Visitas da Dy

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sobre a Verdade ou Resposta ao Isaías


E lendo um texto do meu querido Isaias sobre a sua descoberta a cerca da não existência da verdade, eu também a tive e foi quase traumática.
Seguindo a mesma linha de evolução dos candidatos a historiadores - sim porque quando entramos na faculdade não somos mais nada do que aspirantes ao posto de historiadores, principalmente tendo em vista que muitos desistem, ou se formam pra engavetar os diplomas -, um belo dia, no primeiro período da faculdade, lê-se Marc Bloch - Apologia da História ou O Ofício do Historiador - e no primeiro período é mais que natural que não se entenda  lá muita coisa. O texto é simplesmente fantástico, mas denso, muito denso para calouros.

(Devo aqui salientar que até então texto para mim era algo de três, quatro páginas. No máximo admitia 10 páginas. Nesse dia aprendi que texto é qualquer coisa entre uma linha e mil páginas.)

Era humanamente impossível entender o que, de fato, aquele autor queria dizer com seu livro pequeno e importante para a formação e carreira de todo historiador. Eis aí a primeira grande crise: eu não sei ler!
Mas isso passou: ninguém havia entendido. A situação era mais grave: ninguém sabia ler! Ou seria o Marc Bloch que não sabia escrever?!

Depois começamos a trabalhar com as ideias dos pontos de vista que são diferentes e, claro, tendenciosos: oh, não! tudo se desfaz e me lembro das aulas do Ignácio dizendo que "tudo que é sólido se desmancha no ar" (Karl Marx).
Claro, do alto dos meus 18/19 anos e no primeiro período não entendia patavinas disso. A segunda onda de crise veio: como pode isso, tudo que é sólido se desmancha no ar? alguém aqui bebeu e não fui eu! Mais uma confusão pra fazer de minha mente um turbilhão.
Se como Carlos Drummond de Andrade sugeria em seu poema “Verdade” que só se passava meia verdade pela porta (A porta da verdade estava aberta, / mas só deixava passar / meia pessoa de cada vez. / Assim não era possível atingir toda a verdade, , que ela nunca seria completa e igual, TODOS, simplesmente TODOS já haviam mentido pra mim! Principalmente aqueles a quem amava.
Foram dias difíceis, de compreensão demorada, uma digestão de ideias nunca pensadas antes, até chegar aos autores de uma complexidade tamanha para aquele início de caminhada, mas que aos poucos foram me parecendo familiares até que consegui perceber a construção das coisas. O arranjo das idéias no mundo e o mundo que se arranjava de acordo com as idéias de que o pensava.
Não é que todos mentem pra você. É que cada um enxerga o mundo à sua maneira e não há mal nenhum nisso. Na verdade, hoje acho que por muitas vezes isso é bom por dois lados: o primeiro nos garante a diversidade e a maravilha de podermos discutir, trocar opiniões, (re)construir esses mesmos pontos de vista; o segundo, é que nos deixa escapar de toda frieza que nos cerca. Não é que vamos viver de fantasia, mas podemos ser um pouco mais tendenciosas às questões otimistas, à levantar nossas bandeiras de luta, alimentar nossas esperanças.
Descobrir que não há verdade absoluta é uma evolução de nosso pensamento e mais, de nossos próprios sentimentos: descobrimos que ninguém está agraciado com o dom de só dizer verdades, nem nós mesmos. O que dizemos são sempre as NOSSAS impressões e só. E seríamos todos bem mais felizes se soubéssemos disso antes: deixaríamos de ser tão hipócritas, tão politicamente corretos a favor de questões que nem sempre são substanciais e que damos enormes importâncias.
Por fim, que bom que mesmo com todas essas  "crises" que se apoderam de nós nos cursos superiores – descobri que muita gente, se não toda ela, têm grandes crises – não  chegam a estimular o abandono dos cursos. Resistimos bravamente e nos tornamos pessoas melhores, mais abertas, mais dinâmicas, mais críticas e – por que não? – mais tendenciosos ao amor ao próximo e a nós mesmos.
Penso que se compreendemos o outro, suas visões e filosofias, somos capazes de ama-lo, porque não é preciso entender para se amar, mas antes de tudo compreender e respeitar.
Se as crises se apresentassem e se nos mostrássemos fracos frentes a elas, perderíamos grandes pensadores, e eu, especialmente, perderia grandes amigos, companheiros de luta, que vêem no mundo muitos problemas como eu vejo e que não temem nada pra defender a VERDADE QUE ELEGERAM PRA SI MESMOS.
Que todos encontrem as SUAS verdades e que as defendam sempre!

*** Texto escrito especialmente para o Isaías Souza, quase historiador, grande pensador, questionador e amigo. ***

Juiz de Fora, entre 09 e 13 de janeiro de 2011
Edylane Costa

6 Comentários:

Isaías Souza disse...

Dy como sempre, generosa nos comentários dirigido a mim. E depois, eu é que escrevo bem, não é? Rs! Ah mestranda...
Essa de colocar em dúvida sobre nossa capacidade de ler ou o Marc Bloch de escrever, foi genial! Muito boa! Morri de rir sozinho aqui... e o pior é que achamos mesmo que ele é complicado, que não escreve direito. Aí volta no texto, talvez um ano, um ano e meio depois (no meu caso) sabendo inclusive das condições em que o texto foi escrito e entende porque Bloch é “o cara”!
Olha Dy, já havia dito a você que adivinhou do que eu trataria na segunda parte do texto. E é verdade. Mas sou obrigado a confessar algo, até por gratidão: Se eu não desisti até a metade do curso, confesso uma pessoa específica tem mérito especial por isso. Sabe de quem estou falando e vou saber reconhecer na hora certa.
Mas o que você disse, retorno para você. Se você tivesse desistido, não teríamos uma ótima historiadora, MESTRANDA PELA UFF (uhúúú), futura doutora não sei por onde ainda (mas acredito piamente nisso) e uma amiga cada vez mais ímpar na minha vida!
Texto ótimo. Demonstra extenso amadurecimento e que realmente, as experiências são muito pessoais, porém na verdade, os conflitos se repetem. Gostaria que muitos professores do ensino superior lessem essas coisas e enxergassem de verdade sobre o que tratam nos currículos dos cursos (principalmente pela ótica das diferenças e dificuldades de cada acadêmico) e pudessem repensar se ajudam mesmo na nossa formação, se estão realmente ajudando-nos a superar tais crises ou nos fazendo afundar cada vez mais nelas, com a desculpa de que “temos que amadurecer sozinhos, intelectualmente”, como escutei da boca de um “doutor” certa vez. Isso nós, das Humanas. Imagine um acadêmico de Engenharia, que estuda Cálculo 1,2,5,10... é o maior índice de evasão de cursos das universidades. Poucos são os professores que param para ajudar os alunos que estão em dificuldade ou em conflito. Por que ao invés de marretarem e reprovarem a pessoa, não aplicam uma primeira prova, veem as dificuldades de cada um e formam grupos de estudo para sanar as dificuldades? Poxa, alguns deles ganham entre oito e doze mil reais por mês, principalmente os doutores. Na História, pode contar nos dedos de uma mão os que não são doutores ou pós-doutores.
Agora, sabendo disso, cabe a nós, com essa nossa mentalidade, chutar a cara desse círculo vicioso (e porque não ganancioso) e tentar mudar alguma coisa. Mesmo que seja somente no nosso micromundo.
Obrigado pelo carinho Dy. Você JÁ É uma grande vencedora. Lembre-se sempre disso, mesmo nos momentos de maior dificuldade. Não está na UFF porque estava brincando em cima do muro e caiu lá dentro. Está porque FOI ESCOLHIDA. Enxergo seu futuro de forma brilhante.
Beijo no coração querida! Força sempre! Afinal de contas, algo me diz que ainda vou te pedir ajuda nas minhas dificuldades...

josenia disse...

EDYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY
ADOREIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
UIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Para ser grande, SÊ inteiro. (Pessoa)

baranga disse...

Edy, não acredito q além de linda e bem humorada vc ainda é intelgentchy!
Gentem...

Dy Costa disse...

Oi, Isaias!
Como sempre muito carinhoso em seus comentários!
Obrigada pela atenção, querido!
é mesmo de uma raridade incrível!
beijo!

Dy Costa disse...

Oi, Jho!
que bom você por aqui!
Pois é, emnina, eu escrevo de vez em quando!
Ainda sou meio envergonhada em publicar, mas de vez em quando vou coloca-los aqui!
volte sempre, querida!
beijo grande

Dy Costa disse...

Oi, barangaaaaaaaa!
Você por aqui de novo!
Ah, que bom que está gostando!
bem humorada eu sou, mas linda é por sua conta!
e inteligente, bem, acho que engano bem!
beijo grandão

Postar um comentário