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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mulheres Alteradas




Na correria que mergulhei ao chegar em uma cidade desconhecida – Campinas – parei por um minuto pra ver as ligações (se é que tinha alguma) no meu celular, displicentemente largado sobre a cama.

De súbito vi duas mensagens e três ligações. Tremi. As ligações eram de um amigo, o que logo me deixou aflita. Liguei de volta e relaxei: era só um mimo que ele queria me fazer. A irmã do mocinho estava em Campinas com a peça “Mulheres Alteradas” e ele me ofereceu as cortesias, que, claro, como sou fã de teatro aceitei na hora!

No domingo à tarde lá estávamos Z (Zenilde) e eu lindas em nossos vestidinhos e saltos altos rumo ao shopping, tranquilíssimas, até descobrir que só faltavam... 15 minutos para a peça e NÃO ia dar tempo de ver as liquidações do shopping! Alteramos: o passo! E fomos mais “rapidinhas” rumo ao teatro.

A peça abre com a cena de Lisa acendendo um cigarro e dando a seguinte explicação: “uma mulher alterada não é louca. Segundo o dicionário alterar é mudar, variar, fazer uma coisa de um jeito diferente, ou colocar numa posição diferente”. Introdução que já garante que todas nós, pobres mulheres mortais, SOMOS alteradas SEMPRE!

Estamos sempre mudando: o cabelo, o perfume, a dieta. Muitas vezes mudamos por fora o que não conseguimos mudar por dentro e a peça que é baseada nos tão famosos quadrinhos de Maitena nos transmite essa idéia logo de cara e a conclusão que soa como um alívio: eu NÃO sou  LOUCA e muito menos SOZINHA nesse mundo de variações de “humor”!

Com as cenas divertidas e realistas nos vemos nas mais variadas situações do dia a dia: a malhação, o trabalho, o casamento, a busca pelo par perfeito, a crise frente a um problema.

Uma opção lúdica que me levou a pensar nas várias cenas do meu dia: em como eu sou alterada! O tempo todo! Mas confesso: gosto demais de ser assim, de mudar o que está à volta, de me mudar.

Nas personagens caricaturais interpretadas brilhantemente por Flávia Monteiro, uma executiva grávida do terceiro filho; Marisol Ribeiro, que vive no mundo da lua à espera do seu príncipe encantado; Samara Felippo que é a mãe de uma filha e descobre um nódulo no seio e o bonitão Daniel Del Sarto que interpreta todos os papéis masculinos da peça, vi amigas, problemas que elas passam, que eu passo e tudo funcionou como um espelho mágico. Algumas vezes tinha a impressão de ser eu ali no palco: meus “dramas” com a atual vontade de perder as gordurinhas “que deveriam sofrer uma reforma agrária”, segundo o texto, a preguiça de malhar, a vontade de sair comprando tudo, as reações diante das situações dos amigos e o modo como nos tratamos e tratamos o outro.

Já conhecia os quadrinhos e, confesso, que a adaptação foi tão boa quanto o original, tanto que com certeza, entrou para a lista das minhas indicações.

Para além do elenco mega talentoso ainda tem a banda Alteradas, que toca ao vivo durante todo o espetáculo e é um show à parte.

Vale a pena ver, se colocar nos papeis, perceber que somos alteradas “naturalmente”, que isso enlouquece qualquer um – até nós mesmas – mas que ainda assim, quem nos ama vive ao nosso lado.

Sou mulher. Alterada, que muda, que teima, que vivo e por isso mesmo, posso ser descrita como no original: “(...) aquela que até ontem esperava dormindo, compra uma cinta liga; a executiva que administrava uma empresa quer viver em um camping; aquela que cuidava da sogra como sua própria mãe interna as duas em asilo; a magra vira uma vaca de gorda e a gorda perde vinte quilos”.



Viva as nossas alterações de todos os dias! Elas fazem da vida uma delícia de eventos inesperados! Ou não!

E aos homens que por ventura passarem por aqui e pensarem que a peça é “coisa de mulherzinha” eu asseguro, têm muito o que aprenderem sobre nós e é uma boa maneira de se começar!

Foi um domingo beeeem divertido. Eu e minha amiga rimos muito, não conseguimos ver as liquidações, é verdade, mas saímos do teatro bem mais leves do que entramos, bem mais diferentes do que entramos: mais conscientes de nossos “pitis sagrados de cada dia” e mais orgulhosas por saber conviver com os nossos problemas e com os dos outros e sem perder o rebolado.

Isso sim é fim de fim de semana!





Sobre a peça:

Canal local de Campinas:




Ficha Técnica

Autora: Maitena

Dramaturgia: Andrea Maltarolli

Colaboração: Bernardo Jablonski

Direção: Eduardo Figueiredo

Assistência de direção: Maíra Knox

Elenco: Samara Felippo, Flávia Monteiro, Marisol Ribeiro e Daniel Del Sarto

Participação especial: Banda Alteradas (ao vivo)

Direção Musical: Elaine Giacomelli e Eduardo Contrera

Direção de Arte, Cenário e Figurinos: Maíra Knox

Coreografias: Henrique Rodovallo – Quasar Cia. de dança

Preparação do Elenco: Daniela Biancardi

Criação de Luz: Guilherme Bonfanti

Estágio de Direção: Eric Mourão

Produção Executiva e Administração: Fernanda Corrêa Gürtler e Tainah Brandão

Assistente de Produção: Patrícia Palhares

Secretária: Isabel Perez

Direção de Produção: Maurício Machado

Realização e produção: Manhas & Manias de Eventos

Serviço

Local: Teatro Amil

Temporada: até 26 de fevereiro

Horários: sexta e sábado, 21h e domingo, 19h

Ingressos: Sexta - R$ 50 (setor 2) e R$ 60 (setor 1) /Sábado e domingo - R$ 60 (setor 2) e R$ 70 (setor 1)

Duração: 80 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

Teatro Amil

Entrada das Flores

Av. Guilherme Campos, 500 - Santa Genebra - Campinas (SP)

Bilheteria / Televendas: (19) 3756 9890 / 3756 9891

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