Visitas da Dy

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Sobre o amor e suas sutilezas



Comecei a organizar os textos que escrevo para não me perder no meio de tantas palavras.
Percebi que tenho temas bem próximos, alguns repetidos, mas o que mais me chamou a atenção foi a facilidade com a qual nomeei uma das séries: “sobre o amor e as suas sutilezas”… lindo! Delicado e tão próximo do que é mesmo o amor: uma variação de sutilezas!
Decidi escrever um texto específico com esse título, pensando nessas sutilezas e só consegui pensar em uma pessoa: minha mãe. Então, para ela, um texto simples, cheio de sutilezas e amor!

Sobre o Amor e suas Sutilezas

(Para ler e depois ouvir Linha do Horizonte – Azymute, uma das músicas preferidas de minha mãe e minha por herança…)

Então lá na década de 80, precisamente em 1984, ela, um moça com seus 19 anos tem um bebê e se torna a minha mãe. Ela não sabia mas naquele dia 20 de novembro ela tinha perdido o seu nome (Edna) para ser chamada pra sempre de “mãe”.
E assim se fez. Virou mãe e cumpriu com louvor a sua tarefa de educar uma menina meio quietinha, meio voltada para seus livros, que crescia e queria mudar o mundo, que achava muita coisa estranha e falava tudo o que pensava.
Hoje, olhando para essa estrada que dura 26 anos percebo o quanto minha mãe, Edna, soube me mostrar todas as sutilezas que podem envolver o amor.
É nessa madrugada quente, insone e ainda com o cheiro da chuva que caiu sobre as terras cariocas por todo o dia que os meus olhos se enchem d’água quando percebo que se hoje eu sei o que é o amor é por conta dela, que todos os dias demonstrava como a vida era, com suas dificuldades, mas sem desanimar e mostrando que quando se ama tudo fica mais fácil.
Para além de eu amar minha mãe só porque ela é minha mãe – e disso ninguém escapa – eu a amo por tudo o que ela é, e experimento nela as várias formas de amor.
Aprendi com ela que o amor é incondicional, que é forte, que supera desafios, que consegue romper as dificuldades.
Muitos anos depois entendi que o amor é sacrifício. É abrir mão de um ou dois ou muitos sonhos para ver o sonho do outro realizado. E eu que pensava que isso fosse uma espécie de autonegação, entendo que é amor: porque às vezes amamos tanto que só queremos o bem e a felicidade de quem amamos.
Vi que o amor é apoiar projetos malucos de uma filha que de repente cisma que vai estudar numa escola que nem sabe onde é; que é achar esquisito alguém que se forme em História, mas apoiar cada etapa de um vestibular.
É ir no quarto de madrugada levar um chá e recomendar um cochilo quando vê a filha se matando de estudar, imersa numa insônia que dura semanas.
É ir no quarto, mesmo quando o seu bebê tem mais de 20 anos pra cobri-lo em noite de inverno.
O amor é dizer não na hora certa. Vai ouvir uns resmungos, umas birras, tolerar uma tromba maior que a de um elefante, mas vai ver que lá na frente o não valeu a pena e trouxe mais valores do que ela imaginava.
Amar é cantar MPB para as crianças. É colocar bandinhas dos anos 70 pra tocar nas festinhas de aniversário dos filhos, ver que eles se divertem e gostam daquilo e que os coleguinhas fazem cara de paisagem… e… é ver que dias depois todo mundo sabe quem é Beatles, The Zombies, Abba.
Uma sutileza do amor é assistir filme de romance enrolada nas cobertas com a filha e chorar litros.
Um presente é poder levar a filha para a maternidade e ganhar um neto no dia do aniversário!
O amor é escrever uma carta de despedida para ir morar em outro estado… é usar Djavan para explicar o que se sente, para mostrar que “amar é um deserto e seus temores”, mas que tudo na vida só faz sentido porque só se sabe “viver se for por você”.
Aprendi com minha mãe que se ama os amigos como irmãos que não se tem, e muito mais, porque esses são escolhidos por nós: fazem parte de nossas vidas, de nossas histórias porque permitimos, porque, de fato, os aceitamos como são e isso é amar!
Por fim, aprendi com minha mãe que amar é assumir muitas responsabilidades, mas é ter o coração pequenininho e mesmo assim fazer de conta que está tudo bem. É não mostrar o medo, porque alguém tem que ser forte nessa casa! É só contar que teve medo depois que tudo já passou…
Amar é deixar voar. É ter olhos saudosos por antecipação frente ao vôo dos filhos, que exploram outros céus, mas sempre voltam pro ninho…
Se tem alguma coisa sutil e intensa é o amor de minha mãe, que recebi, que sinto e que espero, de verdade, saber mostrar para o meu filho.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dia de chuva


        
           Nos dias chuvosos fico sempre mais pensativa. Gosto de ficar na janela vendo as gotas de chuva caírem no chão, lavando as calçadas, lavando que passa desavisado nas ruas, lavando meus pensamentos que não me deixam desligar um segundo sequer.
Quando chove penso que o céu está se livrando de tudo aquilo que mandamos a ele todos os dias: as preces, os desejos de que as coisas melhorem, os sonhos que queremos ver realizados, os agouros que sofremos e jogamos nos outros.
Se a gente não agüenta, por que o céu agüentaria? Se nós choramos, por que o céu não choraria? A chuva, na verdade não passa das lágrimas do céu escorrendo pelo infinito que ele circunda...
E por ser lágrima, vem de um choro natural, de desabafo, e nos ajuda desabafar também.
Às vezes durmo com o barulhinho da chuva. Durmo envolta nos pensamentos que vã se lavando, se tornando mais límpidos e leves à medida que a chuva cai.
Às vezes choro com a chuva. Aproveito a carona e deixo as minhas lágrimas caírem, que é pra ficar com a alma lavada.
Às vezes tomo banho de chuva: e como é bom ter a água escorrendo pelos cabelos, molhando o rosto, os olhos, os lábios... molha as palavras que tive que engolir a seco em alguns momentos, molham os olhos e ajudam a lava-los para que eu possa ver o que realmente está por trás de determinadas situações, lava os cabelos que quando estão ao vento desejam ser acariciados.
Gosto da chuva. O cinza dos dias que ela cai nos dá a exata medida de nostalgia necessária para entendermos que ninguém é feliz a todo o tempo, mas que ninguém é triste a vida toda.
Gosto das gotas de chuva escorrendo pelo vidro da janela. Elas me fazem perceber que acreditei a vida inteira que tudo passa, mas na verdade isso é uma falácia. Assim como as gotas d’água que escorrem pela janela e que só completam um ciclo, a vida é assim: as coisas não passam. Só ficam guardadas no sótão da nossa alma, empoeirando-se, esperando alguém entrar lá e revira-las e traze-las à tona. Tudo está envolvido num grande ciclo.
Em dias de chuva penso muito. Em dias de chuva sou menos alegre, mas não muito triste. Em dias de chuva fico na linha tênue de sentimentos: nem lá, nem cá, no meio. Um pouco mais perdida, um pouco mais sentimental, um pouco mais sem rumo...


domingo, 16 de outubro de 2011

Rio que caminha pro mar


Porque não há nada melhor que um banho de mar para lavar a alma, para lavar o rosto e misturar o sal das lágrimas ao sal natural.
Porque o mar me renova preciso ve-lo de quando em vez… preciso ter a exata noção de como é ser água, porque me sinto rio e me sinto mar.
Sinto-me rio de interior, calmaria aparente, sossego, destino certo: sair das montanhas, desaguar no mar. Sou esse rio que transcorre as montanhas, desce a serra e busca desaguar num braço de mar… sou rio que sabe desviar das pedras ou que passa por cima delas. Só depende do momento, da necesidade. Sou rio de coragem que se joga sem medo no abismo e se torna cachoeira, bonita de se ver, perigosa de se arriscar.
Sinto-me mar. Salgada. Às vezes por muitos observada, mas por muito poucos compreendida. Sou mar em dia de domingo ensolarado, cheio de alegria, de pessoas que o aproveitam e se divertem. Posso levar a caminhos desconhecidos, a terras distantes, trazer alegrias que deixam os olhos faiscantes. Posso ser tranquila ou violenta. Maré que sobe devagar ou ressaca de sexta-feira 13.
Sou rio e sou mar. Atravesso serras e planícies sem rumo certo, sem direção apontada, mas o destino desse rio é sempre o mar e aqui está o espetáculo de ser água, de ser eu, rio que desagua em mim mesma, o mar.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Poeminha da correria

Eu paro
Tu corres  
Ele me liga
Ela te olha
Nós nos desencontramos
O dia passa..
A vida vai...
A correria, essa continua
E as horas sempre são poucas,
mas no fundo, 
só pensamos no encontro de nossas bocas


... será isso o que move a vida?