Visitas da Dy

domingo, 18 de abril de 2010

valores

Elegemos valores pra nossa vida... Eles formam nossa personalidade, nosso caráter, nosso modo de ver e até de sentir as coisas.
Sempre me achei um bicho estranho no mundo... Meus valores eram muito diferentes de todos que as pessoas elegiam. Alguma coisa definitivamente estava errada.
A importância que eu dou ao coletivo, o valor de minha palavra, a nobreza do sentimento, a lealdade... ah, essa bendita - ou será maldita? - lealdade... talvez seja, dos valores que tenho o que mais me orgulho e o que mais me dói. Explico: essa tal lealdade, por vezes, me fez cumprir a minha palavra, passando por cima de meus próprios sentimentos, de minhas próprias alegrias. Muitas vezes abri mão de mim mesma pra ser leal à minha palavra, dada a alguém, que julguei - ou ainda julgo - especial.
Essa é a questão.
Passei muito tempo semdo leal aos outros, essquecendo-me de mim, deixando de lado meus sonhos, meus desejos, meus planos. Pensei, diversas vezes em não magoar, em não ferir, não decepcionar as pessoas, ainda que isso me doesse, que me corroesse por dentro como um ácido, num processo lento e dorido...
O resultado foi bem interessante: uma alma medieval, completamente perdida num mundo que não era o seu, convivendo com pessoas extremamente indivudualistas - ou como diria um amigo, umbigocentricas - e eu, na contra-mão de tudo isso, querendo mudar o mundo, pensando no coletivo, no outro e me deixando em segundo plano.
Não me arrependo. Aprendi muito. Faria tudo de novo, os mesmo erros, mesmos acertos, porque todas as coisas e cada uma delas nos trás bons ensinamentos. Aprendi a ser mais maliciosa, a não ser tão boazinha, a não confiar plenamente em ninguém, a não valorizar tanto as pessoas, a não criar expectativas.
Agora adotei uma nova visão: o melhor é ser leal a mim mesma e aos meus sentimentos - claro, a ideia de não magoar, de não mentir ou ferir continua valendo, mas me coloquei em primeiríssimo - como diria o bom e velho José Dias de "Dom Casmurro", Machado de Assis - plano.
Descobri que o maior valor que posso ter é o de me valorizar, depois vem a lealdade, mas essa é para comigo, e só depois para com os outros.
Parei de tentar mudar o mundo. Ele não quer ser mudado.
Parei de pensar no coletivo. Todos só pensam em si mesmos, porque eu seria tão diferente?
Parei de andar na contra-mão. Isso cansa, machuca, desgasta e no fim, nada se resolve.
Parei de ver o mundo com a inocência e a doçura que me eram comuns. O mundo é feio, violento, cruel e fede.
Parei de sonhar com um socialismo, não o sistema polítco, nos moldes russos, ou ainda nas teorias dos livros, mas um socialismo mais amplo e vivenciado, onde as pessoas se tornariam mais sociáveis mesmo, a comunidade mais valorizada, coletiva. O mundo é CAPETALISTA - sim, com "e", porque um sistema econômico que se impõe e que afasta as pessoas não é de Deus não! rs (e olha quen creio nessa história de Diabo X Deus).
Parei de achar que as pessoas me dão a mesma importância que dou a elas. Pouquissimos ainda se importam com os outros.
Parei de achar que tenho muitos amigos. Os verdadeiros, que se importam de fato, ah, esses cabem em uma mão, no máximo em duas, me esforçando.

As pessoas não têm os mesmo valores que eu, não pensam como eu, não amam como eu... também se fosse assim o mundo seria chato: várias pessoas em crises filosóficas e existenciais ao mesmo tempo seria um pandemônio...
As pessoas têm, na verdade, seus próprios valores, mas, na verdade, nem são tão "próprios" assim: são só manipuladas pelo dinheiro, pelo poder e pela ambição, sem se darem conta de como são usadas pelo sistema.

Mais uma vez tenho a sensação de estranheza desse mundo.
Mais uma vez me vejo perdida em um lugar que não é o meu.
Mais uma vez me vejo sendo alvo de minhas próprias questões, buscando respostas que não sei onde estão, explicações que acho que nem existem e uma luz no fim do túnel, quando na verdade nem sei se há o túnel, quanto mais a luz...

Então é isso... linhas que desejavam sair da minha cabeça já há algum tempo, mas que por falta de tempo só sairam agora, aliviando a alma com paradigmas completamente diferentes daqueles que o mundo tem.

por hoje é só.

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