Visitas da Dy

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Abraços III









Uns braços, seus braços… Abriram-se pra mim em um abraço. 

Mostraram-se em segurança e deixaram corações expostos que por pouco não se tocaram ali no meio daquela sala, bateram colados, descompassadamente se encontrando, numa cumplicidade quase clandestina e, talvez, por isso quase encantada.
Ali, poderiam se sentir no meio do mundo e, no meio do dia, parou por instantes toda a correria e eu que era passarinho assustado, acuado e desconfiado, tremi, mas em pouco tempo ganhei força pra voar.
Ali no meio do dia, meus braços, teus braços, nossos abraços, laços que nos prenderam em nós mesmos, um emaranhado confuso que envolvia mãos e dedos numa eternidade finita.
O tempo no relógio não parou, o mundo lá fora não mudou, mas a agonia e a solidão que me pareciam intermináveis aos poucos foram se dissolvendo.
Ali, no meio do mundo tive alento, recebi carinho, apoio de que sairam de uns braços e me encheram a alma...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Não encontramos amigos, reconhecemos


23 de setembro, sexta-feira, dia de correria, de trabalho, de aula, de por o pé a estrada e de subir a serra rumo a Juiz de Fora. 
Rotina agitada, mas já me acostumei. Pelo menos duas vezes por mês é isso: mochila nas costas e saudades, muitas saudades para serem extravazadas nas montanhas mineiras.
Mas essa sexta tem um gostinho diferente e ainda que a saudade da casa e da família seja enorme, já que há 15 dias não vou pra junto deles, hoje o dia tem um quê especial.
Hoje é aniversário de uma amiga que é de uma raridade tamanha, que tem um espaço enorme no meu coração e que merece muito mais do que um simples texto, merece muito mais do que todos os desejos de felicidades que lhe serão desejados nesse dia.
Vinícius de Morais diz que amizade é encontro de almas. E eu assino embaixo.
A mocinha que aniversaria hoje é Semiramis, alma-irmã com quem posso contar. Alma que posso afirmar ter sido um dos melhores achados de minha vida.
Nos conhecemos há pouquíssimo tempo se levarmos em conta os calendários, mas não há explicação para a intensidade dessa amizade. Nem para explicar como começou.
Foi numa sexta-feira! Era noite, primeira aula no curso de pós-graduação em Gestão do Patrimônio Cultural. Eu já conhecia metade da turma: historadores companheiros de curso e, claro, sentamos todos juntos. Semiramis sentou-se longe. Do outro lado da sala. Nos olhamos, sorrimos, tudo muito normal, numa simpatia social e só.
Intervalo das aulas. Trocamos meia dúzia de palavras e só. De volta à sala, a aula se arrastava… nos olhamos e isso bastou pra que pegássemos nossos cadernos – sim! No primeiro dia tínhamos, as duas, cadernos! – e saimos da sala já engatadas num papo animado, tão animado que parecia que éramos amigas de infância.
Duas aulas depois e já éramos assíduas frequentadoras das nossas casas: viramos membros da família uma da outra.
Alguém explica isso? Alguém explica essa rapidez em se consolidar uma amizade? Em se tratando de Edylane eu acho difícil… boa mineira, desconfiada, tímida – isso é sério! – raramente saio me abrindo assim… Vinícius de Morais explica: encontro de almas!
Com a Semiramis passei bons e maus bocados naquela pós. Comemoramos o primeiro contrato dela na prefeitura. Tomamos chuva. Viajamos pra Argirita, trabalhamos no JF Folia – Sodoma e Gomorra! – por três noites seguidas, trabalhamos na w100… ela ainda está lá! Matamos aulas – que feio! – muitas vezes pra ir pro bar beber… coca-cola: por conta do trabalho ela não podia beber. Encontro certo era às 18h no Saulin: x-bacon! O lanche da sexta-feira era sagrado! Depois virei professora dela num curso de extensão da UFMG…
Cineminha na quinta-feira à noite e por R$1,00 a sessão? Era com a gente mesmo: e muitas vezes a gente só tinha as passagens de ônibus e o R$1,00 do cinema.
Vimos a Angelina Jolie bancar o Magaiver em “Salt”. Choramos em “Comer, Rezar e Amar” – era tempo de crise, todo mundo tinha namorado e a gente tinha livros pra ler!
A lista de filmes é grande! Sócias do Cine Palace, o que não era nada ruim: construção tombada, supercharmosa e a gente se divertindo!
Meu filho virou “o meu loiro lindo” da tia Semiramis… minha mãe passou a sentir falta dela quando a carga de trabalho aumentou as visitas começaram a diminuir e o telefone tocava pouco.
2010 não foi um ano fácil. Ao finalzinho do ano pressenti que meu telefone ia tocar. Eu que fico de pijamas até a hora de sair de casa resolvi me arrumar logo após levantar da cama. Alguém podia me ligar e eu precisaria sair correndo: se já estivesse arrumada seria mais fácil.
O telefone tocou. Do outro lado uma voz fraquinha, longe, e uma frase aterradora: “Dy, meu pai…” não quis nem saber. Voei pra casa dela e descobri que quem tinha voado era o Sr. Geraldo… pai de Semiramis, pai emprestado de Edylane. Exemplo, amigo, brincalhão e bom cozinheiro. Voou pra longe de nós sem dar a menor explicação, como quem vai ali na esquina comprar pão e não volta… que dor! Não sei  dia, não sei a hora, mas lembro que sai de casa num dia e só voltei depois de ter certeza de que minha amiga estaria minimamente bem.
Dias difíceis. Até que a dor se trasnforme em saudades demora muito. E acho que nunca se transforma de todo… sempre fica uma dorzinha, como um espinho que não sai nunca.
Superados o susto, a dor, a saudade, as coisas começaram a voltar a seu eixo.
Juntas comemoramos cada etapa da minha entrada no mestrado: aprovação do projeto! Uhu! Festa! Aprovação na prova teórica: oba, bora pro bar! Aprovação na prova de línguas: Yo sabía que hablaba bien el español! Vamos a beber un mojito! Aprovação definitiva: três dias de comemoração sem parar!
No meu aniversário a maior de todas as surpresas: uma festinha na pós e fiquei sem palavras, emocionada, com os olhos cheios de lágrimas… que lindo!
E natal e ano novo e carnaval e páscoa e todas as comemorações e a gente junto! Ah, quantos bons momentos!
Difícil foi ter que vir de vez pro Rio. Difícil foi deixar minha amiga pra trás – e todos os amigos também!
Hoje, acostumo-me à saudade, mas não esqueço um dia sequer dela!
Hoje, escrevo palavrinhas simples, que relembram partes importantes de nossas vidas, que mostram parte daquilo que ela deixou marcado no meu coração.
Hoje busco palavras que sejam suficientemente boas pra dizer o quanto eu amo essa mocinha e o quanto ela se faz importante em minha vida.
Que nesse aniversário, que comemoraremos daqui a pouco, tenha a sabedoria necessária para enxergar os seus obstáculos e encontrar as soluções. Que cresça nas dificuldades, que não me esqueça e que conte comigo. Que seja feliz a maior parte de seus dias, que chore muito de felicidade, que tenha muita saúde, muita paz e amor. Que alcance o sucesso e não perca sua raridade nunca.
Que jamais deixe de ser sincera, forte, crítica, divertida, amável, menina! Esses ingredientes te fazem ser tão especial. São eles que a temperam e a colocam  como um ser tão especial pra nós que felizmente temos o privilégio de lhe conhecer.
Obrigada pela amizade franca e verdadeira.
Obrigada por fazer parte de minha vida.
Obrigada por entra em meu mundo e não o criticar.
Amo você grandão!
Felicidades, minha querida!


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Se lembrar de celebrar a vida!


Essa é uma história que começou na História!
Em meados de 2005, eu acho, sou péssima com números e datas, estava eu matriculada em uma disciplina chatíssima – Brasil Império – que eu não consegui conceber até hoje o real motivo dela durar um semestre. O fato é que eu tinha motivos de sobra para não ir às aulas: não tinha a menor afinidade com a minha turma – são pouquíssimos os amigos de verdade que fiz lá. O professor não me apetecia – e não apetece até hoje. E, claro, minha cama era muito mais atraente, confortável e convidativa.
Faltei a maioria das aulas e tive uma surpresa: teria de entregar um artigo sobre a cidade no tempo do império. Divertidíssimo! Ainda pra mim que não gosto de história do Brasil e muito menos a do período do Império. A segunda boa notícia: era em dupla. E como eu tinha faltado a minha parceria seria com quem também tinha faltado. Um tal de Claudiney Arruda, que nunca tinha visto na vida.
Lá fui eu freqüentar as aulas pra ver se conhecia o carinha. E não é que ele apareceu? Veio com um sorriso lindo e se apresentou: “Oi, sou o Claudiney!” Bah! Foi paixão à primeira vista! Marcamos um café, passamos dias conversando na cantina da faculdade – naquele tempo um lugar onde as pessoas se divertiam de verdade! – e traçamos um plano para fazer o tal trabalho: não teríamos um plano.
Os dias passavam o desespero aumentava e ele teve a grande idéia: analisar crimes de escravos na Juiz de Fora daquele tempo.
Grande! Assinei embaixo. Não tinha lá muita escolha.
Foram dias intermináveis enfurnados no Arquivo Histórico da Prefeitura de Juiz de Fora lendo processos e mais processos dos crimes. Papéis amarelados, letras borradas, mas era tudo bem divertido: conversávamos, brincávamos e como bons historiadores, o ambiente era bem agradável – no fundo a gente adora essas “coisas velhas”! – estar rodeados de fontes históricas tão preciosas era mesmo muito bom, embora não fosse necessariamente o objeto de pesquisa que gostaríamos de estudar.
O trabalho foi bem. Concluímos a disciplina e o próximo passo era o de nos perdermos de vista, já que ele era meu veterano. A amizade se encerraria com o fim do período letivo.
Mentiraaa!
A amizade continuou!
Fomos nos falando mais e mais e hoje ele é só um dos meus amigos mais amados e queridos!
Essa volta toda que fiz, indo lá atrás, no curso de História da UFJF é pra dizer que por muitas vezes, na nossa vida, as pessoas surgem do nada. Sem nenhuma explicação. E que ficam pra sempre.
Não adiantou ele ir morar lá do lado de cima dos trópicos. Não adiantou a gente se formar, não adiantou sairmos do trabalho – trabalhamos juntos no CPC! – não adiantou eu trocar de estado! Ainda nos falamos. Nos queremos bem e nos encontramos sempre que dá!
Hoje resolvi escrever para fazer uma singela homenagem a esse amigo fantástico que é o Claudiney Arruda.
Infelizmente não sou boa com as palavrinhas. Não sei escrever textos lindos e emocionantes, mas esse aqui saiu realmente do fundo do meu coração.

Claudiney,
Sou uma amante de livros, poemas, prosas, músicas, conheço um monte de palavrinhas bonitas, mas acho que não consigo ajunta-las de maneira que sejam suficientemente claras e realistas sobre o tamanho do carinho e consideração que tenho por você.
Uma das melhores coisas que a faculdade me deu foram amigos verdadeiros e sem a menor sombra de dúvidas, te-lo como amigo é uma honra enorme. Não há como agradecer pelo bem que me faz sempre que nos encontramos. Não há como descrever o prazer que tenho com as nossas conversas, nossas “smurfadas”, regadas à comidas – nem sempre tão boas – e a um bom cabernet sauvignon!
Quando mudei-me para o Rio e estive a ponto de enlouquecer, o que me segurou foram as lembranças dos meus amigos, os sorrisos que demos, as festas em que dançamos, os aniversários que já brindamos, em especial aquele que foi no meu baile de formatura!
Ai, quantas alegrias já me deu! Quantas alegrias ainda temos por viver!
Que nossos caminhos continuem se cruzando nessa vida!
Que tenha muito sucesso na carreira que escolher, seja como historiador, cozinheiro – acho um charme você com aquela roupa e chapéu de gourmet! – ou como advogado, nova área na qual está se aventurando!
Um brinde a sua vida, a nossa amizade e a tudo o que ainda temos por viver: que a vida compense e que seja feliz!
Feliz aniversário, meu amigo amado!
Muitos beijos!
                                             Dy.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Daqui, Dalí

Tudo bem. Já passam da primeira hora dessa madrugada e ainda não consegui pregar os olhos. Reviro-me nessa cama de um lado a outro e não consigo chegar a um acordo muito simples comigo mesma: preciso dormir.
Na prática é tudo muito fácil: estou cansada e a lógica deveria ser a mesma de sempre – deitar, fechar os olhos e dormir.
Acho que não é tão fácil.
Sinto-me perdida como a Alice, mas o meu país não é necessariamente o das maravilhas. Contento-me em chama-lo de o fantástico Mundo da Dy.
Nesse meu mundinho estou às voltas com algumas questões sobre mim e minhas posturas que me inquietam: penso que tomei algumas atitudes que não são lá o que eu faria há alguns meses atrás.
Tenho feito coisas que nunca imaginei que faria e algumas outras que até condenaria – e condenava e ainda acho errado – mas, apesar de achar que está tudo errado o coração não se arrepende.
Vivo uma autêtinca batalha entre razão e coração.
A cidade maravilhosa me faz ser diferente, mas por vezes o pensamento que eu trouxe comigo lá das terras montanhosas insistem em bater à minha porta.
Não sei o que fazer, como pensar e nem como será o próximo passo. Isso me tira o sono. Que não sou previsível nem sempre foi uma verdade, mas que tenho me tornado assim a cada dia é fato.
Nada de fazer os caminhos de sempre, de ir aos mesmo lugares, nada de ser muito igual ao resto do mundo e muito menos de ter opiniões dentro desses padrões. Acho que aqui tenho mesmo é saído ainda mais dos padrões ou do meu “não-padrão” já estabelecido há muito tempo.
A minha inconstância aumentou em algumas coisas, a opinião formada se desfez em casos em que eu já dava por encerrado e novos olhares se estabeleceram diante de novos olhos – talvez seja isso, novos olhos!
Ainda penso muito em como alguém pode mudar sem necessariamente mudar. Em como posso sentir culpa sem arrependimento, em como posso quebrar as minhas próprias regras, quando achava que eu não me colocava regra nenhuma.
Tenho pensamentos surreais nesse momento.
A cabeça gira num quadro de Dali, borboletas batem asas entre as minhas ideias e as deslocam de seus lugares originais. O que eu pensava ser certo já não tem tanta importância. O que tinha certeza que era errado virou detalhe que pode ser desprezado, sem que faça a menor diferença.
Mas… os detalhes deveriam fazer toda a diferença! Mas isso foi antes… agora, detalhes são só pequenas partes de nós mesmos que podem ficar um pouco de lado enquanto o pensameno cria novas asas e sai voando com as mesmas borboletas que os bagunçaram e olham, com seus novos olhos esse meu fantástico mundinho.
Para ser Alice falta pouco: tenho um mundo próprio, falo sozinha, danço no escuro, não durmo à noite, fiz da minha casa um jardim de lírios e a melhor de todas: preciso ir pra algum lugar que não sei onde é e, então, qualquer caminho serve… só falta me encontrar com Cheshire por aí – aliás, acabei comprando esse livro, o “Alice no país das Maravilhas” pra mim e descobri que tenho muito da pequena Alice.
Acho que resumindo a ópera não consigo dormir porque tenho a impressão de que o bom e velho Heráclito sempre vem me dizer a sua filosofia mais do que verdadeira de que “O mesmo homem não pode atravessar o mesmo rio, porque o homem de ontem não é o mesmo homem, nem o rio de ontem é o mesmo do hoje". O mito do rio só se fez mais claro pra mim quando me encontrei no Rio? Ah, não pode ser! Já cansei de falar sobre isso nas salas de aula! Como podia não entrar em crise lá naqueles tempos e agora perder o sono por uma proposição que foi feita no século VI a. C em Éfeso? Não faz o menor sentido. E nada já faz sentido.
Ai, como eu queria ser a moça do quadro de Dali… cujos cabelos são cachoeira e por onde os pensamentos que ousassem impotuna-la se iriam corrente abaixo… e o seu rio de pensamentos seria sempre o mesmo sendo diferente, numa constância inconstante…
Quem me dera eu ter a solução para os porblemas de todos que me pedem ajuda…
Quem em dera eu saber resolver todas as minhas próprias questões, sanar as minhas próprias demandas…
Enquanto não posso fazer nem uma coisa, nem outra, resta-me revirar na cama numa noite quente nas terras cariocas, buscando aquietar o espírito e  coração, buscando o tal do equilíbrio que nunca encontro, já que vivo nos extremos sempre…
Oh, noite quente de céu cheio de nuvens, se não me deixa ver as estrelas porque então não me deixa ao menos dormir pra sonhar com elas? Pelo menos no mundo dos sonhos corro pelas nuvens, escorrego entre as estrelas e posso caminhar lá onde fico sempre com a cabeça: a lua…
O jeito é tomar chá de morango, ouvir uma boa música e esperar o sono chegar… tomara que ele não demore!



Boa noite pra quem é da noite!
Bom dia pra quem é do dia!

Baci,
Dy.

domingo, 31 de julho de 2011

Noturno

Noite com os gênios do amor e dos estudos -
Pedro Américo - Museu Nacional de Belas Artes -
Rio de Janeiro.

 Com seu manto negro a noite enche meu quarto.
Tudo é breu.
Meus olhos rondam o espaço à procura dos seus.
Tudo é vazio.
O tempo parece parado: o céu está sem estrelas, não há vento, não há sequer o perfume de minhas violetas que enfeitam a cabeceira de minha cama.
A lua hoje não apareceu. Ela está se recompondo para logo brilhar fria e rir dos que amam e acompanhar os solitários. Ela sabe o que sinto hoje, mas não veio. Está dormente.
Até o tic-tac do relógio faz-se mudo.
Por que isso tudo? Já não basta a falta que me faz? É preciso ainda que todas as coisas contribuam para que eu não me esqueça dos seus olhos?
Na noite fria que se estende lentamente pelas horas a fio o que tenho são só pensamentos que não me deixam em paz, não me deixam dormir. Ao contrário, me deixam febril e acabam por escapar como uma oração, como desejos loucos para serem satisfeitos:
Que possa teu corpo dar ao meu o que busco para saciar-me.
Que teus beijos completem meus lábios, tuas palavras entorpeçam meus sentidos, que teus olhos me sirvam de guia e teus pés, além de mostrarem o caminho, sejam a certeza de tua companhia.
Que no vazio da noite eu possa encontrar teus abraços, segurança para uma criança amedrotada.
Que me venha tirar a amargura e solidão que me encerra nesta noite e que possa ser meu dia, meu sol e seus raios que toca a alma e o corpo arrepia.

Estrada Juiz de fora- Rio, 26 de junho de 2011.

sábado, 30 de julho de 2011

Um amigo chamado Leandro..

Oi, Lelê!
E então, nos dias em que tenho amigos fazendo aniversário eu sempre paro pra fazer duas coisas: agradecer a Deus pela vida do aniversariante e fazer uma retrospectiva da amizade.
Gosto de me lembrar dos melhores momentos, de como nos conhecemos, de como as nossas vidas se tornaram melhores porque aprendemos a conviver, a nos respeitar, a nos ajudar.
Nossa retrospectiva é curtinha: começa logo ali em 2004, na faculdade, lembra? Oh, tempo bom!
Livro recomendado para a disciplina
"História e Interdisciplinaridades" -
responsável pelo desespero dos calouros em 2004.
Lembro-me das conversas na cantina do saudoso ICHL, agora com seu “ele” perdido, quando as mesas e as cadeiras eram semelhantes às dos botecos pés sujos onde iamos de vez em quando bebericar. Lembro do nosso primeiro desespero com a prova do Ignácio, onde tínhamos que falar de Marx, Weber e Durkheim, sem nem saber  direito quem eram “esses caras”, claro, com exceção do próprio Marx que dava aula pra gente…
Depois veio as novas incríveis aveturas no Centro Acadêmico de História! Os eventos, a correria, as reuniões, as festinhas… lembrei daquela que até foi dormir lá em casa!
Equipe de professores do CPC - meados de 2007 / 2008
E as viagens? Londrina! Que delícia foi aquela cidade! Historiadores doidos andando perdidos pelas ruas da cidade atrás de comida barata durante o dia e bebida barata à noite!
Depois veio o CPC, fomos trabalhar juntos e era ótimo! A correria do fim da faculdade dava uma distanciada, mas o CPC nos ajuntava!
Mas o que me lembro com mais alegria foi da formatura: do baile! Nos acabamos de tanto dançar! Fomos “até o chão” sem parar e a velocidade 5 do créu foi ficha – depois de, sei lá, seis ou sete drinks coloridos! Rs
Formatura,  julho de 2008
Lembra da valsa que dançamos juntos? Eu me lembro foi a valsa dos amigos… que honra ter podido dançar aquela valsa com você!
Que orgulho olhar à minha volta e ver que sou rodeada de pessoas maravilhosas e que você está entre elas!
Que Deus olhe por você, ilumine os seus caminhos e lhe dê sabedoria para fazer sempre as melhores escolhas. Que não se prenda às mediocridades que nos são colocadas diariamente e que conserve sua essência, porque é sem a menor dúvida um amigo muito querido, muito especial de quem me lembro todos os dias!
Que venham muitos outros aniversários para comemorarmos!
E que venha logo ao Rio, junto com a Vanessa, porque a Lapa vai ficar pequena pra esses historiadores lindos, cheirosos e inteligentes!
Feliz aniversário, meu querido, Leandro!
Beijos,
Dy.

Lidiane, Leandro e Dy - Aula da saudade, 2008.


Niterói, 27 de julho de 2011.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Travessia ou Pessoa-planeta ou Revendo minhas lembranças

*** E mexendo nos meus vários textos manuscritos, enquanto escolhia um pra ser postado encontrei esse aí,qeu na verdade são fragmentos soltos escritos numa travessia da barca, numa noite quente, mas que parecia que o tempo estava parado, sem vento, sem ação. Meu coração estava aflito, ainda não habituado às terras cariocas e confuso, muito confuso.
Parece não fazer sentido para qeum lê, mas faz sentido para mim, para meu coração e para tudo o que eu sentia naquele momento. Desconexo? Talvez! Confessional? Muito!***

E de tudo o que vivemos o que nos sobra é muito pouco. O que levamos é poeira de estrelas perto do espetáculo que o sol dá aos nossos olhos todas as manhãs.


Ser cometa é ser breve. Brilho, fogo, efemeridade. Acabou. O que sobrou? Lembrança.

Ter lembrança é reviver. Ter lembrança é saber que o brilho marca, o fogo queima e que o que passa pode sim ficar registrado, gravado na parede da casa-coração.



Agora no mural da vida tenho sorrisos, olhares,canções e poesia. Cheiros, cores, sabores.

O que alegra a alma se descortina também como melancolia. Lembrar de tudo o que foi aperta o peito e nos faz pensar.

Cismei em comparar as pessoas aos astros, estrelas e satélites celestes. E percebi que somos muito parecidos com eles, ainda que no fundo ninguém seja o sol, embora aqueça nossos dias. Ninguém é só estrela ainda que traga brilho aos nossos olhos e também ninguém é só lua que brilha fria e só. Somos cometas rápidos, brincalhões e planetas, habitados por vários seres que se movem em nós, que dão vida e cor na nossa terra.

A chave dessa questão está bem aí: podemos ser breves, passar como um relâmpago na vida dos outros, trazendo beleza e espetáculo a quem nos vê passar,mas podemos ser planetas.

Podemos permitir um fluxo de trocas com outros seres em nós mesmo, em nossa terra. Esses seres extras, “avulsos” nos trabalham, nos moldam, nos marcam e deixam em nós as doces lembranças. Nos cultivam e nos cativam.


Podemos, devemos nos permitir marcar, nos permitir ter boas lembranças.


Estou aqui revisitando e repintando as paredes da casa-coração. Estou usando cores vivas e revendo vários momentos bons que tive e posso dizer que já vi vários cometas passarem, que não deixaram de me fazer sorrir,mas posso dizer que se não fui até hoje, quero ser uma pessoa-planeta, habitada e que habita em outros. Que cresce e ajuda a crescer.

Quero ser planeta que se permite, sobretudo, visitar o mundo da lua e caminhar acompanhada – ainda que de mim mesma – pela lua, ainda que essa caminhada se dê enquanto passeio pelo parque ou de metrô, porque se tenho o pé no chão, a cabeça está sempre lá na lua...

***Guanabara,29/03/2011***

terça-feira, 10 de maio de 2011

Santos e Pecadores

Estive pensando no porquê de muitos relacionamentos só serem intensos e perfeitos enquanto estão só no plano das ideias.
Não, não sou adepta da corrente platônica e nem sou de viver num mundo inventado, embora invete muitas coisas pra fugir da loucura que é o nosso dia a dia.
O fato é que às vezes conhecemos alguém e sonhamos em como nossa vida pode ser maravilhosa ao lado dessa pessoa. Esse é o problema. E aqui busco o ponto de vista tanto masculino quanto feminino.
Para os homens as suas amadas geralmente são idealizadas como santas. Mulheres 0km. Nunca sairam com outro – quem dirá outros – estavam sempre à espera dele – que diga-se de passagem pode ser um galinha.
Elas são perfeitas donas de casa, mães e esposas, mas sem pensarem que elas podem e devem ser autônomas. Ao meno sinal da indepedência delas eles se assustam e já é um belo começo do fim.
Homens não convivem bem com a ideia de mulheres de opinião, de mulheres que se assumem e dizem do que gostam e do que não gostam. E se elas resolvem por a mão na carteira muitos deles ainda se ofendem – pelo menos os “bons” homens.
Se o assunto for sexo, então, sai de baixo. É só ela dizer que gosta assim, quer assado e ele se espanta, se sente inseguro, acha que ela vai compara-lo com um fulano com quem saiu há anos atrás e é um horror, se comportam feito meninos assustados.
Para as mulheres é mais ou menos a mesma coisa. Os seus homens são todos príncipes, cordiais, abrem a porta do carro, dão flores e lembram todas as datas importantes – importante para elas que fazem questão de resgistrar tudo.
Quando descobrem que o rapaz anda de cueca pela casa quase têm um enfarto. Imaginar que ele não vai se lembrar extamente do dia e hora do primeiro beijo é motivo para uma grande crise existecial onde ela jura que ele não a ama mais.
Se ele já teve 357 namoradas é um galinha. Se teve 35 deve ter um problema, se só teve 7, meu Deus!, ele é um virgem! ou sério candidato a hmossexual ou tem complexo ou outra coisa qualquer.
Onde quero chegar com essa conversa fiada? Simples! Nas nossas histórias pessoais. Todo mundo já teve um amor inventado, idealizado, que não deu certo por não ser exatamente o que pensamos.
Criamos um personagem perfeito para o nosso companheiro e desejamos que ele seja o que desejamos.
Quer ser feliz com alguém? Pense que ele é igual a você, capaz de cometer erros e acertos, com manias, com defeitos e qualidades.
Aceite o outro como uma caixinha de surpresa e surpreenda-se com cada detalhe. Aproveite cada novidade que se descortina aos seus olhos. Aceitar as diferenças e abandonar nossos padrões de senhor e senhora perfeição é bom e todo mundo gosta. Além, é claro, de ser uma indicação do que pode vir a dar dias de descberta e felicidade. Não, nã oé a fórmula do amr ou a felicidade é só um processo de apliação da visão e aceitação do que realmente podes urgir em sua vida, sem truamas, sem stress, só com expectativas boas. So isso. Vamos tentar.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Uma Balada para Z

Z. 
Não, não é uma letra do nosso alfabeto. É mais, muito mais.
É menina-mulher, baiana-paulista, romântica-independente, amiga distante-presente, flor de pêssego: singela quando se expõe, fruta madura, sedutora, mas delicada.
Sonhadora e lutadora saiu do seu mundinho pequeno, campestre, agreste para aquela flor e ganhou o mundo real - existe um "mundo real"? - veio cair na cidade grande, no meio de prédios, ruas e avenidas corridas, selva pronta pra crescer cada vez mais e amassar, esmagar, magoar as pétalas da linda flor.
Não adiantou.
Mesmo a selva crescendo ela foi mais forte e cresceu mais. A aspereza do mundo cede à sua doçura. O sorriso desmanchou a dureza. Ganhou seu espaço.
Hoje vive em meio a outras flores, mas ainda busca companhia, uma que seja só para si.
Toda flor sonha com um beija-flor. ela espera o dela, sem saber que pode já o ter encontrado, que ele pode estar ao lado, que pode ter voado milhas e agora estar bem perto.
A metáfora não para por aqui. segue adiante e vai além: toda flor tem que desabrochar para se exibir mais linda, pra exalar seu perfume estonteante, inebriante, pra atrair seu beija-flor - e alguns olhares curiosos e desejoso, por que não? - ou para ser colhida por mãos cuidadosas que a levarão para experimentar novas sensações.
Deixar-se ver, deixar-se colher. Esse é o segredo que a flor tem que aprender.
Para enfeitar casa-coração passa-se por processo de libertação de si mesma, de abandono da raiz, mas a pena vale a recompensa. Casa-coração vira jardim em festa com flor colocada no jarro novo.
Que a querida Z se embale em uma balada de paixão, que se deixe ser flor, beleza, cheiro e amor.


*** Para a querida Z (Zenilde), que me ensinou que tudo na vida é passageiro e construído em uma deliciosa conversa numa tarde de quinta feira: ela em Campinas e eu no Rio. Porque amizades superam distâncias, sempre. ***

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Criando Asas

Já que seus olhos não me vêem,
Que seus lábios não dizem meu nome,
Que não são meus os teus abraços,
E que jamais provarei teus beijos,
Crio asas.
Voo para longe…
Vou pra onde possa só olhar a vida passar,
Já que não ouve as músicas que canto,
Que não lê minhas poesias,
Que não percebe meu amor,
Viro pedra.
Construo meu castelo e me fecho
Princesa desalento,
Caminho de lugar nenhum,
Rua sem saída, 
Noite sem estrelas.
Dona de olhos que já te olharam,
Mas que agora são só desatentos.
Sou flecha lançada que nunca chegará ao alvo.
Bilhete escondido na gaveta,
História nunca contada.
Amor não revelado
E, talvez por isso,
Não correspondido.

Menina Lua



Menina-lua, de fases,
Cheia de medos, incertezas,
Dúvidas no coração,
Olhar misterioso

Minguante de esperanças,
Cansada da ilusão,
Desistiu do amor,
Sonhos? Todos vãos…

Nova, se revona.
Uma vez despedaçada
Se restaura

Crescentes desejos
De ver tudo mudar
De ver toda essa fase passar.

Edylane - por Ubi de Sá

Pessoas queridas que visitam esse blog, recebi dois poemas lindos!
Joias das mais raras, palavras das mais belas combinadas!

Meu querido Ubi de Sá escreveu estes poemas para mim e compartilho com vocês, como uma maneira simples de homenagear aquele me me homenageou!




Edy

Vou embora de mansinho
na estrela da saudade,
mas te deixo a minha história,
guarda-a se tens vontade.

Deixa a chuva cair sobre meu nome,
se quiseres traz o sol do teu desejo
mas prefiro a languidez da lua
que lembra o pálido traço do beijo

Se sentires minha falta
no longe das madrugadas,
pensa que ainda sou canto
na tristeza das toadas.

Abraça-te em meus versos,
vestígios vivos da verdade louca
de que foste idéia nos meus sonhos
e que existi como palavra em tua boca.

(Ubi de Sá)




e o outro...




E os meus dias são noites
e duram o espaço
de um esquecimento.

Quando me vou de ti,
pleno de infinito,
ressoam meus sonhos
de impossível azuis,
feitos de palavra e poesia.

Então torno-me silêncio
na noite do meu dia


Até o nascer de uma nova lua.

(Ubi de Sá)