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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Diário

Às vezes, em noites como essa penso que seria bom ter um diário.
Olho lá atrás, nos meus 10, 11 anos, quando ganhava um monte de diários bonitinhos, cor-de-rosinhas, com cadeadinhos e canetas perfumadas e simplesmente ignorava todos. Fazia de rascunho. Repassava o presente: era alguém fazer aniversário e eu dava o tal diarinho... achava chato escrever.
Hoje as coisas estão beeem diferentes. O que é o tempo na vida da gente... quem diria que 15 anos depois de ter ganhado vários diários eu iria desejar um...
Penso que criar o hábito de escrever diariamente o que se passa em minha vida seria uma grande ajuda ao coração: ajudaria-o a se desafogar.
Há algum tempo tenho feito um exercício interessante, que é o de pensar em tudo o que aconteceu no dia. Pesar os fatos, extrair tudo o que eles podem me trazer de melhor e depois apagar tudo, como se apertasse um “delete” e deixasse o coração vazio e pronto para mais um dia.
Esse exercício é bastante eficaz, mas percebi que tenho feito boas reflexões e as tenho perdido no vento... memória fraca... escrever seria mais sensato. Seria mais proveitoso.
Tenho usado bastante a caneta e o papel, já acabei com um caderninho e tenho outro já pela metade.
Por muitas vezes ecrevo após ler alguma coisa. Escrevo as minhas impressões.
Peguei um livro de Clarice Lispector emprestado essa semana onde li: “Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por quê, foi esta que eu segui. Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo mesmo escrever”. Dessa vez vou discordar de Clarice.
Desde a infância gosto de ler. Lia muito. Devorava livros. Não escrevia, mas pensava. Pensava muito, ainda penso. Criava histórias. Tirava conclusões. E sempre quando alguém me fazia a perguntinha mais sem graça de todas “o que você vai ser quando crescer?” além de fazer uma cara de bonequinha na caixa – aquela que você faz pra fingir que não está ali – eu respondia: posso ser muita coisa, professora, cantora, mas eu quero mesmo é ler.
Não virei cantora. Não tenho talento, mas canto o tempo todo.
Como eu já pressentia, cresci e fui ler: li tanto que virei professora de história. E como é bom: leio de tudo um pouco ou tudo muito!
Ao contrário de Clarice eu amo estudar e talvez essa seja a única coisa que faço bem, claro, quando consigo me concentrar. E o processo de concentração é complicado: primeiro é preciso me apaixonar. Se não me apaixono pelo ponto a ser estudado, já era! Não sai nada. Agora, se os olhinhos brilham é uma beleza: haja papel.
Não acho que para escrever não seja necessário estudar, como Lispector apontou. Isso, na verdade me entristece.
Precisamos estudar: ler mais. Quem lê escreve melhor. Se expressa melhor. Livra-se dos horrores de um “menos”, de um  “seje”. Abre a mente. Se torna crítico, pensa mais.
Penso muito e escrevo e as palavras vão saindo e se desenrolando e não necessariamente fazem sentido, mas saem. E aliviam.
Deve ser por isso que a própria Clarice disse que não sabia como é que se escreve. Porque não dá pra saber mesmo. A caneta parece ter vida, segue seu rumo…
Hoje quero iniciar o ritual sagrado de escrever todos os dias. Ora no computador, ora no caderninho, não importa. O que vou fazer é me esvaziar ao máximo pra poder me encher de novo no outro dia e deixar registrado, pra poder me absorver cada vez que for necessário, como se fizesse um ritual antropofágico de mim mesma.

2 Comentários:

Nanda disse...

Lindo Edy!!! Adoro ler suas reflexões !!!!
=D

Dy Eiterer disse...

Oh, nanda!
Obrigadíssima pelo comentário!

saudades

beijoo

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