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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Historiar


Ser historiadora é não caber em meu tempo e perceber que ele mesmo não se basta e extrapola as barreiras dos relógios e calendários e das muitas luas que já passaram.
É sufocar-me com o ar viciado de outros tempos que ainda paira entre nossos vãos-sonhos de progresso (?) ou de mudança e ter uma angústia que só se sacia quando volto os meus olhares para o que está guardado naquele a qual aprendi a chamar de passado, mesmo sendo tão presente no agora e no futuro.
Ser historiadora é ter a certeza de que parte da luz que busco é composta dessa razão, a qual tiro para dançar entre documentos e notas de séculos passados, empoeirados, emudecidos.
Equilibro-me na tênue linha que forma o tripé passado-presente-futuro com olhos atentos, ávidos para decifrar o que ainda não foi dito.
O desafio de ser historiadora é dar voz às bocas caladas pelas mãos que se achavam poderosas, mas que hoje são mordidas por dentes petulantes e famintos por devorar todo o tempo que lhes foi roubado, querendo gritar o seu silêncio.
“Historiar” é trazer a luz para os olhos que foram tapados por mãos injustas, mas que as brechas entre os dedos permite uma espiada e dá forças para romper as barreiras impostas.

Descobrir-me historiadora foi entender que os meus questionamentos são a minha força, meu desejo de prosseguir. Foi perceber que mais do que uma profissão, ser historiadora é viver uma eterna busca pela mudança própria e da sociedade, porque nunca me canso de desejar um mundo melhor.

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