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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Contramão




De repente me vejo andando na contramão de mim mesma.
Fazendo coisas que jamais pensei, seguindo caminhos absolutamente diversos dos que antes eram planejados.
Eu que não faço tantos planos, que busco não criar expectativas só pra ter o prazer de me surpreender com tudo, especialmente com o que é simples, me surpreendo agora só de ver o quanto tenho andado ao contrário do que imaginava.
Sonhava em ter um trabalho daqueles que me deixasse rica: hoje abro mão de muita coisa só pra fazer o que gosto, não importando muito o quanto vou ganhar.
Dizia que jamais sairia das Minas Gerais, que sair de Juiz de Fora era fora de cogitação e, hoje, comemoro seis meses de Rio de Janeiro.
Queria ser medievalista, trabalho com Patrimônio Cultural…
Faculdade de Educação??? Bah, queria distância das teorias que passavam por lá, hoje estou num curso dessa faculdade.
Para além dessas questões práticas há ainda um sem fim de sentimentos que andam às avessas… eu que achava os cariocas metidos, chatinhos e descomprometidos com as coisas, rendo-me ao charme natural que eles têm, à vida leve, à simpatia e ao calor de abraços que me lembram um por-do-sol.
Eu que quebrava regras só pelo prazer de chocar, choco-me ao quebrar padrões pré-estabelecidos e limitadores.
A garota MPB se rendeu ao samba.
A menina rock’n roll também é bossa.
Cachoeira que veio das montanhas desaágua no mar e gosta.
É de calmaria, mas sabe muito bem virar maremoto, mas se um vento sopra leve, volta a ser mar tranquilo, mas que também tem seu dia de ressaca. Mistura sua doçura ao sal e dá novos sabores para a vida.
Novos gostos, novos cheiros, novas cores.
Do azul da saudade passa pelo verde de novos caminhos, que precisam amadurecer, e muitas vezes não se encontra nos seus mistérios castanhos, perde-se, desfaz-se e refaz-se a cada novo amanhecer.
Já passou do vermelho ao marrom, se apagou, entristeceu, voltou ao vermelho e se acendeu: porque a vida é fogo, é pra arder sem medida, é pra ser que nem pimenta: gosto e cheiro que marca, tempera e esquenta.
No dia prefere a noite, coruja, atenta, desperta no repouso da cidade.
Egoísta, quer tudo e quer agora.
Não sabe dividir: é só olhos para capturar tudo. Queria estar em vários lugares ao mesmo tempo, queria muitos braços, abraços e bocas para beijos intermináveis, de parar o mundo, perder o fôlego, sossego dos olhos, batidas no coração.
Não sabe dividir e divide: espalha seus sorrisos, sua alegria, seu ânimo, esperança, vida.
Não sabe dividir e divide: quer tudo por inteiro, mas contenta-se com metade: meio-dia, meia-noite, mas em quantidade sempre é pouco e quer mais. Quanto mais melhor.  O que é pouco cansa. Deixa insatisfeita. Sobra falta, falta paciência, falta tempo, sobra saudade.
Não sabe dividir e divide: uma parte do coração nas Minas e outra no Mar.
A mineira está virando carioca.
Saiu da linha pro trem (de doido, sô!) não pegar!
Saiu do rumo e do prumo.
Saiu da mão e anda na contramão, sua própria contramão, e aprendeu a abrir mão muita coisa, menos dos sonhos, aprendeu que o que é determinado nem sempre é bom. E seguir em outra direção dá outra visão, que o horizonte é longe, mas não é inalcansável: tem pés que deslizam pelos caminhos de luta, que viajaram muito e ainda viajarão porque caminhar é preciso e o ponto de chegada está logo ali, basta começar a andar.


8 Comentários:

Nanda disse...

Inspiradíssima, heim????
Parabéns minha linda!!!!
Saudadessss
bjss

Dy Eiterer disse...

Ih, virou minha "seguidora", heim, nanda!

Obrigadíssima!

Contramão nasceu de um momento de contramão em que me encontro, de rumos (in)certos que tenho tomado.

beijo, queridona!

Anônimo disse...

"A menina rock ’n roll também é bossa"
Ser meio bossa nova e Rock 'n' Roll é ♥ pra mim!
Adorei ler esse texto. E a frase que está lá em cima sobre a tinta da caneta... é ótima , heim!
O bonito dos seus textos independente de qualquer coisa é que a gente sente que vc sente o que escreve.

beijo,
Madney Bundish :D

Anônimo disse...

Edy...lindo texto, lindas descobertas.
Lembre-se: Só o que está morto não muda.
Seja sempre metamorfose...siga o ciclo de vida das borboletas.
Bj grande do amigo querido.

Mário Brazil

Edmilson Esteves disse...

Cada vez melhor, mineirinha, cada vez melhor...

Dy Eiterer disse...

Uhu!

Madney, veio confrir de novo, né?

Gostou do "Porque às vezes a alma escorre pela tinta de uma caneta só pra desafogar o coração..."

é mais ou menos assim que me sinto aqui nas terras cariocas... ainda sem chão em meio a tanto mar e o coração muitas vezes começa a se afogar e então preciso escrever, mas volto a dizer: sempre são minhas impressões, sem pretensões.

Beijo, querido!

E mais uma vez, obrigada por vir aqui!

Dy Eiterer disse...

Mário Brazil,

que me compara a um furacão, entende meu turbilhão e diz não viver sem minha luz...

sabe que toda vez que me elogia fico tão, tão feliz que o mundo inteiro pode ver. acho que chego a brilhar mesmo!

é engraçado essa coisa de ser elogiado por quem a gente gosta: é um misto de orgulho e meio que de vergonha...

dessa vez não vou guardar o elogio, porque ele vem com um conselho: seja metamorfose... serei!

e quem sabe um dia essa borboleta não voa pelos céus do Maranhão pra te ver?

Beijo, querido!

nos vemos no fim da semana aqui no Rio!

Contando os dias!

Dy Eiterer disse...

Professor Edmilson,

ainda vem por aqui???

pensei já tivesse abandonado a conterrânea à deriva nos mares cariocas!

Há quanto tempo não nos falamos!

Volte sempre, sempre, sempre!

E precisamos marcar nosso botequinho...

beijooooo.

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