Visitas da Dy

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O que acontece quando confiamos?


E aí, o que acontece quando se é boba o suficiente pra acreditar nas pessoas? Essa é a questão que não sai da minha cabeça por horas a fio.
O que acontece quando se confia? Acontece uma aposta. Um jogo de azar. Se tiver sorte, vai dar tudo certo. Se tiver muita sorte, vai dar tudo errado e você vai tirar uma boa lição de tudo isso.
Nos meus últimos escritos, desabafos, ou sei lá o que são essas coisas que publico nesse blog, tenho dito o quanto eu sou parecida com a Alice do Lewis Carrol.
Ia fugir da comparação com essa personagem – não acabei de  ler o livro e acho que posso vir a tender mais pra lebre maluca ou chapeleiro louco – mas torna-se muito difícil não voltar à pequena heroína do livro, que se mete em cada questão filosófica de dar inveja a qualquer insônia.
Acho que nessa noite estou mais pra Alice pequenina, quando ela está beeeeeeem encolhida, e se sente péssima.
Tô aqui às voltas com mais uma das minhas grandes frustrações com as pessoas. Confio demais. Ainda sou do tempo em que as pessoas eram umas pelas outras. Que davam a sua palavra e a cumpriam sob qualquer circunstância.
Eu sou assim. Uma vez dada a palavra, será cumprida. Ainda que doa. Ainda que eu sofra. Ainda que o preço seja despedaçar meu coração. E o despedaçaram hoje. Lentamente. Com requintes de crueldade.
Cheguei a pensar que as pessoas não são dignas de confiança. Não merecem meu esforço. Não merecem o meu melhor.
Então devo deixar de ser eu e tornar-me outra? Diferente? Mais má? Mas aí não estarei me martirizando? Não estarei me jogando num breu onde não consigo viver e nem sair?
Não sei responder a nenhuma dessas perguntas e talvez nem seja tão importante que eu as faça. No fim serão só mais questões que cercearam uma noite insone e que podem não levar a lugar nenhum, mas talvez esse seja o caminho: ir pra lugar nenhum. Vagar. Dyvagar. A resposta pode estar escondida nos detalhes que não vejo.
O fato é que com todo esse longo dia me sinto uma criaturinha minúscula, menor que a pontinha de um alfinete, tão pequenininha que não pode ser vista, mas pode ser pisada, esquecida, deixada de lado, justamente por não ser perceptível. Isso é horrível.
Passei o dia todo sem sorrir de verdade. Sem cantar, sem me sentir animada, porque sou animada até no trabalho, mas hoje não deu.
Hoje entendi que as pessoa não foram feitas para serem entendidas, no máximo compreendidas. O que devemos fazer é aprender a conviver com cada uma delas, respeitando seus espaço e não criando a menor expectativa.
Essas expectativas… estragam tudo! Não passam das nossas próprias projeções que nunca são cumpridas – claro, o outro é completamente diferente! – e aí a gente se frustra, se magoa, chora. Eu choro. Chorei hoje.
Como trato todo mundo de uma maneira na qual gostaria de ser tratada, levo o mundo em tons coloridos e fortes, pra que ele seja diferente e interessante – já que não gosto de coisas comuns –, quando alguém teima em derrar um borrão cinza no meu dia azul me deprimo ao extremo. Sou de extremos: tudo é sempre muito intenso.  Acho que foi o que aconteceu hoje e já vinha sendo anunciado há alguns dias: as pessoas gostam mesmo é de se divertirem umas com as outras.
Leva-se uma coisa aparentemente à sério, socialmente aceitável, exemplos de pessoas para todo e qualquer mortal, mas no fundo não são nada disso. São casquinhas. Personagens. Estão se roedo por dentro. Medrosas. Teme mudar o rumo. Temem lançar suas velas em outras direções. Aí se divertem com o coração alheio. Decepcionam os outros porque no fundo estão decepcionados consigo mesmas! Bingo! Chega uma hora em que a represa estoura e voa mágoa pra todo lado e o sorriso amarelo cai muito bem nessa hora. É até necessário, pra tornar o momento mais ácido.
Nesse jogo que é confiar nas pessoas cada um aposta o quanto quer. O quanto acha que deve. Sempre aposto o máximo. Suicida? Não! Boa de blefe? Longe disso! Só observo bem os olhares, os sinais. Não parece, mas sempre guardo uma fichinha no bolso, pra pagar mais uma rodadinha pela mesa.
Se hoje tomei uma surra e perdi muitas fichas apostando em pessoas que não necessariamete me magoaram por querer – talvez tenha mesmo sido sem querer, ninguém espera que o vulcão vá explodir num domingo de sol – ainda tenho uma fichinha guardada aqui, pra apostar de novo amanhã.
Sou boba. Ainda acho que as pessoas merecem segundas e terceiras chances. Acho que vale a pena.
Se eu que passo noites e noites tentando descobrir quem sou ainda não descobri, porque acho que os outros se conhecem?
Se a vida é um jogo e dar tudo certo é questão de sorte, acho que hoje tive, no fndo, muita sorte: perdi as fichas, me entristeci, me magoei, mas aprendi que há ainda um meio de tentar rearranjar as coisas. E amanhã, vou apostar de novo, afinal, quantas vezes nesse ano eu fiquei assim tão “pra baixo”? pouquíssimas! Tenho sorte e vou continuar apostando nas pessoas. Preciso disso pra sorrir pela manhã…


(Imagens de Helenbar)


1 Comentários:

Anônimo disse...

Dy, minha linda, lamento te dizer que irá ainda ter inúmeras decepções, eu passei por tudo isso qdo cheguei aqui, nessa selva de pedra, muito mais ingenua do que você, pois meu mundo era bem mais restrito... Uma coisa que aprendi é que embora somos magoadas não podemos nos contaminar por pessoas mesquinhas de sentimentos vis, somos maiores e melhores. A nossa ingenuidade em acreditar que todos são bons nos faz feliz, por que vamos deixar de ser feliz? Não podemos perder a nossa essência com as perversidades alheias, a gente se magoa, se frusta, sofre, mas no dia seguinte estamos inteira e pronta enfrentar novos desafios.

Não se amedronte, não se sinta pequena, encha os pulmões, infla o peito e coloque um sorriso no rosto, mesmo que seja amarelo. Lindo dia pra você. Beijos Z

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