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quarta-feira, 23 de março de 2011

Yazul – Porque tudo na vida passa!



É mais um dia em que passo nessa cidade enorme que é o Rio de Janeiro. Centenas, milhares de pessoas passam por mim nas ruas sempre movimentadas. Carros aceleram, motocicletas passam na contramão e nada disso me chama a atenção.
Nem o belíssimo Theatro Municipal a quem tenho o privilégio de ver todos os dias teve graça nessa manhã.
Parece que já me acostumei com a correria. Parece que já me acostumei a olhar para os lados e não ver sequer um rosto conhecido.
Na verdade não é costume. É só solidão.
Começa aqui a história de um coração, a história do meu coração.
Um dia esse coração que ora era meio corajoso, ora medroso, quis ganhar asas. Fez de tudo um pouco, o que podia para ganhar seu par de asas. De tanto desejar voar, conseguiu.
Nesse dia lembrou-se de que há muito tempo atrás, quando ainda era só um coraçãozinho ouviu alguém lhe ensinar que era preciso ter cuidado com tudo o que se deseja, pois é a força do coração que faz com que os desejos se realizem.
Ele desejava voar. Desejava intensamente. Agora estava ali todo orgulhoso: um coração que era igual a muitos outros: já havia sido cheio de alegrias, já havia sido magoado, já se enchera de esperanças e já perdera toda ela, mas que aprendera a ser guerreiro e a seguir na luta, porque só vence quem arrisca, só cresce quem se permite, em certo momento sofrer um poda ou outra. E nesse caso se lembrava das árvores: sofriam as podas no outono, sofriam as penas do inverno e se desabrochavam na primavera, porque eram muito maior que a dor de qualquer sofrimento.
Nosso coração lançou voo. Foi buscar em novos ares tudo o que imaginava não ter nos céus que conhecia.
Agora em terra desconhecida percebeu que tudo se descortinava muito diferente e coração se sente sozinho, vazio. Nessa terra em que chegou coração está dvidido entre sonho e saudade, entre querer voltar e seguir arriscando. Quer ver o arco íris, mas tem medo da tempestade que precisa acontecer para que as cores surjam.
Coração aqui é deserto. É céu sem luar, e se tem luar é sem estrelas. É borboleta que fugiu de casa e, mesmo querendo, não sabe voltar. É um que por ser sozinho vira zero.
A correria do dia a dia não deixa que as pessoas se encontrem. Ou até se encontram, mas é tudo rápido. Passageiras, passam. Furacão, só deixam rastros. Só as vê quando já passaram.
Meu coração já está cansado. Quer de volta os sorrisos conhecidos. As paradelas nas ruas com os amigos, ao abraços mágicos que podiam parar o tempo das tardes quando o sol já se escondia por trás das montanhas mineiras.
Coração quer deixar de ser só saudade. Quer voltar a ser alegria. Quer ser amado e mais que isso, quer se sentir amado. Quer ter carinho por perto, quer sorrir ao vento e acenar pra quem passa. Quer dar um bom dia que realmente faça o dia de quem o recebe ser bom e quer ter dias bons.
Os olhos querem se encher de lágrimas de saudades que estão se despedindo de nós, porque acabam de saber que já não mais serão saudades, mas alegria de momentos juntos de quem se quer bem.
Os sorrisos querem ser dados à vizinhança da rua em que cresceram.
Os lábios querem pronunciar um “eu te amo” há tempos guardado para que os ouvidos se deliciem em ouvir o mesmo do outro que por acaso há tempos guardava as mesmas palavras.
Os braços querem se dar nós em abraços enternizados em minutos que se paralizaram.
E eu, ah, eu quero só encontrar a fórmula mágica pra fazer esse coração, o meu coração, parar de doer; pra conseguir seguir em frente e não desistir; pra me surpreender a cada dia com bons resultados e olhar para todas essas circunstâncias que hoje me afligem e dizer uma frase que aprendi com Malba Tahan: Yazul! Porque tudo passa! 

                                           *** Terça-feira, 22 de março, intervalo de  aulas em Niterói ***


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