Visitas da Dy

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Tambor




Esticaram a pele cuidadosamente
Curtiram-na no calor do sol
Prenderam-na nas bordas
E deram o primeiro som
Como um surdo que cadencia
Um samba alegra.
O resto animou-se ao som das liras,
A mesma feita das tripas,
Quando nada mais restava ao coração.
Como aquele tambor recém-feito
Pôs-se a bater o meu peito
Vai no compasso de seu passo
Segue o ritmo que os olhos ditam
Quando veem você se aproximar
Meu coração é tambor.
Pobre dele!
Ai, de mim!
Se me passas e não olha: quanta dor!
Mas se volta e sorri,
Meu samba da vida
Se abre em flor!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Postal




Cheguei cansada dos trabalhos feitos no dia. Talvez mais cansada que o de costume. Heranças de noites passadas e mal dormidas.
No meu rosto, uma expressão cansada, pesada, quase desaminada se completava com um bocejo enorme, daqueles que não se pode conter.
"Tem um postal pra você, mocinha!" falou entre um sorriso o meu porteiro, sempre bem humorado.
"Jura?!" Eu duvidava. Esperei ansiosamente pelo papel, que eu já sabia vir de algum canto da França, já que nunca sei os nomes dos lugares e as suas regiões geográficas - besteiras pra quem é historiadora e lida com nomes, datas, lugares e regiões o tempo todo.
Meu postal era lindo, é lindo! Ville de Sete, é o porto que está estampado, com uma embarcação bem colorida, onde se acredita, segundo o meu remetente, ter sido o ponto de partida dos cruzados.
Fechei os olhos, segurei firme meu cartão ainda no elevador e senti o cheiro de sal, gosto de mar na boca, que se sente quando se está num porto. Dei um pulinho ali no velho mundo, subi na embarcação colorida, com o mesmo nome da cidade, saudei meu remetente, que mais que um postal, naquela noite me forneceu um passaporte para navegar no Mediterrâneo, entrei em casa, meti-me nos pijamas e fui para a cama, às sete da noite - qualquer semelhança com o nome do porto é coisa da cabeça de quem está lendo - e dormi tranquila, como se estivesse, de fato, naquela embarcação, sendo embalada pelas ondas mediterrâneas.
As coisas simples da vida, como receber um postal, realmente me fazem compreender que a felicidade é um amarrado de momentos singelos, que encontramos por aí, com Guimarães Rosa, nas horinhas de descuido.

*** Para o Matias, que me deu uma enorme alegria com um simples postal! ***

Mar de Chateação




Eu tenho as melhores companhias do mundo.
Ao meu lado tenho amigos queridos, pessoas inteligentes, que não me cansam, não me entediam e me dão muitos momentos de alegrias.
É fato que tenho me entediado um pouco - ou muito - com as pessoas, o que me leva a fazer a famosa pergunta que todos nós já nos fizemos: "Mas que raios estou eu fazendo nesse lugar?".
Pode ser que eu esteja só imersa num grau de exigência cada vez maior, querendo extrair o melhor de cada pessoa e, se uma delas não consegue me doar algo que eu ache suficientemente bom, entedio-me rapidamente.
Pode ser que eu tenha só me acostumado com o jeito e as manias e as personalidades de meus velhos e bons amigos, colocando a placa "NÃO HÁ VAGAS PARA NOVOS AMIGOS" bem na minha testa e, por isso, refuto logo qualquer neófito que tente se lançar na empreitada.
Pode ser só um período de quase esquizofrenia, no qual não quero, por nenhum motivo específico, me relacionar com essas pessoas que me parecem, não chatas, mas tediosas, me entendam.
É como se elas fossem aquelas reprises de filmes  conhecidos que passam na TV, à tarde, e que em certo momento até topamos ver de novo, mas que nos deixam entediados com a frequência que passam e por não acrescentar nada.
Exigência, esquizofrenia ou momento "don't disturb", o fato é que estou entediada e nem meu café num lugar desses bem charmoso tem resolvido.
Preciso logo prestar mais atenção às coisas simples da vida: elas hão de me salvar desse enorme mar de chateação...

Realidade Virtual




Convivo com pessoas que não despertam minha atenção.
Despeço-me de pessoas que são muito queridas.
Na roda da vida, que gira e gira,
Esmagam-me os sentimentos,
Dilaceram-me os sentidos.
Pouco se importam com o que se passa aqui dentro.
Pouco se importam se essas peças que vão e vem
Fazem, no conjunto de minha obra,
O mosaico mais bonito, daqueles que lembram Gaudí.
Nessa correria acinzentada que nos forçamos,
Todos os dias, a correr
Deixamos muito de nós para trás
E já não conseguimos nos (re)fazer.
É um movimento contínuo,
Injusto,
Infame!
Nos faz perder de vista quem nos coloria os olhos
Nos faz olhar constantemente
Para muros beges e marrons
Pichados de preto.

(-Seria isso um luto velado?
O nosso próprio luto,
Do qual sequer damos conta?)

Seguimos nossos caminhos nas distancias geográficas
Diminuídas pelas palavras que já não voam mais.
Não carregam mais nosso traço próprio,
A nossa caligrafia mudou:
Agora chama-se "times new roman"
Ou com um pouco de sorte "arial".

(Em tamanho 12, por favor,
Os olhos já estão cansados,
Precisam de letras maiores)

Nossas palavras agora percorrem mais distâncias
Em tempos menores:
Estamos na era digital!
Nos transformamos num emaranhado louco
De zeros-e-uns, o tal binário,
Tudo isso pra estar onde gostaríamos e não podemos.
Tudo isso graças à tecnologia,
Nosso orgulho,
Nossa sorte,
Nossa aventura para nos superar,
Nossa desventura em nos separar.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Incerteza




Era inverno e o sol teimava:
Aparecia só pelo prazer de aquecer os corações.
Era uma manhã como todas as outras,
Já dourada.
Os dias seguiam como todos os outros
E por mais que ninguém entendesse,
Aquelas vidas tinham uma dinâmica própria:
Eram almas companheiras,
De caminhos, de vidas, de amores,
Por mais que isso lhes causasse dores,
Não sabiam mais se separar.
Por mais incerto que o destino fosse,
Que ninguém os perguntasse,
Por mais que não quisessem,
Os olhos dela brilhariam todos os dias
Ao ouvir a canção que embalava sua história
Todos os dias ela teria uma alegria febril,
Dessas de arder o sorriso e o coração
Por mais que soubesse que a alegria era incerta
Mas era bem melhor deixar dessa forma
Era bem melhor deixar que o dia seguisse seu caminho,
Que a vida levasse seu rumo para o além-mar,
Para o além dos sonhos e das compreensões dos comuns
Era com olhos de maio que ela via o futuro:
Como quem espera o outono passar,
O frio esquentar para a primavera chegar,
Porque as novas flores, as novas cores,
Mais uma vez trariam as certezas incertas
De que esse era o melhor ritmo que poderiam ter.

Sonho de Ícaro




Eu que busquei tantas vezes um lugar só meu
Agora acho todos os espaços vãos,
Ocos, mudos, surdos.
Muito espaço, pouco abraço.
Eu que quis asas
Não sei agora pra onde voar
Parecia mais perto quando era distante
Era longe do meu lado
A linha do horizonte nunca se aproxima,
Brinca diante de nossos olhos e não se deixa alcançar
Por mais que eu tente, até ela não consigo chegar.
Logo eu que sonhava  com a liberdade,
Agora caminho por aí, descuidada,
Largada aos quatro cantos do vento,
Como poeira dançarina na luz do sol:
Sem rumo, sem direção, mas leve.

Raio de Luz



A partícula de poeira voa.
Dança a bailarina quase invisível.
Perde-se no vento,
Faz rodopios no ar.
Quando menos se espera ela é vista:
Foi pega num raio de luz.
Agora, comparo-me a ela:
Canto, danço, escrevo, vivo,
(Quase invisível)
Perco-me em pensamentos:
O mundo não me vê,
(--- será?---)
Mas eu o vejo e estranho:
Até parece que não sou daqui...
Até parece um teatro

(Mas não sou boa atriz)

As cortinas irão se abrir...
As cortinas irão se fechar...
E serei pega num raio de luz.
Aplausos para mim!

- Bravo! Ela era quase invisível,
Mas soube viver!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sem Pressa




Calma, criança!
Não é o fim do feriado!
Nem tão pouco o último fim de semana.
Ainda teremos sorvete no freezer ,
Pipas pelos ares
E músicas nos realejos

Ah, sim, os realejos não fazem parte de seus dias...

Por que tanta pressa pra viver?
Os dias são longos...
Há ainda muito poema pra se escrever.
Deixa eu pegar os meus óculos e ler um livro pra você!
Dá tempo de cantarolarmos mais uma canção.

Não busque o tempo certo das coisas.
Não há o certo
E talvez nem haja o tempo.
Esse tica-tac que se ouve é só o som da máquina
Da nossa escravidão em nós mesmo
Das amarras que criamos para a nossa pressa.
Colocamos prazo de validade nos nossos sonhos
E eles se desfazem.
Não há tempo de ser feliz.
Isso não é agendável
Acontece
Principalmente quando se trata de pessoas como eu
E como outras tantas, talvez até você, quando crescer!
Somos do tipo avoadas,
Apaixonadas pelo vento
Instáveis.
À nossa maneira vamos levando os dias
Sem pressa, sem correria
O que vier é sempre novidade
É sempre mais uma possibilidade
É assim que se caminha
É assim que eu vejo o mundo
É assim que estruturo a minha vida
Sem contar os dias
Sem contar as horas
Sem esperar pelo que vem
Porque o futuro sempre chega
Se transformando em presente,
Sempre presente.

Café com Tristeza




E como quem não quer nada,
Irá me convidar para um café.
Aceitarei feliz.
Alegro-me com seus convites.
Por mais que saiba que dali sairão palavras de despedidas,
Que irei sofrer, eu vou!

(Mas não chorarei na sua frente!)

Tomarei um chá bem quente
Para queimar a língua e as palavras
Todas aquelas que não terei coragem de dizer
E as engolirei, quase sufocada.

Ao final de quarenta minutos vai pegar nas minhas mãos.
Vai dizer que sente muito, mas que o caminho é longo.
Vai pegar seu guarda-chuva.

Vou te imaginar com um chapéu,
Só pra despedida ficar mais charmosa,
Menos dolorosa.

Vamos nos olhar e você vai sair.
E eu...

Bem... 

Eu vou continuar ali,
Com meu café
E minha tristeza.

Claridade




Eu não quero cruzar estradas
Voltar a morar nas montanhas
Ou ficar pra sempre à beira do mar.
Não vou migrar para outras terras
Ou deixar meu barco à deriva.
Nada disso adiantaria.
Nada disso me traria o brilho no olhar.
Aquilo que se apaga uma vez, não volta.
O fio implacável de suas palavras chegou a mim
Cortou-me, separou-me do brilho que eu tinha
Tirando-me a luz, restou-me o escuro.
Agora, por onde quer que eu vá
Só vagarei, não enxergando nada além de vultos
Porque a claridade se desfez em névoa.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Estou Feliz e Dói




Lança-se intrépida no desconhecido.
– Já vez as malas? (Eu pergunto)
Vai que o mundo é um gigante
E nessa história a gente quase nunca tira o pé do chão.
Sobe na pedra mais alta e salta,
Abre os braços pra sentir o vento,
Fecha os olhos para ver melhor:
Algumas coisas a gente só vê de olhos fechados,
Que é pra ver com o coração.
Dá um grito de felicidade:
Ele vai acordar o sol,
Trazer o novo dia, a nova aurora,
A nova (V)ida.
Lança-se intrépida pela estrada,
Que nosso descaminho é passageiro:
São novos rumos e destinos,
Novos mapas a serem descobertos.
Vai, menina, vai buscar seu ninho,
Vai traçar o seu futuro,
Que o presente já é seu:
Veio embrulhado em vermelho,
Pega sua bolsa, me dá o meu abraço.
Segue nessa trilha, sem nenhum embaraço,
Segue adiante, lute, se esforce,
Anda depressa e sem olhar pra trás
Que daqui a pouco, pelas águas dos meus olhos,
Estarei em desalinho,
Vendo sua sombra encolher,
Junto às margens do caminho.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Desamor




Engana-se quem pensa
Que esse é um poema de amor
Na verdade ele é de desamor,
Desalinho,
Desapego.

Desobediência...

Jurei não escrever,
A caneta teimou.
Os sentimentos parecem ter vida própria
E riem de toda dor
E do que ela causa.
Ah, a dor...
Rainha de gelo
Que ri dos corações atordoados.
Se fosse falar de amor
Traria no cabelo, antes, um ramo de flor.
Mas acabou-se a primavera
Foi-se embora o ardor
E só vi seu vulto pela janela
Por todo desconforto que causou
Essa ausência, essa mágoa
Viro um pequeno passarinho
Desapego-me de você em forma de canto
Mais bonito e mais leve do que qualquer pranto.
Mais desobedientes que as lágrimas
Só meus pensamentos,
Teimosos, tinhosos, velozes:
Pisco os olhos e ele voa
Não sei pra onde,
Tenta encontrar algo entre ruas, rios e fontes...

terça-feira, 24 de julho de 2012

Síntese




Ah, e não me venha com suas análises sobre mim.
Cansa-me essa sua busca pelos meus pontos fracos.
Se de perto ninguém é normal,
O que o faz pensar que eu seria?
Não me olhe como quem procura deslizes...
Não é preciso mais do que um olhar superficial  para notar minhas cicatrizes.
Aqui fora posso ser de pedra, forte, inabalável,
Mas aqui dentro, onde só eu sei o que tem,
Onde só eu convivo, sou de pó, frágil e insegura.
Porque a alma é corroída de ciúmes,
Porque com a vida sou exigente,
Porque carrego a insegurança e a incerteza,
Porque escorrego pelos dedos de quem tenta segurar.
Ser escorregadia às vezes é bom, dá um tom descontraído,
Às vezes é ruim, deixa vestígios de solidão.
Para cada caminho, um sonho,
Para cada descaminho, uma marca,
Para cada dia, um aprendizado.
E para cada passo uma nova estrada,
Uma nova escolha, uma nova indecisão
E a grande questão: será que era o mais certo?
O que mata na escolha é o caminho que se deixa pra trás.
O que embala meus dias é a incerteza da certeza que tenho,
O paradoxo que vivo e revivo a cada instante.
Se continuar a fazer suas análises sobre mim, desiste.
É tempo ainda.
Entender quem se quer se entende é perder tempo.
É soprar um dente de leão, que se desfaz leve ao vento.
É fatiar um coração, ver escorrer seu sangue
E perceber que o sentimento era o que pulsava,
O que ousava dar a vida
E não só aquilo que se via.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Paradoxo



Sou de fogo, por dentro e por fora. Às vezes pareço meio mansa, meio desligada, meio brasa. Mas é bom que seja assim. Na verdade é só um estado de latência. Como um vulcão, gigante que dorme na montanha, que acorda raivoso e se joga para o alto e arrasa o que quer que seja. Sou fogo, manso, chama que aquece, calor que conforta, centelha que não cessa. Cintilando noite à dentro, dias a fio, bailando com o vento, medindo seu calor com o sol, sua força com a vida.
Sou de água, fluida, leve, que leva, que passa, que arrasta, que desliza e destrói. Água doce, calma, que escorrega pelas pedras, que desce as montanhas e se lança no infinito em queda livre pra buscar a liberdade que sonha estar no mar. Sou água de sal, ondas revoltas que quebram na praia, arrastam conchas e sonhos e os afoga. Que lambe a areia e apaga rastros, que vai e vem na busca eterna de algo que nem sabe o que realmente é.
Sou de terra, firme, solo seguro. Base de fortaleza, força e solidez que se desfaz com o vento, vira areia. Voa pra longe, mistura seus grãos e já não tem mais a aparência de antes, se mostra frágil, meio perdida, buscando algo para se moldar.
Sou de ar, que flutua, que ninguém vê, mas que todos percebem. Faço-me brisa, rodopio em vento, balanço os cabelos e levanto as toalhas, faço as folhas sacolejarem ao meio-dia e as janelas assobiarem à meia-noite. Trago notícias imersas em canções, lembranças cheiros bons da infância, imagens que ganham cores com o brilho do sol.
Sou uma mistura do que sou e do que não sou, porque se ora estou em calmaria é porque momentos de tempestades já passaram. Se hoje a brisa paira, os furacões já dizimaram. Sou paradoxos e contraditórios, sou gente, sou mulher, que arde, gela, chora, voa e dança, canta e brinca.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Óculos Escuros - sobre os olhos e o amor


Aproveitando o ensejo do dia dos namorados, segue um texto que, embora tenha sido feito bem antes de eu conhecer o texto de Ibn Hazm, bem que poderia ter sido inspirado por ele. Antes, porém, apresento a vocês um fragmento do livro “O Colar da Pomba: sobre o amor e os amantes”, extraído do capítulo “sobre os sinais do amor” de Ibn Hazm de Córdoba:

"O amor tem sinais que podem ser acompanhados pelo perspicaz e percebidos pelo inteligente. O primeiro deles é a assiduidade do olhar, pois os olhos são a porta aberta da alma: são eles que lhe devassam os segredos, que lhe expressam o íntimo e falam por seu âmago. Assim, você vê que quem olha não se distrai, mudando o olhar conforme o amado muda de lugar, fixando-o onde ele se fixa e estendendo-o para onde ele se estende, tal como o camaleão ao sol..."


Agora sim, o meu texto!




Então, o que vem a ser o amor? O amor é quando o uso dos óculos escuros se torna inevitável! É pelos nossos olhos que nos reconhecem quando amamos. Entramos em estado de graça e os olhos são os nossos primeiros delatores: eles brilham, seguem nosso bem amado por todos os cantos, por mais que ele teime em correr entre as pessoas e passear por todo o salão.
Acredito que os olhos sejam as janelas da alma, por onde ela nos escapa e nos revela os segredos. Por eles saltam as palavras que a boca cala, envergonhada ou receosa. Os olhos não conhecem o sigilo: a tudo querem dar voz! O tempo todo estão a nos denunciar: são os primeiros a sorrir, os primeiros a derramar toda mágoa que ainda mora no coração.
Se o amor não morasse no coração de cada um, eu diria que os olhos poderiam cumprir o papel de sua morada. Faz-se radiante os olhos de alguém que está enamorado!
Os olhos falam alto, gritam seus desejos, nos faz cair em perdição se outros olhos, que são capazes de entende-los, por acaso se esquecem neles... e é delicioso quando nos pegamos com outros presos em nós, com certa displicência e um quê de petulância, de quem desafia o próprio dono, a própria razão.
Se está amando, meu caro, a menos que seja declarado, é hora de comprar óculos escuros, porque uma hora ou outra, seus olhos irão dar o sinal para quem quiser ver!