Visitas da Dy

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Espaço






Quero ter-lhe no vão de minhas mãos,
Preenchendo todos os meus espaços.
Quero ter-lhe como o livro que completa minha estante,
O texto favorito, que leio ao cair da noite.
Quero aprender-lhe em cada gesto,
Quero decorar-lhe a cada linha,
Compreendendo cada letra,
Cada ponto, aumentando o número de contos
Em que felizes são os dias que não conhecem finais.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Passatempo





Talvez não caiba ao poeta viver,
Apenas sobreviver
De versos, em versos.
Sendo manso ou controverso,
Arder sentimentos,
Colorir dias cinzentos.
Destilar fantasia,
Disfarçar dores e agonias
Chover sóis,
Chorar debaixo de lençóis,
E ver passar o tempo
Escrevendo, seu passatempo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Reservas



 Jardim Público de Évora, Portugal, entardecer do dia 29 de Janeiro de 2016


Reservo-me ao direito de escrever

Puramente para não enlouquecer.

Reservo-me ao direto de gritar

Porque sufocaria-me o ato de calar.

Reservo-me ao direito de nem sei o quê

(é possível?)

Na vã tentativa de me responder.

Eu sou o eco de mim

E aqui dentro as perguntas não têm fim.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Do Muito e do Pouco






Sobre meus olhos e olhares,
Há muito e há pouco.
Falta-me um pedaço de céu.
Falta-me o verde que voa desprendido.
Para meus olhos, sobra-me o café:
As escuridões e seus mistérios,
Um tanto de segredos madrugais.
Muita energia e pouca disposição para dormir.
O calor e as intensidades castanhas.
Sem estonteantes curvas,
Tonteio-me com detalhes.
Curvam-se diante de mim
Os exóticos caminhos poéticos
Que entorpece mais pela rima,
Mais pelo jogo de palavras
E para onde elas levam
Do que pelas estradas em si.
E se poetizo é por teimosia.
É por fazer das palavras brinquedos
Que deixo jogados sobre o papel,
Folhas vazias, rascunhos de dias
E são as mesmas palavras
Nas quais tropeço aos seus pés
Ao ensaiar o meu tímido bom dia.
Em queda livre fraturo meu coração
Faço de mil cacos um inteiro.
Imperfeita opção de doação.
Se faltam-me os padrões
Sobram-me intenções.
Aceitá-las ou deixá-las
É questão de liberdade.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Cabeceira




É porque perco-me em seus olhos
Que mordo as palavras.
Mordo as línguas,
As várias que poderia usar.
Mordo a rotina,
Ponho-me a versar.
Já não há saída, nem ruas, nem portas.
Já não há sinais ou placas ou pontes.
Há um caminho escondido, que não sei encontrar.
É porque me acho perdida, que vago.
Encontro-me nos vãos-versos que preenchem a cidade.
Vadios pensamentos soltos, loucos em pé de vento.
Vendaval de sonhos, redemoinhos de canções
E minha cabeça gira, turbilhão.
Não dói porque engulo a dor,
Mas roda pelo céu, pelas estações.
É de fases, é lunar com brilhos estelares.
É pesada de solidões remotas,
Amparada em ecos ancestrais.
Cabem-me as horas, que conto a gotas,
Recostada na cabeceira,
Enquanto folheio livros:
Romances inventados,
Bonitos pela inexistência.
Reais pela fantasia.