Visitas da Dy

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Dy-vagando em Pensamentos

Quando criei esse blog fiz um texto de abertura no qual colocava a questão de não saber ao certo qual seria a função dele.
Pensei seriamente em escrever textos autorais. Pensei em postar apenas textos que me marcavam de alguma maneira: poesias, poemas, crônicas, músicas.
De repente a coisa mudou. Escrevi uma série de impressões minhas sobre as coisas que me cercavam. O que era muito mais coerente com o nome escolhido para o blog: “Pensamentos”.
Fui grandemente influenciada pelo “Sofá do Isaías”, blog de um querido, que havia publicado um texto sobre as verdades e no qual senti uma enorme necessidade de responder, talvez por estar refletindo sobre o tema mais ou menos ao mesmo tempo que ele, talvez por que sentia falta de escrever e dialogar com alguém em termos de textos publicados pela internet. Confesso aqui que sempre achei o máximo esses blogs com textos inteligentemente construídos, que chamava a atenção dos leitores – como o blog do Isaías –, bem diferente do que eu fazia e faço. Na verdade não escrevo pra ser lida. Não necessariamente. Tenho vergonha. Escrevo mesmo é pra desabafar.
Reinaugurei assim, o blog: com o texto “Sobre as verdades ou Resposta ao Isaías” ou coisa parecida – tenho tido problemas de memória, uma ironia do destino: estudo patrimônio e memória e tenho péssima memória.
Nessa temporada de textos autorais no blog passei por momentos difícies: viver as angúsias de um processo seletivo de quase quatro meses no mestrado, comemorar a aprovação e depois o “apavoramento”  que ela me trouxe, decidir em mudar ou não para o Rio de Janeiro e fazer o curso para o qual havia sido aprovada, o reencontro de amigos queridos, a mudança efetiva de cidade e a solidão.
Nas terras cariocas minha companheira era uma só: a solidão e esse sentimento seco que ela nos dá. Um aperto no coração e um nó na garganta, que nos emudece e que só conseguimos desamarrar se deixarmos que os olhos se inundem e jorrem litros de lágrimas.
Depois da solidão veio a saudade. Ou veio ao mesmo tempo, não sei. Essa era – ainda é – uma mão grande que aperta meu peito todo o tempo, mas especialmente à noite. Saudade de coisas que não fiz… essas são frequentes, mas especilamente saudades de casa, da minha casa, do meu ninho, da minha cidade e dos ares das montanhas onde cresci e vivi os 26 anos de vida.
Aqui no Rio, o que me restou foi aprender. E reaprender. Estou aprendendo a andar pelas ruas, absolutamente estranhas a mim; aprendendo a ler mapas – ganhei um nos primeiros dias que havia chegado na cidade e que me salvava, e salva, sempre; aprendendo a ser mais disciplinada – oh, coisa difícil, mas tenho que ter horários pra estudar, é muita coisa pra ler! – e organizada; aprendendo a usar quatro ou cinco meios de transporte num único dia – trem, metrô, barca, carona no carro do meu professor orientador e ônibus – e tenho achado isso muito divertido; aprendendo a conviver com o diferente e a explorar mundos que por me serem tão alheios eram como se não existissem e me deparar com eles foi chocante.
Talvez a maior aprendizagem esteja, agora longe dos livros, da academia, das salas de aulas e grupos de estudo. A maior aprendizagem está na noite. Na (con)vivência com meu travesseiro e a noite, que tem se tornado cada dia mais longa, mais cheia de reflexões, mais reveladoras, me mostrando especialmente que o amor é transcendental, é incondicional, é “imorrível”, é força.
Aprendi que ser presente não é necessariamente ESTAR PRESENTE é ser presente, é se fazer especial. É se doar de tal maneira que sua presença e companhia sejam agradáveis, mas que sua ausência seja doce, saudosa, querida e extremamente sentida.
Ser presente na vida dos outros é ser importante para eles. É fazer a diferença, é ser amigo, é se dar, sem necessariamne se embrulhar como um presente, porque quando nos embrulhamos, nos enfeitamos, é como se nos escondêssemos atrás de uma grande máscara que impede-nos de sermos nós mesmos, de mostrarmos nossa essência.
Hoje, retorno ao blog para publicar muitos dos textos que produzi nos últimos 30 dias. Alguns são minhas reais impressões sobre o meu mundo, sobre o meu fantástico mundo novo, outros são textos fictícios de conversas que ouvi nos ônibus, trens, metrôs, filas de restaurantes, andanças pela rua, claro, com meus próprios toques ora ácidos, ora de uma ingenuidade que beira a bobeira. Mais uma vez, uso este espaço como um confesionário: sou boba, mas há grandes vantagens nisso. Sou feliz!
Hoje, presenteei-me com um livro de Clarice Lispector, que entre outras coisas, me mostrou que por mais desconexas que possam parecer as minhas impressões do mundo e os meus textos são os MEUS TEXTOS, as MINHAS IMPRESSÕES e como sempre, nunca me escondi e não devem, então, eles serem escondidos, afinal, seria uma incoerência comigo mesma.
Hoje passo a digitar e a publicar novamente nesse blog os textos que escrevi e os que estou escrevendo, porque o mundo gira rapidamente e em meu coração os sentimentos seguem como que em um grande turbilhão e precisam ser exterioizados. Embora não seja escritora, escrever é preciso porque é tanta coisa me invadido ao mesmo tempo que se não escrever, sinto que vou explodir…

*** Rio de Janeiro, entre os dias 28 e 29 de abril, após a leitura de Clarice Lispector, no início de uma noite que promete ser longa e, mais uma vez, insone. ***
Dy Eiterer.