Visitas da Dy

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Poeira



No relógio o tic-tac não para
O que ele denuncia é o avançar das horas,
Dos dias… da vida…
Lá fora a correria segue.
Eu sigo na poeira dos meus dias…
E por mais espessa que a poeira seja,
Por mais fumaça que haja pelas ruas,
Ainda há alegrias!
E eu as encontro todas as manhãs.
A felicidade me espera do lado da cama
Ali, na cabeceira.
Porque por mais que eu tenha motivos,
O simples fato de ter acordado já me dá forças
Pra encarar toda a maratona que se anuncia.
Hoje eu acordei!
Respirei!
Hoje o céu está mais azul
O vento estpa fresco
Recuso-me a ser infeliz!
E se o sol não aparecer,
Faço um desenho com giz…
O que eu quero é ser feliz!
Vida, aí vou eu,
De mala, cuia e chapéu!

Heitor




O grande domador de cavalos atravessou os tempos
Correu pelos séculos,
Por terras desconhecidas.
Deixou seu mundo,
Abadonou seu reino
Ganhou as cabeleiras loiras do sol
A poeira lunar foi soprada em sua fronte
Do céu ganhou a cor dos olhos
Que brilham como as estrelas.
O príncipe não reina mais em suas terras,
Mas em corações
Que o desejaram,
Que o sonharam.
Que hoje o amam.
O pequeno grande Heitor não é mais de Tróia,
Mas é nosso mais precioso tesouro.
O pequeno Heitor é festa,
É alegria, é rara joia!
É saudade que se mata com abraço,
É beijo que se ganha de graça.
É plano dos deuses para a vida dos mortais
É realização de planos,
É incentivo para as batalhas diárias.
O grande Heitor não é mais guerreiro de livros
É, antes de tudo, inspiração de vida.
O príncipe troiano agora é meu
Dorme em minha cama,
Acalma meu espírito.
O sonho de cachos louros é real.
E chora de saudade,
não tanto quanto eu,
Mas já sabe o que é distância.
O príncipe de olhos que ora são azuis, ora verdes,
Sabe o que é ser amado.
Esse príncipe que um dia foi troiano,
Observado pelos deuses do Olimpo,
Agora dorme em meus braços
Fortaleza frágil, mas segura.
O príncipe que usou elmo flamejante,
Descansa em sob meus olhares
Amorosos, vigilantes.
O menino que foi muito esperado
Hoje corre pelos cantos,
Enche a casa e seus espaços,
Faz música com sua risada,
Reina absoluto em minha vida.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Nós




Nós
Que nos atam e desatam.

Nós
Que nos damos quando nos abraçamos

Nós
Que somos dois em um
Porque somos um olhar para o mesmo horizonte

Nós
Que nos perdemos na noite,
Atropelamos o dia

Nós
Emaranhados de fios
Novelos confusos
De linhas,
De braços,
De sonhos,
De amor…

Nós  
Que fomos, um no outro, amarrados
Que esperamos nunca ser desatados

Descaminhos




E em meio àquela estrada não nos reconhecemos
Nos perdemos
E naqueles caminhos nossos pés se separaram
Se afastaram

Os pés caminhantes chegaram à encruzilhada
As dúvidas dilacerantes tomaram conta dos seres
E só serviram para complicar a caminhada
Embolar todos os saberes

Qual seria o próximo passo?
Voltar, chamar, gritar, pensar?
Amar… e deixar ir, deixar voar…

Quem tem asas e aprendeu a usa-las nunca mais quer saber de chão
E o melhor jeito de mostrar que ama é deixar livre o coração
Voa passarinho, descobre o céu, mas seu serei repouso se quiser voltar.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Mar sem ondas




Desde que você se foi
Minha voz fez-se silêncio.
Meu mar ficou sem ondas.
Fiquei sem rumo,
Desaprendi a navegar.

Nega-me até um “oi”.
Viver é suplício.
E nas noites faço rondas,
Acendo um cigarro – e eu não fumo!
Sinto que vou sufocar.

Enquanto nosso amor durou
O tempo passou.
Era tudo calmaria…
Agora, falta sossego no meu dia.
Sem teus pés não sei caminhar.

Dá-me a luz dos teus olhos,
Dá-me o sossego da alma,
Pois já não sei se vivo ou se morro,
Se amo ou me desespero.

Eu sem você



Eu sem você
Sou domingo sem pavê,
Nada de bom pra ver na TV.
Fim de semana de chuva,
Videira sem uva.

Sou carro na contramão,
Criança que chora na escuridão.
Sou bola vazia,
Tristeza no fim do dia.

Eu sem você,
Caminho pela praia,
Enquanto o vento bate na saia
E já não sei se é dia ou noite,
Porque o passar do tempo me corta como um açoite.

Sou vento sem direção,
Flor despetalada no chão.
Sou só desamor,
Um coração cheio de dor.

Eu sem você…
Sou Dy sem Heitor…
Sou por do sol no Arpoador
Que espera o dia nascer
Sonhando em te ver…


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Madrugada



Aqui nesse quarto
A noite parece tão longa
Conto estrelas,
Converso com a lua,
Besteiras…
É tudo vazio,
É tudo escuro
E teus olhos negros
Parecem me vigiar.
Mas você não está
Nesse lugar
Você não está
Mais do meu lado
Pra onde foi?
Pra onde levou meu sossego?
A madrugada tão fria
Nunca termina
Meu rosto no espelho
Reflete a alma vazia
Pra onde guio os meus olhos,
Agora que não te vejo?
Rolando na cama
Ainda te desejo…
É tudo vazio
É tudo escuro
E os teus olhos negros
Já não me deixam sonhar…
Pra onde foi?
Pra onde levou o meu sossego?
A madrugada tão fria



Nunca termina
Quando estou sozinha…
28 de outubro de 2011


Noites



Em noites como essa
Fico pensando em você
Em noites como essa
Eu só quero te ver
Onde está, que não veio?
No peito o coração se agita
Ah, me dá o teu beijo
Esquece tudo e vem ficar comigo
Então, vem
Dá-me uma chance
Quero te mostrar meu mundo
Vem, traz seu sorriso
Ilumina o meu dia
E vamos ser felizes
Agosto de 2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Explicações


Quem pode me dizer o que é o amor?
Quem pode me dizer como descrever um sentimento?
Hoje tentei.
Peguei papel, caneta e coração.
Sentei-me na mesa com eles e comecei.
Ah, foi um atentativa em vão…
Por mais que a caneta dançasse,
O papel não se deixou pintar.
Por mais que o coração batesse,
Não consegui explicar.
E então, uma voz saiu não sei de onde,
Não sei como, e me balançou:
É que tem coisas nessa vida que não se explica,
Não se sente, não se escreve.
Têm coisas nessa vida que só se sentem.
O amor é assim e se explicar,
Acabou.

Cacos


Palavras,
Facas,
Aço afiado.
Punhal que corta o coração.
Pra onde vão?
Não sei…
De onde vêm?
Da boca que não pensa
Geme,
Grita,
Berra.
Por onde passam,
Furacão.
Ah, e o que acontece as ouvidos,
Aos meus ouvidos que não eram acostumados aos gritos?
Se ensurdecem.
O peito se aperta.
Os olhos se embotam.
A cabeça gira,
O corpo sente
Os sentimentos sabotam.
O que resta depois das palavras?
Cacos.
Os meus, os seus, os nossos,
Que um dia foram dois,
Que um dia se tornaram um,
Que agora se misturam
E que jamais serão os mesmos.
Pisa de leve nessa sala
Toma cuidado com o que sobrou de mim:
Esses cacos, meus cacos,
Podem machucar
Tanto quanto as palavras.
As suas palavras.

Alma acompanhada


E quando o sol se por
E quando o brilho não pousar mais sobre a terra
E  quando a lua não aparecer
Nem as estrelas dançarem no ceu
Que subam as marés
Que soprem os ventos
E façam as folhas secas do chão rodopiarem.
Que folhas loucas se joguem dos galhos,
Que belas flores ornem tua fronte,
Porque mais importante que o ciclo do mundo
É a paz que reina em teu coração.
E quando o que restar for silêncio
E no escuro, a solidão,
Sente o teu corpo abraçado,
Os teus cabelos afagados,
E na ausencia que enche o breu do quarto
Sente a presença anunciada.
Porque a saudade é a lembrança
da alma que já esteve acompanhada.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Sobre o amor e suas sutilezas



Comecei a organizar os textos que escrevo para não me perder no meio de tantas palavras.
Percebi que tenho temas bem próximos, alguns repetidos, mas o que mais me chamou a atenção foi a facilidade com a qual nomeei uma das séries: “sobre o amor e as suas sutilezas”… lindo! Delicado e tão próximo do que é mesmo o amor: uma variação de sutilezas!
Decidi escrever um texto específico com esse título, pensando nessas sutilezas e só consegui pensar em uma pessoa: minha mãe. Então, para ela, um texto simples, cheio de sutilezas e amor!

Sobre o Amor e suas Sutilezas

(Para ler e depois ouvir Linha do Horizonte – Azymute, uma das músicas preferidas de minha mãe e minha por herança…)

Então lá na década de 80, precisamente em 1984, ela, um moça com seus 19 anos tem um bebê e se torna a minha mãe. Ela não sabia mas naquele dia 20 de novembro ela tinha perdido o seu nome (Edna) para ser chamada pra sempre de “mãe”.
E assim se fez. Virou mãe e cumpriu com louvor a sua tarefa de educar uma menina meio quietinha, meio voltada para seus livros, que crescia e queria mudar o mundo, que achava muita coisa estranha e falava tudo o que pensava.
Hoje, olhando para essa estrada que dura 26 anos percebo o quanto minha mãe, Edna, soube me mostrar todas as sutilezas que podem envolver o amor.
É nessa madrugada quente, insone e ainda com o cheiro da chuva que caiu sobre as terras cariocas por todo o dia que os meus olhos se enchem d’água quando percebo que se hoje eu sei o que é o amor é por conta dela, que todos os dias demonstrava como a vida era, com suas dificuldades, mas sem desanimar e mostrando que quando se ama tudo fica mais fácil.
Para além de eu amar minha mãe só porque ela é minha mãe – e disso ninguém escapa – eu a amo por tudo o que ela é, e experimento nela as várias formas de amor.
Aprendi com ela que o amor é incondicional, que é forte, que supera desafios, que consegue romper as dificuldades.
Muitos anos depois entendi que o amor é sacrifício. É abrir mão de um ou dois ou muitos sonhos para ver o sonho do outro realizado. E eu que pensava que isso fosse uma espécie de autonegação, entendo que é amor: porque às vezes amamos tanto que só queremos o bem e a felicidade de quem amamos.
Vi que o amor é apoiar projetos malucos de uma filha que de repente cisma que vai estudar numa escola que nem sabe onde é; que é achar esquisito alguém que se forme em História, mas apoiar cada etapa de um vestibular.
É ir no quarto de madrugada levar um chá e recomendar um cochilo quando vê a filha se matando de estudar, imersa numa insônia que dura semanas.
É ir no quarto, mesmo quando o seu bebê tem mais de 20 anos pra cobri-lo em noite de inverno.
O amor é dizer não na hora certa. Vai ouvir uns resmungos, umas birras, tolerar uma tromba maior que a de um elefante, mas vai ver que lá na frente o não valeu a pena e trouxe mais valores do que ela imaginava.
Amar é cantar MPB para as crianças. É colocar bandinhas dos anos 70 pra tocar nas festinhas de aniversário dos filhos, ver que eles se divertem e gostam daquilo e que os coleguinhas fazem cara de paisagem… e… é ver que dias depois todo mundo sabe quem é Beatles, The Zombies, Abba.
Uma sutileza do amor é assistir filme de romance enrolada nas cobertas com a filha e chorar litros.
Um presente é poder levar a filha para a maternidade e ganhar um neto no dia do aniversário!
O amor é escrever uma carta de despedida para ir morar em outro estado… é usar Djavan para explicar o que se sente, para mostrar que “amar é um deserto e seus temores”, mas que tudo na vida só faz sentido porque só se sabe “viver se for por você”.
Aprendi com minha mãe que se ama os amigos como irmãos que não se tem, e muito mais, porque esses são escolhidos por nós: fazem parte de nossas vidas, de nossas histórias porque permitimos, porque, de fato, os aceitamos como são e isso é amar!
Por fim, aprendi com minha mãe que amar é assumir muitas responsabilidades, mas é ter o coração pequenininho e mesmo assim fazer de conta que está tudo bem. É não mostrar o medo, porque alguém tem que ser forte nessa casa! É só contar que teve medo depois que tudo já passou…
Amar é deixar voar. É ter olhos saudosos por antecipação frente ao vôo dos filhos, que exploram outros céus, mas sempre voltam pro ninho…
Se tem alguma coisa sutil e intensa é o amor de minha mãe, que recebi, que sinto e que espero, de verdade, saber mostrar para o meu filho.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dia de chuva


        
           Nos dias chuvosos fico sempre mais pensativa. Gosto de ficar na janela vendo as gotas de chuva caírem no chão, lavando as calçadas, lavando que passa desavisado nas ruas, lavando meus pensamentos que não me deixam desligar um segundo sequer.
Quando chove penso que o céu está se livrando de tudo aquilo que mandamos a ele todos os dias: as preces, os desejos de que as coisas melhorem, os sonhos que queremos ver realizados, os agouros que sofremos e jogamos nos outros.
Se a gente não agüenta, por que o céu agüentaria? Se nós choramos, por que o céu não choraria? A chuva, na verdade não passa das lágrimas do céu escorrendo pelo infinito que ele circunda...
E por ser lágrima, vem de um choro natural, de desabafo, e nos ajuda desabafar também.
Às vezes durmo com o barulhinho da chuva. Durmo envolta nos pensamentos que vã se lavando, se tornando mais límpidos e leves à medida que a chuva cai.
Às vezes choro com a chuva. Aproveito a carona e deixo as minhas lágrimas caírem, que é pra ficar com a alma lavada.
Às vezes tomo banho de chuva: e como é bom ter a água escorrendo pelos cabelos, molhando o rosto, os olhos, os lábios... molha as palavras que tive que engolir a seco em alguns momentos, molham os olhos e ajudam a lava-los para que eu possa ver o que realmente está por trás de determinadas situações, lava os cabelos que quando estão ao vento desejam ser acariciados.
Gosto da chuva. O cinza dos dias que ela cai nos dá a exata medida de nostalgia necessária para entendermos que ninguém é feliz a todo o tempo, mas que ninguém é triste a vida toda.
Gosto das gotas de chuva escorrendo pelo vidro da janela. Elas me fazem perceber que acreditei a vida inteira que tudo passa, mas na verdade isso é uma falácia. Assim como as gotas d’água que escorrem pela janela e que só completam um ciclo, a vida é assim: as coisas não passam. Só ficam guardadas no sótão da nossa alma, empoeirando-se, esperando alguém entrar lá e revira-las e traze-las à tona. Tudo está envolvido num grande ciclo.
Em dias de chuva penso muito. Em dias de chuva sou menos alegre, mas não muito triste. Em dias de chuva fico na linha tênue de sentimentos: nem lá, nem cá, no meio. Um pouco mais perdida, um pouco mais sentimental, um pouco mais sem rumo...


domingo, 16 de outubro de 2011

Rio que caminha pro mar


Porque não há nada melhor que um banho de mar para lavar a alma, para lavar o rosto e misturar o sal das lágrimas ao sal natural.
Porque o mar me renova preciso ve-lo de quando em vez… preciso ter a exata noção de como é ser água, porque me sinto rio e me sinto mar.
Sinto-me rio de interior, calmaria aparente, sossego, destino certo: sair das montanhas, desaguar no mar. Sou esse rio que transcorre as montanhas, desce a serra e busca desaguar num braço de mar… sou rio que sabe desviar das pedras ou que passa por cima delas. Só depende do momento, da necesidade. Sou rio de coragem que se joga sem medo no abismo e se torna cachoeira, bonita de se ver, perigosa de se arriscar.
Sinto-me mar. Salgada. Às vezes por muitos observada, mas por muito poucos compreendida. Sou mar em dia de domingo ensolarado, cheio de alegria, de pessoas que o aproveitam e se divertem. Posso levar a caminhos desconhecidos, a terras distantes, trazer alegrias que deixam os olhos faiscantes. Posso ser tranquila ou violenta. Maré que sobe devagar ou ressaca de sexta-feira 13.
Sou rio e sou mar. Atravesso serras e planícies sem rumo certo, sem direção apontada, mas o destino desse rio é sempre o mar e aqui está o espetáculo de ser água, de ser eu, rio que desagua em mim mesma, o mar.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Poeminha da correria

Eu paro
Tu corres  
Ele me liga
Ela te olha
Nós nos desencontramos
O dia passa..
A vida vai...
A correria, essa continua
E as horas sempre são poucas,
mas no fundo, 
só pensamos no encontro de nossas bocas


... será isso o que move a vida?

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Abraços III









Uns braços, seus braços… Abriram-se pra mim em um abraço. 

Mostraram-se em segurança e deixaram corações expostos que por pouco não se tocaram ali no meio daquela sala, bateram colados, descompassadamente se encontrando, numa cumplicidade quase clandestina e, talvez, por isso quase encantada.
Ali, poderiam se sentir no meio do mundo e, no meio do dia, parou por instantes toda a correria e eu que era passarinho assustado, acuado e desconfiado, tremi, mas em pouco tempo ganhei força pra voar.
Ali no meio do dia, meus braços, teus braços, nossos abraços, laços que nos prenderam em nós mesmos, um emaranhado confuso que envolvia mãos e dedos numa eternidade finita.
O tempo no relógio não parou, o mundo lá fora não mudou, mas a agonia e a solidão que me pareciam intermináveis aos poucos foram se dissolvendo.
Ali, no meio do mundo tive alento, recebi carinho, apoio de que sairam de uns braços e me encheram a alma...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Não encontramos amigos, reconhecemos


23 de setembro, sexta-feira, dia de correria, de trabalho, de aula, de por o pé a estrada e de subir a serra rumo a Juiz de Fora. 
Rotina agitada, mas já me acostumei. Pelo menos duas vezes por mês é isso: mochila nas costas e saudades, muitas saudades para serem extravazadas nas montanhas mineiras.
Mas essa sexta tem um gostinho diferente e ainda que a saudade da casa e da família seja enorme, já que há 15 dias não vou pra junto deles, hoje o dia tem um quê especial.
Hoje é aniversário de uma amiga que é de uma raridade tamanha, que tem um espaço enorme no meu coração e que merece muito mais do que um simples texto, merece muito mais do que todos os desejos de felicidades que lhe serão desejados nesse dia.
Vinícius de Morais diz que amizade é encontro de almas. E eu assino embaixo.
A mocinha que aniversaria hoje é Semiramis, alma-irmã com quem posso contar. Alma que posso afirmar ter sido um dos melhores achados de minha vida.
Nos conhecemos há pouquíssimo tempo se levarmos em conta os calendários, mas não há explicação para a intensidade dessa amizade. Nem para explicar como começou.
Foi numa sexta-feira! Era noite, primeira aula no curso de pós-graduação em Gestão do Patrimônio Cultural. Eu já conhecia metade da turma: historadores companheiros de curso e, claro, sentamos todos juntos. Semiramis sentou-se longe. Do outro lado da sala. Nos olhamos, sorrimos, tudo muito normal, numa simpatia social e só.
Intervalo das aulas. Trocamos meia dúzia de palavras e só. De volta à sala, a aula se arrastava… nos olhamos e isso bastou pra que pegássemos nossos cadernos – sim! No primeiro dia tínhamos, as duas, cadernos! – e saimos da sala já engatadas num papo animado, tão animado que parecia que éramos amigas de infância.
Duas aulas depois e já éramos assíduas frequentadoras das nossas casas: viramos membros da família uma da outra.
Alguém explica isso? Alguém explica essa rapidez em se consolidar uma amizade? Em se tratando de Edylane eu acho difícil… boa mineira, desconfiada, tímida – isso é sério! – raramente saio me abrindo assim… Vinícius de Morais explica: encontro de almas!
Com a Semiramis passei bons e maus bocados naquela pós. Comemoramos o primeiro contrato dela na prefeitura. Tomamos chuva. Viajamos pra Argirita, trabalhamos no JF Folia – Sodoma e Gomorra! – por três noites seguidas, trabalhamos na w100… ela ainda está lá! Matamos aulas – que feio! – muitas vezes pra ir pro bar beber… coca-cola: por conta do trabalho ela não podia beber. Encontro certo era às 18h no Saulin: x-bacon! O lanche da sexta-feira era sagrado! Depois virei professora dela num curso de extensão da UFMG…
Cineminha na quinta-feira à noite e por R$1,00 a sessão? Era com a gente mesmo: e muitas vezes a gente só tinha as passagens de ônibus e o R$1,00 do cinema.
Vimos a Angelina Jolie bancar o Magaiver em “Salt”. Choramos em “Comer, Rezar e Amar” – era tempo de crise, todo mundo tinha namorado e a gente tinha livros pra ler!
A lista de filmes é grande! Sócias do Cine Palace, o que não era nada ruim: construção tombada, supercharmosa e a gente se divertindo!
Meu filho virou “o meu loiro lindo” da tia Semiramis… minha mãe passou a sentir falta dela quando a carga de trabalho aumentou as visitas começaram a diminuir e o telefone tocava pouco.
2010 não foi um ano fácil. Ao finalzinho do ano pressenti que meu telefone ia tocar. Eu que fico de pijamas até a hora de sair de casa resolvi me arrumar logo após levantar da cama. Alguém podia me ligar e eu precisaria sair correndo: se já estivesse arrumada seria mais fácil.
O telefone tocou. Do outro lado uma voz fraquinha, longe, e uma frase aterradora: “Dy, meu pai…” não quis nem saber. Voei pra casa dela e descobri que quem tinha voado era o Sr. Geraldo… pai de Semiramis, pai emprestado de Edylane. Exemplo, amigo, brincalhão e bom cozinheiro. Voou pra longe de nós sem dar a menor explicação, como quem vai ali na esquina comprar pão e não volta… que dor! Não sei  dia, não sei a hora, mas lembro que sai de casa num dia e só voltei depois de ter certeza de que minha amiga estaria minimamente bem.
Dias difíceis. Até que a dor se trasnforme em saudades demora muito. E acho que nunca se transforma de todo… sempre fica uma dorzinha, como um espinho que não sai nunca.
Superados o susto, a dor, a saudade, as coisas começaram a voltar a seu eixo.
Juntas comemoramos cada etapa da minha entrada no mestrado: aprovação do projeto! Uhu! Festa! Aprovação na prova teórica: oba, bora pro bar! Aprovação na prova de línguas: Yo sabía que hablaba bien el español! Vamos a beber un mojito! Aprovação definitiva: três dias de comemoração sem parar!
No meu aniversário a maior de todas as surpresas: uma festinha na pós e fiquei sem palavras, emocionada, com os olhos cheios de lágrimas… que lindo!
E natal e ano novo e carnaval e páscoa e todas as comemorações e a gente junto! Ah, quantos bons momentos!
Difícil foi ter que vir de vez pro Rio. Difícil foi deixar minha amiga pra trás – e todos os amigos também!
Hoje, acostumo-me à saudade, mas não esqueço um dia sequer dela!
Hoje, escrevo palavrinhas simples, que relembram partes importantes de nossas vidas, que mostram parte daquilo que ela deixou marcado no meu coração.
Hoje busco palavras que sejam suficientemente boas pra dizer o quanto eu amo essa mocinha e o quanto ela se faz importante em minha vida.
Que nesse aniversário, que comemoraremos daqui a pouco, tenha a sabedoria necessária para enxergar os seus obstáculos e encontrar as soluções. Que cresça nas dificuldades, que não me esqueça e que conte comigo. Que seja feliz a maior parte de seus dias, que chore muito de felicidade, que tenha muita saúde, muita paz e amor. Que alcance o sucesso e não perca sua raridade nunca.
Que jamais deixe de ser sincera, forte, crítica, divertida, amável, menina! Esses ingredientes te fazem ser tão especial. São eles que a temperam e a colocam  como um ser tão especial pra nós que felizmente temos o privilégio de lhe conhecer.
Obrigada pela amizade franca e verdadeira.
Obrigada por fazer parte de minha vida.
Obrigada por entra em meu mundo e não o criticar.
Amo você grandão!
Felicidades, minha querida!