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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Mendigos ou Que se faça a Revolução




É essa barba sem fazer há meses,
Essas roupas sujas e fétidas
Que me assustam tanto quando ando pelas madrugadas.
Não é o escuro da noite,
A falta de luz nas ruas...
São os mendigos.
Não me assustam as suas caras feias,
Que sou obrigada a ver em pleno meio-dia,
Mas as suas mãos estendidas que me apavoram.
São gritos silenciosos
Que me saltam aos olhos
Ferem-me os ouvidos por mais que não os ouça.
Não me culpem por ter asco dessa imagem.
Ver alguém à margem é por demais doloroso.
Saber que estão ali jogados é cruel.
Por que estão ali?
Porque nós os vendemos às ruas.
Nós nos vendemos.
Aceitamos, um dia, que alguém dissesse que esse era o caminho certo.
Deixamos nossa ganância  crescer
E a vontade de TER muito maior do que a de SER.
Rendemo-nos a um sistema desigual
Pagamos o preço por isso:
Temos que usar a melhor roupa,
O melhor sapato e perfume!
Daí o enjôo ao sentir o azedume das ruas...
Nos vendemos porque queríamos ser melhores:
Melhores que os outros.
Nosso plano deu errado.
O sistema nos engoliu...
Somos reféns do que criamos
E eu me assusto andando pelas ruas
Assusto-me com o feio
Porque me disseram que era feio...
Agora pra sair de onde estamos só há um meio:
É acabar com tudo.
É ir até o fim e ver o fim.
Esse feio só se tornará belo no dia em que ouvir as batidas do meu coração.
No dia em que eu aceitar que o som do tambor é mais forte,
No dia em que eu acender uma tocha e
Conclamar meus semelhantes.
O mundo só se verá livre no dia que nos tornarmos livre:
De consciência, de pensamentos, de espírito.
É preciso lutar, é preciso mudar.
Que venha a Revolução
Porque do jeito que está não quero ficar,
Não quero mais ver ninguém no chão.

*** Para Jane Machado, que há muito tempo, numa madrugada como a de hoje, conversou muito tempo comigo sobre as visões que ela tinha da nossa nova cidade... ***

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