Visitas da Dy

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Inesperado




Ela julgava saber de quase tudo. O que não sabia ela descobria. A curiosidade era um traço natural de sua personalidade. Naquela tarde quente cismou de sentar-se num bar nunca antes visitado: ela queria descobrir qual era a sensação de se mandar goela abaixo uma aflição empurrada com um grande gole de cerveja bem gelada, só para contrastar com o calor de quase 40 graus.
Escolheu uma mesa onde podia ver os passantes da rua e do bar e, claro, ser vista só por alguns. Ela não queria plateia para as lágrimas que estavam na iminência de saltarem pelos olhos.
Já no primeiro gole teve a primeira decepção: a aflição não combinou com a cerveja a não ser pelo seu sabor quase amargo. E se não houve uma combinação, muito menos haveria de ter uma colaboração entre as duas: a cerveja não conseguiu empurrar a aflição que, teimosa, insistiu em permanecer na garganta da moça, quase engasgando-a.
Num primeiro momento ela quis se desfazer de todas as incertezas que tinha. Quis acreditar nas versões que havia criado para cada situação que vivera até ali e para as quais esperava resposta. A ideia do inesperado a incomodava muito. E dava aquela sensação de aflição.
Mais um gole. E outro. E outro. A cerveja deixou de amargar. A aflição não se desfez. Os olhos da moça estavam rasos. Naqueles minutos que se estenderam como séculos ela percebeu que não importava o que ela fizesse os resultados das ações que tomava independiam dela. Desistiu da cerveja. Teve a certeza de que nada é certo, pronto, acabado ou pode ser determinado por sua própria vontade.
Saiu daquele bar sendo outra pessoa: mais leve, sem os nós na garganta ou os embaralhos de seus pensamentos. Havia entrado num estado interessante de consciência que a levou a crer que jamais soubera de coisa alguma. Percebeu a dinâmica do mundo e sentiu-se tranquila, sendo capaz de andar sorrindo até a sua casa.

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