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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Quem sou eu? Eu serei tudo!


Mais uma madrugada insone...
Mais uma vez, resolvi dar uma volta pelas redes sociais em que participo. Ver como estão as coisas, como as pessoas usam o seu tempo pra passar o tempo. Nesse meu passeio virtual passei em um bar virtual. O Bar dos Amigos. Encontrei posts de amigos virtuais que já se tornaram reais e de outros que nem conheço. Encontrei com uma bela poetisa, Clarice. Lispector, sim, ela mesma. Uma mulher que de tão sensível chega a doer.
Deparei-me também com uma questão quase filosófica, modinha nessas redes: “Quem sou eu?”. Mas essa questão para mim sai do “quase” para o completamente “filosófica”.
Quem sou eu? E é disso que vou falar.
Fernando Pessoa, e suas várias facetas, se contradiz: ora diz que “eu sou quem eu não sou”, ora diz que “tudo serei”. No fim das contas ninguém sabe ao certo quem é. E todos se lançam nessa busca.
Ainda estou tentando me definir, buscar uma resposta “bonitinha” para essa questão, mas por enquanto, o que sei é que me encontro nas definições poéticas que vou lendo, nas músicas que gosto, nas pessoas quem admiro e todas essas vão, aos poucos, se transformando no meu “eu”. É como se Neruda soubesse exatamente como funciona esse processo de construção de minha persona quando escreve que:

“tu eras também uma pequena folha
Que tremia no meu peito.
O vento da vida pos-te ali.
A princípio não te vi, não soube
Que ias comigo,
Até que suas raízes
Atravessaram o meu peito,
Se uniram aos fios do meu sangue,
Falaram pela minha boca,
Floresceram comigo.” (Pablo Neruda)

Aqui ele toca no meu ponto favorito: em quão importante são essas pequenas folhas que tremiam no meu peito e que aos poucos foram se fixando em minha vida, me emprestando um pouco do que eram pra eu me tornasse o que sou. Acho fundamental essa idéia de que somos parte de tudo e todos que nos cercam.
Mesmo assim, ainda tenho a certeza de que  

“eu não sou boa, nem quero ser, contento-me em desprezar quase todos, odiar alguns, estimar raros e amar apenas um” (Florbela Espanca)

ou ainda que

“sou uma cética que crê em tudo; uma desiludida cheia de ilusões; uma revoltada que aceita, sorridente, todo mal da vida; uma indiferente a transbordar de ternura” (Florbela Espanca)

Uma enorme contradição, um emaranhado de conceitos e pensamentos que não estão prontos e acabados, mas em eterna construção, em eterna metamorfose e essas mudanças são naturais e benfazejas: nos permite brincar de sermos nós mesmos, só que de maneiras diferentes. Podemos nos dar ao luxo de acordar “meio Amelie Poulin” e complicar tudo, criar mil especulações sobre um assunto e no final perceber que deu tudo certo e que nossas confabulações contra nós mesmos eram só um meio de nos entreter. Podemos ainda acordar “meio Garfield” odiando a segunda-feira, querendo só comer – uma boa lasanha – e dormir o dia todo e faltamos o trabalho, alugamos nosso filme favorito, tiramos um dia para ter um encontro com uma pessoa especial: o nosso eu! E pronto! No outro dia somos só sorrisos!
Engraçado isso me faz perceber que às vezes sou “de lua” Ra escondida, ora brilhando, mas sempre crescendo, mudando e aprendendo.
Aprendi que

“Eu sou uma eterna apaixonada por palavras. Música. E pessoas inteiras. Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias são chatas e me dão sono. Gosto de quem mete a cara, arrisca o verso, desafia a vida...
Eu sou criança. E vou crescer assim. Gosto de abraçar apertado, sentir alegria inteira, inventar mundos, inventar amores. O simples me faz rir, o complicado me aborrece.” (Fernanda Mello)

Descobri que assim como eu, várias pessoas não sabem muito bem quem são e se definem com o que gostam, porque são as suas escolhas que as fazem como elas são, numa espécie de círculo vicioso, onde você faz sua escolha e sua escolha faz você.
E já que a vida é feita de escolhas, sou obrigada a concordar com Fernando Sabino que nos diz que

“o diabo desta vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove”,

Mas sou também consciente de que uma vez feita a escolha ela deve ser vivida intensamente, para que traga o máximo de benefícios, de conhecimento e de alegrias. Já que Clarice Lispector diz que

“O que realmente somos é aquilo que o impossível cria em nós”

Devemos saber aproveitar cada momento, cada segundo e transformar cada impossibilidade numa nova possibilidade que não era vista por nós, mas que se descortina aos nossos olhos frente aos novos desafios.

“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” (Clarice Lispector)

Eis aí o ponto máximo da minha reflexão sobre quem sou eu!
Não é preciso encontrar a resposta!
Não há um texto pronto e tão pouco será escrito um que realmente venha definir quem sou eu, por qualquer que seja esse “eu”.
Basta que saibamos viver! E pra se viver não é preciso se entender, apenas se deixar levar e aproveitar.
Desbravar os caminhos que despontam aos nossos pés é que é a grande tônica: é seguindo nesses caminhos que nos descobrimos, nos formamos e nos tornamos um EU COMPLETO. Aprendemos a nos lapidar e a conservar a nossa raridade enquanto pessoas, enquanto seres únicos e especiais para nós e para quem nos rodeia e, nessa unicidade, devemos nos permitir ser seletos também, procurar os raros como nós, pois pelo menos eu, ah, eu

“Não sou pra todos. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestades. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias.” (Caio Fernando Abreu)

E enquanto eu vou tentando descobrir cada vez mais “quem sou eu” vou seguindo os conselhos sábios de Gabriel Garcia Marques: dormindo pouco e sonhando muito, entendendo que

“por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz”.

Que continuemos nossas buscas pelo nosso EU!
Muita luz pra todos nós.

Dy Costa

4 Comentários:

baranga disse...

Dy, sua phyna, to achando esse blog um loosho.
Posta mais q o povo quer ler.

Arione Torres disse...

Oi, sou Arione. Seu blog é lindo. Estou seguindo. Segue o meu?
http://www.arionetorres.blogspot.com/
Uma abraço...fica com Deus.

Dy Costa disse...

Oi, baranga!
Obrigada por sempre visitar meu blog e por comentar!
fico muito feliz com suas visitas!

Venha sempre que quiser!
Seu blog também é um loooshoooo!

beijo

Dy Costa disse...

Oi,Arione!
Obrigada pela visita!
Já entrei como sua seguidora!
beijo

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