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quarta-feira, 23 de março de 2011

Engarrafamento ou Letras e Notas



E depois de mais um dia achando que tudo está perdido, de me sentir imensamente sozinha me meio a milhares de pessoas, peguei um ônibus lotado, um engarrafamento daqueles e nada mais tinha a fazer se não abusar da tecnologia e ouvir as músicas do meu celular.
O cartão de memória é relativamente grande e cabe centenas de canções nesse aparelhinho.
Coloquei os fones, e liguei o som – bem alto. A ideia era me desligar do mundo que me rodeava e entrar no meu infinito particular, onde as coisas podem e devem ser do jeito que eu gosto, do jeito que eu moldo, uma msitura meio (des)complicada e (im)perfeitinha.
As músicas que comecei a ouvir eram antigas algumas de um tempo que não vivi. Década de 1960, 70, 80. Muitas coisas começaram a passar na minha cabeça e com o trânsito infernalmente parado – o calor nesse ônibus é tremendo – resolvi me desligar mais ainda disso tudo: saquei a lapiseira e um caderninho de anotações da bolsa, tal qual um duelista nos tempos do far west, pronto a dar o tiro fatal. Meu tiro tinha destino: afastar o tédio.
Loucura? Pode ser mas realmente agora penso ser como diz uma canção que comecei ouvindo:

“eu juro que é melhor não ser um nornal, se eu posso pensar que Deus sou eu”.

Rita Lee interpretando a Balada do Louco arrebentou. Mas a canção era bem oportuna. Passei a manhã toda amargando uma solidão, me sentindo triste por não ter por perto as pessoas que me fazem sentir melhor e agora tinha uma declaração de feicidade aos meus ouvidos e uma verdade:

“louco é quem me diz que não é feliz”.

Comecei a pensar nos muitos motivos que tenho pra ser feliz: tenho o filho mais lindo do mundo, tenho a família melhor do mundo, tenho os melhores amigos do mundo! Se hoje estão distantes no espaço, não o estão no pensamento. Se agora não vou chegar na minha casa, ver meu filho e família, não é pra sempre! Se hoje pude acordar, trabalhar, estudar, isso já me basta pra ser feliz!
Ah, pra fechar esse pensamento veio a Elis, fantástica.

Viver é melhor que sonhar

em “Como nossos pais”, embora a ideia e o contexto não sejam nem de longe os mesmos em que me encontro, puder tirar outra grande lição pros dias que tenho vivido.

Você me pergunta pela minha paixão, digo que estou encantada com uma nova invenção. Eu vou ficar nessa cidade, não vou voltar pro sertão pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação. Eu sei tudo na ferida viva do meu coração

 estava aí uma coisa que eu tinha que colocar na minha cabeça:

eu não vim até aqui pra desistir agora”!

 E como eu já começava a me convencer nessa manhã de que tudo passa, todas as dificuldades vão passar. Engenheiros do Hawaií e Elis me ajudaram a fixar essa ideia. Está decido: nada de pensar em desistir. Nada de pensar em voltar pra casa.
O negócio agora é encarar a vida como os gatos de Chico Buarque na voz da Vanessa da Mata:

o meu mundo era apartamento, (…)todo dia filé mignon

Essa vida boa se foi. Nada de mignon. Nada de comidinha da mamãe. Nada de acordar às 10 da manhã no maior estilo gata preguiçosa… agora vamos por a mão na massa, mesmo porque se eu não fizer, ninguém fará por mim ou para mim. A gata aqui tá mesmo como a do musical do Chico:

sem file e  sem almofada…
(…)
 eu sou mais eu, mais gata

Tenho que ficar mais esperta, mais gata, mais “safa” e aprender a levar a vida na “cidade grande”

nessa terra de gigantes, que trocam vidas por diamantes

Mas fugindo das canções e caindo para as citações, encerro esse texto com Jean Cocteau:

Não sabia que era impossível.  Foi lá e fez.

Então, não é tempo de desistir, não é tempo de pensar em tristezas. Vamos  pensar só em coisas boas e elas hão de acontecer, porque tudo que se quer, se se desejar com força e for de coração, acontecerá. E as coisas irão dar muito mais certo do que estão dando.
Porque por não saber que era impossível, cheguei até aqui e por continuar achando que nada é impossível, vou  terminar esses planos e fazer muitos outros.

*** Caminho de casa, terça-feira, 22/03, depois da aula ***

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