Visitas da Dy

domingo, 9 de junho de 2013

Império de Sal



Cair da noite nas terras cariocas, lua cheia em meio a nuvens, queijo, vinho, friozinho gostoso e um novo CD, de um velho conhecido, Dudu Costa, a tocar.
É só mais uma noite em que um blues cairia bem. E sempre achei que um blues deveria ser azul – talvez por pura influência do nome – mas tive O Descobrimento: um Vermelho Blues surgiu em meus ouvidos, levou-me longe, como se eu passasse pela Janela do Céu e rapidamente chegasse nas montanhas mineiras, saudosas, de tantos santos de São João e São José Del Rey.
Via-me menina entre as montanhas onde a lua termina, onde ainda ressoa pelos ares a minha poesia que se sonhou canção e onde ainda toca na vitrola a Nossa Canção, que eu desejava ser a escritora. Via-me rodando a barra da saia pelos quintais floridos. O vento a me levar, eu a sonhar com o mar e a conservar um olhar de Miraflores, correndo de pés descalços.
Em um piscar de olhos estava de volta, perto do mar como sempre quis, mas perdida em meio a tantos impérios e entre eles um Império de Sal, com meus castelos de nuvens, sonhos e areia. Castelos que construí e nunca mais os visitei, castelos para os quais eu tive que navegar dentro de mim para os revisitar, Pra Matar a Saudade, tendo em meu olho um Olho D’água, já marcado pelo sentimento que me invadiu.
Lidar com a saudade é perigoso, é por o coração à prova, é atravessar um Fogo-mar cujos desafios (des)conheço e teimo, deixo-me ir, porque é lá na terra da saudade que a alma ganha força pra seguir adiante.
Era só uma noite fria com um CD novo, agora é marco de música e poesia, de solidão acompanhada e de alegria, porque é maravilhoso descobrir coisas novas inesperadamente.

Acho que é hora de ouvir de novo a Branquiara, para perder-me nos versos, sons e sensações dessa noite que está apenas começando...

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