quinta-feira, 4 de julho de 2019
Afogamentos
A neblina não me deixava voar. Os olhos não enxergaram o destino, mas a sua voz, as suas palavras que haviam dormido comigo, despertaram também na madrugada, companhia minha. Acalmava-me o espírito da insegurança, estando, ao mesmo tempo, imerso nela própria e em medo.
Eu não bebia de sua mentira, mas de sua omissão (tola sensação de proteção ou excesso de discrição). E temia só pelos meus pés que saiam do chão.
No pouso, a queda em meio ao céu quente e quase estrelado.
A água fria do chuveiro enchendo a banheira, contraste com as lágrimas quentes que me abandonavam e pousavam no jeans molhado de um não sei o quê que me cortava ao meio.
A angústia do desconhecido.
A raiva do ter me doado.
As lágrimas de tanto sal...
Os sonhos de papel.
Tudo foi pelo ralo, misturado: lágrimas, sonho, decepção, vontades.
Sobrou a mim algumas dores, um tanto de cicatrizes, um vazio no peito e um caminho inteiro pela frente.
quarta-feira, 3 de julho de 2019
Onde dorme o amor?
No meu peito fiz acolhida, preparei seu ninho, mas a cama ainda está vazia.
O vento frio quase congela os sentimentos... nada os aquece a não ser (seus) sorrisos.
Choro saudades antigas, desde mil quinhentos e tal... desde terras distantes... desde sonhos surreais e coloridamente confusos. Só você vinha em preto e branco. Pele e manto. Sons desconhecidos, lábios que cantavam.
Onde dorme o amor por esses caminhos, que não comigo? Na beira de outra cama ou na margem da minha poesia?
Onde dorme o amor? Quem o nina? Quem canta versos d'O Profeta em seus ouvidos, relembrando suas asas e doçuras?
Onde dorme o amor? Consegue fechar seus olhos e se entregar ao vagaroso passo da noite ou, como eu, é insone e busca respostas?
Já que não o encontrei nas camas que preparei, nos braços que cedi, no peito que escancarei os sentimentos, faço-me espera, mas sempre pergunto: onde dorme o amor?
terça-feira, 2 de julho de 2019
Memórias de minha terra
(Dy Eiterer para Tufic Nabak, Dezembro 2018)
O ritmo da chuva embala meu sono,
Meu sonho...
O ritmo da dança guia meus pés...
O café, a conversa, o
Família reunida, afeto...
São os sons que me despertam:
Sou sonhador de olhos abertos.
E os cheiros aguçam minhas memória
A terra querida, distante, presente diário no espelho
Em meus traços, meus sorrisos, no que eu sou
Das memórias de minha terra faço prece:
Escutem, irmãos, a chuva é bênção,
Meu canto é oração,
Minha dança, o céu.
segunda-feira, 1 de julho de 2019
Dama da Noite
Exalava o cheiro do amor.
A pele macia e de veludo.
O sangue quente e fluido.
Era desesperada espera.
Eram incontáveis desejos.
A todo momento parecia ouvir a voz dele:
O amado ausente,
O bem querer distante.
E guardava para si aquele som
(Que mal sabia ser real)
Porque, chama, não conseguia mais se conter.
Porque, ausência prolongada, era inquietação.
Porque, dama da noite, perfumava e entristecia.
Ouvia o chamado, rumor distante,
E não se movia: esperava.
Sabia que o seu canto o traria.
Sabia que sua voz bastaria
Para vencer as distâncias que os separavam.
Estava certa que a noite escura e silenciosa chegaria ao fim.
Estava certa, em seu íntimo, do ritmo do tempo
E esperar não era dor.
Era preparação
Pra esta vida ou outra,
Para o mesmo amor de sempre
Ainda que os tempos fossem outros,
Porque as almas eram as mesmas.
domingo, 30 de junho de 2019
Aconchego e luta
Eu queria suas mãos em mim
Fazer-me caminho de seus sonhos.
Eu queria deitar em seu colo
E imaginar um futuro.
Eu queria construir planos fora do papel,
Acordar sua, nua, invadida de amor.
Eu queria que a noite fosse o que ela é:
Lua, estrelas, segredos, desvarios.
Mas, agora, a noite é metáfora sombria.
Caio em seus braços aflita.
Sua mão cala minha boca.
Temos medo dos dias sem luz.
Seu ombro é meu porto de lágrimas
Desfaço-me ali aconchegada:
Desterro minha subversão,
Não nego a luta,
Sofro por antecipação.
Eu queria acordar e ser diferente,
Mas diante das sombras bebo o temor.
Segure-me até quando der
Escorregue seus dedos em meus lábios
Colha meu silêncio abafado:
Ele será minha semente de flor.
Que, como meu amor, a existência ousou.
domingo, 23 de junho de 2019
Pretérito perfeito
Abandonei minhas tempestades
Quando encontrei seus sorrisos-sóis
Desde então, bebo a brisa de sua presença
Sofro angústias de sua ausência:
É quando sou levada por um delicado furacão
De arrebatamento e saudades
De lembranças quentes, arrepios tórridos.
Fecho os olhos e recorro às noites
Nelas transito entre os tempos
E salto para o passado em que sou mais que perfeita:
Tenho montanhas escaladas por sua língua
Cavernas que lhe abrigam sob estrelas
E de sua boca recebo sensações que mordem,
Que invadem meus limites de dor e prazer
Que inflamam meus desejos
E os misturam com bem-querer.
Se abro os olhos, volto a viver:
Despeço-me de você
Convivo com a falta.
Deixo, então, os olhos fechados,
Relembrando, revivendo, regozijando
Os momentos que tive de puro renascer.
Poíesis
Alimento-me de suas palavras
Que me causam arrepios e sensações.
Preenchem-me de amor e desejo,
Invadem meu peito e fazem morada.
Respiro sua poesia.
Ela adocica minha voz.
Ouço sua poesia.
Ela passa a fazer parte de meus poros.
Vejo sua poesia.
Ela alarga a beleza dos meus horizontes.
Bebo de suas palavras.
E imagino que é de sua boca que elas saem
E imagino que é pelo seu corpo que elas correm
E imagino que mesmo diante dessa fonte
Eu jamais me saciaria
Mas passaria a viver de poesia.
*Do grego “poíesis”, gerou a palavra portuguesapoesia. Na e pela “poíesis” o próprioreal se destina no homem para que este o realize numaplenitude que o próprio real por si não realiza. Na e pela “poíesis”, o próprio real se constitui como linguagem, mundo, verdade, sentido, tempo e história, em qualquer cultura"
segunda-feira, 17 de junho de 2019
Teimosias
Aos avisos que me foram dados,
Dei de ombros,
Larguei pelos caminhos,
Ignorados.
Se não era pra seguir,
Por que havia estrada ali?
Fiz ouvidos de mercador,
Não ouvi as conversas bizantinas,
E cá estou: caminhante-teimosia.
Se o precipício é sem fundo
Talvez eu aprenda a voar.
Se não, terei cacos pra ajuntar.
O que não posso é recuar.
Tenho ainda sonhos embalados por um realejo
Tenho o arrepio na pele (dos desejos)
E salto-alto-vermelho...
Dizem que amor é queda-livre...
Eu me jogo.
Segura?!
sexta-feira, 17 de maio de 2019
Olha o Golpe
Pela família.
Pela moral.
Pelos bons costumes.
Por Deus.
Por Deus!
Derrubaram a mulher.
A mulher guerreira na ditadura.
A mulher envergada na ditadura.
A mulher presidenta da República.
Os homens em seus ternos sufocados,
Em suas mentiras afogados.
Defendendo sua integridade
Ou a integralidade
De sua mamatas.
A mulher incomodava
Mais por seu batom e saltos
Ocupava "lugar de homem".
Foi achincalhada. Desrespeitada. Vilipendiada.
Caiu.
Olha o Golpe!
Três anos!
Mais de mil é uma noites de pesadelo...
Olha o desmonte!
Previdência e aposentadoria
Educação e pesquisa
Corrupção já faz parte do pão nosso de cada dia:
Tem que ser engolida a seco.
"Mas se for ruim a gente tira"
E só o que tiram são meus direitos.
"Mas se for ruim a gente bate panela"
E as panelas estão vazias de comida
Os ricos sem argumentos
Os pobres (quase) convencidos pelo discurso divino:
Deus ajuda quem cedo madruga.
Eu tenho é a força de Maria, Maria
Que tem fé na vida,
Que ganha as ruas e grita
Que se cansa e briga
Que chama a greve e denuncia:
Basta de Catilinas!
Olha o Golpe!
Eles comemoram
Eu bebo molotovs
Estou prestes a explodir,
Mas sem lutar eu não morro.
segunda-feira, 29 de abril de 2019
Parindo Estrelas
Por vezes, escrever é a única coisa que me acalma, me liberta, me salva. Diante de uma folha em branco, com a caneta na mão, posso povoar aquele universo inteiro com sentimentos, como se eu fosse o céu e estivesse parindo estrelas que, por vocação, servirão de alento, esperança, conforto. As palavras saem de mim. Eu me abandono em cada uma delas e passo a habitar entre margens como uma singela forma de estar em vários lugares ao mesmo tempo: moro em cada um de meus escritos, onde quer que eles estejam. Nasci poesia. Sinto demais. Escrevo demais. É o esvaziar-me que me dá vida. É a palavra que me salva e, por ser eu mesma quem a (re)cria, sinto-me tão sagrada quanto ela: coexistência divina. Sou verbo. Ação.
domingo, 28 de abril de 2019
Da despedida de um amigo
Eu ainda não sei bem se meu café com cardamomo vai ser o mesmo amanhã. Se quando eu dançar um dabke, terei a mesma alegria que tive antes. Eu nem sei bem em quanto tempo vou conseguir lidar com a saudade.
Despedir de um amigo sempre foi algo que me assustou. Não sei lidar com perdas: de jogo de botão a adeuses longos. E hoje foi dia de adeus.
Hoje foi dia de refletir a brevidade, de colher lágrimas em abraços benfazejos, de repensar a dança, a vida, sentir dor e alegria ao mesmo tempo: aquele que se vai cumpriu sua missão. É uma felicidade chegar ao fim do trajeto e ser sinônimo de boas lembranças! Mas, sou egoísta, e me dói saber que amanhã beberei sua ausência.
Hoje eu queria um afago na alma, um cafuné em cada um que chorou comigo.
Hoje eu queria só amor, ser um vento calmo, mas fui lágrima e sal.
Hoje aprendi mais uma coisa com meu amigo: o sonho vale a pena e precisa ser continuado através de quem fica. Agora, todas as vezes que eu dançar, será por sua memória.
Agora que não está aqui e não me incentiva, me inspira. E será por sua lembrança que meus pés encontrarão os palcos.
Ao querido amigo, Tufic Nabak, que hoje é muito mais luz do que já havia sido em vida.
quinta-feira, 25 de abril de 2019
Habitação
Habita em mim uma deusa,
Um sonho, seu som ancestral.
Habita em mim uma força,
Um lamento, um grito silencioso.
Habitam em mim gestos coloridos,
Traduções de meu eu em movimento.
Não sou mais que um eco rouco.
Não sou mais que a prece fervorosa.
Não sou mais que o milagre da vida,
Sua necessidade, seu colo,
Seu respiro, seu alimento.
Sou a fértil margem do rio,
O calor do sol e a força da lua.
Sou o que lhe cabe nas mãos e escapa:
Sou o tempo dançando na imensidão.
Não me descobri no mundo...
Foi o tempo que se encarregou de me encaixar.
Lugar nenhum me cabia,
Mas o ritmo, a dança, me cadenciam
Sou levezas, um pouco de cada deusa,
Transformo-me em sutil poesia.
Ganho asas, pássaro sagrado,
Pousado nas margens do passado,
Dançando no meu mundo-presente
Sou, antes de tudo, faísca.
Sou parte da criação divina.
Danço o som do universo.
Habitamos o mesmo ritmo.
domingo, 21 de abril de 2019
Bailarina
Tendo nascida um pouco mais forte de que a maioria em seu tempo, ela, de envergadura pequena, mas de muita presença de espírito, tinha pouco mais amigos que dedos nas mãos e um coração-terra com o qual travava diálogos truncados no espaço-tempo de longas madrugadas, deitada na cama, na penumbra.
Quis o destino que ela soubesse o que era o amor-par apenas por ouvir falar e que o cultivasse não da forma romântico-encantada dos contos, mas de modo saudoso, como quem já o experimentara, deixando-o quase de lado. Dedicava-se, por outro lado, aos amigos-sementes, que lhes floresciam no coração.
De certo, cansada da jardinagem diária, sentindo-se sozinha em uma noite outonal indagou seu coração:
- Então, coração, você que floresce amizades, que esbanja amor-fraternal, o que me diz dessa sensação de lonjuras que me vem a cada vez que me deito e olho para as solidões de meus caminhos?
- Ora, pequena jardineira, não sou eu a terra em que firmas suas sementes. Sou, nesse caso, de contrários: sou a semente dormente, cujo amor latente vem de longe no tempo, de passados. E, embora sofra de dias nublados, repara bem nos brotos que já me saltam quando certo sorriso-sol me aquece...
Cansada, adormeceu aconchegada entre aquelas palavras e, tão logo despertou, passou a observar os sóis que lhe faziam generosas carícias quentes com seus sorrisos até o momento que, de súbito, o rosto corou... a pele ardeu, o peito parecia romper-se e o coração, aos pulos, lá no fundo gritava:
- Dê boas vindas à primavera da vida: floresci! Sou oásis em seu peito que era deserto... Estenda a mão e colha o seu amor-par.
Ainda desnorteada estendeu a mão e ouviu a música do universo tocando para que, entre levezas, com seu par, deixasse de ser jardineira e se tornasse bailarina.
sábado, 20 de abril de 2019
Janela
Toma conta de mim.
Cede seu (a)braço um pouquinho.
Mesmo nas horas que eu pareço forte.
Às vezes, preciso fugir de mim.
Seja meu abrigo.
Eu pareço dar conta de tudo,
Mas tem uma hora que estanco. Sofro.
Choro.
Quero colo.
Careço de sorriso,
Seu carinho em meus olhos,
Minha paisagem favorita.
Às vezes, quero me abrir feito janela:
E ver você debruçado em minhas margens.
quinta-feira, 18 de abril de 2019
Tatos
Pouco sei dizer do teatro da vida, mas me lembro bem daquela aparição no palco de minhas histórias.
Tinha uma iluminação que transpassava minha inspiração de recém-poeta, que aclarava os sentidos ao mesmo tempo me levava para outro lugar que era completamente alheio ao que já conhecia.
Era uma iluminação sagrada da qual tornei-me alma devota, entregue ao encantamento, ao desalinho de um não-sei-o-que-fazer, de um saber que, daquele momento em diante, eu deveria ser espera.
Aceitei o espetáculo ingênuo e singelo que o amor apresentava como quem não tem outra alternativa a não ser beber da eterna confusão dos corações que pairam entre a ilusão e realidade. Agora, aprendi a lidar com a luz que ofusca meus olhos: ela ensina-me o tato. E, enquanto anseio pelo toque, tateio sentimentos e sou expansões de compreensão, cuidado e sonho.
quarta-feira, 17 de abril de 2019
Espera em Movimento
A mulher que lhe ama, hoje, saiu atrasada de uma cama que mal reconhecia. Sacudiu os cabelos molhados, recolheu a roupa do chão e não deixou bilhete de bom dia. Não vai ligar pra ele. Nem sabe se atenderá a ligação que ele fará.
Ela pairou ali, naquele lençol por diversão, por vontade, porque nenhuma espera precisa ser estática.
A mulher que ama você foge às suas regras: pede uma cerveja, ri alto e serve no jantar uma comida congelada. Ela tem as próprias rédeas e raramente as usa.
A mulher que ama você poderia mudar o mundo, poderia correr até você, poderia por-se aos seus pés, mas, ao contrário ela o faz enxergar o mundo como um turbilhão. Ela o faz correr pelas ruas sem pouca direção. Ela lhe dá pés para a caminhada e sabe que as histórias serão longas. É por isso que ela lhe espera chegar. Mas a espera dela é agitada. É fuga da monotonia. É fuga da saudade que ela tem dos dias que ainda não vieram.
A mulher que lhe ama diz seu nome ao vento enquanto ouve sua música favorita. Ela o enxerga nos detalhes que têm seus traços, seu cheiro, suas cores. E ela o espera, mas nunca vai parar por você, porque ela é movimento.
terça-feira, 16 de abril de 2019
Ferida
Não, eu não quero lhe ver
Depois de ter-lhe sonhado a noite inteira.
Não quero relembrar o cheiro
Que ainda estava no travesseiro.
Não vou atender as ligações,
Quebrar o silêncio,
Embriagar-me com sua voz.
Hoje não responderei ao bilhete entregue a outrem
Quando poderia te-lo deixado sobre minha mesa.
Não, eu não vou dizer uma só palavra
Vou guardar a saudade que é só minha
Esconder a euforia que sinto ao vê-lo.
Vou esconde-lo de mim, em minhas entranhas.
Vou apaga-lo dos meus dias.
Vou libertar-me percebendo sua ida
Vou lamber minhas feridas
E vou renascer
quinta-feira, 14 de março de 2019
Marcas (Epitélio)
Então, despida, só terei no corpo as marcas que se tornaram naturais. Meu símbolo preferido exposto. Cru. Sem explicações. Apenas ele, compondo minhas complexas fases, reverberando parte do que acredito. Ora amuleto da sorte, ora lembrança do que fui, sempre sinal de minhas escolhas.
Não terei muito mais do que olhares e entrega. Palma da mão estendida, olho aberto, espera... A boca semi-calada, bebendo suspiros. Ouvidos atentos, colhendo frases como mãos em concha cheias de areia.
Serei eu, envolvida nos escuros de meia-noite, a guardar meus segredos, a ser silhueta, pronta para desfazer-me em suas pontas de lança, que, pela aveludada confiança, podem matar-me em afogamentos de desejos?
Serei eu o alvo da seta?
Serei?
Sou, pouco mais do que posso, esse quê de liberdade e fantasia, de sonhos e feituras, de querer-me bem, mais do que a você, mas ainda lhe quero.
sábado, 2 de março de 2019
Sem mapas
Os caminhos são vaaaaastos
E não tenho nenhum mapa.
Mesmos as linhas retas me soam labirintos.
Não que eu esteja perdida.
Não que eu não saiba onde vou.
É que gosto de olhar o futuro pelas janelas do passado
E deixo o tempo escorrer pelo meus cabelos
Como se fosse o vento...
Sinto-me leve
E desejo voar até você.
Onde é seu ninho?
domingo, 6 de janeiro de 2019
Coisas Simples
O que sei do amor ficará para sempre nas coisas simples que experimentei.
A vontade de ver você chegar, de beber em seu copo e sorver beijos.
A cor do céu quando o sol se foi e a tempestade caiu, fazendo brilhar os meus olhos.
O seu cheiro na camisa. A cor do pneu e do asfalto nas viagens.
O gosto da bebida. O mundo girando. As ideias girando. As pernas tremendo. O sono manso da tarde de domingo. O abandono do corpo na cama macia.
O que sei do amor pode ser contornado pelos meus dedos, emaranhado de cabelos, silhuetas na madrugada, páginas de livros.
O que sei do amor, nunca vai ser escrito, descrito, às vezes, nem vivido. Mas permanecerá, pra sempre, entre as coisas mais simples.




















