Visitas da Dy

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A marca de uma lágrima - Pedro Bandeira

Ah, tormento que eu não posso confessar...
O que eu escrevo é a verdade, eu não minto,
eu declaro tudo aquilo que eu sinto,
e é a outra que teus lábios vão beijar...

Sei que quanto mais verdade tem no escrito,
mais distante eu te ponho dos meus braços,
pois desenho o paralelo de dois traços
que na certa vão perder-se no infinito...

Estes versos feitos para te emocionar
justificam todo o amor que tens por ela
e as carícias que esses dois amantes trocam.

E eu te excito, sem que venhas a notar
que esses lábios que tu beijas são os dela,
mas são minhas as palavras que te tocam

(A marca de uma lágrima)

Pedro Bandeira

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O PAPEL DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

O PAPEL DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
Carlos Henrique Rangel

O patrimônio cultural pode ser entendido como um conjunto de coisas de seres humanos. Coisas de gente, criadas para facilitar a vivência em grupo e a sobrevivência nos espaços que lhes foram destinados.Pode ser entendido também, como produto de uma construção coletiva dinâmica e viva produzida ao longo do tempo em um espaço definido. Ou seja, vinculado à memória e à construção de uma identidade. Sua preservação, conservação, manutenção e continuidade depende do envolvimento de todas as pessoas.

Cada Ser Humano é o que deve ser. E pode ser mais. E o que é,se relaciona com o que foi.Com os que foram. Com o que construíram os que foram...
O que é, se relaciona com o passado.Com as coisas do passado.Com o que foi feito no passado e continua presente.O Ser é fruto  e construção  de outros seres.Somatória,complemento,continuidade.Cada Ser Humano carrega em si o seu mundo e para onde for, onde estiver, sua família, sua rua, sua igreja, sua praça, seu bairro, sua crença, sua terra, lá Estarão.Cada Ser é um representante vivo de sua cultura. Do seu Patrimônio.Cada Ser Humano é um ser plural.O produto de uma cultura diversa e rica.De um modo de ser, fazer e viver.Cada Ser importa.

Ações educativas ou sensibilizadoras das comunidades detentoras de bens culturais ocorrem desde os primeiros tempos do IPHAN, órgão federal de proteção do patrimônio cultural, criado em 1936 em caráter provisório e consolidado a partir da Lei Federal n.º 378 de 13 de janeiro de 1937 e pelo Decreto Lei n.º 25 de 30 de novembro, também de 1937. No entanto, estas ações careciam de objetividade e planejamento que permitissem uma continuidade.

No Estado de Minas Gerais, após a criação do órgão Estadual de proteção do patrimônio cultural – o IEPHA/MG – Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais –(criado em setembro de 1971), a situação não foi tão diferente. No início dos anos 80 (1983) a instituição criou o programa PAC – Política de Ação com as Comunidades - cujo principal objetivo era o de romper com o paternalismo estatal. A política de atuação do PAC partia do pressuposto de que todo bem cultural é “uma referência histórica necessária à formulação e realização do projeto humano de existência” 1.
A condição necessária, para que este modo de atuação funcione plenamente, é a de que as comunidades locais possam se assenhorar, não apenas de seus valores culturais, mas também, dos tributos que lhes escapam das mãos.
(...)
Deste modo, a criação e o desenvolvimento de entidades locais, encarregadas do patrimônio local e sustentados pelas próprias comunidades, aparece como variável estratégica, capaz de equacionar o problema da deterioração do acervo cultural de Minas.
Uma das metas, fundamentais da Política de Atuação com as comunidades do IEPHA/MG é, precisamente, a de fomentar a criação e o desenvolvimento daquelas entidades. Neste sentido, cumpre-lhe oferecer às comunidades locais, subsídios para que possam se organizar de modo adequado.”2
O PAC, antes mesmo da chegada do conceito ao Brasil, já era efetivamente um programa de Educação Patrimonial. Mais tarde, em 1994, o IEPHA/MG criou o projeto “Educação Memória e Patrimônio” que durou cerca de quatro meses em duas escolas estaduais – Escola Estadual Barão de Macaúbas em Belo Horizonte e Escola Estadual Zoroastro Vianna Passos em Sabará.

Recentemente, durante o ano de 2007, o IEPHA/MG desenvolveu dois programas pilotos nas cidades de Pitangui e Paracatu utilizando uma nova metodologia de trabalho voltada principalmente, para a capacitação e monitoramento de projetos criados pelos diversos grupos sociais envolvidos.

Paralelamente, foi executado o ICMS Patrimônio Cultural, programa de descentralização da proteção do patrimônio cultural vinculado à lei estadual 13.803/00, denominada “Lei Robin Hood”, o qual repassa recursos do ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços) para os municípios que investem na preservação do patrimônio cultural, pontuando, também, ações planejadas de Educação Patrimonial.

Por ser ainda uma ação nova muitas dúvidas pairam sobre o tema Educação Patrimonial e principalmente quanto ao seu desenvolvimento.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

Fernando Pessoa
Sou daqueles que voam
solitário e solidário
E costumo caminhar
no meu mundo imaginário
As vezes tudo parece difícil
e tão longe da minha mão
Mas sei que minha casa
é onde encontro meu violão

Mas onde encontro ela?
A menina que é feita para mim
Chegue, como a primavera
com a boca mais bela, beijos de sim

Será que as nuvens trazem recados?
Será que o vento te faz me ouvir?
Só sei que de amor eu sei um bocado
e contigo quero dividir.

Marcelo Poeta

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Nostalgia....


Eu sem você ,
Não tenho porquê ...
Porque sem você ,
Não sei nem chorar ...
Sou chama sem luz
Jardim sem luar ,
Luar sem amor ,
Amor sem se dar ...

Eu sem você ,
Sou só desamor ,
Um barco sem mar ,
Um pranto sem dor ...
Tristeza que vai ,
Tristeza que vem ...

Eu sem você não sou ninguém ...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Tu e Eu

Tu e eu

Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
Eu não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa
Eu, calipto.

Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobo
eu sou mais albônico.
Tu, fão.
Eu, fônico.

És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu, piniquim.
Eu, ropeu.

Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu, multo.
Eu, carístico.

És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu, cano.
Eu, clidiano.

Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu, tano.
Eu, femismo.

Luiz Fernando Veríssimo

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

VOCÊ

(Judas Isgorogota)

Você...Você é tudo o que eu queria...
Tudo o que anseio que a ilusão me dê...
O meu sonho de amor de todo dia
Que nos meus olhos úmidos se lê...
Minha felicidade fugidia,
O meu sonho é você.....
Você...Você é a própria poesia
De tudo quanto em volta a mim se vê.
Se Deus quisesse dar-me certo dia
Tudo aquilo que eu quero que me dê,
Eu, sem pensar ao menos, pediria
Que me desse você!
Sonhos... glória imortal... seria um louco
Pedir tanta ilusão... Não sei por que,
Mesmo a ventura, que possuo tão pouco,
E tudo o mais que a vida ainda me dê,
Fortuna...amor...tudo eu daria, tudo,
Por você!
É que você tem todos os venenos...
É que seus lábios têm um não sei quê...
Os olhos de você são dois morenos
Que andam fazendo à noite cangerê...
Por tudo isso, eu pediria, ao menos,
Um pedacinho de você!

sábado, 4 de setembro de 2010

Aprendi que nessa vida não existem  principes e princesas.  Muito menos os sapos que se transformam.
Só pessoas, surpreendentes, surpreendidas, (in)compreendidas,  nas quais depositamos nossas fichas e esperamos pra ver onde a roleta vai parar.
Se dermos sorte, fazemos amigos e até encontramos amores...
Se não, ah,... se não damos sorte  perdemos tudo: passa-se a vida.  E, nós, nós ficamos na  beira da estrada, com poeira e vento e solidão, sabendo que tudo não era pra ter sido vão... mas foi.
 

sábado, 21 de agosto de 2010

Encontro Presencial do Curso PMDD

Olá, pessoas!




Hoje é 21 de Agosto e estamos no meio do nosso encontro presencial do curso de Produção de Materiais Didáticos para a Diversidade, aqui em Juiz de Fora!








Está muito bom! Como nossa turma é heterogênea! Viva a DIVERSIDADE!!!



Seguem as fotos!



Aproveitem!!!



Beijos,



Edylane.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Liguei a televisão. “A Vida é Bela” – esse era o nome do filme. É mesmo. Não só é mesmo o nome do filme como é mesmo bela, a vida. O filme é bom e meio piegas. Eu também. Um bom sujeito e às vezes meio piegas.
O que importa é: a vida é bela.
Dói. Às vezes dói. Até saber que dura pouco, dói.
Mas presta atenção, colega, tem quadros de Van Gogh, sorvete de flocos, papos de madrugada com amigos. E isso é inegável.
Ok, você se lembra do garoto com fome na rua, se lembra que ainda existe luta religiosa, se lembra que a amiga a quem você deu atenção confundiu as coisas e te chamou de “galinha”, se lembra que fazem fofoca sobre você, se lembra da distensão muscular no melhor momento da pelada. Mas é bela. A vida é bela. Encontros de afeto real justificam esse planetinha bonito.
Ok, colega, dói porque a esquerda não nos salvou ao chegar ao poder (nem existe mais esquerda). Dói porque a psicanálise prometeu, mas não nos fez felizes para sempre. E os hippies viraram mendigos ou burocratas.
Mas a vida, colega, tem Domingos de Oliveira. E ele também acha a vida bela. E Domingos não mente. Imagine um cara que além de ser o maior pensador do Brasil, tem no primeiro nome um domingo no plural, numa espécie de multiplicação do feriado. Segundo ele, reclamar da vida é o oitavo pecado capital. Portanto, não vamos ficar resmungando. A vida é bela.
O tempo passa, o tempo estraga, o tempo mata, a vida volta, a vida recompõe, a vida renasce.
Você não gosta do programa da tv. Aí está ao seu lado o controlo remoto, supremo representante da sua democracia. O verdadeiro poder do povo é o controle remoto.
Ok, os nazistas cristãos odeiam os judeus e Cristo era judeu e não odiava ninguém. Paradoxo dói. A gente não confia no político que está aí para nos representar. E tem medo da polícia que está aí para nos proteger. Mas tem o corpo da mulher amada, o bandolim de Hamilton de Hollanda e milk-shake de Ovomaltine.  E é interessante. O tal do ser humano é interessante. Sempre procurando o amor definitivo e a tal da segurança. Logo ele, capaz de morrer no próximo minuto, sujeito à primeira ventania, e sem a menor chance diante do menor maremoto. A segurança, colega, não existe. A gente inventou. E isso dói.
E lá no meio da dor tem uma tal de esperança. E como a flor que nasceu no asfalto, do Drummond, ela vive ali, sobrevivendo a caminhões e atropelamentos. Ok, colega, eu sei que dói. Mas tem a hora em que teu filho dá uma gargalhada e é feliz. Aí a gente se lembra dele em cima do nosso ombro e olhando espantado para o mundo. Naquele dia a gente disse pra ele (e pra filho não se mente): a vida é bela. 

Oswaldo Montenegro
Bom, eu gosto de bolo quente, Beatles, de montanha, mulher bonita, amigos antigos, ex-mulher (adoro ex-mulher; só a ex é eterna). Adoro criança, pôr do sol, vinho, adoro piada ruim. E adoro a noite.
Adoro as coisas que acontecem à noite, tais como: namorar, contar segredo, enlouquecer, jogar conversa fora, deixar namorada dormir no colo. E rezar.
Eu não rezo, mas eu adoraria rezar. Eu adoraria acreditar em Deus. Não é que eu não acredite, é que eu queria uma certeza, uma certeza enorme. Total. Queria não ter a menor dúvida de que a gente reencontra as pessoas que a gente ama, depois da morte.
De qualquer maneira, se Deus existe, ele dorme de dia e vive de noite. Deus sabe tudo e, portanto, sabe que às 11 horas da manhã ninguém diz “eu te amo” com sinceridade. E Deus adora sinceridade e amor. Deus sabe que à noite o ser humano é menos metido a vencedor e é menos metido a perfeito. À noite o ser humano é humano, e foi humano que Deus o fez.
A noite é da Lua e, portanto, é feminina. Dizem que no 6º dia Deus criou o homem e pensou: “Posso fazer melhor”. E criou a mulher.
De qualquer maneira, a noite tem menos rancor, menos disputa e menos inveja.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

UFMG abre inscrições para curso à distância na área de ensino

UFMG abre inscrições para curso à distância na área de ensino

O curso sobre produção de materiais didáticos será ministrado em vários pólos de Minas Gerais, incluindo Juiz de Fora

Em parceria com a Rede de Formação para a Diversidade (SECAD/MEC), a Universidade Federal de Minas Gerais abre inscrições para o curso “Produção de Material Didático para a Diversidade”, que será ofertado na modalidade a distancia, pelo sistema da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Os pólos que receberão o curso são Araçaí, Conceição do Mato Dentro, Confins, Governador Valadares e Juiz de Fora.
O curso de aperfeiçoamento é voltado para professores e profissionais da educação e tem como objetivo a compreensão dos desafios presentes nas etapas de produção de materiais didáticos que abarquem temas voltados para diversidade. O participante do curso irá desenvolver a capacidade de problematização e reflexão sobre os conteúdos e o entendimento das etapas de produção, circulação e uso dos materiais didáticos. Seu foco é voltado para as práticas do patrimônio e memória da história local.
Para fazer a inscrição, os interessados devem enviar e-mail para o endereço cursomateriaisdidaticoslabepeh@gmail.com, contendo Ficha de Inscrição, Carta de Intenção, Pré Memorial, Curriculum Vitae atualizado e Prova de Informática, todos com modelos disponíveis no site www.fae.ufmg.br/labepeh/cursos. O prazo para o envio dos dados vai até o dia 20 de julho. Serão disponibilizadas 50 vagas para cada um dos pólos.
O resultado da seleção está previsto para o dia 20 de julho. A matrícula será feita através da confirmação de participação no curso, entre os dias 1º e 03 de agosto e entrega dos documentos exigidos no Edital no pólo escolhido pelo candidato.  O início do curso está previsto para o dia 07 de agosto.
Mais informações no site www.fae.ufmg.br/labepeh/cursos ou pelo telefone da secretaria do curso: (31) 3409-5303.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Deixa acontecer

Composição: Vinícius de Moraes/Toquinho

Ah..Não tente explicar
Nem se desculpar
Nem tente esconder
Se vem do coração
Não tem jeito, não
Deixa acontecer

O amor, essa força incontida,
Desarruma a cama e a vida
Nos fere, maltrata e seduz
É feito uma estrela cadente
Que risca o caminho da gente
Nos enche de força e de luz

Vai debochar da dor
Sem nenhum pudor
Nem medo qualquer
Ah...sendo por amor
Seja como for
E o que Deus quiser

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Quando

Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.
O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.

Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei

Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.


(Álvaro de Campos)
Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...
Vinícius de Moraes

quarta-feira, 31 de março de 2010

Cine-Theatro Central - 81 anos

Juiz de Fora ganharia seu teatro definitivo, o Cine-Theatro carregandoCentral, em 30 de março de 1929.
O primeiro passo para a construção foi a fundação, pela sociedade formada por Francisco Campos Valadares, Químico Corrêa, Diogo Rocha e Gomes Nogueira, em junho de 1927, da Companhia Central de Diversões. Um ano antes, eles adquiriram o barracão de ferro e telhas de zinco do Polytheama, outro precário teatro da cidade, instalado no terreno entre a rua São João e a antiga rua da Califórnia, hoje Halfeld, e demolido para ceder lugar ao Central.

Coube à companhia construtora de Pantaleone Arcuri, que já começara a mudar a face arquitetônica deJuiz de Fora, fazer o projeto do novo teatro. Raphael Arcuri, o arquiteto, não economizou na grandiosidade e o orçamento acabou ultrapassando as possibilidades financeiras da companhia, obstáculo superado com uma medida providencial - a entrada do próprio patriarca dos Arcuri na sociedade.

Assim teve início a construção do Central, empreitada que tomaria um ano e quatro meses de obras. Não seria o edifício mais alto de Juiz de Fora, nem sua primeira construção em concreto armado, mas sem dúvida um empreendimento ousado, em que se destacava o amplo vão sem pilastras da platéia, sustentado por uma estrutura metálica vinda da Inglaterra, que atemorizou os menos informados sobre ecarregandosta solução arquitetônica arrojada – um “triunfo da técnica”, como viria a ser saudada.

O edifício de linhas sóbrias e retas, ao estilo art déco, e fachada discreta, ganhou suntuosa ornamentação artística interna, assinada pelo pintor italiano Ângelo Bigi, radicado no Brasil. Bigi pressentiu que aquela seria a sua grande obra. Legou ao Central uma decoração de sabor de antiguidade clássica, com cenas de ninfas e faunos em jardins românticos e paradisíacos, uma Arcádia mitológica que exala paz, harmonia e felicidade. Ao centro, medalhões com as efígies de grandes mestres da música: Wagner, Verdi, Beethoven e o nosso Carlos Gomes. Enfim Juiz de Fora podia se orgulhar de contar com um teatro digno de sua importância econômica, política e cultural.