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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Urgências




O amor é urgente
Principalmente sob o efeito da saudade.
Nesses dias frios e noites longas,
O que me invade é sua falta
O que desejo são seus calores.
A urgência de amar
Chega a sufocar no peito.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Lareira




Então, faço-me quieta, silenciosa,
Mas, por dentro estou em sobressaltos.
Existindo entre futilidades e noticiários,
Descobrindo-me sensível e forte,
De quereres intensos e imediatos, Violentamente genuínos.
E quedo-me absorvida por seus olhos
Pela paz e calmaria de seus olhos que ardem.
Não tenho pensamentos bons nem maus,
Mas, (im)pacientes e crescentes.
Nominados. Endereçados. 
Quentes. Lareiras no inverno da saudade.



segunda-feira, 22 de junho de 2020

IX - O Buquê




Cabe ao amor ser tanto que expande.
Dissipa obstáculos,
Aplaca os medos,
Transborda em sorrisos,
Conquista as almas.
Cabe ao amor colorir os dias,
Trazer a felicidade,
Experimentar a plenitude,
Colher os frutos meus doces.
Cabe ao amor o perfume das flores,
A beleza do buquê de cores,
O merecimento das glórias,
A leveza de quem se realiza.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Fim de Outono





Acostumei-me à escuridão,
Aos silêncios, penumbras.
Acostumei-me aos vinhos solitários,
Aos sábados longos e lentos,
Como o fim do Outono.
Aos romances apenas nos livros.
Acostumei-me tanto ao frio,
Que me assusto com o calor que emana,
Com as brasas de seus olhos,
Com suas palavras aconchegantes,
Tão normas e macias.
Com a luz que suas mãos representam.
Como romper esse véu
E descortinar o querer?

domingo, 1 de dezembro de 2019

Escalada



À quantas anda tua loucura, 
Tua vontade escancarada,
Convertida em atos de paixão?
Ontem ela escalou paredes
Só pensando "ses" e "senões"
E trocaria tudo pela única certeza:
Aquela que mora nos corpos que se amam.
À quantas andam teus passos
No rumo do concreto,
Esforça-te e faz ou espera absorto?
Ontem à noite ela fez poesia,
Cantou e dançou à sua espera
E, de novo, escalou... pensamentos.
As vontades dela são explícitas:
Penduradas nas paredes,
Quadros de aquarela
E as suas, onde estão?

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Naturais




Relâmpagos cortaram os céus.
Pisquei os olhos rápido demais.
Um trovão rasgou meus ouvidos
E na velocidade do som tive arrepios.
De repente tudo era um breu,
Meus olhos fechados.
De repente a água jorrava
De repente o vapor subia
Tudo isso me tomava
Eram ares de frio e calor
Eram confusões solúveis em saliva
Eram poucas explicações em nenhuma palavra
Por sorte eu tinha suas mãos:
Contornos nos quais eu me sentia amparada.
O relógio estava abandonado na sala
Precipitamos como as nuvens
Desejosas de um desfazer-se
Reinventamos verbos e fenômenos                                         

Fomos naturais.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Serpente



Era uma serpente, cheia de curvas,
Dona de veneno que entorpece, deixa a vista turva.
Deslizando sobre a cama,
Mais parecia lenha a alimentar uma chama.
Ornada com prata e batom,
Realizar desejos era seu dom.
Por entre travesseiros e sonhos pairava
Ignorando por completo que juízos desvaira.
E eu quando arrasto correntes, ela é cada um dos elos,
E se me atrevo poeta, ela está nos versos mais belos.
Ela é uma serpente e me tira o ar
É ímã que prende meu olhar.
Sou o alvo no qual a flecha de seus olhos crava,
Mas não me enxerga, a parva!
Não sabe a força que tem dentro de si
E repousa ali, mansa, delicada colibri.
Parece flor em manhã, orvalhada
Parece inocente, assim, deitada.
Talvez a seja, escultura branca, serva de Vestal
E seja apenas minha essa versão do pecado original.
Mas eu beijaria aqueles lábios vermelhos de maçã madura
E nenhuma pena (de Títio, Tântalo ou Sísifo) me seria dura,
Pois as dores sumiriam na lembrança pouca
Do dia em que experimentei aquela boca.


terça-feira, 20 de setembro de 2016

A Delicadeza do Amor











Na tarde quente de segunda-feira ele estava ali parado, assustado, tremendo, coração acelerado e, nos olhos, um quase terror, especialmente por me ver tão perto.
O pequeno beija-flor conseguia ser menor que minha mão e não ofereceu resistência aos meus dedos que o envolveram sutilmente, esperançosos de que o cuidado lhe caísse bem.
Ao segurar o filhote, que ainda não descobriu o poder de suas asas e a grandeza de sua existência, embora aparentemente pequena se considerada apenas suas dimensões, lembrei-me do título de um filme francês: A Delicadeza do Amor.
Como era delicado aquele pedaço de amor da natureza que eu segurava na palma da mão... e como era frágil e exigia cuidado. Um cuidado tão especial e, ao mesmo tempo, simples, que eu não sabia se poderia dar.
E, olhando de perto, toda aquela fragilidade em vida parecia um espelho: ali, com o coração aos pulos, assustado diante do inesperado desconhecido que poderia cuidar ou encerrar aquele sopro. Era como se eu estivesse me vendo: com todos os medos, com todos os telhados de vidro, com todas as chances de abrir as asas e saltar pelos precipícios, mas sem saber, ao certo, como fazê-lo.
No meio da tarde segurei um fio de vida que sempre admirei em beleza e vitalidade e, no meio da tarde, percebi que sou, na verdade, tal qual o passarinho: um ser alado, que precisa de pausas. Um ser leve que pousa, mas que tem no peito inquietações tão vitais quanto o ar. Tenho um coração de todo o mundo, como todo mundo.

sábado, 9 de julho de 2016

Ameninou-se






Ameninou-se em plena flor da idade. De repente, era menina de pés descalços andando pelo jardim e prestes a fazer uma descoberta. E fez... Colheu a flor-sorriso que lhe foi dada naquele fim de primavera.
Era, na verdade, o fim de duas primaveras: a sua mesma e a daquela porção de terra entre os trópicos.
Fincava de vez o pé na adultice, raízes necessária (?), naquele mundo cercado por filas e bancos e contas a pagar e relógios desesperados pelo tempo a passar. E já não tinha esperança alguma de remoçar, embora fosse muito jovem. Conservava uma alma antiga. De muitos séculos passados, talvez.
Fincava o pé no tempo e no espaço que queria, que acreditava que seria o melhor, mais maduro e saboroso como fruta no pé.
Fixava-se ao chão, abandonando o mundo da lua, as poeiras de astros que colecionava e os sonhos (de princesa) que pareciam simples e bobos.
A adultice exige abandonos que nem sempre gostaríamos de fazer, mas quase sem opções, ela os fez.
Tentava não pensar em nada que não fosse prático e funcional. Era adulta. Muito mais que antes, até. Mas quis o destino, com seus atalhos e desvios, ensinar que os planos são como aviões de papel, sem rota, e, por capricho, ao fim do dia, o sagrado momento do inesperado diante dos olhos aconteceu.
Ameninou-se!
Diante do sorriso nunca visto senão em sonhos, ela teve as pernas encolhidas, as certezas diminuídas e voltou a morar na lua, rodopiando na ponta dos pés.
Ameninou-se e voltou a girar com o vento, a gostar das andanças sem rumo, a ser leve. Ameninou-se como se jamais tivera passado para o mundo dos adultos e deixado sua criança interior dormir. Ameninou-se e voltou a ter seu riso de menina, os olhos brilhantes.
Creu em promessas, escreveu histórias. Amou inocentemente. Era, de novo, menina. A partir daquele momento nunca mais voltaria a ser gente grande. Quando se amenina, não há volta. É Terra do Nunca para sempre!

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Estanque


domingo, 5 de junho de 2016

Sorrisos que Iluminam


sexta-feira, 3 de junho de 2016

Dois Mundos


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Urgências diárias


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Heitor




O grande domador de cavalos atravessou os tempos
Correu pelos séculos,
Por terras desconhecidas.
Deixou seu mundo,
Abadonou seu reino
Ganhou as cabeleiras loiras do sol
A poeira lunar foi soprada em sua fronte
Do céu ganhou a cor dos olhos
Que brilham como as estrelas.
O príncipe não reina mais em suas terras,
Mas em corações
Que o desejaram,
Que o sonharam.
Que hoje o amam.
O pequeno grande Heitor não é mais de Tróia,
Mas é nosso mais precioso tesouro.
O pequeno Heitor é festa,
É alegria, é rara joia!
É saudade que se mata com abraço,
É beijo que se ganha de graça.
É plano dos deuses para a vida dos mortais
É realização de planos,
É incentivo para as batalhas diárias.
O grande Heitor não é mais guerreiro de livros
É, antes de tudo, inspiração de vida.
O príncipe troiano agora é meu
Dorme em minha cama,
Acalma meu espírito.
O sonho de cachos louros é real.
E chora de saudade,
não tanto quanto eu,
Mas já sabe o que é distância.
O príncipe de olhos que ora são azuis, ora verdes,
Sabe o que é ser amado.
Esse príncipe que um dia foi troiano,
Observado pelos deuses do Olimpo,
Agora dorme em meus braços
Fortaleza frágil, mas segura.
O príncipe que usou elmo flamejante,
Descansa em sob meus olhares
Amorosos, vigilantes.
O menino que foi muito esperado
Hoje corre pelos cantos,
Enche a casa e seus espaços,
Faz música com sua risada,
Reina absoluto em minha vida.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Mar sem ondas




Desde que você se foi
Minha voz fez-se silêncio.
Meu mar ficou sem ondas.
Fiquei sem rumo,
Desaprendi a navegar.

Nega-me até um “oi”.
Viver é suplício.
E nas noites faço rondas,
Acendo um cigarro – e eu não fumo!
Sinto que vou sufocar.

Enquanto nosso amor durou
O tempo passou.
Era tudo calmaria…
Agora, falta sossego no meu dia.
Sem teus pés não sei caminhar.

Dá-me a luz dos teus olhos,
Dá-me o sossego da alma,
Pois já não sei se vivo ou se morro,
Se amo ou me desespero.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Explicações


Quem pode me dizer o que é o amor?
Quem pode me dizer como descrever um sentimento?
Hoje tentei.
Peguei papel, caneta e coração.
Sentei-me na mesa com eles e comecei.
Ah, foi um atentativa em vão…
Por mais que a caneta dançasse,
O papel não se deixou pintar.
Por mais que o coração batesse,
Não consegui explicar.
E então, uma voz saiu não sei de onde,
Não sei como, e me balançou:
É que tem coisas nessa vida que não se explica,
Não se sente, não se escreve.
Têm coisas nessa vida que só se sentem.
O amor é assim e se explicar,
Acabou.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Sobre o amor e suas sutilezas



Comecei a organizar os textos que escrevo para não me perder no meio de tantas palavras.
Percebi que tenho temas bem próximos, alguns repetidos, mas o que mais me chamou a atenção foi a facilidade com a qual nomeei uma das séries: “sobre o amor e as suas sutilezas”… lindo! Delicado e tão próximo do que é mesmo o amor: uma variação de sutilezas!
Decidi escrever um texto específico com esse título, pensando nessas sutilezas e só consegui pensar em uma pessoa: minha mãe. Então, para ela, um texto simples, cheio de sutilezas e amor!

Sobre o Amor e suas Sutilezas

(Para ler e depois ouvir Linha do Horizonte – Azymute, uma das músicas preferidas de minha mãe e minha por herança…)

Então lá na década de 80, precisamente em 1984, ela, um moça com seus 19 anos tem um bebê e se torna a minha mãe. Ela não sabia mas naquele dia 20 de novembro ela tinha perdido o seu nome (Edna) para ser chamada pra sempre de “mãe”.
E assim se fez. Virou mãe e cumpriu com louvor a sua tarefa de educar uma menina meio quietinha, meio voltada para seus livros, que crescia e queria mudar o mundo, que achava muita coisa estranha e falava tudo o que pensava.
Hoje, olhando para essa estrada que dura 26 anos percebo o quanto minha mãe, Edna, soube me mostrar todas as sutilezas que podem envolver o amor.
É nessa madrugada quente, insone e ainda com o cheiro da chuva que caiu sobre as terras cariocas por todo o dia que os meus olhos se enchem d’água quando percebo que se hoje eu sei o que é o amor é por conta dela, que todos os dias demonstrava como a vida era, com suas dificuldades, mas sem desanimar e mostrando que quando se ama tudo fica mais fácil.
Para além de eu amar minha mãe só porque ela é minha mãe – e disso ninguém escapa – eu a amo por tudo o que ela é, e experimento nela as várias formas de amor.
Aprendi com ela que o amor é incondicional, que é forte, que supera desafios, que consegue romper as dificuldades.
Muitos anos depois entendi que o amor é sacrifício. É abrir mão de um ou dois ou muitos sonhos para ver o sonho do outro realizado. E eu que pensava que isso fosse uma espécie de autonegação, entendo que é amor: porque às vezes amamos tanto que só queremos o bem e a felicidade de quem amamos.
Vi que o amor é apoiar projetos malucos de uma filha que de repente cisma que vai estudar numa escola que nem sabe onde é; que é achar esquisito alguém que se forme em História, mas apoiar cada etapa de um vestibular.
É ir no quarto de madrugada levar um chá e recomendar um cochilo quando vê a filha se matando de estudar, imersa numa insônia que dura semanas.
É ir no quarto, mesmo quando o seu bebê tem mais de 20 anos pra cobri-lo em noite de inverno.
O amor é dizer não na hora certa. Vai ouvir uns resmungos, umas birras, tolerar uma tromba maior que a de um elefante, mas vai ver que lá na frente o não valeu a pena e trouxe mais valores do que ela imaginava.
Amar é cantar MPB para as crianças. É colocar bandinhas dos anos 70 pra tocar nas festinhas de aniversário dos filhos, ver que eles se divertem e gostam daquilo e que os coleguinhas fazem cara de paisagem… e… é ver que dias depois todo mundo sabe quem é Beatles, The Zombies, Abba.
Uma sutileza do amor é assistir filme de romance enrolada nas cobertas com a filha e chorar litros.
Um presente é poder levar a filha para a maternidade e ganhar um neto no dia do aniversário!
O amor é escrever uma carta de despedida para ir morar em outro estado… é usar Djavan para explicar o que se sente, para mostrar que “amar é um deserto e seus temores”, mas que tudo na vida só faz sentido porque só se sabe “viver se for por você”.
Aprendi com minha mãe que se ama os amigos como irmãos que não se tem, e muito mais, porque esses são escolhidos por nós: fazem parte de nossas vidas, de nossas histórias porque permitimos, porque, de fato, os aceitamos como são e isso é amar!
Por fim, aprendi com minha mãe que amar é assumir muitas responsabilidades, mas é ter o coração pequenininho e mesmo assim fazer de conta que está tudo bem. É não mostrar o medo, porque alguém tem que ser forte nessa casa! É só contar que teve medo depois que tudo já passou…
Amar é deixar voar. É ter olhos saudosos por antecipação frente ao vôo dos filhos, que exploram outros céus, mas sempre voltam pro ninho…
Se tem alguma coisa sutil e intensa é o amor de minha mãe, que recebi, que sinto e que espero, de verdade, saber mostrar para o meu filho.