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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Feliz Aniversário, Betinho!


Éramos um grupo de amigos na década 1990. Não faço idéia do ano. Crianças não se apegam às datas. Estudamos todos juntos por muitos anos e nosso grupo era fechado: Vanessa e eu éramos as únicas meninas, acompanhadas dos 7 meninos: Marquinhos Vinícius, Pércio, Brás (que na verdade se chama Leonardo), Betinho (Roberto), Guy (Guylherme), Vinícius Gonçalves e Mário.  Essa turma permaneceu junta a maioria dos anos do ensino fundamental e com eles eu aprendi muitas coisas. Uma delas foi fazer e preservar amigos de verdade. Descobri o que é essa coisa que as pessoas não acreditam muito nos dias de hoje que é o amor pelos amigos.

A Vanessa era amiga de antes da escola. Nossas mães eram amigas e a amizade passou para nós duas, mas os meninos, todos, vieram com o tempo da escola. E, convenhamos, para nós duas era o máximo sermos amigas dos meninos desde o tempo em que eles nos achavam bobas e nós os achávamos chatos.

Nossa vidinha era boa: preocupávamos com as aulas, as provas, os trabalhos em grupo em que tínhamos que nos dividir nas casas uns dos outros, as piadinhas para soltar no meio da aula e, claro, os bons e velhos apelidos, que eu poderia citar todos pois lembro muito bem das nossas brincadeiras e traquinagens. Na aula um pouco de distração nunca que era demais, para desespero dos nossos queridos – eram queridos mesmo, hoje bem mais que na época! – professores e no recreio uma correria só! Depois paramos de correr. Fomos crescendo.

Aos 14 anos achei que era o fim da minha vida: era o ano da formatura do Ensino Fundamental. Todos teríamos que trocar de escola, mas combinamos de ir para a mesma, tentar a sorte de ficarmos juntos mais 3 anos. Mas só para eles. Eu havia passado na prova de seleção do Colégio Técnico Universitário e tive que abandonar todos os meus amigos.

 Para selar o ano a escola fez cerimônia de formatura e lá fomos nós: Vanessa, Betinho e eu, o trio que entrou junto na igreja para a missa em ação de graças e, em seguida, a entrega dos certificados de conclusão.

Trocar de escola foi a primeira grande mudança da minha vida. Estudava em dois turnos e no terceiro só pensava em dormir. Perdi o contato com as pessoas que eu mais convivia. E descobri que saudades não mata ninguém, mas que dói um bocado. E descobri que amava cada um deles, mesmo que não desse conta de perceber isso.

Alguns dos meninos se perderam no tempo. Deixaram de ser amigos de todo dia para ser só mais um “bom dia” na correria. Outros eu nunca mais vi. Uns foram para a faculdade, outros não. Uns mudaram de cidade e só temos notícias pela internet. Mas teve um que foi diferente.

Um se mudou de Juiz de Fora, o meu querido Betinho deixou a nossa Minas Gerais pelo mar... foi morar no Rio de Janeiro. Cortou meu coração quando eu soube disso, mas os caminhos das pessoas quando têm de se cruzar, por mais que se distanciem acabam voltando.

Acabamos por ver nossos caminhos se cruzarem de novo e mesmo ele no Rio e eu na velha e tediosa JFCity nos falávamos com freqüência e nos víamos sempre que ele ia para Minas.

Com ele eu aprendi que o tempo não afasta as pessoas, só as deixam cheias de saudades, o que não é de todo ruim, porque a delícia de se reencontrar alguém é ver toda essa saudade se desfazendo em um abraço, no sorriso que se abre pra nos recepcionar, nas horas a fio de conversa que nos prendemos sem ver o tempo passar.

Acabei saindo de Minas e indo parar no Rio, perto dele, onde o incumbi da função de ser meu guia e me levar pra conhecer a cidade e sempre que podemos nos vemos, nos divertimos, passeamos, visitamos museus, teatros, cinemas.

No meio dessa cidade que parece um gigante que não dorme nunca e que me dava a sensação de completa solidão ele sempre esteve ao meu lado, me deu colo, conforto, trouxe alegrias, não me deixa desistir.

Às vezes me pergunto se ele sabe o quanto é importante na minha vida. Fico pensando se ele sabe que nas muitas vezes em que eu pensei em desistir do mestrado, largar tudo e voltar pra casa foi uma frase que ele falou – mesmo sem saber – que me fez ficar. Fico pensando se ele tem alguma coisa lá na casa dele que o avisa quando eu estou triste, porque sempre que preciso surge um sorriso dele pra me animar.

Bom, dei essa volta toda lá no século passado pra poder relembrar um pouco como foi crescer com amigos que eu consegui trazer pra vida toda. Pra dizer que com eles eu aprendi a amar, a respeitar, a sentir saudades, a matar as saudades, a aproveita-los mais e, pra falar um pouco do Betinho, afinal, hoje é aniversário dele!



Ao meu amado Betinho, companheiro de uma vida, pessoa de um raríssimo valor, em quem confio de olhos fechados, o meu muito obrigado pelos anos de paciência, atenção, alegrias, travessuras, viagens Rio-Petrópoilis-Juiz de Fora-Rio, passeios culturais e por ter me mostrado tudo o que eu conheço do Rio hoje.

Apesar de eu ter uma lista enorme de lugares que quero visitar com você, nunca vou me esquecer da primeira vez que fui ao Arpoador, de quando sai correndo pela praia em direção ao mar de sapato na mão, da sensação maravilhosa que foi entrar no Theatro Municipal do Rio pela primeira vez, por ter feito meus olhos brilharem na Bienal, pelas idas aos Centros Culturais, os sanduíches de carrocinha, os almoços corridos no meio da semana ou nos musicais dos domingos festivos lá na PIB, fora momentos maravilhosos que  relembro todas as vezes que passo por um desses lugares.

Para você que é meu porto seguro, meu colo e companhia favorita, pessoa que eu  amo um tantão assim sem que haja a menor explicação e sem a qual não imagino os meus dias, deixo além de meus sinceros agradecimentos por permitir que eu caminhe ao seu lado nessa vida, os meus votos de um feliz aniversário, cheio de bênçãos, de realizações, de sucesso.

Que tenha saúde, paz e muito amor.

Que tenha pessoas maravilhosas em seus caminhos e que elas possam lhe dar toda a alegria que me proporciona só pelo fato de eu poder lhe chamar de amigo.



Feliz aquele que tem uma pessoa como você ao lado!

Aproveite esse dia que é só seu!

Um brinde à sua vida que é um presente a todos que te conhecem e têm a honra de conviver com você!

Não suma nunca dos meus olhos! ;-)

Beijo, beijo, beijo, Dy.



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