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domingo, 16 de outubro de 2011

Ser Professor...



Por mais que possamos caminhar, por mais longe que nossos pés possam nos levar e a vida tome rumos diferentes, uma coisa é certa: só viveremos plenamente cada momento porque já aprendemos muito antes de chegarmos até aqui.
E se aprendemos tanto outra certeza existe: alguém nos ensinou… nos ensinou a falar, a andar, a sermos gentis, amáveis, a sentar na mesa, dar “bom dia“, a não pegar nada sem pedir, a pedir desculpas, por favor e a dizer muito obrigado. Esses aprendizados nos são dados, em geral, por nossos pais, nossos primeiros professores.
Depois que estamos crescidinhos vamos para um mundo novo, cheio de outras crianças, que sabem tanto quanto nós e que estão ali justamente pelo mesmo motivo: aprender mais. Esse mundo mágico se chama escola. E quem nos recebe lá amorosamente se chama professor, e é dele que quero falar.
Lembro-me de como eu quis ser professora: foi durante uma aula, aos 10 anos de idade, na quinta série, quando assistia uma aula sobre a Idade Média. Minha professora de História era uma das mais inteligentes: dava aula sem olhar no livro, sem lê-lo nas aulas. Falava muito e bem e me fazia viajar. Naquele dia viajei por castelos de pedras de verdade, sem dragões, mas com explorações, sem princesas, mas com mulheres que amavam de verdade, com cavaleiros, espadas, religiosidade, precariedade, sonhos, mitos, bruxas – que nem eram bruxas más e feias – que eram queimadas vivas, com livros proibidos, amores arranjados, terras a serem conquistadas e uma relação de lealdade que jamais havia visto igual. Naquele dia eu quis ser professora.
Minha mãe se espantava quando eu dizia que quando crescesse ia ser professora. Todas as meninas queriam ser bailarinas, menos eu que não sabia dançar. Todas as meninas queriam ser atrizes, menos eu que às vezes me cansava de ser eu e até interpretava na escola, mas que sabia não ser talentosa. Algumas queriam ser médicas, outras ricas, outras dentistas e eu queria ser professora!
Aos 19 prestei vestibular e com a nota alcançada poderia escolher qualquer curso da unversidade: História, claro! Queria ser professora! Dias depois assumia algumas turmas de um curso pré-vestibular: havia me tornado professora!
E o que é ser professor?
É a coisa mais maravilhosa de todo o mundo! Mas também é a coisa que mais me amedronta no mundo…
Ser professor é ser um ilustre deconhecido conhecido pelas ruas, a ser tomado como referência, é se expor sem querer, porque é tomado como modelo, ainda que não queira.
É ser entrega… é ganhar pouco, mas é também lutar para que isso mude. É ter um coração vermelho, marcado pela vontade de mudar. Ninguém se torna professor pra ficar de braços cruzados. Todos que eu conheço querem fazer do seu espaço um lugar melhor seja através de boas aulas, seja encarando uma passeata grevista pelo centro da cidade, seja escrevendo panfletos.
Ser professor é um pouco de sacrifício: levamos o trabalho pra casa. Dormimos com ele. Aprendemos a nos dividir entre casa, família, amores, diversão e o trabalho, que parece nunca ter fim. Parece um esforço sísifo. Quanto mais provas tem para se corrigir mais aparecem! Quanto mais aula monta, mais o conteúdo se expande! E o número de aulas? Esse diminiu como que num passe de mágica! Acabo achando que ser professor  é também ser um aprendiz na arte de fazer milagres!
Ser professor é ser parecido com as Casas Bahia: “Dedicação total à você”, aluno! Razão de nossa existência. Filhos que adotamos, amigos que conquistamos,colegas de profissão que encontramos na próxima esquina, na próxima escola e percebemos como o tempo passa e nós ficamos velhos…
Ser professor é ter a consciência de que o mundo está indo de mal a pior, mas que nós somos capazes de muda-lo. Não com nossas próprias mãos, pelas muitas mãos – e cabeças – que passam por nossas mãos.
Temos a certeza de que nosso papel social é importante, que somos nós os responsáveis pelos futuros pensadores que estão em formação, que cabe a nós apresenta-los a beleza da razão, as maravilhas da ciência, mas principalmente de mostra-los a grandiosidade da crítica, da análise, da vontade de ser melhor e da consciência de que eles podem ser os agentes responsáveis pelas mudanças almejadas, já que são seres criadores, pensantes, conscientes. Ser professor é a cada dia contribuir com a formação de cidadãos que se entendem como tal e que por isso podem mudar o mundo começando por mudar a si mesmos, sendo mais autênticos.
Ser professor é ter a certeza de que os anos nos bancos da faculdade foram necessários, mas que aprendemos infinitamente mais com nossos alunos, pessoas que são amadas antes mesmo de serem conhecidas.
Ser professor é saber que o sucesso não é ter um nome famoso, sair nos jornais e revistas ou ser foco de vários flashs. É fazer o que se gosta, o que ama e ver que os outros lhe reconhecem em seu esforço, em sua simplicidade e raridade. É saber que estará pra sempre na memória de alguém sabendo que foi importante para a sua formação. Que será lembrado com carinho.
Em alguns anos de magistério aprendi que não há nada melhor que se chegar na sala de aula depois de ter tomado um banho de chuva, estar com o cabelo pingando, a maquiagem escorrida e um aluno te oferecer uma toalhinha como conforto.
Nunca ganhei tantos sorrisos sinceros como quando explicava uma “coisa difícil” e eles entendiam.
Nunca fui tão feliz como quando alguém disse que iria se tornar professor porque percebeu que era uma atividade de amor e que foram o brilho dos meus olhos ali, misturados com o giz e as palavras que o mostraram isso.
Poucas vezes chorei tanto como quando entrei para dar aulas e ganhei festas surpresas de aniversário, quando ganhei cartões de alunos que retomaram o estudos depois de 20 anos longe da escola.
Jamais esquecerei como foi ver uma aluna ir ao cinema pela primeira vez na minha aula, aos 67 anos…
É… acho que ser professor é mostrar ao mundo todos os dias que é possível se amar incondicionalmente. Que acredito nas pessoas, que acredito que posso e devo ajuda-las na busca e na realização de seus sonhos.
Ser professor é se doar e não esperar mais do que um sorriso de agradecimento. Acho que é por isso que amo tanto a profissão que escolhi!

Aos meus amigos professores, aos meus professores que se tornaram amigos e que me influenciaram, aos meus alunos que se tornaram professores, que se mantenham firmes no propósito de construir um mundo melhor. Que tenham coragem de seguir sempre em frente, que não desistam, que contem comigo, que mesmo frente ao medo de não conseguir, que mesmo com a insegurança que nos dá quando assumimos uma turma nova, ou quando enchemos os olhos d’água na despedida de um ano letivo tenham a certeza de que sim, nosso esforço vale e valerá sempre a pena.

Feliz dia dos professores para nós que temos a melhor de todoas as profissões do mundo, afinal, todos, um dia, já passaram pelas salas de aula!


1 Comentários:

Dy Eiterer disse...

Em tempo:
A primeira foto, batida por Edylane Eiterer, dos pés de Claudiney Arruda, enquanto ele passeava tranquilo por Copacabana num dia de muita alegria!


A última foto é o brinde feto na noite do dia 14/10 para o dia 15/10, no 25º baile do giz, em juiz de fora. Brindam nessa foto quatro professores: Edylane (esmalte roxo), Josi (esmalte vermelho, ao lado de edylane), Jefim e Magda, além de Ítalo, namorado de Josi!

Tim-tim! Que a vida compense e que seja feliz!
Viva os professores!

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