Visitas da Dy

terça-feira, 20 de julho de 2010

Liguei a televisão. “A Vida é Bela” – esse era o nome do filme. É mesmo. Não só é mesmo o nome do filme como é mesmo bela, a vida. O filme é bom e meio piegas. Eu também. Um bom sujeito e às vezes meio piegas.
O que importa é: a vida é bela.
Dói. Às vezes dói. Até saber que dura pouco, dói.
Mas presta atenção, colega, tem quadros de Van Gogh, sorvete de flocos, papos de madrugada com amigos. E isso é inegável.
Ok, você se lembra do garoto com fome na rua, se lembra que ainda existe luta religiosa, se lembra que a amiga a quem você deu atenção confundiu as coisas e te chamou de “galinha”, se lembra que fazem fofoca sobre você, se lembra da distensão muscular no melhor momento da pelada. Mas é bela. A vida é bela. Encontros de afeto real justificam esse planetinha bonito.
Ok, colega, dói porque a esquerda não nos salvou ao chegar ao poder (nem existe mais esquerda). Dói porque a psicanálise prometeu, mas não nos fez felizes para sempre. E os hippies viraram mendigos ou burocratas.
Mas a vida, colega, tem Domingos de Oliveira. E ele também acha a vida bela. E Domingos não mente. Imagine um cara que além de ser o maior pensador do Brasil, tem no primeiro nome um domingo no plural, numa espécie de multiplicação do feriado. Segundo ele, reclamar da vida é o oitavo pecado capital. Portanto, não vamos ficar resmungando. A vida é bela.
O tempo passa, o tempo estraga, o tempo mata, a vida volta, a vida recompõe, a vida renasce.
Você não gosta do programa da tv. Aí está ao seu lado o controlo remoto, supremo representante da sua democracia. O verdadeiro poder do povo é o controle remoto.
Ok, os nazistas cristãos odeiam os judeus e Cristo era judeu e não odiava ninguém. Paradoxo dói. A gente não confia no político que está aí para nos representar. E tem medo da polícia que está aí para nos proteger. Mas tem o corpo da mulher amada, o bandolim de Hamilton de Hollanda e milk-shake de Ovomaltine.  E é interessante. O tal do ser humano é interessante. Sempre procurando o amor definitivo e a tal da segurança. Logo ele, capaz de morrer no próximo minuto, sujeito à primeira ventania, e sem a menor chance diante do menor maremoto. A segurança, colega, não existe. A gente inventou. E isso dói.
E lá no meio da dor tem uma tal de esperança. E como a flor que nasceu no asfalto, do Drummond, ela vive ali, sobrevivendo a caminhões e atropelamentos. Ok, colega, eu sei que dói. Mas tem a hora em que teu filho dá uma gargalhada e é feliz. Aí a gente se lembra dele em cima do nosso ombro e olhando espantado para o mundo. Naquele dia a gente disse pra ele (e pra filho não se mente): a vida é bela. 

Oswaldo Montenegro
Bom, eu gosto de bolo quente, Beatles, de montanha, mulher bonita, amigos antigos, ex-mulher (adoro ex-mulher; só a ex é eterna). Adoro criança, pôr do sol, vinho, adoro piada ruim. E adoro a noite.
Adoro as coisas que acontecem à noite, tais como: namorar, contar segredo, enlouquecer, jogar conversa fora, deixar namorada dormir no colo. E rezar.
Eu não rezo, mas eu adoraria rezar. Eu adoraria acreditar em Deus. Não é que eu não acredite, é que eu queria uma certeza, uma certeza enorme. Total. Queria não ter a menor dúvida de que a gente reencontra as pessoas que a gente ama, depois da morte.
De qualquer maneira, se Deus existe, ele dorme de dia e vive de noite. Deus sabe tudo e, portanto, sabe que às 11 horas da manhã ninguém diz “eu te amo” com sinceridade. E Deus adora sinceridade e amor. Deus sabe que à noite o ser humano é menos metido a vencedor e é menos metido a perfeito. À noite o ser humano é humano, e foi humano que Deus o fez.
A noite é da Lua e, portanto, é feminina. Dizem que no 6º dia Deus criou o homem e pensou: “Posso fazer melhor”. E criou a mulher.
De qualquer maneira, a noite tem menos rancor, menos disputa e menos inveja.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

UFMG abre inscrições para curso à distância na área de ensino

UFMG abre inscrições para curso à distância na área de ensino

O curso sobre produção de materiais didáticos será ministrado em vários pólos de Minas Gerais, incluindo Juiz de Fora

Em parceria com a Rede de Formação para a Diversidade (SECAD/MEC), a Universidade Federal de Minas Gerais abre inscrições para o curso “Produção de Material Didático para a Diversidade”, que será ofertado na modalidade a distancia, pelo sistema da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Os pólos que receberão o curso são Araçaí, Conceição do Mato Dentro, Confins, Governador Valadares e Juiz de Fora.
O curso de aperfeiçoamento é voltado para professores e profissionais da educação e tem como objetivo a compreensão dos desafios presentes nas etapas de produção de materiais didáticos que abarquem temas voltados para diversidade. O participante do curso irá desenvolver a capacidade de problematização e reflexão sobre os conteúdos e o entendimento das etapas de produção, circulação e uso dos materiais didáticos. Seu foco é voltado para as práticas do patrimônio e memória da história local.
Para fazer a inscrição, os interessados devem enviar e-mail para o endereço cursomateriaisdidaticoslabepeh@gmail.com, contendo Ficha de Inscrição, Carta de Intenção, Pré Memorial, Curriculum Vitae atualizado e Prova de Informática, todos com modelos disponíveis no site www.fae.ufmg.br/labepeh/cursos. O prazo para o envio dos dados vai até o dia 20 de julho. Serão disponibilizadas 50 vagas para cada um dos pólos.
O resultado da seleção está previsto para o dia 20 de julho. A matrícula será feita através da confirmação de participação no curso, entre os dias 1º e 03 de agosto e entrega dos documentos exigidos no Edital no pólo escolhido pelo candidato.  O início do curso está previsto para o dia 07 de agosto.
Mais informações no site www.fae.ufmg.br/labepeh/cursos ou pelo telefone da secretaria do curso: (31) 3409-5303.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Deixa acontecer

Composição: Vinícius de Moraes/Toquinho

Ah..Não tente explicar
Nem se desculpar
Nem tente esconder
Se vem do coração
Não tem jeito, não
Deixa acontecer

O amor, essa força incontida,
Desarruma a cama e a vida
Nos fere, maltrata e seduz
É feito uma estrela cadente
Que risca o caminho da gente
Nos enche de força e de luz

Vai debochar da dor
Sem nenhum pudor
Nem medo qualquer
Ah...sendo por amor
Seja como for
E o que Deus quiser

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Quando

Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.
O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.

Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei

Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.


(Álvaro de Campos)
Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...
Vinícius de Moraes