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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Balada do Amor (In)Abalável



Balada!
Parece que o mundo jovem de hoje se pauta por essa palavra, que até pouco tempo era um estilo musical e que agora é sinônimo de festa.
Eu, em minha solteirice, confesso que virei baladeira: uma vez ao mês caio na nigth e danço até o pé doer... mas as idas à casa noturna também me traz uma série de questões da qual tenho prestado muita atenção. Uma dessas coisas é a banalidade com que tratam sentimentos que pra mim eram essenciais.
Os rapazes, bêbados com meia dúzia de cervejas, se “apaixonam” perdidamente por bonecas frágeis de porcelana que ao menor sinal de uma boa conversa se quebram. Sabem no máximo o nome da última gravação de axé que faz sucesso no verão...
Nossos príncipes embriagados são insistentes: em suas paixões relâmpago querem um beijo, o telefone, e até a sua mão. Já vi promessas de casamento serem feitas em menos de, sei lá, 15 segundos de conversa. Uma conversa muito boa, animada, em um salão lotado, quente e com um som ensurdecedor.
Às vezes penso que o mundo está perdido, às vezes tenho certeza de que nós é que estamos nos perdendo. E por muito pouco.
Volto a essa questão logo. Agora vou mudar o cenário completamente: essa semana não me contive e fui assistir a um esperado paredão de um famoso – esse é mesmo famoso, ainda não descobri o por quê – reality show. Depois de uma “balada” regada a muita bebida e música alta- não digo que era boa, mas pelo menos animada, um mocinho muito bonito ficou com a mocinha, também muito bonita. O diálogo que se apresentou entre eles me impressionou. Ela perguntou ao rapaz porque ele havia se interessado por ela -  talvez ela esperasse ouvir uma linda declaração de amor, dessas que não se fazem mais nos nossos dias. O bonitão disse secamente: porque você é gostosa. A carinha de decepção da moça foi de cortar o coração de qualquer big-telespectador. A festa continuou e o casal entre um gole, uma dança e uma brincadeira trocavam uns beijos. A noite terminou com a mocinha sendo posta na cama pelo rapaz. Ela para encerrar a noite deu um beijo em seu príncipe e disse-lhe um tímido “eu te amo”.
Para o mundo que eu quero descer!
Embora os dois cenários que eu tenha descrito aqui sejam diferentes se encontram no mesmo nível de loucura. Como se ama alguém que se acaba de conhecer?
Tenho pensado muito nisso. Em como as pessoas tem se perdido no meio de sentimentos que não conhecem e como confundem as coisas.
Acho que não sabem mais como é amar. Acho que se esqueceram como é ter as pernas tremendo e o ar faltando e o coração aos pulos ao ponto de quase explodir. Acho que nunca amaram na vida! Isso é no mínimo triste.
Hoje posso dizer pra vários amigos o quanto eu os amo: são anos de caminhada lado a lado, de apertos, de brincadeira, de mãos estendidas, de trancos e barrancos que são quase que provações de amizades. Os que resistiram, não muito,mas muito valiosos,são muito amados. Dizer que os amo é tão bom quanto saber que a recíproca é verdadeira.
Outro caso também é quando se ouve, se lê, se recebe um “eu te amo” quando menos se espera. E quando se descobre nas nuvens, feito boba por saber que é real. Que não são só conversas fiadas de bar. Que não são frases soltas e sem sentido de uma balada!
Ainda hoje quando recebo um “eu te amo” no meio de um dia atarefado ou tedioso, pela manhã ou depois que já me deitei, de um amigo ou de um amado – de todo o coração – ainda hoje,  o coração se enche de alegria e um carinho enorme me invade e tenho certeza de que embora ache que o mundo esteja se perdendo,ainda não me perdi. Ainda amo de verdade e sei que sou amada, muitas vezes não com toda essa certeza, mas sei.
Enquanto escrevo penso aqui em uma canção “Balada do Amor Inabalável”, interpretada pelo Skank, de autoria de Samuel Rosa e Fausto Fawcett,que inspiraram minhas linhas:

Balada Do Amor Inabalável

Skank

Eu levo essa canção
De amor dançante
Prá você lembrar de mim
Seu coração lembrar de mim...
Na confusão do dia-a-dia
No sufoco de uma dúvida
Na dor de qualquer coisa...
É só tocar essa balada
De swing inabalável
Que é o oásis pr'o amor
Eu vou dizendo
Na seqüência bem clichê
Eu preciso de você...
Darará! Dararumdá Darará!
Dararumdá! Darumdá!
Darumdá! Darumdá!...
É força antiga do espírito
Virando convivência
De amizade apaixonada
Sonho, sexo, paixão
Vontade gêmea de ficar
E não pensar em nada...
Planejando
Prá fazer acontecer
Ou simplesmente
Refinando essa amizade
Eu vou dizendo
Na sequência bem clichê
Eu preciso de você...
Darará! Dararumdá Darará!
Dararumdá! Darumdá!
Darumdá! Darumdá!...
Mesmo que a gente se separe
Por uns tempos ou quando
Você quiser lembrar de mim
Toque a balada
Do Amor Inabalável
Swing de amor nesse planeta...
Mesmo que a gente se separe
Por uns tempos ou quando
Você quiser lembrar de mim
Toque a balada
Seja antes ou depois
Eterna Love Song de nós dois...
Eu levo essa canção
De amor dançante
Prá você lembrar de mim
Seu coração lembrar de mim
Na confusão do dia-a-dia
No sufoco de uma dúvida
Na dor de qualquer coisa...
Darará! Dararumdá Darará!
Dararumdá! Darumdá!
Darumdá! Darará!
Darará! Dararumdá Darará!
Dararumdá! Darumdá!
Darumdá! Darará!
Dararumdá! Darumdá!
Darumdá! Darará!...
Ta aí uma canção que todos deveriam refletir. É de uma simplicidade e de uma verdade tão grandes... sempre tem alguma coisa que nos faz lembrar aquele nosso amor, sempre tem uma “balada” que nos embala a lembrar daquele rosto, daquele sorriso...
Acho que precisamos menos de baladas e mais de conversas jogadas fora, de passeios pelos parques, de nos deixar preencher pelo outro e de dar um pouco de espaço pro amor. O que importa no final é qualidade e não a quantidade. Agregar um pouco de valor a nós, a nossos beijos e abraços nos faz bem,obrigada, e nos torna mais donos de nós mesmos. Conscientes de quem somos e do que queremos.
Assim deixaremos de ser as bonequinhas de porcelana que se quebram ao ouvir algo diferente de um axé ou funk, os meninos deixaram de ser os soldadinhos de chumbo bombadinhos e vazios.
Abriríamos nossos olhos e veríamos que os príncipes e princesas são lindos, perfeitos e felizes para sempre, mas... só nos contos de fada. Veríamos que do lado cá do mundo, onde as fadas só existem  - no infame trocadilho – nas (sa)fadas, onde bruxas que podem ser bonitinhas, mas ordinárias, só são aquelas que magoaram os corações de um pobre apaixonado, que os cavaleiros não têm cavalos brancos e nem são tão gentis e hábeis com a espada são personagens que só existem porque permitimos suas entradas em nossas vidas.  Podemos abrir nossos olhos e enxergar gente como nós. Que tem um coração como o nosso, que também querem ser felizes e que por muitas vezes estão esperando o dia em que vamos olha-los com olhos diferentes e perceber o quanto estavam próximos, nos esperando para amar.
O amor pode estar do seu lado. Que tal olhar a sua volta?

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