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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Solidão, poeira leve


De repente cá estou eu novamente com muitas coisas na vida encaminhadas, com trezentos e cinquenta e sete bons motivos pra me alegrar, cercada de pessoas boas, que fazem os meus dias menos cinzentos e alguma coisa ainda me faz falta.
Ainda me sinto como se fosse de outro planeta.
Ainda me sinto sozinha numa cidade com milhões de pessoas. Será que essa sensação nunca vai passar? O que eu tenho que fazer pra que ela vá embora de vez?
Já tentei a velha tática de quando era criança e os monstros noturnos vinham me assombrar: “efiava” a mão dentro da minha cabeça e rasgava aquele pensamento como se ele fosse uma folha de um grande caderno no qual eu podia escrever o que quisesse. Era uma coisa do tipo de um diário de pensamentos ou de um livro dos dias. Automaticamente jogava a folha embolada numa lixeira e pronto! O monstrinho ia embora. Só a solidão não vai…
Tento entender o porquê de achar que o mundo é grande demais, que sempre estou mais só do que mereço, de que esse sentimento não vai passar.
A solidão é poeira leve que cobre os meus dias. É véu antigo que pousa sobre uma tela, sem deixar que a veja em suas cores originais, e o pior é que esse véu da solidão só sai a quatro mãos: solidão só desfaz quando o coração está acompanhado.
E enquanto o coração não se aquece, enquanto os dias demoram a passar e continuo a me sentir sozinha, acostumo-me a ve-lo encoberto, de leve, por um véu, que não vê a hora de cair no chão.

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