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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Eleições III



O choro é livre. O riso também. O voo do Lobão, a minha comemoração, tudo isso é livre e pode-se até abrir mão. Mas o respeito, esse não. Esse é requisito indispensável, mas parece estar em falta no final das eleições.
A polarização partidária não surgiu à toa. É fruto histórico, mas por aqui, muitos mataram essas aulas, não abriram os seus livros ou faziam parte da “melhor educação do país”, a mineira, segundo um dos presidenciáveis, na qual sabemos ser uma das piores.
As notícias veiculadas desde o início das eleições estão de dar medo, asco, vontade de sumir, mas quando analisadas, nota-se a falta de provas. Entramos em um sistema de informações viciado. Um vício de se jogar a esquerda para baixo, de dar golpes sujos para se tirar um determinado partido do poder.
Não sou militante cega. Enxergo os defeitos do partido que escolhi. E não voto sem que haja argumentos. Projetos. Pautei minha escolha depois de estudá-los. E sim, vi na Dilma o melhor. Uma continuidade de mudanças que espero e desejo para o meu país.
Passadas as agonizantes 20h, do dia 26 de outubro de 2014, logo que saíram as parciais das eleições presidenciais começaram também os insultos. O resultado foi apertado. Margem estreita de vantagem, o que nem sei se representa, ipsis litteris, esse desejo de mudança, ainda preciso refletir sobre isso, mas significa que precisamos, pelo menos, fazer uma autocrítica e um reorganização de nosso modo de política.
Em um grupo de amigos fui chamada de “vagabunda”. Tentei, sem pressa, pensar ao que o termo se referia, sem sucesso. Não consegui me enquadrar na definição do termo. Eu estava sendo chamada de vagabunda porque concordo com uma política para todos!
Na sequência um desfile de mensagens que questionavam minha formação: só gente burra vota no PT, como consegue ser professora? E esse diploma vem de onde? Tem certeza que estudou em universidade pública? Isso quando não extrapolavam para o meu lado pessoal, quando diziam que eu devia estar recebendo para fazer campanha, que devia ter alguma promessa do partido, que participava de esquemas de corrupção.
Estou certa de que as eleições passam e algumas amizades não resistirão. Não por mim, mas pela intolerância dos outros.
Que se questione a opinião dos outros é normal. É sadio. É o princípio de uma democracia, mas não admito a ofensa gratuita.
Eu poderia estar excluindo os tucanos do meu Facebook, eu poderia simplesmente ignorá-los ou fazer piadas, mas me recusei a fazer qualquer tipo de comentário desse tom, preservando o direito de escolha e de recolhimento de cada um. Se a minha candidata não fosse a vencedora do pleito eu choraria. Eu temeria o futuro. Mas não desqualificaria o outro. Não desmereceria quem quer que fosse.
O uso da palavra é forte. É muito forte. E por sabê-lo, nesse momento, me reservei à comemoração explosiva com meus pares, ao renovo de esperanças e à felicitação ao governo que continuará a me representar, evitando ao máximo me referir às pessoas que pensam diferente de mim com rispidez ou ironia.
Percebo que o respeito foi tirar férias nessas eleições. As pessoas perderam a sua noção de espaço. Desligaram-se completamente de seus laços pessoais e focaram-se no político, esquecendo, inclusive da famosa máxima que diz que “é preciso ser politicamente correto”. Fomos, dos dois lados, politicamente incorretos.
Sofremos com uma mídia mambembe, falaciosa, golpista e transferimos essas características para o nosso convívio. Tornamos o momento eleitoral mais tenso do que deveria. Ameaçamos nossas relações porque perdemos o limite tênue entre os espaços. Lamentável.
Espero, de verdade, que Dilma seja bem-vinda em mais um governo. Venceu o sonho, a esperança, a vontade de fazer do Brasil um país para todos. Espero, mais ainda, que o respeito volte de suas férias, e volte a reinar soberano, acima de tudo.
E, por favor, entendam, crianças, as eleições se repetem a cada quatro anos. Seus amigos valem mais do que um evento que tem agenda marcada. Sejamos convictos, militantes, arraigados, mas não percamos a compostura, o respeito e a doçura.
Mais amor, por favor.
                                               13 beijos, de uma eleitora feliz.

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