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terça-feira, 10 de maio de 2011

Príncipe Encantado?


E na maioria das vezes queremos sempre alguma coisa que não temos. Nunca estamos saisfeitos.
É assim com todo mundo e com nossa heroína de plantão não era diferente. Ela sonhava com um príncie encantado. E seu príncipe tinha rosto, nome, endereço e telefones anotados em sua agenda.
Sonhava acordada – e dormindo – com o rapaz. Ele era um tipo comum. Nada de extraordinário a não ser para ela, que o via como o melhor de todos os homens do mundo.
Era apaixonada. Na verdade, não. Ela o amava, mas nunca havia se quer se declarado. No máximo deixava bandeiras pelo ar, que ele não notava, ou se notava não ligava. Ela era permeada de dúvidas, mas sempre enamorada.
Nessa manhã algo de estranho aconteceu. Ao se acordar ela se lembrou de uma conversa que ouvira na rua e se concentrou bem naquelas palavras alheias que agora lhe serviam de conselheiras.
Na conversa que ouvira um casal de amigos conversava sobre amizade entre homens e mulheres e sobre o fato de que sempre temos um amigo apaixonado pelo outro, o que não necessariamente acaba bem.
Cometavam que se apaixonar por amigo é fria. E ela friamente analisou a afirmação e acabou por concluir que a dupla tinha razão, especialmente pelos argumentos apresentados.
Apaixonar-se por amigo é arriscado. Não se tem a novidade que uma paixão exige. É como se a plateia já conhecesse exatamete a peça que vai ser encenada – e pior – conhece tanto que  é capaz de subir ao palco da vida e lhe ajudar a encenar.
Apaixonar-se é ser novidade para o outro e receber a novidade que o outro tem a oferecer. Tudo é fascinante, tudo é descoberta. Quando o enamorado é um amigo ele já lhe conhece e você a ele. É como se já soubessem todo o roteiro a ser seguido e se torna mera formalidade. O próximo passo é cair no tédio.
 Nada contra quem se apaixona por um amigo e consegue ser feliz pra sempre com ele – lembrando que o pra sempre é finito e tem data de validade nos dias de hoje. Meu problema é com os casos onde não se consegue dar o mesmo colorido de antes para as cena já conhecidas e a paixão se esvai e em muitas vezes leva junto a amizade, que não resiste ao golpe fatal do tédio. E quando resite, permanece tediosa, insossa, chata, até ir minguando.
Nossa mocinha se lembrou dessa conversa e refletiu por horas sentada em sua cama. E descobriu que seu príncipe encantado, na verdade, não era príncipe nada. Era só um homem comum que lhe emprestava o ombro quando precisava, que lhe dava colo e carinhava quando ela estava triste. Que  a ouvia e que a aconselhava. Bingo! Não era paixão! Não era amor! Era só mesmo amizade – que não exclui a possibilidade de ser um amor, afinal, amamos nossos amigos.
Compreedendo que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, ela libertou seu príncipe de sua fantasia. Fechou os olhos e o imaginou ao seu lado, como homem que era, sem nenhum encantamento. Viu que não colava. Não ficavam bem na foto. Pelo menos não enquanto par romântico.
Pegou o telefone ligou pra ele e disse o quanto o amava e o quanto era importante te-lo como amigo ao seu lado e sorriu tranquila. Agora era sabia que o amor é intenso e diferente para cada pessoa e que é importante que saibamos distinguir e não confundir os sentimentos.
Ao final da tarde, liberta de seu castelo de fantasias foi ao café da esquina e ao cruzar com um desconhecido que lhe sorriu sentiu as pernas tremerem. Ao se libertar se abriu para o mundo e o desconhecido, não era tão descohecido assim. Era um jovem que sempre estava por ali e era o seu príncipe nada encantado, mas uma possibilidade real de felicidade. Ou ao menos uma boa tentativa de ser feliz.

*** Inspirado numa conversa de ônibus no Rio de Janeiro, num dias desses ***

2 Comentários:

Isaías Souza disse...

Inspirado numa conversa de ônibus nada. Andou me espionando por aí né? Hahahaha! Mas a minha posição hoje é também essa: não quer perder uma coisa preciosa, que é um grande amigo (a) para o resto da sua vida? Não se apaixone e não se envolva. A amizade pode ser eterna. A paixão tem prazo de validade. E o amor... bem, o amor... ninguém nem sabe o que é. Entre o carinho do calor que envolve homem e mulher, prefiro o consolo do colo da amizade. E se arrependimento matasse, morto eu estaria. Amizade dentro de um relacionamento é essencial. Mas relacionamento dentro de uma amizade em mais de 90% dos casos é destrutivo. Há os que dão certo. Essa sorte não me contemplou. Texto, como sempre, sóbrio e verdadeiro. Beijo!

Dy Eiterer disse...

Isaías, acho que nosso esporte favorito está sendo ler e comentar os nossos blogs!
Acho que a grosso modo todo mundo já se apaixonou por um amigo.
Há algum tempo eu preferi a presença constante e o apoio e as conversas, mantendo a amizade, à arriscar um passo mais ousado e ver tudo isso ir pelos ares.
Creio que mesmo não arriscando magoei o coração que mais queria preservar em todo esse mundo e me restou um silêncio, uma saudade e um gosto amargo em pensar que falhei, mas não me arrependo.
A culpa não foi só minha. Nesse caso acho que foi bem o que já havia me dito em outra conversa pelo face: não suportamos perder - ainda que seja o que não temos de fato.
Alguém perdeu e não soube lidar com isso. Infantilidade, talvez, mas fico na torcida pra que passe e que volte à normalidade...
E assim segue a vida: caos pra uns, calmaria pra outros e aprendizado para todos.
beijoooooooooooooooooo

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