Visitas da Dy

sexta-feira, 25 de março de 2011

Agora é pra valer! ou Mudar é preciso



Há pouco mais de quinze que cheguei no Rio já passei por cada coisa que se contar ninguém acredita. Andei quilômetros distribuindo currículos no Rio e em Niterói, comi soja com carne moída – e tive que achar gostoso. Aprendi a tomar mais água, suspendi o refrigerante e virei adepta do mate e do suquinho.
Por falta de opção comecei a tomar banho frio – e agora já nem me lembro como é banho quente, embora haja todo um ritual pra encarar a água gelada, mesmo num calor de 35°C.
Já mudei de casa três vezes, no melhor estilo cigana de ser.
Estou bem mais disciplinada com os estudos: devorei livros em horas, descobri que não sei nada, de verdade, entendendo muito melhor a máxima de Aristóteles de que “só sei que nada sei”. 
Passei a acreditar em Platão e na sua ideia de ócio produtivo: essa coisa de estudar e trabalhar realmente é muuuuuuito difícil.
Já chorei por estar sozinha. Passei horas no telefone. Escrevi dezenas de textos como esse e estou perdendo a vergonha dos meus escritos.
Consegui um trabalho legal e consegui me perder na rua do trabalho no segundo dia! Nem o mapa conseguiu me salvar!
Perdi o medo da ponte Rio-Niterói – a necessidade das caronas fez isso!
Aprendi que nem todos são acostumado com as palavras mágicas que eu sei como “Bom dia!”, “Obrigada!”, “Bom trabalho!” e usar o “por favor” é quase coisa de outro mundo. Estava achando que isso era “coisa de mineiro”…
Confirmei a teoria de que um sorriso pode mudar tudo e que a franqueza é uma virtude que nem sempre pode ser mostrada. Em terras desconhecidas uso o que o professor Galba passou anos me ensinando “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Parei de tomar vodka em vez do juízo e isso tem feito muito bem.
Hoje é um dia especial: aprendi duas coisas novas. A primeira que a vida é dura, especialmente se se fizer corpo mole. E aprendi que o esforço nos leva longe e que realmente, quem não arrisca não petisca.
O tempo é curto as tarefas são muitas e concentração, disciplina e dedicação serão três palavras, ou melhor três ações que nortearão meus dias a partir de hoje.
Os obstáculos estão à frente. Quem tem preguiça pode sentar e esperar que eles se desfaçam. Quem tem medo pode sentar e chorar, mesmo sabendo que não vai adiantar nada. Quem quer chegar ao final do caminho tem que atravessá-los. Como? Se virando. É tempo de arregaçar as mangas e partir pra corrida.
É tempo de crescer, amadurecer, viver o hoje pensando no amanhã. A semeadura deve acontecer para que as árvores cresçam e dêem frutos. E mesmo que as sementes pareçam se perder na beira da estrada e as flores e frutos pareçam não estar ao alcance de nossas mãos, alguém as verá e os colherá. Isso é fazer da vida um eterno exercício pelo outro e por si mesmo: é tentar deixar um mundo melhor, é tentar ser uma pessoa melhor. E só pelo fato de se tentar já se é melhor. Já se sai da inércia.
O dia de hoje foi de colheita de sementes plantadas com a ajuda de amigos há cerca de sete meses. Foi o resultado de um longo e árduo processo de cuidado, de esforço. O dia de hoje foi só o começo. Foi só uma prova de que coisas maravilhosas podem acontecer se você fizer a sua parte, porque nada cai do ceu, nem cairá.
Hoje começam os dias de semeadura. Pensamentos positivos devem ser a tônica.
Vou realmente seguir as canções que me embalaram há algum tempo, antes mesmo de eu querer / tentar vir pro Rio:

“Onde vá, onde quer que vá, leva o coração feliz
Toca a flauta da alegria como doce menestrel
(…)
Onde vá, onde quer que vá, vá para ser estrela
As coisas se trasformam
Isso não é bom nem mal”
(Estrelas – Oswaldo Montenegro)

“Quero é ser estrela lá no Rio Janeiro” (Pra lá do Paranoá – Oswaldo Montenegro)

“Ela está pronta pra mudar a sua vida pra sempre
Já imagina como tudo vai ser tão diferente
E aquele lugar lá na frente vai ser seu

Mais um minuto e tudo que sonhou vai ser verdade
Não há no mundo quem não entenda a sua felicidade
Que possa dizer com certeza que o lugar é seu
Que é de quem nasceu pra brilhar

A hora da estrela vai chegar
Agora ninguém vai duvidar
Não hoje
Não mais
Nem nunca
Jamais”
(A Hora da Estrela – Pato Fu)

Alguém duvida que eu chego lá?

quinta-feira, 24 de março de 2011

Parabéns pro Isaías ou Um brinde à Vida


"O sol está brilhando muito claro
Porque hoje é seu aniversário
...Nesses dias ele quase cega
E quem é cego quase enxerga"
(Arnaldo Antunes - O Sol)

Oi, Isaías!
Queria saber usar as palavrinhas de uma maneira que as organizasse e conseguisse mostrar pra você o quanto é  especial na minha vida, nas nossas vidas, pois é um presente para todos que têm o privilégio de conviver com você.
Meu companheiro de curso, aliás, calouroooooo!, meu companheiro de Centro Acadêmico, de organização de eventos, de arrecadação de patrocínio, de elaboração de anais eletrônicos, de manifestações de meio-passe e contra o aumento da passagem!
Passarinho que voou pra longe de nós por dois anos: foi passar o inverno que deixou em Juiz de Fora lá no verão de Leopoldina, oh, terra quente!
Ainda bem que o sol sai também em dias de inverno e ele vinha passear em Jfcity, para nos aquecer com seu carinho e presença.
Não me importo em saber há quantos anos nossas vidas se cruzaram, se faz um, dez, ou cinco anos. Sem são só dias ou meses. O que me importa é saber que estou aqui pra comemorar mais um dia de sua vida. O que me importa é que saiba que se suas estatísticas estiverem certas e hoje estiver celebrando a “metade da sua vida”, ainda teremos mais umas três décadas para conversar, ler poemas, compreender, entender e sorrir um pro outro.
Amigo pra guardar no lado esquerdo no coração.
Amigo pra ser lembrado todos os dias.
Amigo pra se desejar o melhor da vida, sempre!
Que tenha lágrimas no seu caminho: elas nos mostram o sal da vida, o lado difícil e que acaba por nos fortalecer, mas que sejam poucas. O suficiente pra “temperar” seus dias.
Que tenha dias radiantes de felicidade , pra perceber que a vida é feita de momentos bons.
Que seus momentos sejam acompanhados pelas pessoas que ama, pra saber que nunca está sozinho.
Que se um dia se achar, ou se pensar sozinho, saiba que muitas pessoas pensam em você, como eu.
Que continue escrevendo as maravilhas que posta no “sofá”.
Que continue com esse senso crítico formidável.
Que nos brinde com muitos outros aniversários.
É uma grande honra te-lo na minha lista de amigos.
É um prazer brindar esse seu aniversário!

Tim-tim!
Saúde, paz, amor e prosperidade ao meu querido amigo Isaías!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Engarrafamento ou Letras e Notas



E depois de mais um dia achando que tudo está perdido, de me sentir imensamente sozinha me meio a milhares de pessoas, peguei um ônibus lotado, um engarrafamento daqueles e nada mais tinha a fazer se não abusar da tecnologia e ouvir as músicas do meu celular.
O cartão de memória é relativamente grande e cabe centenas de canções nesse aparelhinho.
Coloquei os fones, e liguei o som – bem alto. A ideia era me desligar do mundo que me rodeava e entrar no meu infinito particular, onde as coisas podem e devem ser do jeito que eu gosto, do jeito que eu moldo, uma msitura meio (des)complicada e (im)perfeitinha.
As músicas que comecei a ouvir eram antigas algumas de um tempo que não vivi. Década de 1960, 70, 80. Muitas coisas começaram a passar na minha cabeça e com o trânsito infernalmente parado – o calor nesse ônibus é tremendo – resolvi me desligar mais ainda disso tudo: saquei a lapiseira e um caderninho de anotações da bolsa, tal qual um duelista nos tempos do far west, pronto a dar o tiro fatal. Meu tiro tinha destino: afastar o tédio.
Loucura? Pode ser mas realmente agora penso ser como diz uma canção que comecei ouvindo:

“eu juro que é melhor não ser um nornal, se eu posso pensar que Deus sou eu”.

Rita Lee interpretando a Balada do Louco arrebentou. Mas a canção era bem oportuna. Passei a manhã toda amargando uma solidão, me sentindo triste por não ter por perto as pessoas que me fazem sentir melhor e agora tinha uma declaração de feicidade aos meus ouvidos e uma verdade:

“louco é quem me diz que não é feliz”.

Comecei a pensar nos muitos motivos que tenho pra ser feliz: tenho o filho mais lindo do mundo, tenho a família melhor do mundo, tenho os melhores amigos do mundo! Se hoje estão distantes no espaço, não o estão no pensamento. Se agora não vou chegar na minha casa, ver meu filho e família, não é pra sempre! Se hoje pude acordar, trabalhar, estudar, isso já me basta pra ser feliz!
Ah, pra fechar esse pensamento veio a Elis, fantástica.

Viver é melhor que sonhar

em “Como nossos pais”, embora a ideia e o contexto não sejam nem de longe os mesmos em que me encontro, puder tirar outra grande lição pros dias que tenho vivido.

Você me pergunta pela minha paixão, digo que estou encantada com uma nova invenção. Eu vou ficar nessa cidade, não vou voltar pro sertão pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação. Eu sei tudo na ferida viva do meu coração

 estava aí uma coisa que eu tinha que colocar na minha cabeça:

eu não vim até aqui pra desistir agora”!

 E como eu já começava a me convencer nessa manhã de que tudo passa, todas as dificuldades vão passar. Engenheiros do Hawaií e Elis me ajudaram a fixar essa ideia. Está decido: nada de pensar em desistir. Nada de pensar em voltar pra casa.
O negócio agora é encarar a vida como os gatos de Chico Buarque na voz da Vanessa da Mata:

o meu mundo era apartamento, (…)todo dia filé mignon

Essa vida boa se foi. Nada de mignon. Nada de comidinha da mamãe. Nada de acordar às 10 da manhã no maior estilo gata preguiçosa… agora vamos por a mão na massa, mesmo porque se eu não fizer, ninguém fará por mim ou para mim. A gata aqui tá mesmo como a do musical do Chico:

sem file e  sem almofada…
(…)
 eu sou mais eu, mais gata

Tenho que ficar mais esperta, mais gata, mais “safa” e aprender a levar a vida na “cidade grande”

nessa terra de gigantes, que trocam vidas por diamantes

Mas fugindo das canções e caindo para as citações, encerro esse texto com Jean Cocteau:

Não sabia que era impossível.  Foi lá e fez.

Então, não é tempo de desistir, não é tempo de pensar em tristezas. Vamos  pensar só em coisas boas e elas hão de acontecer, porque tudo que se quer, se se desejar com força e for de coração, acontecerá. E as coisas irão dar muito mais certo do que estão dando.
Porque por não saber que era impossível, cheguei até aqui e por continuar achando que nada é impossível, vou  terminar esses planos e fazer muitos outros.

*** Caminho de casa, terça-feira, 22/03, depois da aula ***

Yazul – Porque tudo na vida passa!



É mais um dia em que passo nessa cidade enorme que é o Rio de Janeiro. Centenas, milhares de pessoas passam por mim nas ruas sempre movimentadas. Carros aceleram, motocicletas passam na contramão e nada disso me chama a atenção.
Nem o belíssimo Theatro Municipal a quem tenho o privilégio de ver todos os dias teve graça nessa manhã.
Parece que já me acostumei com a correria. Parece que já me acostumei a olhar para os lados e não ver sequer um rosto conhecido.
Na verdade não é costume. É só solidão.
Começa aqui a história de um coração, a história do meu coração.
Um dia esse coração que ora era meio corajoso, ora medroso, quis ganhar asas. Fez de tudo um pouco, o que podia para ganhar seu par de asas. De tanto desejar voar, conseguiu.
Nesse dia lembrou-se de que há muito tempo atrás, quando ainda era só um coraçãozinho ouviu alguém lhe ensinar que era preciso ter cuidado com tudo o que se deseja, pois é a força do coração que faz com que os desejos se realizem.
Ele desejava voar. Desejava intensamente. Agora estava ali todo orgulhoso: um coração que era igual a muitos outros: já havia sido cheio de alegrias, já havia sido magoado, já se enchera de esperanças e já perdera toda ela, mas que aprendera a ser guerreiro e a seguir na luta, porque só vence quem arrisca, só cresce quem se permite, em certo momento sofrer um poda ou outra. E nesse caso se lembrava das árvores: sofriam as podas no outono, sofriam as penas do inverno e se desabrochavam na primavera, porque eram muito maior que a dor de qualquer sofrimento.
Nosso coração lançou voo. Foi buscar em novos ares tudo o que imaginava não ter nos céus que conhecia.
Agora em terra desconhecida percebeu que tudo se descortinava muito diferente e coração se sente sozinho, vazio. Nessa terra em que chegou coração está dvidido entre sonho e saudade, entre querer voltar e seguir arriscando. Quer ver o arco íris, mas tem medo da tempestade que precisa acontecer para que as cores surjam.
Coração aqui é deserto. É céu sem luar, e se tem luar é sem estrelas. É borboleta que fugiu de casa e, mesmo querendo, não sabe voltar. É um que por ser sozinho vira zero.
A correria do dia a dia não deixa que as pessoas se encontrem. Ou até se encontram, mas é tudo rápido. Passageiras, passam. Furacão, só deixam rastros. Só as vê quando já passaram.
Meu coração já está cansado. Quer de volta os sorrisos conhecidos. As paradelas nas ruas com os amigos, ao abraços mágicos que podiam parar o tempo das tardes quando o sol já se escondia por trás das montanhas mineiras.
Coração quer deixar de ser só saudade. Quer voltar a ser alegria. Quer ser amado e mais que isso, quer se sentir amado. Quer ter carinho por perto, quer sorrir ao vento e acenar pra quem passa. Quer dar um bom dia que realmente faça o dia de quem o recebe ser bom e quer ter dias bons.
Os olhos querem se encher de lágrimas de saudades que estão se despedindo de nós, porque acabam de saber que já não mais serão saudades, mas alegria de momentos juntos de quem se quer bem.
Os sorrisos querem ser dados à vizinhança da rua em que cresceram.
Os lábios querem pronunciar um “eu te amo” há tempos guardado para que os ouvidos se deliciem em ouvir o mesmo do outro que por acaso há tempos guardava as mesmas palavras.
Os braços querem se dar nós em abraços enternizados em minutos que se paralizaram.
E eu, ah, eu quero só encontrar a fórmula mágica pra fazer esse coração, o meu coração, parar de doer; pra conseguir seguir em frente e não desistir; pra me surpreender a cada dia com bons resultados e olhar para todas essas circunstâncias que hoje me afligem e dizer uma frase que aprendi com Malba Tahan: Yazul! Porque tudo passa! 

                                           *** Terça-feira, 22 de março, intervalo de  aulas em Niterói ***


segunda-feira, 21 de março de 2011

Amor é samba de roda

Uau!
Comecei a pensar em escrever ainda na noite de domingo e já adentrei as primeiras marcas da segunda-feira.
Mais uma vez em casa, sozinha, insone.
Já li tudo o que podia. É hora de dormir. Só preciso encontrar o sono pra isso. Não consigo encontra-lo! É sempre assim!
Resolvi ligar o PC e ouvir música. Má ideia. A seleção automática do Media Player só me detona: em um acervo de mais de 5 mil músicas ele tem que pegar logo as que falam de dor de cotovelo, de amores impossíveis ou de amantes temerosos em se declarar.
Afff… será que a gente só pode ser feliz de verdade quando está com alguém? É, acho que é.
To aqui pensando nessas questões e em como algumas pessoas conseguem transformar seus sentimentos em canções, poemas e textos belíssimos, tocantes mesmo. Queria ser assim. Queria ser alguém que soubesse amar e deixar de amar, fazer poesia, navegar pelas ruas como um barco desliza pelo mar. Buscar – e encontrar –  as melhores palavras pra expressar o que vem no coração. Falar e ter plateia. Não qualquer plateia, mas uma que fosse participativa. Que ouvisse, aconselhasse, se emocionasse e me encantasse como eu a encantaria. E nessa plateia quem sabe um, só um a quem o coração tocasse. A quem a mão alcançasse e a quem poderia tecer dias de alegria…
Ainda penso que tenho a vida inteira pela frente, mas uma vida inteira só tem graça quando o jogo termina em um a um. Quando a vida é vida acompanhada. Vida sozinha cansa. Vida sozinha é carnaval com chuva; é letra sem melodia; é festa sem convidado.
Coração nasceu pra ser festeiro, pra ser acompanhado, haja vista o seu batuque quando está apaixonado: tu-tum, tu-tum, tu-tum… é samba de raiz, daqueles gostoso de se ouvir e que dá vontade de dançar mesmo sem saber sambar, de cantar sem saber a letra e de batucar acompanhando o ritmo em qualquer lugar. “Se todo mundo sambasse seria tão fácil viver” e se todo mundo vivesse apaixonado seria mais onito viver.
Tá aí uma boa pedida: quero me apaixonar. Quero ter dias coloridos e músicas nos ouvidos sem precisar do mp3.
Se o Rio é a cidade maravilhosa, coisas maravilhosas bem que podem acontecer por aqui…
Será que em algum lugar há um príncipe encantado me esperando? Alooowwww… tô aqui!
Quer fazer roda de samba na vida, serenata ao luar, festa todo dia na casa-coração, afinal em um bom sambinha já dizia Vinícius de Morais:

“É melhor ser alegre que ser triste,
Alegria é melhor coisa que existe
(…)
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não
(…)
Ponha um pouco de amor na sua vida
(…)” (Samba da Bênção)

“A vida é pra valer, a vida é pra levar”
(Samba pra Vinícius)

“Amar, porque não há nada melhor que um amor correspondido”

E enquanto penso nas palavras de Vinícius me faço outras perguntas como: porque é tão difícil encontrar alguém que goste da gente? Ou ainda será que é mesmo difícil ou nós é que somos ocupados demais e não percebemos? Será que olhamos muito para o horizonte e não observamos o que está ao nosso lado ou será mesmo é que não há ninguém nem no horizonte e nem ao nosso lado?
Já esrevi um pouco sobre isso. Já fiz essas mesmas perguntas outras vezes e nada de respostas. Então, pra terminar por aqui, fecho com o alvo de minhas buscas – não ainda não é o namorado! Rs – é só mais uma canção “Resposta”:

Resposta

Composição: Samuel Rosa / Nando Reis
Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou prá trás
Também o que nos juntou...
Ainda lembro
Que eu estava lendo
Só prá saber
O que você achou
Dos versos que eu fiz
Ainda espero
Resposta...
Desfaz o vento
O que há por dentro
Desse lugar
Que ninguém mais pisou...
Você está vendo
O que está acontecendo
Nesse caderno
Sei que ainda estão...
Os versos seus
Tão meus que peço
Nos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite...
Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante...
Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou prá trás
Também o que nos juntou...
Ainda lembro
Que eu estava lendo
Só prá saber
O que você achou...
Dos versos seus
Tão meus que peço
Dos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite...
Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante...(2x)
Desfaz o vento
O que há por dentro
Desse lugar
Que ninguém mais pisou...
Você está vendo
O que está acontecendo
Nesse caderno
Sei que ainda estão...
Os versos seus
Tão meus que peço
Nos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite...
Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante...(3x)


É isso, continuo aqui cheia de perguntas, com versos e prosas que fiz e que ainda espero respostas…
“Onde andará o meu amor?” (Chico César )

Noite de 20 para 21 de março de 2011.
Rio de Janeiro.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Vivendo o Hoje ou O Tempo Voa


E olha o que eu encontrei garimpando meu pc: um texto que fiz há meses, que era pra ter sido publicado e que nem me dei conta...
Lá vai mais um dos meus delírios de madrugada! rs


São exatamente duas e vinte da manhã. Pra variar perdi o sono e vim assitir meu filme favorito: “Once”. Em português ganhou o título “Apenas uma vez”. É um filme simples, com um ator/cantor, sei lá, que nunca vi na vida, Glen Hansard, e uma pianista talentosíssima, Marketa Irglova. Em 2008 esse filme caiu nas graças da Academia de Cinema e ganhou o Oscar de melhor canção:

Falling Slowly

Composição: Glen Hansard / Markéta Irglová
I don't know you
But I want you
All the more for that
Words fall through me
And always fool me
And I can't react
And games that never amount
To more than they're meant
Will play themselves out
(Chorus:)
Take this sinking boat and point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice you have a choice
You've made it now
Falling slowly, eyes that know me
And I can't go back
Moods that take me and erase me
And I'm painted black
You have suffered enough
And warred with yourself
It's time that you won
(Chorus:)
Take this sinking boat and point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice you had a choice
You've made it now
Take this sinking boat and point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice you had a choice
You've made it now
Falling slowly sing your melody
I'll sing along
Falling slowly
Sing your melody
I'll sing it now


Como todo o restante da trilha sonora, essa canção foi escrita por Glen.
Conheci o filme com o Ke, lá no Rio, durante a seleção do mestrado. Pronto! Havia me apaxionado pelo filme em todo o seu conjunto e mais ainda pela canção que foi decorada em dois dias.
Ah, como eu gosto do filme… mas não consegui assisti-lo nessa madrugada. E também não consegui dormir.
Ouvindo o violão do Glen no filme acabei parando pra pensar nas últimas conversas que tive na noite.
Isaias comentava que não pensamos no presente, ou algo parecido e instantaneamente veio à minha cabeça a resposta para a questão que ele levantou: não pensamos no agora, não vivemos nossos momentos porque pensamos demais no futuro.
Estamos sempre preocupados em ter um bom futuro e esquecemos de viver.
Quantas vezes já me peguei adiando planos pra amanhã…
Isso nos torna infelizes, muito infelizes e a curtíssimo prazo e com uma longuíssima duração. Na verdade os danos podem ser irreparáveis.
Entre uma conversa e outra, dei-me conta de uma falta gravíssima: não registro vários momentos da minha vida!
Dei-me conta de que não tenho sequer uma foto de um amigo muito amado, que é tão importante pra mim, peça chave em muitas conquistas que venho alcançando. A única  foto que tenho dele é a do convite de formatura, evento ao qual não fui, porque teria outra oportundade para ve-lo… deixei para amanhã uma coisa que era urgente.
E venho deixando para amanhã muitas coisas urgentes.
Tenho perdido grandes oportunidades de ligar para amigos, de dizer o quanto são importantes pra mim, de sair pra me divertir com eles, de ficar mais tempo com a família, de ver meu filho crescer.
É hora de pensar um pouco no futuro que quero ter. Ou continuo nesse ritmo acelerado com um milhão de tarefas diárias referentes aos tres, quatro empregos que acumulo, na expectativa de deixar algum conforto para minha família e acabo por perder bons momentos com todos eles, ou dou um grito de STOP IT e recomeço tudo de maneira mais calma, mas plenamente vivida. Ou quero um futuro próspero e vazio, ou razoavel e rico de sentimentos.
Nessa corrida por melhores salários, mais dinheiro, mais conforto perde-se o lado humano, os sentimentos. É um sistema economico de trocas injustas: dá-me sua paz, e leve o dinheiro. Até que ponto quero isso? Até que ponto devemos querer isso?
Está feito: a solução para nossos porblemas está em diminuir nosso ritmo em busca de um falso bem estar pautado nos bens, no dinhero e em acelerar nossas atividades para o que realmente importa nosso bem-estar pessoal, sentimental. O que, de fato, não é lá muito racional, tendo em vista o mundo que temos aí fora, mas vale a pena tentar, afinal, quero ser como fernando Pessoa e responder:

“valeu a pena?
tudo vale a pena
se a alma não é pequena ”.

quero dar meu grito em busca da mudança, porque

“se há o direito ao grito, então eu grito” Clarice Lispector

E grito porque quero ser ouvida e, mais ainda, porque quero ser lembrada. Não há nada mehor no mundo que saber que há alguém que pensa em você.
Quero tentar viver mais o hoje, levando ao pé da letra a máxima que diz

“não deixe para amanhã o que sepode fazer hoje”

Abster-me da possibilidade de viver uma segunda chance no amanhã é a melhor saída para ser feliz, pois sinto que é mister que eu viva cada momento intensamente e mais uma vez recorro à Clarice, pois,

“estou ficando tão intensa, que sozinha não aguento”!

Preciso compartilhar com quem está a minha volta esse rio de sentimentos que me invade e me faz querer ser um pouquinho melhor.

Ainda acho linda a poesia que se cria em torno do amanhã e de suas esperanças, como essa bela canção:


Mas é hora de fazermos do hoje o nosso melhor dia! E de nós mesmos as melhores pessoas!

“O ontem acabou. O amanhã ainda não veio…” Madre Tereza de Calcutá

Lá vou eu, vivendo, aprendendo, crescendo e mudando… é a roda viva da vida!

Que tenham todos muitas mudanças em suas vidas!
Ou que pelo menos tentem mudar!

Juiz de Fora, madrugada de 20 de janeiro de 2011.
*** Texto para Z, que me mostrou que sempre é tempo de mudar pra melhor;
Isaías, que me mostrou essa questão do viver em função do amanhã;
Ka, que me mostra que não vale a pena se manter numa situação que não te satisfaz;
Nia, que tem um passado certo, um presente duvidoso e um futuro a ser decidido;
Betinho, de quem quero tirar muitas fotos de nossos bons momentos pra alegrar meus dias e os pensamentos. ***

Edylane

Porque agora a cor da saudade é Azul



É madrugada. Na verdade seria só mais uma das noites, das muitas noites insones que tenho, mas essa é diferente.
É a primeira noite, de fato, que marca a minha mudança de cidade. É a primeira noite na qual eu olho para os lados e não vejo nada além de uma cidade linda, e, claro, maravilhosa, a ser descoberta. Isso dá medo.
Nós, pobres mortais sempre nos amedrontamos frente ao novo. Descobrir novos ares, novas terras é uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo em que quero sair por aí, quero ficar em casa. Em tempo: quero é voltar pra casa.
Há algo de estranho no ar, uma saudade antecipada de tudo o que está ficando longe, ainda que o longe se resuma em 2 ou 3 horas de viagem.
Parece que uma mão de um gigante vem pra me dar um aperto no coração e penso muito num par de olhos azuis que vai ter de se acostumar com a distância. Distância que, de certa forma, eu busquei ao me atrever a tentar uma vaga num curso tão longe e casa.
Embora a mudança de cidade e a decisão de ter deixado muitas coisas pra trás pareça demasiado fria, não passa de mais um dos meus planos infalíveis de buscar o melhor para o dia de amanhã. Uma especialização, uma referência, coisas que exigem um esforço agora para um futuro melhor, pelo menos por uma expectativa melhor.
Serão nove dias sem ver os olhos azuis mais lindos do mundo, sem ouvir uma vozinha que ainda ensaia as palavras dizendo “mamãããã”, sem cantar e dançar com os “seus amiguinhos backardigans” ou ainda as canções do meu tempo de criança agora cantadas por uma tal de “galinha pintadinha” – que também é azul.
Que o bravo Heitor saiba entender os caminhos que a mãe dele toma por certos. Que os dias passem rápido e que o azul volte a ser mais do que uma cor que representa a saudade em meu coração.

***Para  pequeno grande Heitor, dono dos olhos azuis mais lindos do mundo, que ficou nas Minas Gerais***

Rio de Janeiro, 10/03/2011

quinta-feira, 17 de março de 2011

É tempo de espera...

É manhã de uma quinta-feira.
Meu dia promete ser daqueles, uma correria infernal que já começa com um metrô lotado no qual eu não era acostumada. 
Acabei de me mudar de cidade, a vida está completamente mudada, é tudo novo, de novo, mas os amigos, essas são os mesmos, mais distantes geograficamente agora, mas muito mais próximos em meu coração. 
Pensar neles me faz sorrir. 
Dá-me coragem de encarar o dia, de ouvir canções e cantar junto, de ler um poema novo e dedica-lo a eles.
Ao acordar o que me dá coragem é pensar nisso: que existem pessoas especiais na minha vida e  na certeza de que sou especial na vida deles.
Ora, todos sabem o quanto sou impulsiva e apaixonada. Se amo, amo mesmo, defendo, protejo, mimo, abraço, beijo.
Hei de confessar há algumas pessoas que hoje, apesar de serem muito queridas, figuram na lista dos entre aspas para mim. Sim, a lista dos entre aspas são aqueles que deveriam ser, mas não são. Ou que receberam muito crédito e estão em saldo devedor.
Muito confuso? Explico!
Pessoas que são influenciáveis pra mim não servem. Não preservam a sua raridade, a sua essência. “Ah, que pensamento radical!” alguns dirão. Não me importo com o que dizem, desculpem...
Pessoas que colocam seus amigos em segundo plano em detrimento de qualquer outra coisa pra mim não servem de nada.
Amores são amores, eternos enquanto duram e devem ser concomitantes com seus amigos, pois quando estiver na fossa serão eles quem lhe ouvirão, quem lhe darão o ombro, enxugarão as lágrimas e te ajudarão a se levantar.
Hoje passei boa parte da manhã pensando sobre as pessoas se deixam levar por seus “amores eternos” que duram tão pouco. Penso que é hora de acordar para o mundo que se descortina aos nossos olhos e perceber que as pessoas não são propriedades privadas. Que o fato de elas estarem conosco é passageiro, limitado e é só uma questão de escolha.
Aqui viro a mesa e digo que o coração não escolhe de quem vai gostar. É uma pena. Mas podemos nos manter como somos, ser nós mesmos, sem a necessidade de nos mudar por causa do outro. Sair de nossa rotina, mudar nossos hábitos é, de certa forma, se negar. Deixar os amigos é se auto abandonar, é se jogar num mundo sem chão. É não lembrar-se de quem vai estar lá pra te ajudar daqui a pouco é fechar os olhos pra quem sempre esteve aí do seu lado.
Continuo aqui, esperando que os olhos dessa amiga se abra, que ela volte para o convívio dos seus e que perceba que o mundo é feito bem mais do que por duas pessoas isoladas...
É tempo de espera...