Visitas da Dy

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Segunda Via

Segunda Via
(OSwaldo Montenegro)


Vê se presta a atenção
Acabou, não dá mais
Não é falta de amor
E pra mim tanto faz
A razão do poema
Ou sua forma fugaz
Como na arquitetura
Não importa o espaço
entre as linhas e mais
A paixão só interessa se traz alegria
E a nossa não traz
Hoje eu tenho certeza
que o fim não se adia
e que não se re faz
O que já foi magia
hoje é segunda via dos originais
Vê se presta atenção
todo barco no cais
Não cumpriu seu destino
de ser navegante
E a sede é voraz
No seu próximo amor
não procure ter paz
Isso é coisa de amigo
e o tédio é o perigo
que o tempo é que traz
Guarda o nosso segredo
Eu garanto que o medo
é uma droga eficaz
Nosso caso é cinema
Que o ranço, que pena
tirou de cartaz
Sou escravo do novo
e o futuro que chega
é o meu capataz
Não me leve a mal
Me leve à toa pela última vez
A um quiosque, ao planetário
Ao cais do porto, ao paço

O meu coração, meu coração
Meu coração parece que perde um pedaço, mas não
Me leve a sério
Passou este verão
Outros passarão
Eu passo

Não se atire do terraço, não arranque minha cabeça
Da sua cortiça
Não beba muita cachaça, não se esqueça depressa de mim, sim?
Pense que eu cheguei de leve
Machuquei você de leve
E me retirei com pés de lã
Sei que o seu caminho amanhã
Será um caminho bom
Mas não me leve

Não me leve a mal
Me leve apenas para andar por aí
Na lagoa, no cemitério
Na areia, no mormaço

O meu coração, meu coração
Meu coração parece que perde um pedaço, mas não
Me leve a sério
Passou este verão
Outros passarão
Eu passo

Não se atire do terraço, não arranque minha cabeça
Da sua cortiça
Não beba muita cachaça, não se esqueça depressa de mim, sim?
Pense como eu vim de leve
Machuquei você de leve
E me retirei com pés de lã
Sei que o seu caminho amanhã
Será tudo de bom
Mas não me leve

O meu coração, meu coração
Meu coração parece que perde um pedaço, mas não
Me leve a sério
Passou este verão
Outros passarão
Eu passo

sábado, 19 de junho de 2010

Sobre o Tempo

E mais um ano se passou...
Hoje resolvi escrever sobre o tempo. Melhor: sobre a relatividade do tempo.

Há um ano meu bebê chegou! Fui busca-lo na maternidade numa quinta-feira fresca, às 22:30h, sem sentir absolutamente nenhuma contração, mas com uma dor nas costas enorme. Era véspera do aniversário da minha mãe.

A previsão de chegada do bebê era pra segunda quinzena de julho.

Cheguei na maternidade, com cara de quem sentia contrações - nem sabia o que/como era isso. O médico veio examinou e me disse que o ebê estava chegando. Internaram-me!

Passei a noite sem dormir, rindo à beça, mesmo com as contrações! O bebê - já com nome escolhido, Heitor - chegou às 5:27 da sexta-feira (19/06), dia do aniversário da minha mãe e do meu querido amigo Rogério.

O que isso tem a ver com o post de hoje? Simples! É a relatividade do tempo.

Quando heitor ainda era uma sementinha - e eu o chamava de Stella porque achava que ia ter uma menina - o tempo custava a passar. a vontade ed ver o rostinho do bebê era enorme, mas ele não nascia nunca e foram as 38 semanas mais demoradas do mundo.

Hoje ele completa um ano de vida.
Há um ano vejo os olhos mais lindos e mais azuis do mundo brilharem todas as manhãs...
Tenho o maior dos amores ali bem na minha frente, sorrindo.
Cada dia voa vendo o avanço que ele faz: aprendendo a falar, andar, se expressar...
Cada dia demora séculos sem ve-lo.

Hoje entendo mais claramente essa história da relatividade do tempo. O tic-tac do relógio é o mesmo, segundos, minutos, horas, dias são sempre os mesmos, mas há um quê de lentidão inexplicável quando não podemos estar perto de quem amamos. Ah, e passam tão depressa quando estamos juntos...


Oração Ao Tempo

Caetano Veloso

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...