Visitas da Dy

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Teatro e da Dança de Juiz de Fora

Teatro e da Dança de Juiz de Fora

O Centro Cultural Bernardo Mascarenhas juntamente com o Teatro Solar, o Teatro Clara Nunes – Sesc, o Teatro Pró-Música, o Mezcla e a Casa de Cultura da Universidade Federal de Juiz de Fora serão os palcos da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança de Juiz de Fora, que chega a sua 10ª edição e acontece entre os dias 13 de janeiro a 13 de fevereiro, abrindo o calendário artístico e cultural de 2011 em nossa cidade.

Segundo os organizadores, a Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Juiz de Fora (Apac) e o Sindicato de Produtores de Artes Cênicas de Minas Gerais (Sinparc) – MG, que esperam mais de 15.000 espectadores. Serão apresentados 30 espetáculos diferentes de companhias teatrais da cidade, sendo seis peças infantis e 24 voltadas para o público adulto.

O objetivo da campanha é democratizar o acesso ao teatro e a dança, oferecendo a oportunidade do público conferir as novas produções locais a preços populares. Os ingressos estão sendo comercializados no Parque Halfeld e parte da arrecadação será doada para o projeto Amigos da Escola.

Maiores informações pelos telefones: (32) 3223-0129 / (32) 8822-2449.

Programação completa:http://www.sinparc.com.br/campanha/flip/juiz/Default.html
 
Retirado do blog Prazer da Leitura:
http://grupoprazerdaleitura.blogspot.com

Dentro de nós mora um anjo - direção de Fred Fonseca


Show comdireção de Fred Fonseca!
Não percam!


Em tempo:
Sueli Costa é carioca, criada em Juiz de Fora e é uma das maiores compositoras da MPB. Suas canções foram gravadas por grandes artistas como Elis Regina,Fagner, Cauby.
Entre os seus sucessos destaco a minha preferida:

Jura secreta
(Sueli Costa e Abel Silva)
Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada do que eu quero me suprime
Do que por não saber ainda dão quis
Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que não sofri


Mais informações sobre Sueli Costa:
http://www.suelicosta.com.br/

1º Concurso de Marchinhas Carnavalescas de JFCity



É isso aí,minha gente!
Juiz de Fora, a minha jfcity, vai ter um concurso de marchinhas!
Alguém aí se habilita?
No máximo irei na premiação!
Não sou nada inspirada nesse sentido, e cá entre nós, não gosto de carnaval!

Beijos,
Dy Costa

Quem sou eu? Eu serei tudo!


Mais uma madrugada insone...
Mais uma vez, resolvi dar uma volta pelas redes sociais em que participo. Ver como estão as coisas, como as pessoas usam o seu tempo pra passar o tempo. Nesse meu passeio virtual passei em um bar virtual. O Bar dos Amigos. Encontrei posts de amigos virtuais que já se tornaram reais e de outros que nem conheço. Encontrei com uma bela poetisa, Clarice. Lispector, sim, ela mesma. Uma mulher que de tão sensível chega a doer.
Deparei-me também com uma questão quase filosófica, modinha nessas redes: “Quem sou eu?”. Mas essa questão para mim sai do “quase” para o completamente “filosófica”.
Quem sou eu? E é disso que vou falar.
Fernando Pessoa, e suas várias facetas, se contradiz: ora diz que “eu sou quem eu não sou”, ora diz que “tudo serei”. No fim das contas ninguém sabe ao certo quem é. E todos se lançam nessa busca.
Ainda estou tentando me definir, buscar uma resposta “bonitinha” para essa questão, mas por enquanto, o que sei é que me encontro nas definições poéticas que vou lendo, nas músicas que gosto, nas pessoas quem admiro e todas essas vão, aos poucos, se transformando no meu “eu”. É como se Neruda soubesse exatamente como funciona esse processo de construção de minha persona quando escreve que:

“tu eras também uma pequena folha
Que tremia no meu peito.
O vento da vida pos-te ali.
A princípio não te vi, não soube
Que ias comigo,
Até que suas raízes
Atravessaram o meu peito,
Se uniram aos fios do meu sangue,
Falaram pela minha boca,
Floresceram comigo.” (Pablo Neruda)

Aqui ele toca no meu ponto favorito: em quão importante são essas pequenas folhas que tremiam no meu peito e que aos poucos foram se fixando em minha vida, me emprestando um pouco do que eram pra eu me tornasse o que sou. Acho fundamental essa idéia de que somos parte de tudo e todos que nos cercam.
Mesmo assim, ainda tenho a certeza de que  

“eu não sou boa, nem quero ser, contento-me em desprezar quase todos, odiar alguns, estimar raros e amar apenas um” (Florbela Espanca)

ou ainda que

“sou uma cética que crê em tudo; uma desiludida cheia de ilusões; uma revoltada que aceita, sorridente, todo mal da vida; uma indiferente a transbordar de ternura” (Florbela Espanca)

Uma enorme contradição, um emaranhado de conceitos e pensamentos que não estão prontos e acabados, mas em eterna construção, em eterna metamorfose e essas mudanças são naturais e benfazejas: nos permite brincar de sermos nós mesmos, só que de maneiras diferentes. Podemos nos dar ao luxo de acordar “meio Amelie Poulin” e complicar tudo, criar mil especulações sobre um assunto e no final perceber que deu tudo certo e que nossas confabulações contra nós mesmos eram só um meio de nos entreter. Podemos ainda acordar “meio Garfield” odiando a segunda-feira, querendo só comer – uma boa lasanha – e dormir o dia todo e faltamos o trabalho, alugamos nosso filme favorito, tiramos um dia para ter um encontro com uma pessoa especial: o nosso eu! E pronto! No outro dia somos só sorrisos!
Engraçado isso me faz perceber que às vezes sou “de lua” Ra escondida, ora brilhando, mas sempre crescendo, mudando e aprendendo.
Aprendi que

“Eu sou uma eterna apaixonada por palavras. Música. E pessoas inteiras. Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias são chatas e me dão sono. Gosto de quem mete a cara, arrisca o verso, desafia a vida...
Eu sou criança. E vou crescer assim. Gosto de abraçar apertado, sentir alegria inteira, inventar mundos, inventar amores. O simples me faz rir, o complicado me aborrece.” (Fernanda Mello)

Descobri que assim como eu, várias pessoas não sabem muito bem quem são e se definem com o que gostam, porque são as suas escolhas que as fazem como elas são, numa espécie de círculo vicioso, onde você faz sua escolha e sua escolha faz você.
E já que a vida é feita de escolhas, sou obrigada a concordar com Fernando Sabino que nos diz que

“o diabo desta vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove”,

Mas sou também consciente de que uma vez feita a escolha ela deve ser vivida intensamente, para que traga o máximo de benefícios, de conhecimento e de alegrias. Já que Clarice Lispector diz que

“O que realmente somos é aquilo que o impossível cria em nós”

Devemos saber aproveitar cada momento, cada segundo e transformar cada impossibilidade numa nova possibilidade que não era vista por nós, mas que se descortina aos nossos olhos frente aos novos desafios.

“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” (Clarice Lispector)

Eis aí o ponto máximo da minha reflexão sobre quem sou eu!
Não é preciso encontrar a resposta!
Não há um texto pronto e tão pouco será escrito um que realmente venha definir quem sou eu, por qualquer que seja esse “eu”.
Basta que saibamos viver! E pra se viver não é preciso se entender, apenas se deixar levar e aproveitar.
Desbravar os caminhos que despontam aos nossos pés é que é a grande tônica: é seguindo nesses caminhos que nos descobrimos, nos formamos e nos tornamos um EU COMPLETO. Aprendemos a nos lapidar e a conservar a nossa raridade enquanto pessoas, enquanto seres únicos e especiais para nós e para quem nos rodeia e, nessa unicidade, devemos nos permitir ser seletos também, procurar os raros como nós, pois pelo menos eu, ah, eu

“Não sou pra todos. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestades. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias.” (Caio Fernando Abreu)

E enquanto eu vou tentando descobrir cada vez mais “quem sou eu” vou seguindo os conselhos sábios de Gabriel Garcia Marques: dormindo pouco e sonhando muito, entendendo que

“por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz”.

Que continuemos nossas buscas pelo nosso EU!
Muita luz pra todos nós.

Dy Costa

sábado, 15 de janeiro de 2011

É assim que se ama?

“Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...”
                                Pablo Neruda
 
Estava passando o tempo no facebook hoje quando em um dos milhares de aplicativos, entre os meus favoritos, saiu a frase acima, do Pablo Neruda.
Costumo dizer que Neruda em certos momentos de nossa vida é pura covardia. Não há poeta mais talentoso ao descrever alguns sentimos e entre eles a saudade e o amor.
Com Neruda tenho aprendido que saudade pode ser uma coisa boa, ainda que seja aquela saudade que como diz Drummond é de “coisa que nunca se viveu e isso dói muito”. Ah, sim, Drummond, dói, mas no fundo é bom, quer dizer que você tem alguém no mundo com quem se importa, por quem se doaria e por que não? Por quem se doa.
Amar é isso,minha gente! É se doar para o outro sem esperar que ele se doe a você.
Parece muito injusto, mas não é.
É uma questão de humildade, para amar é preciso se esquecer um pouco e viver pelo outro. Receber essa mesma doação em troca é que é maravilhoso e daí surgem os grandes amores!
Nosso problema é que buscamos amores perfeitos demais, cinematográficos demais.
O mocinho por mais atencioso e carinhoso que seja, não pode lhe mandar um ramalhete de flores a cada sexta-feira. Os convites para cinemas, bares, restaurantes vão escasseando com o tempo, mas não é por esquecimento ou por falta de amor. Pode ser simplesmente porque o trabalho novo dele consome mais tempo. E você já não ligará mais todos os dias. E não é por não amar. É porque aos poucos vão percebendo que não é preciso estar presente o tempo todo para se sentir e se saber amado.
Vai perceber que os momentos que passam juntos em casa mesmo são mágicos e continuarão sendo se o amor for verdadeiro.
Vai continuar a sentir a suas pernas tremerem ao ouvir aquele “bom dia” depois de anos de convívio ou mesmo nos casos em que a vida se trata de separa-los. Vai sentir o ar faltar ao menor olhar que ele lhe lançar.
Quando isso acontecer o caso é perdido: terá encontrado o amor da sua vida, mas lembre-se não significa que você é o amor dele... mas amar é sentimento nobre! Que todos nós tenhamos um amor em nossas vidas. Que possamos sentir saudades dele pra saber o quanto ele nos é importante e mais que isso, que nunca nos esqueçamos de seu sorriso, pois é a luz que colore os nossos dias a cada amanhecer.
E que possamos ser desprendidos e maduros o suficiente pra entender que muitas vezes, permitir que seu amor seja feliz, ainda que distante, é a melhor maneira de ama-lo.

“Nega-me o pão, o ar,
A luz, aprimavera,
Mas nunca o teu riso,
Porque, então, eu morreria”

                                             Pablo Neruda

                                                                    Dy Costa

*** Para quem amo e para todos que amam ***

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Chuva: de quem é a culpa?


“Chove, chove e choveu a noite inteira” esse é um trecho de um poema que me lembro ter escrito forçadamente no meu caderno de poesias da escola.

Sim, naquele tempo, na década de 1990 eu tinha um caderno de poesia! Vermelho, pequeno, de capa dura. Minha mãe ilustrava os poemas e poesias com desenhos da autoria dela. Como desenha bem.

Meu caderno de poesias era chato. A maioria das coisas escritas nele eu não gostava. Eram poeminhas longos, chatos, uns exaltando o amor à nação brasileira que eu nem entendia direito o que era. Vivia resquícios de uma ditadura militar: mesmo a ditadura tendo caído no ano em que nasci, ou no ano seguinte, quando o novo governo assumiu – o que não fez lá muita diferença, porque estamos aqui citando um famoso político corrupto brasileiro, Sr. José Sarney, que a essa altura apoiava o governo dos milicos – na minha escola ainda tínhamos a “hora cívica”, com hasteamento da bandeira, hino nacional e apresentações de poemas sobre o Brasil.

 

Aff... como era chato decorar aquilo. Alguns ainda me lembro de cor. Que maldade isso. Fazer uma criança de 7/8 anos decorar poemas que ela detestava... eu queria era saber de cor o Vinícius: “mais que amor de cachorrinha...”  - era o meu preferido dele! – e o “relógio” esse sim era legal!

Lembro de ter “conhecido” a Cecília Meirelles com “A canção dos tamanquinhos” musiquei esse por conta própria e cantava sem parar!

A Canção dos Tamanquinhos

Cecília Meireles*

Troc... troc... troc... troc...
ligeirinhos, ligeirinhos,
Troc... troc... troc... troc...
vão cantando os tamanquinhos...

Madrugada. Troc... troc
pelas portas dos vizinhos
vão batendo, troc... troc...
vão cantando os tamanquinhos...

Chove. Troc... troc... troc...
no silêncio dos caminhos
alagados, troc... troc...
vão cantando os tamanquinhos...

E até mesmo, troc... troc...
os que têm sedas e arminhos,
sonham, troc... troc... troc...
com seu par de tamanquinhos

Olhem que delicadeza de poeminha! É sonoro para os ouvidos infantis e até hoje me lembro do ritmo que dei a ele e me pego cantarolando.

 

Mas mesmo na canção dos tamanquinhos dos meus tempos de criança eu encontro a chuva. “Chove. Troc... troc... troc...”

Embora tenha dado uma volta enorme, lá no meu caderninho de poesias eu vim falar da chuva.

Adoro chuva, dormir com chuva é muito bom, banho de chuva é muito bom, barulhinho de chuva é muito bom.

Mas a chuva que tem caído nos últimos dias tem me assustado.

Depois de uns dois dias sem ter ligado a TV e acessado a internet puramente pra fazer nada – estou de férias mesmo! – e de ter dormido como um urso em plena estação de hibernação, resolvi sentar-me na sala e “sapear” com o controle na frente da do televisor.

Cadê o Bob Esponja? Acabou se mudando da fenda do biquíni e veio pra mais perto de nós é isso? Quanta água!

Procurei pelos desenhos animados, mas só tinha água.

Procurei até pelos chatíssimos programas de culinária – eu não sou dona de casa,mas era uma alternativa! – e nada.

O que há de errado com o mundo? Está tudo se acabando em água! Número absurdo de pessoas mortas, desastre atrás de desastre e pasmem, num país do tamanho do Brasil, estamos chorando os mortos pelas águas no sudeste e tem gente sem ver água no sertão nordestino há 6 meses.

As coisas não estão em seus devidos lugares. Nós não estamos em nossos devidos lugares. Pessoas moram em encostas perigosíssimas, em margens de rios, em áreas de risco. “A culpa é do governo!” essa é a frase preferida das pessoas! Hoje mesmo vi, em algum dos 357 canais que estavam transmitindo ao vivo as desgraças da chuva, que a Dilma enfrentava a primeira grande crise do SEU GOVERNO.

Espere aí um minuto! A grande crise não é única e exclusivamente dela!

Assim como também não é única e exclusivamente de São Pedro!

Vamos por partes: existe uma demanda de pessoas que precisam de moradias em locais salutares e seguros, sim, mas por outro lado, existe uma grande colaboração nossa pra que essas coisas aconteçam.

Sobre o fenômeno natural seria possível uma política de escoamento, sim! Mas pensemos: o escoamento é feito pelas bocas de lobo, bueiros, essa coisa toda, mas se eles ficam entupidos por sujeira por onde a água escoa? Hum... entendi... o lixo que você joga na rua não deixou a água escoar... agora a rua tá alaga e vai perder seu carrinho popular que comprou em 72 vexes com taxa a 0%, durante a redução do IPI, né? E a sua educação e senso coletivo, você levou ao banco e trocou pelo empréstimo pra pagar o carrinho?

As pessoas em área de risco precisam ser remanejadas! Porque o governo não faz nada? Cadê o dinheiro? Eu sei onde está! Está nas contas bancárias dos nossos políticos que sabem que as chuvas são normais nesse período; que sabem que o problema virá todo fim/início de ano. Por que não tratam de construir as moradias populares? Por questões políticas: se eles gastam o dinheiro com questões sociais, não sobra pra desviar, se não desviam não se enriquecem, se não se enriquecem não adianta ser político! Ah, é tudo tão simples!

Ah, de se levantar uma bandeira aqui: temos bons políticos,mas esses nunca ganham as eleições. Porque a galerinha do caixa 2 investe muito mais na campanha. Paga por ela. E você e seu vizinho, não pesquisam. Votam no Mané que te deu um bonezinho e reza pra sua casa ficar de pé durante as chuvas.

Temos aqui, então, não uma questão de planejamento urbano, saúde pública ou qualquer outro ramo que queira culpar. Temos aqui uma questão seríssima de consciência política.

Vamos lá, ajuntar e rezar pelos nossos mortos. Torcer pra meteorologia dizer que as chuvas vão cessar. E daqui há dois anos tem eleição, votem nos mesmos governadores que não fizeram nada de 2010 para 2011. E divirtam-se com a programação à la show de horrores que assistimos todo início de janeiro.

Que Deus tenha misericórdia de nós.

Que as chuvas cessem!

Que o povo sofrido tenha alento.

Juiz de Fora, entre 13 e 14 de janeiro de 2011.

Dy Costa.

 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sobre a Verdade ou Resposta ao Isaías


E lendo um texto do meu querido Isaias sobre a sua descoberta a cerca da não existência da verdade, eu também a tive e foi quase traumática.
Seguindo a mesma linha de evolução dos candidatos a historiadores - sim porque quando entramos na faculdade não somos mais nada do que aspirantes ao posto de historiadores, principalmente tendo em vista que muitos desistem, ou se formam pra engavetar os diplomas -, um belo dia, no primeiro período da faculdade, lê-se Marc Bloch - Apologia da História ou O Ofício do Historiador - e no primeiro período é mais que natural que não se entenda  lá muita coisa. O texto é simplesmente fantástico, mas denso, muito denso para calouros.

(Devo aqui salientar que até então texto para mim era algo de três, quatro páginas. No máximo admitia 10 páginas. Nesse dia aprendi que texto é qualquer coisa entre uma linha e mil páginas.)

Era humanamente impossível entender o que, de fato, aquele autor queria dizer com seu livro pequeno e importante para a formação e carreira de todo historiador. Eis aí a primeira grande crise: eu não sei ler!
Mas isso passou: ninguém havia entendido. A situação era mais grave: ninguém sabia ler! Ou seria o Marc Bloch que não sabia escrever?!

Depois começamos a trabalhar com as ideias dos pontos de vista que são diferentes e, claro, tendenciosos: oh, não! tudo se desfaz e me lembro das aulas do Ignácio dizendo que "tudo que é sólido se desmancha no ar" (Karl Marx).
Claro, do alto dos meus 18/19 anos e no primeiro período não entendia patavinas disso. A segunda onda de crise veio: como pode isso, tudo que é sólido se desmancha no ar? alguém aqui bebeu e não fui eu! Mais uma confusão pra fazer de minha mente um turbilhão.
Se como Carlos Drummond de Andrade sugeria em seu poema “Verdade” que só se passava meia verdade pela porta (A porta da verdade estava aberta, / mas só deixava passar / meia pessoa de cada vez. / Assim não era possível atingir toda a verdade, , que ela nunca seria completa e igual, TODOS, simplesmente TODOS já haviam mentido pra mim! Principalmente aqueles a quem amava.
Foram dias difíceis, de compreensão demorada, uma digestão de ideias nunca pensadas antes, até chegar aos autores de uma complexidade tamanha para aquele início de caminhada, mas que aos poucos foram me parecendo familiares até que consegui perceber a construção das coisas. O arranjo das idéias no mundo e o mundo que se arranjava de acordo com as idéias de que o pensava.
Não é que todos mentem pra você. É que cada um enxerga o mundo à sua maneira e não há mal nenhum nisso. Na verdade, hoje acho que por muitas vezes isso é bom por dois lados: o primeiro nos garante a diversidade e a maravilha de podermos discutir, trocar opiniões, (re)construir esses mesmos pontos de vista; o segundo, é que nos deixa escapar de toda frieza que nos cerca. Não é que vamos viver de fantasia, mas podemos ser um pouco mais tendenciosas às questões otimistas, à levantar nossas bandeiras de luta, alimentar nossas esperanças.
Descobrir que não há verdade absoluta é uma evolução de nosso pensamento e mais, de nossos próprios sentimentos: descobrimos que ninguém está agraciado com o dom de só dizer verdades, nem nós mesmos. O que dizemos são sempre as NOSSAS impressões e só. E seríamos todos bem mais felizes se soubéssemos disso antes: deixaríamos de ser tão hipócritas, tão politicamente corretos a favor de questões que nem sempre são substanciais e que damos enormes importâncias.
Por fim, que bom que mesmo com todas essas  "crises" que se apoderam de nós nos cursos superiores – descobri que muita gente, se não toda ela, têm grandes crises – não  chegam a estimular o abandono dos cursos. Resistimos bravamente e nos tornamos pessoas melhores, mais abertas, mais dinâmicas, mais críticas e – por que não? – mais tendenciosos ao amor ao próximo e a nós mesmos.
Penso que se compreendemos o outro, suas visões e filosofias, somos capazes de ama-lo, porque não é preciso entender para se amar, mas antes de tudo compreender e respeitar.
Se as crises se apresentassem e se nos mostrássemos fracos frentes a elas, perderíamos grandes pensadores, e eu, especialmente, perderia grandes amigos, companheiros de luta, que vêem no mundo muitos problemas como eu vejo e que não temem nada pra defender a VERDADE QUE ELEGERAM PRA SI MESMOS.
Que todos encontrem as SUAS verdades e que as defendam sempre!

*** Texto escrito especialmente para o Isaías Souza, quase historiador, grande pensador, questionador e amigo. ***

Juiz de Fora, entre 09 e 13 de janeiro de 2011
Edylane Costa

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

(R)Evoluções

E eis que ontem peguei-me sem sono, mais uma vez, por conta de toda ansiedade que me consome sobre a minha ida para o Rio de Janeiro.
Passar num mestrado não é coisa fácil. Passar no mestrado e ter que sair de seu lugar é coisa mais difícil ainda.

Sempre pensei que sair da cidade seria uma boa opção, principalmente se o objetivo fosse o de seguir uma carreira na academia, mas eu NÃO queria seguir essa vida de academia.
Em Agosto de 2010 me lancei numa empreitada que era muito mais um desafio a mim mesma do que um planejamento de vida para o futuro. Comecei a estudar para o processo seletivo do mestrado da UFF e fui sendo surpreendida com aprovações em cada uma das longas fases e, aos 15 dias de dezembro de 2010, veio a grande vitória: passei para o curso e terei de me mudar para o Rio.
Quanta alegria e quanta paura. Abandonarei meu porto seguro, minha família, meus amigos, minha rotina pra ir a uma cidade maravilhosa sim, mas completamente fora do MEU MUNDO!

2010 foi o ano em que pude abrir as minhas asas. Vi-me mais independente, com muito mais responsabilidades, sim, mas em uma evolução tão grande que hoje, olhando para trás, chego a me assustar com tudo o que aconteceu.

Cresci profissionalmente, consegui grandes trabalhos, mudei a vida radicalemnte: de casada a divorciada, fiz amigos maravilhosos e reencontrei outros tantos que o tempo já se encarregava de esconder de mim.

Quero aproveitar esse ano de (r)evoluções pessoais, profissionais e crescer aidna mais em 2011 e todos os avaços serão postados aqui!

Um beijo e um queijo,
dy

domingo, 9 de janeiro de 2011

Retorno

E visitando frequentemente o blog do Isaías, recomendadíssimo pra quem aparecer por aqui e resolver ler essas linhas (http://sofadoisaias.blogspot.com/), decidi voltar a escrever textos autorais.

Vou voltar a usar esse blog para o propósito no qual ele foi criado: uma catarse das minhas emoções, que andam todas embaralhadas, como se estivessem soltas em um turbilhão.


Agora vou me conter a postar uma resposta dada ao Isaías num texto que ele apresentou belissimamente sobre as verdades. O texto recebeu algumas mudanças para essa publicação.