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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Solidão e Solitude




Do que você tem medo?  A pergunta me correu a espinha e me fez gelar, mas mais rápido que o arrepio veio a resposta pelos dedos que acelerados digitaram: S-O-L-I-D-Ã-O.
Eu temo a solidão. Temo esse sentimento de falta, essa impressão de que sempre há algo que poderia me preencher. Temo ser deixada em solidão.
É como se eu temesse que as luzes se apagassem e que a música não mais tocasse e eu ficasse como a adolescente deixada no meio do salão vazio em seu baile de formatura. Eu temo não ter ninguém com quem caminhar, com quem dividir minha alma, meus sentimentos, meus segredos, minha companhia.
Às vezes a gente mesmo não se basta. E quando se basta, quando se está cheio de amor e se quer ficar sozinho, não é solidão. É solitude. Muitas vezes eu quis ficar sozinha. Quis parar pra pensar. Quis meditar. Olhar pro escuro é bom: mostra nossas fraquezas, nossos pontos fracos. Olhar o por do sol em solitude é mágico: conseguimos compreender melhor  a maravilha de se estar vivo. Mas chega uma hora que a gente sente mesmo essa falta dentro do peito.
Acho que a solidão é um veneno, desses suaves, que nos mata aos poucos. Vai corroendo lentamente o peito, rasgando o coração como quem rasga um bilhete velho que já não tem sentido ou uma foto de quem se amou e sente raiva nesse momento.
O curioso é que não sinto falta de coisas simples, que podem ser compradas ou conseguidas por aí com um pouco de esforço. Eu sinto medo é de sentir falta das pessoas. E isso é o mais difícil de se conseguir: as pessoas que verdadeiramente vão estar do nosso lado quando a gente precisar.
Um dia, quando eu não estiver mais com a beleza jovial, com moedas no bolso ou com uma vida tão cheia de badalações, será que as pessoas que me cercam estarão comigo? Será que, de fato, consegui fazer um amigo? Desses que nos acompanham pela vida? E se eles se perderem pelo caminho? E se eu na mais os tiver por perto? A vida terá valido a pena? A minha não.
Sou absolutamente dependente de meus amigos, da existência deles. De saber que serão meu apoio quando eu precisar, que serão uma mão segura e, já não sei quantos o são. Em quem posso confiar? Como saber se estarão lá?
Essas questões me assombram, muito mais pela possibilidade de saber que amanhã poderemos não estar mais juntos do que pela decepção de saber que hoje não são verdadeiros. A decepção, embora doída, vai passar, mas o medo da solidão, esse vai fazer dentro de mim um turbilhão.

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