Visitas da Dy

domingo, 16 de outubro de 2011

Era um assalto?



Hoje cedo sai de casa para fazer uma prova de concurso. Manhã cinzenta, dia friozinho, eu com fome e atrasada.
Acabei de atravessar a rua, ainda em frente ao prédio onde moro e uma moça maltrapilha me parou e perguntou se eu tinha um real. Dei bom dia e disse que não tinha o tal um real – e não tinha mesmo, nessa manhã eu literalmente contei moedinhas pra sair de casa.
A moça disse que estava com pressa e fome e que precisava do meu celular. Meu coração, aos pulos parecia me sacudir. Sorri e disse para a moça que não tinha celular.
Ai, meu Deus… ia eu ser assaltada em frente à minha casa, com só 10 reais em moedas na bolsa, um livro na mão, uma caneta e um pacote de 500g de macarrão jogados no fundo da bolsa.
A moça perguntou de novo se eu tinha um real e voltei a dizer que não. Ela perguntou, então, se eu não ia correr, não ia gritar, não ia chamar a polícia. Calmamente – não sei de onde saiu a calma – eu respondi: porque deveria fazer isso? Você me parou pra fazer uma pergunta, queria saber se eu tinha um real, eu disse que não e pronto. Vou chamar a polícia por isso?
Ai, como eu tremia por dentro.
De repente a moça olhou pro chão e voltou a olhar pra mim: obrigada, moça. Você não tem dinheiro, mas é legal. Vai com Deus e bom dia.
Ufa! Dei um sorriso, soltei um aliviado “amém”, desses que as pessoas devem dizer quando realmente aceditam que “assim seja”, e sai andando meio devagar, meio rápido, meio com medo, meio feliz por nada ter acontecido, mas ainda estou pensando: era um assalto ou m motivo pra me fazer pensar na vida?


4 Comentários:

Trigo disse...

Nossa!! Um ótimo caso de Psicanálise. Rssssssss...

Dy Eiterer disse...

ninguém acredita, mas sou gentil até com a assaltante... creeeeeedoooo.

que paura!

Roberto disse...

Não preciso nem responder isso, né. Não era nem assalto, nem motivo pra fazer pensar na vida. Era pra mudar mesmo, com o livramento obtido e o recado dado.

Dy Eiterer disse...

amado!
passando por aqui! que maravilha!

acho que é o segundo recado dado, né?
o que mais eu preciso viver pra criar juízo eu não sei...

porque eu ainda insisto em ser cabeça dura é que é a grande questão.

beijo enorme!

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