer – que ele demore, por
favor!
Desejo-me flores: violetas, lisiantos, lírios e orquídeas!
Minhas flores preferidas, perfumadas, delicadas, vivas! Buquês são tristes,
mortos e não gosto da ideia de que uma flor teve que morrer para eu pudesse ser
presenteada. Prefiro as flores vivas.
Desejo-me um brinde com vinho, um bom cabernet sauvignon! Eu que
não entendo nada de vinhos me encantei pelo paladar dessa uva e não quero saber
outra! Quero encher a minha taça e brindar uma, duas, três, dez vezes, até
ficar de pilequinho e soltar risos frouxos pelos ares. Mas se eu já os solto
normalmente, o brinde pode ser único!
Desejo-me balões coloridos espalhados pelo dia, para que quebrem
o cinza das névoas pesadas dos problemas que surgirem.
Desejo-me abraços apertados, que unem os corações, o fazem bater
em sintonia e para o mundo. Desejo aquele perfume que fica preso na roupa
quando o abraço se desfaz...
Desejo-me beijos, muitos beijos... celebrando a alegria de estar
viva, o milagre de poder acordar todos os dias e ter a possibilidade de ser
feliz.
Desejo-me música! Que meus dias tenham as melhores trilhas
sonoras que já tiveram. Que eu dance descompassadamente todas elas no ponto de
ônibus, no meio da rua, no caminho para o trabalho, no meio da sala, nos bares,
nas esquinas. Quem dança se livra da inveja alheia, abre as asas e voa alto.
Não nasci para ficar em gaiola e quero mais é dançar.
Desejo-me surpresas que eu já esperava, mas que ficaram
esquecidas, sem que chegassem na sua concretude. Gosto do inesperado. As minhas
melhores sensações foram provocadas por grandes surpresas.
Desejo-me ar nos pulmões, sangue nas veias e coragem no coração.
Que me venham mais 365 dias cheio de oportunidades, aventuras e
desventuras, que eu vou de peito aberto, encara-los e fazer desse 2013 novas
chances de ser mais feliz!
Feliz Ano Novo pra mim!
Feliz Ano Novo pra quem dyvaga por aqui!
sábado, 22 de dezembro de 2012
Lá vem o Natal
E lá vem o
Natal. Mais uma vez. Mais do que uma data religiosa que nem sei bem se acredito
com a fé que duvido ter, abalada pela ciência que escolhi ter como companhia
diante dos livros, o Natal é para mim um tempo de tumultos.
Tumultos nas
ruas, onde as pessoas correm aflitas para gastar o tão sonhado décimo terceiro
salário. Tumulto nas vésperas das festas para se chegar em casa a tempo de
participar da ceia, de dar um abraço na família, de não perder essa data tão
especial.
Corremos o ano
inteiro esperando o Natal. É um momento no qual todos acreditam renovar as suas
esperanças e eu já não sei se renovo as minhas. Não sei se consigo ter fé em
pessoas que esperam uma data especial do ano para se dizerem melhores, ou pelo
menos tentarem ser melhores.
O Natal
desenha-se para mim e meus olhos ora curiosos, ora observados, ora
completamente dispersos como se fosse um passe de mágicas: pedir perdão, dar um
abraço, desejar boas festas, distribuir sorrisos e os presentes. Isso sem
contar a comilança.
Não acredito
nos passes de mágica. Desculpem-me os mais ingênuos, mas passados alguns anos
vivendo essa data os comportamentos sociais já não me satisfazem. Já não dão
conta de me deixar esperançosa com o mundo e com o rumo que ele está tomando.
Não posso crer
em pessoas que passam o ano todo se ignorando e que se reservam abraços apenas
no Natal.
Não posso
levar em conta uma sociedade que se explora por 364 dias no ano, que tenta dar
o famoso “jeitinho brasileiro” e que no Natal vem com promessas de um futuro
melhor.
Sequer posso
levar a sério pessoas que não se importam com horários e que correm para não
perder a ceia de Natal.
Por que um dia
só é tão especial? Por que a necessidade de se passar APENAS esse dia com seus
familiares? Não dá pra entender.
Passados dois
anos longe de minha família e de meus amigos de infância que importam tanto
para mim, tenho a consciência de que o meu Natal se faz todos os dias.
Relendo a
minha criação cristã católica recebida desde muito cedo, entendo que o Natal,
celebração do nascimento de Jesus é, sobretudo um momento de renovar as
esperanças de algo que temos certeza: de que a salvação veio. De que é possível
algo melhor, de um projeto que se concretizou com o nascimento do menino. É com
base nessa criação que eu afirmo que meu Natal é todos os dias que posso estar
com os que amo.
Penso agora
que a correria pela ceia deveria ser todos os dias: não há nada melhor que
aquele almoço em que a gente se senta na mesa e divide as colheradas do
arroz-com-feijão feito com tanto carinho pela matriarca. Não precisa ser
domingo. Nem precisa ser almoço. Basta ser a refeição sagrada com a família.
A distribuição
de abraços deveria ser um hábito diário. Como é gostoso ganhar abraços. E da-los?
É muito mais gostoso! Por que nos reservarmos esse prazer só para as datas
comemorativas? Não dá pra ser feliz só alguns dias do ano. Não combina com o
projeto de vida que desejamos!
Mais um Natal
está chegando. Para mim é mais um dia em que as pessoas se atabalhoam por nada,
ou melhor, por não saberem de nada: não percebem o correr de suas vidas e não
sabem aproveita-las como se deveriam.
Mais um Natal
se aproxima e mais uma vez eu vou vive-lo como e fosse um dia comum. Não porque
não tem alguma importância para mim, mas porque eu o vejo em cada um dos meus
dias. O milagre da vida não se faz uma vez por ano. Se faz uma vez a cada dia,
quando acordamos e vamos à luta.
Um feliz Natal
para quem é de Natal.
Uma feliz vida
para quem é de vida!
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
O Fim do Mundo
Segundo os Maias, o mundo vai acabar no dia 21... Correria, paranoias,
histerias. Muita gente acredita nesse fim. Eu não. Eu vivo esse fim.
Vivo o fim do mundo desde que o mundo é mundo. Desde que o homem
apareceu no mundo. Vivo a observar uma sociedade que se esforça para criar
armas que matam o seu semelhante, que desenvolve meios que expropriam o seu
semelhante, que foi chamada de seu próprio lobo.
Eu vivo o fim dos tempos. Do meu tempo, do seu tempo. De tudo o
que foi perdido, de tudo o que perdemos na nossa corrida diária atrás do nada,
atrás do vento. Nas horas intermináveis que perdemos nas filas que perdemos
imersos em nossas tristezas, em nossos problemas que às vezes nem são tão
grandes.
O fim do mundo já foi anunciado outras vezes e já foi cumprido
outras vezes, em tantas guerras, em tantos massacres como o que assistimos atônitos há uma semana,
nos sentindo atingidos pela violência que a escola estadunidense sofreu e
esquecemos o episódio igualmente trágico ocorrido na periferia do Rio de
Janeiro, envolvendo crianças igualmente inocentes.
O fim do mundo se deu quando nos permitimos destruir nossas
terras, tirar delas os seus donos legítimos e, pior, quando vemos os nossos
representantes votarem contra um projeto que simplesmente protegeria um espaço
que por direito e de fato seriam dos nossos índios.
É o fim dos tempos: apagamos nossas raízes admitindo que os
nossos índios são apenas figuras exóticas que povoam os nossos imaginários e
que se transformarão em contos que um dia ouvimos, já que não fazemos o mínimo
esforço para mantê-los vivos entre nós. É o fim dos tempos: nosso maior
arquiteto, centenário, talentoso e mundialmente reconhecido faleceu e teve sua
genialidade colocada à prova, sendo chamado de imbecil. Façam-me um favor: não
reconhecer nossa própria história é mesmo o fim dos tempos, anunciado pela
própria História, já que no momento em que não nos preservamos, em que não
valorizamos nossas raízes, nossas memórias apagamos lentamente nosso futuro.
É o fim dos tempos quando um canal de TV e uma revista tentam
manipular toda uma nação. É o fim dos tempos quando eu tenho que trabalhar 40h
por semana pra receber como pagamento míseros mil reais e vejo, no tal canal de
TV a aprovação de um aumento salarial para o STF, que trabalha bem menos de 40h
semanais e recebe só 30 vezes mais que eu.
É o fim dos tempos quando não conseguimos mais nos olhar nos
olhos e nos abraçar porque a correria do dia a dia nos impede, quando tudo o
que devia ser secundário ganha mais espaço, quando sou obrigada a dar razão
para a Mafalda, concordando que o “urgente não nos deixa tempo para o que
realmente importa”.
Sim, eu vivo o fim do mundo todos os dias, mas com sorte, temos
muitos mundos por aqui para ir destruindo aos poucos, mas um dia o cerco se
fecha e a história chega ao fim. Com sorte será num domingo de manhã, e eu
preguiçosamente vou assistir da minha janela, com um sorriso insatisfeito e
meio de deboche, assim , de canto de boca, pensando: eu não disse que o mundo
acabava todos os dias?
domingo, 16 de dezembro de 2012
Cansei
Eu me cansei.
Um dia a gente cansa de olhar pela mesma janela, de ouvir as
mesmas músicas, de ver os mesmos livros na estante. Um dia a gente cansa de
esperar.
Eu não espero mais que as coisas caiam do céu. E também me
cansei de quem fica sempre de braço cruzado.
Acho que agora é preciso mudar a direção. Trocar os passos,
entrar em outras ruas. Há muito mais do que duas opções em sua frente.
Sei lá, acho que a gente sempre pode fugir do tédio que é um
domingo de chuva. Dá pra enganar com um filme diferente, um vinho diferente, um
pijama novo, sempre dá pra fugir dessa coisa monstruosa que é a monotonia, a
rotina.
Depois dos dias de chuva sempre surgem os dias ensolarados e a
gente pode ver um pôr-do-sol lindo todos os fins de tarde, seja na praia, no
centro da cidade, na montanha. É só parar, olhar pro horizonte e ver como o sol
vai se deitando devagarinho, como ele parecer ter esperanças de se demorar mais
um pouquinho só pra ver como a lua se vestiu essa noite...
Sempre vai ter uma árvore pra gente subir e roubar uma fruta ou
só pra tirar uma foto pendurada em seus galhos. Com sorte dá pra pegar um pneu
velho e fazer uma gangorra, daquelas lá do tempo da nossa infância, que a gente
vê nas praças hoje e tem uma vontade danada de brincar, mas que não senta só
porque já cresceu e a vergonha é maior do que a nossa vontade...
Os pássaros vão voar todos os dias. Vão continuar cantando suas
canções naturalmente belas, sem que ninguém os tenha ensinado, porque eles
cantam de alegria, alegria de viver.
As nuvens vão sempre fazer imagens no céu, pra gente poder
brincar de adivinhar. Vão sempre correr pelo azul do céu nos matando de inveja
porque são livres e podem ir com o vento para onde ele as levar enquanto nós
ficamos aqui, com nossos pés bem fincadinhos no chão, não nos permitindo ir
muito mais longe do que o ponto final do ônibus lotado que a gente pega no
mesmo horário depois do trabalho.
Eu me cansei. Cansei de gente que não sorri. As pessoas acham
que dar um sorriso custa muito caro. Guardam seus sorrisos pra elas mesmas e
isso é triste. Elas se privam da mágica que nos envolve quando abrimos um
sorriso: o pó de pirlimpimpim nos escapa pelos dentes e contagia quem está à
volta, mas só os que já conhecem a mágica podem ver os seus efeitos: pancadas
de felicidade por todo dia.
Eu me cansei de toda gente que não ama nem a si mesmo e nem aos
outros. Não, não é pra sair por aí pedindo o seu vizinho em casamento, mas não
custa exercitar o amor ao próximo. Gentilezas deixam os dias mais leves, as
pessoas mais bonitas e o mundo agradece.
Imagine só todo mundo de carranca pelas ruas! Eu imaginei. E me
cansei. Não quero mais pensar nisso. Quero pensar em coisas bonitas! Em coisas
que me deixam feliz!
Eu me cansei de ser guiada
pelo manual de instruções que me deram quando eu nasci dizendo que deveria ser
igual a todo mundo: arranquei as páginas, fiz confete, joguei pro alto e dancei
sob ele! A ordem do dia agora é correr atrás dos sonhos, é voar sem sair do
chão, mas deixar a cabeça livre, como um balão. Não é porque o mundo anda mal
que eu também vou me render!
Não, eu não me rendo! Já me rendi uma vez... não foi bom! Quero a
luta! Quero o meu direito ao grito, o meu direito à euforia! Fujo de um mundo
de iguais. Quero um mundo de diferenças, de diversidades maravilhosas e
encantadoras! Eu me cansei de me policiar, de pensar o que é certo e o que é
errado e não há nada de mal nisso: só estou deixando a minha vida mais leve,
livre de regras e de parâmetros que não combinam com o sol que brilha lá fora.
Deixa eu viver à minha maneira! Cansei de ser “Barbie na caixa”,
o bom mesmo é ser gauche na vida, não é, Drummond?
sábado, 15 de dezembro de 2012
A busca
Aprendi a viver muitas luas sem que soubesse por onde você
andava.
Aprendi a viver uma vida inteira sem saber ao certo se você
chegaria.
Aprendi a passar os meus dias numa alegria incompleta, numa
espera incerta, sonhando com seus passos pelo corredor, seu sorriso na janela,
sua voz ao telefone.
Os dias passaram com a velocidade de gotas em torneira velha:
constantes, cadentes, ininterruptos e implacáveis.
Acostumei-me com um vazio diário que já nem sabia se queria que
fosse preenchido, tamanha conformidade em meu coração.
Entre vozes e sons e luzes e prédios cinzas cheguei a pensar que
havia encontrado o que buscava. Pensei ter chegado ao xis da questão e do meu
mapa do tesouro, mas era apenas mais uma pista que me apontava para mais adiante.
A caminhada continua. A busca nunca se finda.
Eu que aprendi a viver com a presença de sua ausência não sei
mais o que busco. Não sei mais por onde ando.
Sigo pelos dias como os ponteiros de um relógio no pulso
cansado: giram sempre e não saem do lugar. Enquanto isso, lá fora, a vida passa
e aqui dentro o café esfria.
Quem é você é só mais uma pergunta da minha extensa lista de
questionamentos.
Educação X Copa do Mundo
Abro a
Internet para olhar o que está acontecendo por aí. Resolvo cair na rede social
mais badalada dos últimos tempos e recebo em meu feed a seguinte notícia: “Por obras da Copa, prefeito de BH pede ao
STF corte na Educação”. Senti uma pontada aqui perto das costelas.
Fingi não ter
visto isso. Lancei logo um comentário ingênuo: “é fake”. Não, não é. É verdade. A notícia se alastrou pela internet e
me encheu de sentimentos que juntos, fizeram-me ter a sensação de ter a pior
profissão do mundo.
O prefeito de
Belo Horizonte, capital de meu Estado tão querido, fez o pedido formal ao STF
para que as verbas destinadas à educação tivessem um corte e que esse montante
fosse direcionado para as obras destinadas à Copa do Mundo.
Em que mundo
eu estou vivendo? Minas sediará três, APENAS TRÊS jogos dos jogos mundiais e a
nossa educação pode sofrer uma perda irreparável de 500 milhões de reais!
Isso é
desrespeitoso, uma infamidade, um absurdo completo com a profissão do
professor, mais uma vez sendo desvalorizado e, muito mais com a nossa educação,
artigo de quinta categoria, principalmente se for para fazer uma troca
indecorosa de verbas entre ela e o nosso futebol – claro, o melhor do mundo!
Contem-me a
piada de novo, porque eu não entendi. Não consegui rir. Não posso acreditar que
um pedido desse seja formulado por uma autoridade que deveria primar pela
qualidade de seus trabalhos voltados para a sua população.
Ah, espere!
Entendi! É justamente por isso que houve
o pedido: porque o prefeito está cuidado do bem estar de sua população: vivemos
em um tempo em que as mesmas políticas vivenciadas na antiguidade estão em
voga, mas modificaram-se os detalhes.
Não temos mais
pão e circo, mas temos cerveja e futebol. O espetáculo não pode parar! E daí
que as crianças não sairão da escola com uma boa formação crítica? E daí que os
professores continuarão a ganhar salários vergonhosos e desestimulantes? Teremos
copa do mundo!
Teremos copa
do mundo! Nossas crianças terão dispensa nos dias dos jogos da seleção! Teremos
“piada no bar e futebol para aplaudir”! Deus lhe pague, prefeito! Amém! A diversão
nossa de cada dia está garantida! A ignorância nossa de mais uma geração será
perpetuada mais uma vez! Deus lhe pague, prefeito! Em vez de uma leitura
crítica, no jornal teremos, de novo, a foto de um gol!
Estamos mesmo
de frente para o crime e batemos palmas! Será que não entendemos ou não
queremos entender?
Que raios de
sociedade politizada é essa que não questiona esses feitos?
Para que
sustentar uma máquina política que só busca investimentos em nossa própria
decadência enquanto seres críticos? Ah, me esqueci... nós a sustentamos
justamente por não entender a sua lógica desestruturante de nossos argumentos,
não a questionamos porque estamos ocupados, trabalhando para juntar dinheiro
suficiente para ir ao estádio, no domingo ver a final da copa do mundo, que com
sorte será entre Brasil e Argentina.
Domingo vai
ter futebol... e vai ser a maior curtição, ver um samba embalando com o meu
timão no estádio lotado enquanto as escolas vão se esvaziando de conteúdo, de
motivação, de criticidade.
Viva o país do
futebol, onde o sol nasce para todos, mas só brilha para muito poucos.







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