Visitas da Dy

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Luz



– Quer um café? (Ela tinha mania de oferecer café sempre que queria conversar.)
– Não.
– E um suco?
– Não.
– Água?
– …
– O silêncio é um sim?
– Não.
– Então a gente pode conversar sem beber nada mesmo…
– Sabia que queria conversar. É muito previsível: oferece café toda vez que quer sentar em um lugar só pra bater papo…
– É… acho que me tornei o que mais temia: previsível.
– Não… é que tem sido assim de uns dias pra cá. Aliás, acho que devia parar de toamr café. Isso faz mal.
– Por que?
– Hum?
– Por que faz mal?
– Sei lá. Você fica mais ligada, mais agitada. Não deve te fazer em. Já pensou que pode estar com insônia porque tem tomado litros de café todos os dias?
– Isso não tem nada a ver…
– Ah, então tá. E quer falar sobre o que?
– Sobre nada… e sobre tudo… na verdade pensei em começar essa conversa com um “olha, tá quente aqui, heim?” só pra ver onde ia parar.
– Não tô entendendo…
– É que estava com saudades de conversar cm você, mas o tempo e a distância matam o assunto. Matam tudo aquilo que queríamos manter vivo. E é dolorido eu ver nossos sorrisos vazios agora.
– Mas ainda nos falamos. Te liguei outro dia.
– Há 15 dias… e isso não é nada bom. Isso é o sinal de que a gente vai se separar no caminho da vida, que vai cada um pro seu lado, que o assunto vai acabar, que nossa música nunca mais vai tocar. Quer dizer que vou ter sempre uma cadeira vazia ali de meu lado e que vou me contentar com a saudade, a lembrança e uma foto sua na minha estante, onde nossos sorrisos deixam meus dias melhores…
– Mas o que é isso? Ainda ouço nossa música.
– Ainda… o que quer dizer que daqui a pouco vai parar… vai ter outras músicas para ouvir… outras pessoas em quem pensar…
– Juro que não te entendo. Está se mudando de cidade, não é de planeta. Ainda existe telefone, internet, carta! E vai estar perto, são só algumas horas de viagem. E virá pra cá com frequência e vamos nos ver e marcar nossos cafés, ouvir nossa música e rir muito, que é o que mais gostamos de fazer.
– Ainda vai me dar conselhos?
– Ah, você é que sempre me aconselha…
– E vai ao teatro comigo quando eu estiver aqui? E ao cinema? E vamos comer pipoca? Ainda leremos os mesmos livros?
– Calma. As coisas estão mudando, mas nem tanto. Tem coisas que não mudam nunca. Nem com 200 km de distância. Nem em mundos diferentes.
– Então meu abraço vai estar sempre guardado aqui?
– Sim, mas vai leva-lo com você também. Junt com meu sorriso e parte do meu coração.
– Que lindo! Vou precisar. Já sei que vou me sentir sozinha.
– Vai se sentir sozinha, mas vai brilhar mesmo assim. Porque esse vai ser o jeito de eu te ver: se estiver brilhando. Como brilha hoje, como sempre brilhou.
– Acho engraçado essa coisa de dizer que eu brilho…
– É a luz mais inquieta e brilhante que conheço… e vou ver você mesmo estando longe, porque nunca esquecemos quem nos dá momentos felizes.
– Serei luz, então, ainda que triste… ainda que esmorecida…
– Sim. E não suma dos meus olhos… porque sem a sua luz, o mundo fica cinza…


1 Comentários:

Nanda disse...

Lindíssimo!!! Amei!!!

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