Visitas da Dy

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Lápis e Papel ou Saindo de Mim

Não sei o que se tem passado comigo. Agora tenho vontade de escrever tudo! Não posso ter lápis e papel na mão que me dá um comichão para escrever.



Ao menor sinal de conversa fico em alerta, ouvindo os papos do trem ou metrô e vou logo pensando: ”hum... isso daria uma boa história”. Fico buscando conclusões das tramas alheias e tudo se torna um assunto para eu escrever.


Também tenho lido muito mais. Não, não falo das leituras obrigatórias do meu dia a dia – essas são muitas e vão muito bem, obrigada! Falo de textos que me animam, de gente inteligente, intensa, de Clarice e de Martha, Vinícius e Drummond, Neruda e Garcia Marques.


Em uma semana foram dois livros de crônicas!Dois maravilhosos livros! Na verdade eles foram devorados em dois dias, cada qual no dia em que foi comprado.

A minha produção de textos também aumentou vertiginosamente. Os textos ora são bem confessionais, onde conto mesmo coisas que vivi, como este aqui, ora são fictícios.


Aprendi que existem momentos em que precisamos fugir de nós mesmos para não enlouquecer. Porque se o mundo está à nossa volta, temos um mundo inteiro também dentro de nós e manter o equilíbrio entre eles é cansativo, difícil,desafiador e enlouquecedor.


Tenho momentos em que quero brincar de não ser eu. Quero ser outra pessoa, muito diferente pra melhor ou pra pior ou nem uma e nem outra.


Isso não é só coisa da minha cabeça. Para sermos esse outro que não somos podemos e devemos inventar. É o que faço.


Não sou boa com teatro, a não ser em algumas situações da vida. Não sei tocar um instrumento ou criar lindas canções – quando muito, ou sempre, canto desafinadamente. Mas quem não gosta de liberar o cantor que mora dentro de si mesmo? Viro diva da MPB e me divirto cantando aos quatros ventos e em qualquer lugar. Pobre de quem ouve, mas tem gente que gosta. Eu gosto.


Não sei dançar. Arrisco meia dúzia de “dois pra lá, dois pra cá” se encontrar um professor bem disposto a levar pisões e encarar uma completa desengonçada.


A fuga que me restou foi o papel e o lápis,elementos sempre presentes em minha vida.


Com essas ferramentas posso fazer e acontecer. Ter amores (im)possíveis, ser heroína, mudar o mundo, ser conformada ou rebelde. Posso ser o eu que não sou e depois de tudo pronto volto a ser só eu, assim, do jeitinho que sou quieta (?!), falante,cantando, bem humorada.


Encontrei a fuga ideal. Se escrevo bem é outra história. Ainda não escrevo para ser necessariamente lida. Não me convenci de que alguém possa se interessar por esses textos. Ainda fico vermelha de vergonha se alguém diz que leu um deles. O curioso: ainda assim sempre que escrevo corro para mandar o texto novo para alguém.


É que no meu mundo escrito ao tenho vergonha. Ela só existe no meu mundo de verdade. É que minha fuga é ao mesmo tempo minha exposição e minha brincadeira. Assim sou quem não sou e volto a ser quem sou.


Ainda bem que existem lápis e papeis... brincar é necessário se não fico louca.

7 Comentários:

Leandro Matos disse...

Muito sincero e autoral. Porém,diz muito sobre nós! Tem um pouquinho de todo mundo aí. Acho que as "tramas alheias" são uma inspiração e tanto, principalmente quando elas são fonte de imaginação e reflexão, interna e externa. Muito bom!

Mario Brazil disse...

Muito bom Edy...Muito bom mesmo!
Olha, me olhei aí no seu texto no trecho:
''...de gente inteligente (eu aqui!!), intensa (olha eu aqui de novo!!!), de Clarice e de Martha, Vinícius e Drummond, Neruda e Garcia Marques.''
E ao lado de quem?? De todas essas feras ai.

bjão

Dy Eiterer disse...

Sabe que estou vermelha agora lendo os comentários de vocês, né?
Obrigada pelo carinho, pelas visitas que fazem aqui, pela amizade e pela sinceridade!
Beijos para Mário e Leandro!

Fernando Turatti disse...

aeee tiaa, virando blogueira? hsauhsuah
adorei o texto, parabéns!
bjs.

Fernando Turatti

Dy Eiterer disse...

Oh, baby!
obrigadíssima!
Fico muito feliz vendo que meus textos estão ganhando asas!
mesmo envergonhada!

Isaías Souza disse...

Lindo isso Dy... eu já fui mais assim, mas não tenho conseguido escrever ou produzir nada tão interessante nesse período de março pra cá. Não sei o que houve. Apenas desconfio. Meu recente texto é dedicado ao meu irmão, que está indo embora num sofrimento terrível, e eu só posso ficar do lado dele e oferecer o meu carinho, sem poder fazer mais nada. Eu procuro nem comentar com ninguém. Por esse motivo, tive que explodir no blog. Pelo menos isso é bom, não é? Sei lá deve ser. Aliás RACHEI DE RIR com uma pequena parte desse texto gostoso de ler e que "pesquei" sem querer e ri demais: " Viro diva da MPB e me divirto cantando aos quatros ventos e em qualquer lugar. Pobre de quem ouve, mas tem gente que gosta. Eu gosto." - Ou seja, dane-se a opinião de vocês. Faço o que me faz feliz e pronto. Achei isso de uma sutileza e verdade incríveis. Adorei!
Aliás, bendita seja essa NOSSA qualidade em conseguir expor sentimentos dessa forma. Isso é muito libertador. Por hora, apreendi também das suas palavras que TENHO que começar a prestar mais atenção aos movimentos da vida que me cercam. Ainda vou pensar nisso ESTE RESTANTE DE NOITE. Como sempre, parabéns pelo texto. E pelo "layout" e criatividade do novo nome. Ficou muito bonito. Combinou com você EM CASA, porque se fosse fora dela, no lugar do café estaria uma garrafa de cerveja, no lugar da plantinha uma dose "da roça" , no lugar do diário, um baralho... é isso aí minha querida! Brinde-nos sempre com esses iluminados ímpetos de sinceridade! Os meus talvez voltem. Aliás, produzi um texto no dia seguinte à morte de Osama Bin Laden, bem revoltado, mas denunciando aquilo que todo mundo já sabe. Seria somente mais um "grito mudo" no mundo. Então, desisti de publicar.
Beijo grandão querida!

Dy Eiterer disse...

Ah, Isaias... Ia comentar seu post aqui, mas prefiro, realmente coloca-lo lá na sua página do face, pra ter certeza de que vai ler.
Na verdade acho que vou mesmo é postar como mensagem... ainda não me decidi sobre isso...
Bom saber que entende meus escritos, aliás, é bom saber que mais gente entende o meu mundo!
Em tempo: parei de beber! não jogo baralho há dias! Mas pensei mesmo nesse ambiente caseiro quando escolhi o layout novo. Já que esse é o MEU MUNDO, que tenha a MINHA CARA!
Obrigada pelo carinho de sempre!
Beijo, querido!

Postar um comentário