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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Noites



Em noites como essa
Fico pensando em você
Em noites como essa
Eu só quero te ver
Onde está, que não veio?
No peito o coração se agita
Ah, me dá o teu beijo
Esquece tudo e vem ficar comigo
Então, vem
Dá-me uma chance
Quero te mostrar meu mundo
Vem, traz seu sorriso
Ilumina o meu dia
E vamos ser felizes
Agosto de 2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dia de chuva


        
           Nos dias chuvosos fico sempre mais pensativa. Gosto de ficar na janela vendo as gotas de chuva caírem no chão, lavando as calçadas, lavando que passa desavisado nas ruas, lavando meus pensamentos que não me deixam desligar um segundo sequer.
Quando chove penso que o céu está se livrando de tudo aquilo que mandamos a ele todos os dias: as preces, os desejos de que as coisas melhorem, os sonhos que queremos ver realizados, os agouros que sofremos e jogamos nos outros.
Se a gente não agüenta, por que o céu agüentaria? Se nós choramos, por que o céu não choraria? A chuva, na verdade não passa das lágrimas do céu escorrendo pelo infinito que ele circunda...
E por ser lágrima, vem de um choro natural, de desabafo, e nos ajuda desabafar também.
Às vezes durmo com o barulhinho da chuva. Durmo envolta nos pensamentos que vã se lavando, se tornando mais límpidos e leves à medida que a chuva cai.
Às vezes choro com a chuva. Aproveito a carona e deixo as minhas lágrimas caírem, que é pra ficar com a alma lavada.
Às vezes tomo banho de chuva: e como é bom ter a água escorrendo pelos cabelos, molhando o rosto, os olhos, os lábios... molha as palavras que tive que engolir a seco em alguns momentos, molham os olhos e ajudam a lava-los para que eu possa ver o que realmente está por trás de determinadas situações, lava os cabelos que quando estão ao vento desejam ser acariciados.
Gosto da chuva. O cinza dos dias que ela cai nos dá a exata medida de nostalgia necessária para entendermos que ninguém é feliz a todo o tempo, mas que ninguém é triste a vida toda.
Gosto das gotas de chuva escorrendo pelo vidro da janela. Elas me fazem perceber que acreditei a vida inteira que tudo passa, mas na verdade isso é uma falácia. Assim como as gotas d’água que escorrem pela janela e que só completam um ciclo, a vida é assim: as coisas não passam. Só ficam guardadas no sótão da nossa alma, empoeirando-se, esperando alguém entrar lá e revira-las e traze-las à tona. Tudo está envolvido num grande ciclo.
Em dias de chuva penso muito. Em dias de chuva sou menos alegre, mas não muito triste. Em dias de chuva fico na linha tênue de sentimentos: nem lá, nem cá, no meio. Um pouco mais perdida, um pouco mais sentimental, um pouco mais sem rumo...


domingo, 16 de outubro de 2011

Rio que caminha pro mar


Porque não há nada melhor que um banho de mar para lavar a alma, para lavar o rosto e misturar o sal das lágrimas ao sal natural.
Porque o mar me renova preciso ve-lo de quando em vez… preciso ter a exata noção de como é ser água, porque me sinto rio e me sinto mar.
Sinto-me rio de interior, calmaria aparente, sossego, destino certo: sair das montanhas, desaguar no mar. Sou esse rio que transcorre as montanhas, desce a serra e busca desaguar num braço de mar… sou rio que sabe desviar das pedras ou que passa por cima delas. Só depende do momento, da necesidade. Sou rio de coragem que se joga sem medo no abismo e se torna cachoeira, bonita de se ver, perigosa de se arriscar.
Sinto-me mar. Salgada. Às vezes por muitos observada, mas por muito poucos compreendida. Sou mar em dia de domingo ensolarado, cheio de alegria, de pessoas que o aproveitam e se divertem. Posso levar a caminhos desconhecidos, a terras distantes, trazer alegrias que deixam os olhos faiscantes. Posso ser tranquila ou violenta. Maré que sobe devagar ou ressaca de sexta-feira 13.
Sou rio e sou mar. Atravesso serras e planícies sem rumo certo, sem direção apontada, mas o destino desse rio é sempre o mar e aqui está o espetáculo de ser água, de ser eu, rio que desagua em mim mesma, o mar.