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sábado, 9 de julho de 2016

Ameninou-se






Ameninou-se em plena flor da idade. De repente, era menina de pés descalços andando pelo jardim e prestes a fazer uma descoberta. E fez... Colheu a flor-sorriso que lhe foi dada naquele fim de primavera.
Era, na verdade, o fim de duas primaveras: a sua mesma e a daquela porção de terra entre os trópicos.
Fincava de vez o pé na adultice, raízes necessária (?), naquele mundo cercado por filas e bancos e contas a pagar e relógios desesperados pelo tempo a passar. E já não tinha esperança alguma de remoçar, embora fosse muito jovem. Conservava uma alma antiga. De muitos séculos passados, talvez.
Fincava o pé no tempo e no espaço que queria, que acreditava que seria o melhor, mais maduro e saboroso como fruta no pé.
Fixava-se ao chão, abandonando o mundo da lua, as poeiras de astros que colecionava e os sonhos (de princesa) que pareciam simples e bobos.
A adultice exige abandonos que nem sempre gostaríamos de fazer, mas quase sem opções, ela os fez.
Tentava não pensar em nada que não fosse prático e funcional. Era adulta. Muito mais que antes, até. Mas quis o destino, com seus atalhos e desvios, ensinar que os planos são como aviões de papel, sem rota, e, por capricho, ao fim do dia, o sagrado momento do inesperado diante dos olhos aconteceu.
Ameninou-se!
Diante do sorriso nunca visto senão em sonhos, ela teve as pernas encolhidas, as certezas diminuídas e voltou a morar na lua, rodopiando na ponta dos pés.
Ameninou-se e voltou a girar com o vento, a gostar das andanças sem rumo, a ser leve. Ameninou-se como se jamais tivera passado para o mundo dos adultos e deixado sua criança interior dormir. Ameninou-se e voltou a ter seu riso de menina, os olhos brilhantes.
Creu em promessas, escreveu histórias. Amou inocentemente. Era, de novo, menina. A partir daquele momento nunca mais voltaria a ser gente grande. Quando se amenina, não há volta. É Terra do Nunca para sempre!

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